{"id":3112,"date":"2008-11-13T15:22:47","date_gmt":"2008-11-13T17:22:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/biev\/antigo\/?p=3112"},"modified":"2018-01-26T15:56:42","modified_gmt":"2018-01-26T17:56:42","slug":"pesquisa-com-fotografia-no-museu-paulista-construcao-de-banco-de-imagens-e-colecoes-de-retratos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/biev\/antigo\/pesquisa-com-fotografia-no-museu-paulista-construcao-de-banco-de-imagens-e-colecoes-de-retratos\/","title":{"rendered":"A pesquisa com fotografia no Museu Paulista"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;\">\n<p><strong><strong>Transcri\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia &#8211;\u00a0<\/strong><\/strong>a\u00a0pesquisa com fotografia no Museu Paulista: constru\u00e7\u00e3o de banco de imagens e cole\u00e7\u00f5es de retratos<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><span class=\"Apple-style-span\">Solange Ferraz de Lima &#8211;\u00a0<\/span><span class=\"Apple-style-span\">Museu Paulista e USP<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Bom, boa tarde a todos. Eu agrade\u00e7o muito o convite. Porto Alegre para mim mora no meu cora\u00e7\u00e3o, porque eu tenho v\u00e1rios colegas aqui com quem eu compartilho o trabalho. E eu conheci a Chica, porque eu conhecia s\u00f3 a Cornelia, e agora eu conhe\u00e7o a Chica, e estou achando muito bom conhecer a Ana Luiza tamb\u00e9m que eu n\u00e3o conhecia ainda, ent\u00e3o eu agrade\u00e7o muito a oportunidade.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Eu ontem gostei muito de assistir<\/span><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0a oficina e fiquei contente porque eu acho que o que eu vou trazer aqui para a discuss\u00e3o toca em muitos pontos do que foi tratado ontem. Eu acho que eu vou trazer aqui para a gente discutir a contrapartida que existe no mundo da web para banco de dados que vai um pouco em uma outra m\u00e3o do que as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa ou com os projetos comprometidos com o tratamento de acervo e a qualifica\u00e7\u00e3o das fontes visuais vem fazendo, a exemplo do Biev e que n\u00f3s tentamos tamb\u00e9m no Museu Paulista. Mas \u00e9 um pouco para pensar em que contexto de web, de bancos digitais, nos estamos vivendo hoje em dia, o que torna mais desafiador ainda o nosso trabalho.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Bom, no \u00e2mbito dos temas propostos para o debate nesse evento, \u00e9 oportuno refletir de modo mais abragente sobre o estatuto da fotografia no contexto dos arquivos, dos museus, bibliotecas, e de que forma ela pode ser mobilizada para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento novo no campo das ci\u00eancias humanas. Partindo das perspectivas da investiga\u00e7\u00e3o social, para al\u00e9m das necess\u00e1rias normas t\u00e9cnicas e protocolos de descri\u00e7\u00e3o, indexa\u00e7\u00e3o, que viabilizam o acesso e a recupera\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, se faz necess\u00e1rio historicizar a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o e uso dos documentos fotogr\u00e1ficos, antes e depois, isso \u00e9 muito importante, da sua integra\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o. \u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Essa reflex\u00e3o engloba tamb\u00e9m o lugar da fotografia nos bancos de dados eletr\u00f4nicos, vinculados \u00e0s a\u00e7\u00f5es preservacionistas e \u00e0s pesquisas. Eu vou falar de um lugar, que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o visual que \u00e9 um museu. Ent\u00e3o eu vou dar um breve hist\u00f3rico, relembrar um pouco da fotografia nos museus de hist\u00f3ria, como ela foi sendo apropriada paulatinamente pelos pesquisadores, preocupados com a quest\u00e3o do imagin\u00e1rio, das representa\u00e7\u00f5es. Eu estou falando desse lugar que \u00e9 um museu de hist\u00f3ria. E eu vou tratar destas quest\u00f5es, portanto, tendo como horizonte duas categorias de bancos de dados e bancos de imagens. Os bancos institucionais, e aqueles bancos integrados a projetos de pesquisa, que tem esse compromisso ou que nascem derivados dessas a\u00e7\u00f5es da investiga\u00e7\u00e3o social. A gente v\u00ea um pouco as diferen\u00e7as deles, analisar junto com voc\u00eas essas diferen\u00e7as.