{"id":7661,"date":"2018-04-26T09:40:00","date_gmt":"2018-04-26T12:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/blogdabc\/?p=7661"},"modified":"2018-04-26T09:40:00","modified_gmt":"2018-04-26T12:40:00","slug":"os100artigoscientificosmais-comentados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/os100artigoscientificosmais-comentados\/","title":{"rendered":"#Os100ArtigosCient\u00edficosMais Comentados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Empresa divulga o ranking com artigos cient\u00edficos que chamaram a aten\u00e7\u00e3o dos leitores nas m\u00eddias sociais em 2017<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reduzir o consumo de gorduras pode n\u00e3o ser a melhor alternativa para diminuir o risco de doen\u00e7as cardiovasculares e de morte, segundo a principal conclus\u00e3o do estudo mais comentado nas m\u00eddias sociais em 2017. O\u00a0<em>paper<\/em>, que recomenda cortar carboidratos, est\u00e1 no topo do ranking dos 100 artigos cient\u00edficos de maior impacto na internet elaborado pela Altmetric, empresa do Reino Unido que monitora a influ\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica por meio n\u00e3o da cita\u00e7\u00e3o em artigos, mas da an\u00e1lise de men\u00e7\u00f5es em sites, redes sociais, Wikipedia, portais de not\u00edcia e blogs. Grande parte das pesquisas mais discutidas no ano passado trata de assuntos como estere\u00f3tipos de g\u00eanero, estigmas em torno de doen\u00e7as mentais e efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Outras abordam t\u00f3picos como planetas capazes de sustentar a vida e o risco de rob\u00f4s roubarem o emprego de seres humanos. O ranking completo est\u00e1 dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"http:\/\/altmetric.com\/top100\/2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">altmetric.com\/top100\/2017\/<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<em>paper<\/em>\u00a0que lidera o ranking de 2017 foi publicado em agosto na revista<em>\u00a0The Lancet<\/em>\u00a0por pesquisadores de v\u00e1rios pa\u00edses, inclusive do Brasil, e avaliou a dieta de aproximadamente 130 mil pessoas em 18 na\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos 10 anos. Segundo a base de dados Scopus, da editora Elsevier, o trabalho recebeu, por enquanto, apenas 10 cita\u00e7\u00f5es em outros artigos. Mas teve impacto importante entre p\u00fablicos variados: foi citado em mais de 7.400 posts no Twitter, 422 p\u00e1ginas no Facebook e 130 sites de not\u00edcias. \u201cGra\u00e7as aos dados da Altmetric \u00e9 poss\u00edvel ter um quadro mais completo do alcance imediato da pesquisa na sociedade\u201d, observa o cardiologista \u00c1lvaro Avezum, diretor da Divis\u00e3o de Pesquisa do Instituto Dante Pazzanese, em S\u00e3o Paulo, e um dos autores do artigo. O n\u00famero de cita\u00e7\u00f5es, ele diz, \u00e9 um par\u00e2metro consagrado para avaliar a relev\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas n\u00e3o fornece pistas de como seus resultados s\u00e3o recebidos pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ranking da Altmetric \u00e9 divulgado anualmente desde 2013 (<a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2016\/12\/16\/impacto-alem-da-academia\/?cat=politica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>ver<\/em>\u00a0Pesquisa FAPESP\u00a0<em>n\u00ba 250<\/em><\/a>). No ano passado, os 100 artigos da lista renderam, no total, mais de 200 mil men\u00e7\u00f5es. A maioria foi feita no Twitter (165 mil), seguido de sites de not\u00edcias (25 mil) e do Facebook (6.164). \u201cAs m\u00eddias sociais s\u00e3o as fontes mais importantes para avaliar o engajamento das pessoas ao compartilhar ou comentar posts em que os artigos cient\u00edficos s\u00e3o divulgados\u201d, explica o especialista brit\u00e2nico em bioinform\u00e1tica Euan Adie, fundador da Altmetric. \u201cJ\u00e1 para analisar o alcance dos\u00a0<em>papers<\/em>, \u00e9 mais interessante considerar a repercuss\u00e3o em ve\u00edculos da imprensa\u201d, completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um artigo publicado em maio na revista\u00a0<em>Research Policy\u00a0<\/em>ficou na segunda posi\u00e7\u00e3o do ranking ao repercutir n\u00e3o s\u00f3 em mais de 7.300 tu\u00edtes, mas tamb\u00e9m em importantes jornais e portais de not\u00edcias, como o espanhol\u00a0<em>El Pa\u00eds<\/em>\u00a0e o norte-americano Yahoo. O estudo mostrou que um ter\u00e7o dos 3.659 estudantes de doutorado das universidades da regi\u00e3o de Flanders, na B\u00e9lgica, corria o risco de desenvolver algum tipo de doen\u00e7a psiqui\u00e1trica. \u201cEmbora seja um problema do ambiente universit\u00e1rio, a discuss\u00e3o sobre as press\u00f5es enfrentadas por quem opta por seguir a carreira acad\u00eamica e os dist\u00farbios psicol\u00f3gicos relacionados \u00e0 vida na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o est\u00e1 em evid\u00eancia no mundo. Isso justifica o interesse do p\u00fablico