{"id":24355,"date":"2024-09-16T09:55:00","date_gmt":"2024-09-16T12:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/?p=24355"},"modified":"2024-09-13T16:01:50","modified_gmt":"2024-09-13T19:01:50","slug":"livros-classicos-mantem-seu-legado-na-literatura-contemporanea-ao-abordar-temas-universais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/livros-classicos-mantem-seu-legado-na-literatura-contemporanea-ao-abordar-temas-universais\/","title":{"rendered":"Livros cl\u00e1ssicos mant\u00eam seu legado na literatura contempor\u00e2nea ao abordar temas universais"},"content":{"rendered":"\n<p>Texto de St\u00e9fani Fontanive para o <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/livros-classicos-mantem-seu-legado-na-literatura-contemporanea-ao-abordar-temas-universais\/\">Jornal da Universidade<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Literatura | Obras cl\u00e1ssicas marcam diferentes culturas e gera\u00e7\u00f5es, provocando reflex\u00f5es sobre senso de comunidade, pertencimento e humanidade<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/wp-content\/uploads\/image-100-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-24357\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/wp-content\/uploads\/image-100-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/wp-content\/uploads\/image-100-300x200.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/wp-content\/uploads\/image-100-768x512.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/wp-content\/uploads\/image-100-720x480.png 720w, https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/wp-content\/uploads\/image-100-272x182.png 272w, https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/wp-content\/uploads\/image-100.png 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">                                                                                                                                                                                                                                                                                         <em>Foto: Pietro Scopel<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 2014, a prova de reda\u00e7\u00e3o do vestibular da UFRGS teve como tema uma pergunta:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/ufrgs\/noticias\/candidatos-apontam-seu-livro-classico-em-tema-da-redacao\"><em>\u201cQual \u00e9 o seu cl\u00e1ssico?\u201d<\/em><\/a>. O texto orientador apontava: o \u201cseu\u201d cl\u00e1ssico \u00e9 \u201caquele que nunca saiu da sua cabe\u00e7a, aquele que voc\u00ea sempre volta a ler\u201d. Mas n\u00e3o foi apenas na reda\u00e7\u00e3o que os cl\u00e1ssicos estavam presentes no vestibular \u2013 eles sempre figuram nas leituras obrigat\u00f3rias, inclusive agora, na sele\u00e7\u00e3o de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender a import\u00e2ncia dos cl\u00e1ssicos, \u00e9 preciso examinar o que os torna o que s\u00e3o \u2013 e por que, ainda hoje, \u00e9 relevante l\u00ea-los. O conceito de cl\u00e1ssico pode variar conforme a localiza\u00e7\u00e3o, a \u00e9poca e a perspectiva te\u00f3rica. A defini\u00e7\u00e3o varia, mas a sua leitura n\u00e3o: essas obras seguem sendo lidas, seja por escolha do leitor ou por exig\u00eancia acad\u00eamica \u2013 durante a prepara\u00e7\u00e3o para o vestibular, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>O dicion\u00e1rio define \u201ccl\u00e1ssico\u201d como algo que segue os padr\u00f5es estabelecidos ou que se relaciona com a literatura e cultura da Antiguidade greco-latina. Mas a professora do Instituto de Letras da UFRGS Cl\u00e1udia Luiza Caimi traz outras reflex\u00f5es sobre o conceito, refor\u00e7ando que a literatura \u00e9 algo fluido. Respons\u00e1vel pela disciplina Leituras Orientadas I e II, que introduz essas obras para os alunos de Letras da UFRGS, Claudia relembra que os cl\u00e1ssicos s\u00e3o livros conhecidos e