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Bom, sobre o lugar da fotografia no museu de hist\u00f3ria. De in\u00edcio a fotografia \u00e9 valorizada exclusivamente por sua capacidade did\u00e1tica e ilustrativa, ou como documento que substitu\u00eda a aus\u00eancia eventual de textos escritos, hoje ela \u00e9 explorada na qualidade de representa\u00e7\u00e3o de temas como a cidade, a natureza, os g\u00eaneros masculino e feminino, a inf\u00e2ncia, bem como parte e suporte das formas de constitui\u00e7\u00e3o da identidade do indiv\u00edduo. N\u00f3s vimos hoje na mesa exemplos desses trabalhos. Ao longo da sua trajet\u00f3ria a fotografia penetrou de maneira muito diferente nos museus de arte, de hist\u00f3ria e de antropologia, bem como nos arquivos. Dado o seu car\u00e1ter h\u00edbrido e a sua quase onipresen\u00e7a no cotidiano das pessoas, as primeiras reivindica\u00e7\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o da fotografia no museu surgem associadas as reflex\u00f5es que buscavam inserir a fotografia no campo art\u00edstico, ou seja, reconhecendo nela o estatuto de obra de arte. Movimento iniciado desde os prim\u00f3rdios do invento da fotografia, no s\u00e9culo XIX essa discuss\u00e3o acompanha o surgimento e a trajet\u00f3ria da fotografia desde 1840, ele conheceu o seu \u00e1pice com a cria\u00e7\u00e3o do departamento de fotografia do museu de arte moderna de Nova York em 1937, por iniciativa de Beaumont Newhall. O livro \u00e9 um livro cl\u00e1ssico, que \u00e9 Hist\u00f3ria da Fotografia do Newhall, na verdade \u00e9 um livro que antes surgiu como um cat\u00e1logo dessa exposi\u00e7\u00e3o que ele organizou, fazendo uma esp\u00e9cie de estado da arte da fotografia naquele momento, da fotografia moderna. Ele estava associado a fot\u00f3grafos como Stieglitz, \u00a0Steichen, e conhece fot\u00f3grafos alem\u00e3es tamb\u00e9m, e promove uma grande exposi\u00e7\u00e3o em 1937, de onde surge este cat\u00e1logo e que depois se transforma, numa outra edi\u00e7\u00e3o, em livro. Ent\u00e3o \u00e9 a entrada pela porta da frente num museu de arte, da fotografia. Ou seja, \u00e9 criado um departamento de fotografia, ele se torna o curador e enfim, tratando da hist\u00f3ria da fotografia muito dentro dos par\u00e2metros da hist\u00f3ria da arte.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Se no contexto dos museus de arte a fotografia ingressou nessa qualidade de objeto valorizado por suas qualidades formais, ainda que exclusivamente associadas \u00e0 autoria, bem dentro das categorias da hist\u00f3ria da arte, nos museus de antropologia e de hist\u00f3ria, a fotografia valia por sua capacidade narrativa e pelo conte\u00fado registrado. Por muito tempo, neste contexto, a fotografia desempenhou uma fun\u00e7\u00e3o instrumental na documenta\u00e7\u00e3o de pesquisas de campo ou de registro catalogr\u00e1fico de acervos, como o caso t\u00edpico do museu de hist\u00f3ria. No caso dos museus de hist\u00f3ria, muito embora as fotografias integrassem cole\u00e7\u00f5es e arquivos pessoais, isso vale para os arquivos tamb\u00e9m, os arquivos p\u00fablicos, ela vem junto com cole\u00e7\u00f5es ou fundos de arquivos, junto com correspond\u00eancias, diplomas, di\u00e1rios e demais documentos textuais, n\u00e3o havia a preocupa\u00e7\u00e3o em dispensar a elas quaisquer tratamentos espec\u00edficos de descri\u00e7\u00e3o e tampouco de conserva\u00e7\u00e3o. Seria simplista explicar essa situa\u00e7\u00e3o como fruto de um descaso ou da incompet\u00eancia dos profissionais dos museus. Ela \u00e9 fruto