por esse tema\u201d, comenta o bi\u00f3logo Atila Iamarino, um dos criadores da rede ScienceBlogs Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na terceira posi\u00e7\u00e3o, ficou um\u00a0<em>paper<\/em>\u00a0do\u00a0<em>Journal of American Medical Association<\/em>(<em>Jama<\/em>), assinado por pesquisadores de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos. O estudo examinou dados do Medicare, o sistema de seguros de sa\u00fade gerido pelo governo norte-americano, entre 2011 e 2014, e descobriu que os pacientes com idade igual ou superior a 65 anos tratados por m\u00e9dicas apresentaram taxas de mortalidade significativamente menores em compara\u00e7\u00e3o com aqueles que foram atendidos por profissionais do sexo masculino no mesmo hospital. O estudo sugere que as diferen\u00e7as de g\u00eanero nos padr\u00f5es de pr\u00e1tica m\u00e9dica pode ter implica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas no tratamento dos pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo se percebe, muitos assuntos est\u00e3o relacionados \u00e0 sa\u00fade humana e \u00e0 aptid\u00e3o f\u00edsica\u201d, salienta Euan Adie. Pouco mais da metade da lista (53%) \u00e9 de artigos publicados em revistas m\u00e9dicas ou que se dirigem a quem atua em medicina. \u201cTrata-se de um campo do conhecimento cujos avan\u00e7os cient\u00edficos e as descobertas afetam diretamente a vida das pessoas, diferentemente, por exemplo, da f\u00edsica qu\u00e2ntica.\u201d Um dos artigos que mais fez sucesso em 2017 prop\u00f4s uma metodologia controversa para diagnosticar depress\u00e3o com base em fotos do Instagram. O estudo, publicado na revista\u00a0<em>EPJ Data Science<\/em>\u00a0por pesquisadores das universidades Harvard e de Vermont, nos Estados Unidos, coletou 43.950 fotos publicadas no aplicativo por 166 participantes. As imagens foram analisadas por um software. Ele ajudou a identificar que indiv\u00edduos deprimidos na amostra tendiam a publicar fotos que eram, em m\u00e9dia, mais azuis, mais escuras e mais cinzas do que aquelas publicadas por usu\u00e1rios saud\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, professor da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a lista da Altmetric serve de alerta para que a comunidade cient\u00edfica tome cuidado na forma como os resultados de pesquisa est\u00e3o sendo difundidos para o p\u00fablico. \u201cMuitos estudos em sa\u00fade e medicina s\u00e3o divulgados nas m\u00eddias sociais como definitivos, mas nem sempre os resultados apresentados espelham um consenso dentro da comunidade cient\u00edfica\u201d, afirma Monteiro. \u00c9 o caso, ele diz, da pesquisa que ficou na primeira posi\u00e7\u00e3o no ranking da Altmetric. \u201cApesar de ter ganho as manchetes, o estudo publicado na\u00a0<em>Lancet<\/em>\u00a0tem conclus\u00f5es muito taxativas, como a de que as orienta\u00e7\u00f5es sobre alimenta\u00e7\u00e3o devem ser alteradas, e tem sido alvo de cr\u00edticas de epidemiologistas de todo o mundo, por adotar metodologias question\u00e1veis.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nome do farmac\u00eautico Anderson Martino-Andrade, da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), foi parar na lista da Altmetric ao assinar, junto com pesquisadores de outros pa\u00edses, um artigo que identificou um decl\u00ednio de mais de 50% na concentra\u00e7\u00e3o de espermatozoides em homens ocidentais. O trabalho teve ampla repercuss\u00e3o principalmente em sites de not\u00edcia, sendo citado em 396 reportagens em v\u00e1rios pa\u00edses. \u201cAnalisamos 185 estudos publicados sobre o assunto entre 1981 e 2013, que analisaram um total de 42 mil amostras de s\u00eamen. Algumas hip\u00f3teses para explicar a baixa concentra\u00e7\u00e3o de espermatozoides \u00e9 o aumento da obesidade, o tabagismo, o estresse e a crescente exposi\u00e7\u00e3o a agrot\u00f3xicos\u201d, explica Martino-Andrade. \u201cTrata-se de um tema controverso entre pesquisadores, porque h\u00e1 grupos que contestam que haja um decl\u00ednio na concentra\u00e7\u00e3o de espermatozoides e que isso possa afetar a reprodutibilidade humana. O p\u00fablico tamb\u00e9m deveria ser informado sobre esse tipo de conflito, muito comum, que existe na ci\u00eancia\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Euan Adie, da Altmetric, chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que nem sempre os artigos ganham notoriedade na internet exatamente por suas contribui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. \u201cMuitos\u00a0<em>papers<\/em>\u00a0caem na boca do povo nas m\u00eddias sociais devido a erros detectados ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o ou porque o assunto tratado \u00e9 pol\u00eamico por si s\u00f3\u201d, diz. Ele conta que nessa \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do ranking n\u00e3o houve casos de erros ou fraudes, mas recorda de situa\u00e7\u00f5es incomuns registradas em anos anteriores. \u201cHouve uma vez que o artigo estava no top 100 porque o autor havia escrito um pedido de casamento na se\u00e7\u00e3o de agradecimentos.