reconhecidos \u2013 tanto em sua \u00e9poca como por redescoberta. Al\u00e9m disso, s\u00e3o livros que ressoam para o leitor de hoje, mesmo escritos h\u00e1 muitos anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, ainda, outro ponto: a defini\u00e7\u00e3o temporal do que \u00e9 uma obra cl\u00e1ssica. Segundo o pesquisador da \u00c9cole Normale Sup\u00e9rieure de Lyon (Fran\u00e7a) Bruno Anselmi, na Europa considera-se cl\u00e1ssico o que foi escrito antes da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789-1799); ap\u00f3s esse per\u00edodo, classifica-se como contempor\u00e2neo. Por outro lado, na Am\u00e9rica Latina, obras mais recentes j\u00e1 s\u00e3o consideradas cl\u00e1ssicas. \u201cPor um lado, ler Jane Austen pode ser a descoberta de uma \u00e9poca a qual n\u00e3o temos acesso, mas ler Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez \u00e9 descobrir uma \u00e9poca muito pr\u00f3xima\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Calvino e a defini\u00e7\u00e3o de cl\u00e1ssico<br><\/h3>\n\n\n\n<p>Ao refletir sobre o conceito de cl\u00e1ssico, Cl\u00e1udia cita a obra do escritor \u00cdtalo Calvino, que, em 1981, teorizou sobre a import\u00e2ncia de ler essas obras. O autor argumenta que toda leitura de um cl\u00e1ssico \u00e9, de certa forma, uma releitura e uma nova descoberta. Essas obras chegam aos seus leitores com marcas de leituras anteriores \u2013 seja por j\u00e1 terem sido realmente lidas, na juventude ou inf\u00e2ncia, ou por estarem intrinsecamente ligadas \u00e0 cultura e \u00e0 sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Calvino apresenta, ainda, outras caracter\u00edsticas para definir o que \u00e9 um cl\u00e1ssico:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Os cl\u00e1ssicos s\u00e3o aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: \u201cEstou relendo\u2026\u201d e nunca \u201cEstou lendo\u2026\u201d.<\/li>\n\n\n\n<li>Dizem-se cl\u00e1ssicos aqueles livros que constituem uma riqueza para os que tenham lido e amado, mas constituem uma riqueza n\u00e3o menor para quem se reserva a sorte de l\u00ea-los pela primeira vez nas melhores condi\u00e7\u00f5es para apreci\u00e1-los.<\/li>\n\n\n\n<li>Os cl\u00e1ssicos s\u00e3o livros que exercem uma influ\u00eancia particular quando se imp\u00f5em como inesquec\u00edveis e tamb\u00e9m quando se ocultam nas dobras da mem\u00f3ria, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual.<\/li>\n\n\n\n<li>Toda releitura de um cl\u00e1ssico \u00e9 uma leitura de descoberta como a primeira.<\/li>\n\n\n\n<li>Toda primeira leitura de um cl\u00e1ssico \u00e9 na realidade uma releitura.<\/li>\n\n\n\n<li>Um cl\u00e1ssico \u00e9 um livro que nunca terminou aquilo que tinha para dizer.<\/li>\n\n\n\n<li>Os cl\u00e1ssicos s\u00e3o aqueles livros que chegam at\u00e9 n\u00f3s trazendo consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e atr\u00e1s de si os tra\u00e7os que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram (ou mais simplesmente na linguagem ou nos costumes).<\/li>\n\n\n\n<li>Um cl\u00e1ssico \u00e9 uma obra que provoca incessantemente uma nuvem de discursos cr\u00edticos sobre si, mas que continuamente a repele.<\/li>\n\n\n\n<li>Os cl\u00e1ssicos s\u00e3o livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando s\u00e3o lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, in\u00e9ditos.<\/li>\n\n\n\n<li>Chama-se de cl\u00e1ssico um livro que se configura como equivalente ao universo, \u00e0 semelhan\u00e7a dos antigos talism\u00e3s.<\/li>\n\n\n\n<li>O \u201cseu\u201d cl\u00e1ssico \u00e9 aquele que n\u00e3o pode ser-lhe indiferente e que serve para definir a voc\u00ea pr\u00f3prio em rela\u00e7\u00e3o e talvez em contraste com ele.<\/li>\n\n\n\n<li>Um cl\u00e1ssico \u00e9 um livro que vem antes dos outros cl\u00e1ssicos; mas quem leu antes dos outros e depois l\u00ea aquele reconhece logo o seu lugar na genealogia.