mesmo do estatuto que a fotografia gozava no \u00e2mbito das ci\u00eancias humanas, que viam a imagem como uma express\u00e3o perif\u00e9rica dos fen\u00f4menos sociais, produzidos na dimens\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o corrente do uso da fotografia na primeira metado de s\u00e9culo XX. O quadro se altera significativamente a partir do \u00faltimo quartel deste mesmo s\u00e9culo, por\u00e9m n\u00e3o sem problemas. Quando finalmente as ci\u00eancias humanas se debru\u00e7aram sobre a fotografia, foi para entender a sua for\u00e7a indicial, associada \u00e0s quest\u00f5es de manipula\u00e7\u00e3o e oblitera\u00e7\u00e3o da &#8220;verdadeira realidade&#8221;. O que hoje n\u00f3s denominamos como representa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 na tentativa de relativizar o conceito monol\u00edtico de imagin\u00e1rio, era ent\u00e3o visto como ideologia. Esse movimento de interesse teve in\u00edcio nos anos 60 quando come\u00e7aram a surgir estudos voltados para os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa e para a ind\u00fastria cultural. Nos anos 80, o mapeamento e descoberta de cole\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas, especialmente de paisagens do s\u00e9culo XIX, dispararam os pre\u00e7os da fotografia no mercado de artes e antiquariado. Esse movimento, a Denise tocou aqui no Centro de Preserva\u00e7\u00e3o Fotogr\u00e1fica da Funarte, come\u00e7a justamente nos anos 80, por uma iniciativa desse centro da Funarte, em fazer um grande diagn\u00f3stico das cole\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas existentes, do patrim\u00f4nio fotogr\u00e1fico brasileiro. Se tinha a id\u00e9ia de que muitas dessas fotografias, do s\u00e9culo XIX a maioria, estavam sendo vendidas para cole\u00e7\u00f5es no exterior, e esse diagnostico era uma tentativa de afinal se conhecer esse patrim\u00f4nio. Esse trabalho contou com a participa\u00e7\u00e3o pioneira do S\u00e9rgio Burke que naquela \u00e9poca estava associado a este Centro de Conserva\u00e7\u00e3o e Preserva\u00e7\u00e3o Fotogr\u00e1fica e foi um incentivo para que as institui\u00e7\u00f5es, museus, arquivos, come\u00e7assem a ter ferramentas de tratamento, principalmente de conserva\u00e7\u00e3o para as suas cole\u00e7\u00f5es e reconhecer o valor como patrim\u00f4nio, como patrim\u00f4nio brasileiro.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">No esteio deste movimento, tem um encontro que \u00e9 marcante, que foi feito no MIS em 1981, quando o Boris Kossoy era diretor do MIS, que re\u00fane muitos destes curadores e institui\u00e7\u00f5es discutindo essa situa\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio fotogr\u00e1fico brasileiro. E no esteio disso, ao longo dos anos 80, o que n\u00f3s assistimos \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o de cat\u00e1logos, um incremento editorial como \u00e1lbuns faximilares, cat\u00e1logos de muitas&#8230; uma publica\u00e7\u00e3o institucional mesmo, cat\u00e1logos de muitas institui\u00e7\u00f5es que come\u00e7am portanto a divulgar esse patrim\u00f4nio &#8220;recem descoberto&#8221;, que come\u00e7a a ter uma aten\u00e7\u00e3o diferenciada. E se investe tamb\u00e9m na constru\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria nacional e internacional da fotografia, mas essa hist\u00f3ria que \u00e9 produzida, ela \u00e9 uma hist\u00f3ria da fotografia ainda muito pautada nas categorias da hist\u00f3ria da arte. Ent\u00e3o procurando identificar, inventores, os autores principais de cada movimento, seguindo, trabalhando com estas no\u00e7\u00f5es de obra, autoria e trajet\u00f3ria, bem pr\u00f3prios da hist\u00f3ria da arte.