\u201d Em 2014, um trabalho foi muito comentado nas m\u00eddias sociais por causa de um descuido dos autores e dos editores do\u00a0<em>Journal of Ethology<\/em>. O artigo, que tratava da varia\u00e7\u00e3o de n\u00edvel de melanina, pigmento que d\u00e1 cor \u00e0 pele, em diferentes ambientes, foi publicado com um coment\u00e1rio inusitado sobre uma das refer\u00eancias que eram citadas no texto: \u201cDevemos citar a porcaria do artigo de Gabor aqui\u201d. O\u00a0<em>paper<\/em>\u00a0foi substitu\u00eddo por uma nova vers\u00e3o, mas isso n\u00e3o foi suficiente para evitar a enxurrada de coment\u00e1rios na internet, quase todos zombando do deslize cometido pelos autores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tweets, posts e zika<br \/>\n <\/strong><br \/>\n Para avaliar a import\u00e2ncia nacional e internacional da divulga\u00e7\u00e3o de artigos nas m\u00eddias sociais, pesquisadores do Brasil, Canad\u00e1 e Estados Unidos investigaram como papers sobre o v\u00edrus zika foram compartilhados por usu\u00e1rios do Facebook e do Twitter no primeiro semestre de 2016, quando a doen\u00e7a foi declarada emerg\u00eancia internacional pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho, publicado em janeiro na revista PLOS ONE, mostrou que, apesar de a l\u00edngua inglesa prevalecer nos posts das duas redes sociais, no Facebook cerca de 24% das postagens foram feitas em outros idiomas, com destaque para o portugu\u00eas e o espanhol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No estudo, observou-se tamb\u00e9m que posts comentando artigos com pelo menos um autor brasileiro tiveram 13% mais chance de serem escritos em portugu\u00eas no Facebook do que no Twitter. \u201cOs resultados indicaram que a comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre zika nas m\u00eddias sociais foi dominada pelo ingl\u00eas, embora o Brasil seja considerado o epicentro da epidemia\u201d, comenta Germana Barata, pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Estudos Avan\u00e7ados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor-Unicamp) e autora principal do estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo Twitter, pesquisadores publicam mais em ingl\u00eas e, com isso, alcan\u00e7am audi\u00eancias mais globais. J\u00e1 no Facebook, o impacto dos posts escritos em l\u00ednguas n\u00e3o inglesas \u00e9 local\u201d, explica Germana, que faz est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado na Universidade Simon Fraser, no Canad\u00e1, na \u00e1rea de ci\u00eancias da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, a an\u00e1lise indica que as informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas seriam mais bem difundidas para as popula\u00e7\u00f5es atingidas se os editores considerassem divulgar resultados em portugu\u00eas ou espanhol via Facebook.<\/p>\n<p>Fonte: Texto de Bruno de Pierro para <a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2018\/02\/15\/os100mais-comentados\/?cat=politica\">Revista Pesquisa Fapesp<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empresa divulga o ranking com artigos cient\u00edficos que chamaram a aten\u00e7\u00e3o dos leitores nas m\u00eddias sociais em 2017 Reduzir o &hellip; <a class=\"kt-excerpt-readmore more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/os100artigoscientificosmais-comentados\/\">Leia mais<\/a>&hellip; <a class=\"kt-excerpt-readmore more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/os100artigoscientificosmais-comentados\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":7662,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"kt_blocks_editor_width":"","footnotes":""},"categories":[111],"tags":[],"class_list":["post-7661","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pesquisa-cientifica"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>#Os100ArtigosCient\u00edficosMais Comentados - Biblioteca Central da UFRGS<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"#Os100ArtigosCient\u00edficosMais Comentados - Biblioteca Central da UFRGS\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Empresa divulga o ranking com artigos cient\u00edficos que chamaram a aten\u00e7\u00e3o dos leitores nas m\u00eddias sociais em 2017 Reduzir o &hellip; Leia mais&hellip; Leia mais\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/os100artigoscientificosmais-comentados\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Biblioteca Central da UFRGS\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/biblioteca.centralufrgs\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-04-26T12:40:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/wp-content\/uploads\/socialmedia.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"768\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"- Priscila S. 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