<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9 cl\u00e1ssico aquilo que tende a relegar as atualidades \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de barulho de fundo, mas ao mesmo tempo n\u00e3o pode prescindir desse barulho de fundo.<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9 cl\u00e1ssico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompat\u00edvel.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Perman\u00eancia ao longo do tempo<\/h3>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de&nbsp;<em>A Megera Domada<\/em>, de William Shakespeare, \u00e9 familiar para muitos que assistiram ao filme&nbsp;<em>10 Coisas que Eu Odeio em Voc\u00ea<\/em>. Da mesma forma,&nbsp;<em>Emma<\/em>, de Jane Austen, \u00e9 reconhecida por quem viu&nbsp;<em>As Patricinhas de Beverly Hills<\/em>. O protagonista de&nbsp;<em>Orgulho e Preconceito,&nbsp;<\/em>obra mais c\u00e9lebre de Austen, moldou os personagens rom\u00e2nticos nos s\u00e9culos seguintes; Mr. Darcy n\u00e3o apenas gerou in\u00fameras adapta\u00e7\u00f5es para o cinema e a televis\u00e3o, como tamb\u00e9m inspirou novos livros, como&nbsp;<em>O Di\u00e1rio de Bridget Jones<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Claudia, em todo o romance contempor\u00e2neo h\u00e1 um pouco de Jane Austen. \u201cEla est\u00e1 sempre muito presente, uma esp\u00e9cie de modelo que produz\u201d, explica. J\u00e1 para a designer de interiores Emily Lorrany, que participa do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.queridoclassico.com\/p\/clube-do-livro-querido-classico.html\">Querido Cl\u00e1ssico<\/a>, clube do livro dedicado \u00e0 leitura dessas obras, \u201ctodos os livros t\u00eam um pouco de Odisseia [de Homero]\u201d, seu preferido. Como diz Calvino, \u201ctoda primeira leitura de um cl\u00e1ssico \u00e9 na realidade uma releitura\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno Anselmi aponta que h\u00e1 uma tend\u00eancia de que as grandes hist\u00f3rias tenham vers\u00f5es em todas as m\u00eddias. O pesquisador assinala que hoje vivemos conectados \u00e0 internet e temos mais formas de consumir hist\u00f3rias, o que traz outra defini\u00e7\u00e3o de livros cl\u00e1ssicos: s\u00e3o hist\u00f3rias que ressoam, mesmo atrav\u00e9s dos tempos, em seus leitores.&nbsp;<em>Orgulho e Preconceito<\/em>&nbsp;se tornou uma s\u00e9rie no YouTube, com o canal The Lizzie Bennet Diaries (O Di\u00e1rio de Lizzie Bennet), em que Elizabeth agora \u00e9 uma estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e tem um canal no YouTube em que conta sua hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao pensarmos na caracter\u00edstica \u201cum cl\u00e1ssico nunca terminou aquilo que tinha para dizer\u201d, lembramo-nos de outra defini\u00e7\u00e3o para essas obras: elas ressoam nos leitores. Mia Sodr\u00e9, mestranda em Estudos Liter\u00e1rios pela UFRGS e fundadora do Querido Cl\u00e1ssico, afirma que os cl\u00e1ssicos contam as hist\u00f3rias ditas universais. S\u00e3o temas como amor, rela\u00e7\u00f5es familiares, vingan\u00e7a, guerras, luto, que seguem presentes ao longo dos s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de seu artigo ser intitulado&nbsp;<em>Por que ler os cl\u00e1ssicos<\/em>, Calvino traz outra reflex\u00e3o: a do equil\u00edbrio. Para o autor, um leitor n\u00e3o pode apenas se debru\u00e7ar sobre os cl\u00e1ssicos e esquecer da produ\u00e7\u00e3o atual: \u00e9 preciso ler ambos, afinal, \u201co rendimento m\u00e1ximo da leitura dos cl\u00e1ssicos adv\u00e9m para aquele que sabe alter\u00e1-la com a leitura de atualidades numa s\u00e1bia dosagem\u201d. Ao abordarem quest\u00f5es universais, resistirem ao tempo e marcarem culturas e gera\u00e7\u00f5es, os cl\u00e1ssicos nos ajudam a conhecer a hist\u00f3ria. Por outro lado, os livros atuais refletem a realidade em que vivemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na leitura das produ\u00e7\u00f5es