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">A partir dos anos 90, o interesse de historiadores, antrop\u00f3logos e soci\u00f3logos pela fotografia se v\u00ea bem alargado. Confluem os usos sociais e cient\u00edficos que a fotografia vinha recebendo, com os novos paradigmas das ci\u00eancias humanas, que colocaram a dimens\u00e3o visual e material da sociedade de consumo ocidental no centro das reflex\u00f5es epistemol\u00f3gicas. Novas hist\u00f3rias da fotografia come\u00e7aram a ser escritas, de um ponto de vista que procura entender o como e seus efeitos, naqueles que produzem e naqueles que fruem a imagem. Tratava-se, portanto, agora de entender o papel social da fotografia no contexto de uma cultura visual contempor\u00e2nea. Esse movimento todo, ele de alguma maneira est\u00e1 associado \u00e0 esse preocupa\u00e7\u00e3o, \u00e0 crise da mem\u00f3ria que o Charles fez refer\u00eancia hoje, mas que ao mesmo tempo suscita uma busca incessante, uma febre por mem\u00f3rias tamb\u00e9m, tocou diretamente num outro movimento que acontece entre historiadores, que \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de Centros de Mem\u00f3ria, ou arquivos vinculados \u00e0s empresas privadas, n\u00e3o s\u00f3 as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, mas as empresas privadas tamb\u00e9m.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Essa forma\u00e7\u00e3o de Centros de Mem\u00f3ria, Museus e Arquivos Institucionais que se voltam para a salvaguarda de fontes materiais e visuais, e sua transforma\u00e7\u00e3o em patrim\u00f4nio cultural acontece, de uma certa maneira, valorizando muito mais a fotografia do que os outros acervos. Isso \u00e9 um dado. Muitas empresas come\u00e7am, no final dos anos 80, a contratar empresas de hist\u00f3ria &#8211; isso aconteceu muito em S\u00e3o Paulo, n\u00e3o sei se aqui em Porto Alegre tamb\u00e9m acontece &#8211; para fazer a hist\u00f3ria empresarial. Mas quando se prop\u00f5e esse centro, muitas vezes o empresario ou o dono da industria, que quer fazer a sua hist\u00f3ria, e construir a sua mem\u00f3ria, que na verdade significa firmar a sua identidade naquele presente, n\u00e3o quer tratar dos arquivos administrativos. Eles querem s\u00f3 a cole\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica, que \u00e9 mais ou menos o Chantilly, come\u00e7a aei um processo muito problem\u00e1tico, de desvincula\u00e7\u00e3o muitas vezes das fotografias de seus arquivos ou fundos administrativos. Isso foi um movimento que n\u00f3s assistimos tamb\u00e9m no esteio dessa valoriza\u00e7\u00e3o da fotografia.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">A inser\u00e7\u00e3o do suporte fotogr\u00e1fico como quadro de preocupa\u00e7\u00e3o dos profissionais envolvidos com a guarda e tratamento documental de acervos institucionais, sejam eles privados ou p\u00fablicos, \u00e9 hoje um fato ineg\u00e1vel. No entanto, o reconhecimento da exist\u00eancia de massas documentais de natureza fotogr\u00e1fica, n\u00e3o vem sempre acompanhado do dom\u00ednio, ainda que m\u00ednimo, daquelas no\u00e7\u00f5es conceituais e t\u00e9cnicas, capazes de garantir a integridade desses acervos.\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">A fotografia deve ser entendida sempre como um documento pertencente a um conjunto maior e n\u00e3o necessariamente esse conjunto maior \u00e9 exclusivamente fotogr\u00e1fico. Isso quer dizer que o seu potencial poliss\u00eamico n\u00e3o deve ser comprometido por a\u00e7\u00f5es descontextualizadoras, que muitas vezes acabam acontecendo neste centros. Separa-se, tira-se as fotografias \u00e0s vezes de processos administrativos, de miss\u00f5es fotogr\u00e1ficas, para se constituir alguma coisa baseada em crit\u00e9rios exclusivamente est\u00e9ticos e associado um pouco a essa id\u00e9ia de suporte de mem\u00f3ria.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">As fotografias, especialmente as ditas &#8220;antigas&#8221; guardam um fasc\u00ednio que n\u00e3o poucas vezes serve de armadilha para os envolvidos com as atividades t\u00e9cnicas de conserva\u00e7\u00e3o, restaura\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica e cataloga\u00e7\u00e3o. O valor est\u00e9tico, a raridade do tema, ou do processo t\u00e9cnico envolvido no processo fotogr\u00e1fico, aliados ao valor de antiguidade, criam em torno destas imagens uma aura, que ofusca a dimensao biogr\u00e1fica caracter\u00edstica de todo documento. Com isso, fica-se tentado a ver o objeto fotogr\u00e1fico como aut\u00f4nomo, uma j\u00f3ia rara, capaz de nos trazer de volta o tempo passado, como se esse fosse algo que estivesse ao alcance das m\u00e3os dos especialistas que para resga-los, bastaria reconstituir a integridade f\u00edsica do objeto fotogr\u00e1fico. Quando a fotografia \u00e9 redusida \u00e0 sua pura materialidade e conte\u00fado visual, ela se torna um fetiche, e os fetiches s\u00e3o objetos aos quais n\u00f3s outorgamos um poder inerente. Ao ser deslocado da rede de rela\u00e7\u00f5es sociais do qual ele \u00e9 produto, esse objeto fetiche, ele perde a sua historicidade, torna-se autonomo, e passa a ter, como atributo pr\u00f3prio, os sentidos e as qualidades simb\u00f3licas que na verdade a sociedade um dia a ele conferiu.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">A fotografia ent\u00e3o, se a gente pensar nas suas v\u00e1rias dimens\u00f5es, como um documento de arquivo, ou seja, produto de a\u00e7\u00f5es que visam o cumprimento de uma atividade, seja ela de natureza p\u00fablica ou privada, ela \u00e9 geralmente associada a documentos textuais e tridimensionais os mais diversos. Entnao pensem no acervo de uma secretaria de obras, nunca \u00e9 s\u00f3 fotografia ou uma cole\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica, mas est\u00e1 associado a processos, a uma s\u00e9rie de outros documentos tamb\u00e9m. Contextualizar a fotografia significa manter o seu lugar de procediencia no quadro documental, refletindo a atividade que a produziu. Isso pensando a fotografia como um documento de arquivo.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Como documento de cole\u00e7\u00e3o, e aqui isso nos interessa particularmente, a fotografia \u00e9 fruto de uma iniciativa pr\u00e9-concebida, que visa a acumula\u00e7\u00e3o de um tipo de imagem, segundo crit\u00e9rios pr\u00f3prios da atividade colecionista. A fotografia de cole\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m possui um contexto que \u00e9 aquele estabelecido pelas pr\u00e1ticas do colecionismo, aqui tamb\u00e9m tanto o privado como o institucional. Colecionar \u00e9 uma pr\u00e1tica que retira o\u00a0objeto de um contexto para introduzi-lo em outro, agora regido por regras definidas por seu propriet\u00e1rio. Ent\u00e3o pensem isso, tanto no colecionismo privado n\u00e9&#8230; tem algu\u00e9m aqui que coleciona? Ent\u00e3o, voc\u00ea \u00a0retira e come\u00e7a a montar sua cole\u00e7\u00e3o que tem crit\u00e9rios, tem pessoas que s\u00f3 colecionam cart\u00f5es postais de meios de transporte, tem pessoas que colecionam coisas verdes, enfim&#8230; tem cole\u00e7\u00f5es&#8230; eu trabalho no museu, convivo com colecionadores, colecionam r\u00f3tulos, a\u00ed s\u00f3 r\u00f3tulos de produtos nacionais, isso s\u00e3o crit\u00e9rios que o colecionador estabelece. N\u00f3s podemos pensar um museu como uma institui\u00e7\u00e3o visual, como um grande colecionador tamb\u00e9m. Quando n\u00f3s recebemos essas cole\u00e7\u00f5es privadas, o que acontece \u00e9 uma transcend\u00eancia do espa\u00e7o privado para um espa\u00e7o p\u00fablico, e nesse novo espa\u00e7o, que \u00e9 o museu, o grande colecionador, existem tamb\u00e9m pol\u00edticas de acervo, regras, crit\u00e9rios, que o curador estabelece. A preocupa\u00e7\u00e3o maior, quando se trata dessa fotografia de cole\u00e7\u00e3o, que \u00e9 diferente do documento de arquivo, que tem l\u00e1 uma acumula\u00e7\u00e3o chamada org\u00e2nica, \u00e9 que muitas vezes, a institui\u00e7\u00e3o sobrep\u00f5e a esse arranjo inicial do colecionador, dado por ele, os interesses insititucionais e desmancha, ou se perdem as pistas do que era a organicidade dessa