atuais h\u00e1, tamb\u00e9m, outro ponto: elas podem vir a ser cl\u00e1ssicas. Os cl\u00e1ssicos de hoje s\u00e3o livros que podem ou n\u00e3o ter marcado a gera\u00e7\u00e3o em que foram lan\u00e7ados, mas s\u00e3o obras que sobreviveram ao tempo, tanto por seu conte\u00fado quanto por quest\u00f5es mercadol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao questionar os leitores e especialistas entrevistados sobre a possibilidade de prever se um livro se tornaria cl\u00e1ssico ou n\u00e3o, a resposta consensual foi: ainda que n\u00e3o seja poss\u00edvel prever, livros com temas universais, que exemplificam uma \u00e9poca, apresentam uma boa narrativa e uma boa hist\u00f3ria t\u00eam boa chance de se encaixarem nesse crit\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/DSC_8088.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-93196\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Pietro Scopel\/JU<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">C\u00e2none ou cl\u00e1ssico?<\/h3>\n\n\n\n<p>Uma obra s\u00f3 se torna cl\u00e1ssica por sobreviver. Mas, al\u00e9m do conceito de cl\u00e1ssico, ao abordarmos essas obras notamos que, normalmente, se atrelam, tamb\u00e9m, ao que se define por c\u00e2none: conjunto de regras, livros ou autores com que obras dadas como autoridades, oficiais ou exemplares em suas \u00e1reas est\u00e3o contempladas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a entre c\u00e2none e cl\u00e1ssico reside em suas origens e fun\u00e7\u00f5es na literatura. O c\u00e2none liter\u00e1rio \u00e9 uma lista arbitr\u00e1ria de obras consideradas essenciais por um grupo espec\u00edfico de cr\u00edticos, acad\u00eamicos ou institui\u00e7\u00f5es. Essa sele\u00e7\u00e3o, muitas vezes, reflete uma perspectiva particular, como a predomin\u00e2ncia de autores brancos e eurocentrados, e pode ser vista como um \u201cpedestal\u201d que confere status \u00e0s obras. \u201cO c\u00e2none \u00e9 um exerc\u00edcio de poder que uma certa elite letrada exerce sobre a forma\u00e7\u00e3o de uma disciplina\u201d, aponta o jornalista e mestre em Letras Felipe Maciel.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, os cl\u00e1ssicos s\u00e3o obras que, \u201cde alguma forma, as pessoas que vieram antes de n\u00f3s colocaram em um patamar diferenciado\u201d, e complementa que elas seguem dialogando com a atualidade, com o passar do tempo, oferecendo reflex\u00f5es relevantes aos leitores. \u201cN\u00e3o importa o tempo que passe sobre elas, elas continuar\u00e3o conversando com a gente\u201d, explica.\u00a0Embora a no\u00e7\u00e3o de cl\u00e1ssico tamb\u00e9m possa ser influenciada por padr\u00f5es culturais e hist\u00f3ricos, ela \u00e9 menos r\u00edgida e mais aberta \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o. Livros s\u00e3o constantemente redescobertos e podem se tornar cl\u00e1ssicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso da escritora&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/julia-lopes-de-almeida-e-a-falencia-da-sociedade-desigual\/\">J\u00falia Lopes de Almeida.<\/a>&nbsp;Uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras, J\u00falia n\u00e3o recebeu uma cadeira porque, \u00e0 \u00e9poca da funda\u00e7\u00e3o, a institui\u00e7\u00e3o seguiu o padr\u00e3o europeu em que apenas autores homens podiam ser membros. Com o passar do tempo, suas obras&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/resgate-de-contos-de-julia-lopes-de-almeida-e-ato-de-devolucao-da-autora-a-literatura\/\">foram resgatadas<\/a>&nbsp;e inclu\u00eddas na historiografia liter\u00e1ria nacional \u2013 uma delas,&nbsp;<em>A fal\u00eancia,<\/em>&nbsp;inclusive \u00e9 uma das leituras obrigat\u00f3rias do vestibular da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno traz ainda outro ponto acerca dos cl\u00e1ssicos: a necessidade de tir\u00e1-los de um pedestal. Cl\u00e1udia explica que muitas obras s\u00e3o, sim, dif\u00edceis de ler e necessitam de um aux\u00edlio e monitoria, mas \u00e9 preciso tentar. Para Bruno, \u00e9 um caminho natural para os leitores, mesmo que n\u00e3o obrigat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Afinal, por que ler os cl\u00e1ssicos?