cole\u00e7\u00e3o primeira. Ent\u00e3o quer dizer, acho que o grande desafio do curador come\u00e7a por a\u00ed, conseguir trabalhar os crit\u00e9rios de sua institui\u00e7\u00e3o, sem contudo que isso aconte\u00e7a em detrimento daquela\u00a0biografia, daquela hist\u00f3ria que a cole\u00e7\u00e3o traz. Porque acho que \u00e9 t\u00e3o importante isso ao longo dos anos de trabalho meu e da V\u00e2nia recebendo cole\u00e7\u00f5es no museu paulista, isso foi se tornando uma quest\u00e3o cada vez mais importante. O ato de doar uma cole\u00e7\u00e3o, ele \u00e9 t\u00e3o importante quanto os objetos, esse sujeito, porque \u00e9 a coisa mais comum num museu as pessoas chegarem com meia d\u00fazia de documentos, \u00e9 um diploma, um passaporte, um \u00e1lbum de fam\u00edlia e ele selecionou aquilo do seu universo dom\u00e9stico, para fazer essa transcend\u00eancia, por alguma raz\u00e3o, ou \u00e9 uma homenagem \u00e0 fam\u00edlia, ou a seu pai. \u00c9 uma maneira de tornar p\u00fablico uma parte da mem\u00f3ria, da vida dele e n\u00f3s n\u00e3o podemos perder essa proced\u00eancia e temos que documentar, portanto, n\u00e3o s\u00f3 o objeto que chega, mas como ele chega. Quais s\u00e3o as motiva\u00e7\u00f5es que fizeram com que aquele doador, que se torna o doador de uma cole\u00e7\u00e3o para n\u00f3s, quais s\u00e3o as suas motiva\u00e7\u00f5es? Porque ele escolheu esses objetos para pertencer ao museu? Quer dizer, isso para n\u00f3s \u00e9 t\u00e3o importante quanto, e a responsabilidade \u00e9 muito grande, porque ele est\u00e1 nos dando isso para que a gente continue cuidando de alguma maneira. Por isso que eu falo dessa biografia, sai de uma cole\u00e7\u00e3o, sai de um lugar, de um espa\u00e7o, e vai integrar uma outra, como cole\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e9, nesse museu como um grande colecionador.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Da\u00ed a import\u00e2ncia dos curadores deixarem muito claros os crit\u00e9rios de coleta que norteiam a forma\u00e7\u00e3o de seus acervos. Estes devem estar afinados com as quest\u00f5es colocadas nas \u00e1reas de pesquisa da institui\u00e7\u00e3o. Como um produto da sociedade, no seu sentido mais amplo, a fotografia n\u00e3o \u00e9 nem sequer uma imagem, mas ela \u00e9 um artefato, que s\u00f3 pode ser compreendido em sua dimens\u00e3o hist\u00f3rica. Isso significa acompanhar a trajet\u00f3ria do objeto fotogr\u00e1fico, essa chamada biografia, para que possamos ent\u00e3o entende-la como produto e tamb\u00e9m como agente de pr\u00e1ticas culturais. No entanto, a biografia do objeto-documento, n\u00e3o deve destruir a biografia do sujeito da cole\u00e7\u00e3o, isso que eu estava me referindo a pouco. As diversas situa\u00e7\u00f5es em que o objeto deve ser estudado n\u00e3o podem implicar a sua retirada do conjunto do qual faz parte, j\u00e1 que este conjunto \u00e9 tamb\u00e9m fruto de uma pr\u00e1tica cultural de natureza biogr\u00e1fica.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Tendo isso como pressuposto no qual eu acredito e n\u00f3s praticamos no museu paulista, eu queria analisar com voc\u00eas um pouco a exist\u00eancia dos bancos de dados eletr\u00f4nicos e o que significa esse contexto de descontextualiza\u00e7\u00e3o, na verdade, que toda essa valoriza\u00e7\u00e3o da fotografia trouxe tamb\u00e9m, quer dizer, o outro lado da moeda.