<\/h3>\n\n\n\n<p>e acordo com Mia, ler os cl\u00e1ssicos \u00e9 encontrar uma identifica\u00e7\u00e3o. Ao serem questionados sobre qual a import\u00e2ncia de se ler essas obras, a opini\u00e3o dos entrevistados convergia em um verbo: conhecer. Ao conhecer os cl\u00e1ssicos, se conhece uma \u00e9poca, a sociedade e, ainda, a cultura atual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>\u201cA gente consegue se conhecer quando olha para o passado.\u201d<\/em> Mia Sodr\u00e9<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para entendermos o presente, \u00e9 necess\u00e1rio olhar para o passado. Como explica Calvino, a sociedade atual \u00e9 banhada e constru\u00edda em cima dos conceitos e das hist\u00f3rias cl\u00e1ssicas. Al\u00e9m disso, Mia acredita que, ao ler os cl\u00e1ssicos, \u00e9 poss\u00edvel encontrar uma identifica\u00e7\u00e3o, entender que as hist\u00f3rias se repetem e que as experi\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o individuais, mas, sim, compartilhadas. Para ela, acessar essas obras nos permite refletir sobre o senso de comunidade e entender o que nos faz humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Carolina Bernardes Haubert, participante do Querido Cl\u00e1ssico e bacharel em Teatro na UFRGS, afirma que ler os cl\u00e1ssicos \u00e9 importante \u201cnem que seja para dizer: n\u00e3o gostei desse livro\u201d. Ela acrescenta que \u00e9 por meio dessa leitura que se constr\u00f3i e define o senso cr\u00edtico, ao conseguir ler, entender e perguntar o porqu\u00ea de uma obra ser um cl\u00e1ssico. \u201cLiteratura n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 entretenimento, \u00e9 tamb\u00e9m forma de aprendizado\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra raz\u00e3o que justifica a leitura dessas obras s\u00e3o as reflex\u00f5es trazidas por elas. \u201cAquela obra sempre vai fazer com que voc\u00ea vivencie uma reflex\u00e3o profunda sobre alguma quest\u00e3o trabalhada nela\u201d, acrescenta Felipe.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>\u201cO cl\u00e1ssico \u00e9 sempre atual porque lemos com a mente da nossa \u00e9poca, do nosso tempo, e a obra est\u00e1 nos dizendo algo que, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o evidente assim.\u201d<\/em> Cl\u00e1udia Luiza Caimi<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para um indiv\u00edduo, o seu cl\u00e1ssico \u00e9 aquele livro que toma um lugar na sua vida e se torna, de certa forma, essencial. Na sociedade, essa tamb\u00e9m \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o. Cl\u00e1ssicos se tornam cl\u00e1ssicos por marcarem fortemente uma \u00e9poca ou algu\u00e9m a ponto de seu material sobreviver ao tempo e chegar&nbsp;<ins>\u00e0<\/ins>&nbsp;atualidade, sendo lido, relido e revisitado. Suas hist\u00f3rias ressoam ainda hoje&nbsp;<ins>por terem<\/ins>&nbsp;temas chamados \u201cuniversais\u201d e que ainda fazem&nbsp;<ins>o<\/ins>&nbsp;<ins>leitor<\/ins>&nbsp;<ins>refletir<\/ins>&nbsp;<ins>sobre<\/ins>&nbsp;e&nbsp;<ins>analisar<\/ins>&nbsp;as quest\u00f5es propostas, al\u00e9m de serem repert\u00f3rio de leitura.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/DSC_8060.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-93250\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/DSC_8114.jpg\" alt=\"Livros Cl\u00e1ssicos - Machado de Assis - Biblioteca Central UFRGS - Foto Pietro Scopel \" class=\"wp-image-93248\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sophia de Mello Breyner Andresen, Ruth Guimar\u00e3es e Machado de Assis s\u00e3o\u00a0<a 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