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Se nos anos 80 assistimos ao movimento inicial de preserva\u00e7\u00e3o de acervos p\u00fablicos e a sua difus\u00e3o editorial, e nos anos 90 este movimento come\u00e7a a dar seus primeiros frutos acadiemicos. No novo s\u00e9culo s\u00e3o os bancos de dados que aparecem como potencial para alterar significa e definitivamente a nossa rela\u00e7nao com as imagens visuais em geral, em particular com as fotografias. As formas de colecionismo digiral e seus modos de difus\u00e3o guardam alguns problemas que j\u00e1 existiam antes da hist\u00f3ria da fotografia, dentro do quadro de forma\u00e7\u00e3o da cultura fotogr\u00e1fica contempor\u00e2nea. Na condi\u00e7\u00e3o de historiadoras e curadoras voltadas para os problemas da visualidade, com projetos de curadoria e pesquisa desenvolvidos, que eu tenho desenvolvido junto com a V\u00e2nia Carneiro de Carvalho, nos defendemos a necess\u00e1ria amplia\u00e7\u00e3o dos usos de um banco de dados, n\u00e3o s\u00f3 para alimentar e sucitar pesquisas que envolvem series documentais maci\u00e7as, como e principalmente, ser um reposit\u00e1rio dos resultados dessas pesquisas de\u00a0modo a garantir a qualifica\u00e7\u00e3o permanente de fontes e suas trajet\u00f3rias depois de integradas e apropriadas por pesquisadores e cientistas sociais. essa rela\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, e n\u00f3s num artigo, nos Anais do Museu Hist\u00f3rico Nacional de 2000, n\u00f3s tratamos exatamente disso, quer dizer, uma defesa para uma rela\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria entre a curadoria e a pesquisa, e a Zita tratou disso no come\u00e7o, essa necessidade do retorno, quer dizer, o pesquisador faz alguma coisa, seria importante que ele retornasse esses resultados, porque nem sempre o curador tem o dom\u00ednio total de todas as suas cole\u00e7\u00f5es, ou a comrpeens\u00e3o de todos os temas que est\u00e3o sendo tratados ali. Na medida em que ele atende e pode disponibilizar para os pesquisadores este acervo, o melhor seria que estas pesquisas produzidas pudessem se integrar, e o banco de dados \u00e9 um espa\u00e7o para isso, a vida, a biografia desse documento depois de integrado a um acervo institucional.<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Esse seria, nos parece, o caminho mais prof\u00edcuo ara promover um olhar cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o a abund\u00e2ncia de imagens transferidas para o meio digital, circulados na web, na maioria das vezes de modo descontextualizado. Com o intuito de tornar essa problem\u00e1tica mais concreta, proponho aqui ent\u00e3o uma an\u00e1lise r\u00e1pida, bem exemplar do que seriam esses bancos de dados.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A ferramenta de busca mais comum aos bancos de imagens, que todos aqui j\u00e1 fizeram uso, \u00e9 esse descritor ou a palavra-chave. Essa \u00e9 uma poderosa ferramenta de recupera\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o visual, que privilegia o conte\u00fado visual e tem\u00e1tico em detrimento de outros aspectos do documento visual. Especialmente no caso do documento fotogr\u00e1fico, cujos exemplos eu pretendo aqui analisar. Ao privilegiar o conte\u00fado tem\u00e1tico essa ferramenta promove uma perigosa descontextualiza\u00e7\u00e3o, que acontece em n\u00edveis distintos, desde o deslocamento da fotografia de suas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, at\u00e9 dos contextos de uso, passando pelo apagamento de s\u00e9ries, miss\u00f5es fotogr\u00e1ficas, cole\u00e7\u00f5es e arquivos aos quais as fotografias foram ou est\u00e3o implicados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A contrapartida dessa tipologia de banco de imagens, s\u00e3o os bancos que nasceram associados \u00e0 projetos de pesquisa, ou aqueles vinculados a institui\u00e7\u00f5es vocacionadas e comprometidas com a pesquisa, e que tem condi\u00e7\u00f5es de incrementar seus cat\u00e1logos digitais com os resultados dessa pesquisa. Trata-se de um caminho alternativo, com poucos e promissores exemplos, mas tem um lado meio ut\u00f3pico, que a gente esbarra co<span class=\"Apple-style-span\">m v\u00e1rios problemas tamb\u00e9m.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Para a gente come\u00e7ar com esse estudo de caso aqui,\u00a0eu queria s\u00f3 mencionar de onde me veio um pouco a id\u00e9ia de fazer esse balan\u00e7o de banco de dados, at\u00e9 em fun\u00e7\u00e3o&#8230; n\u00f3s estamos na mesma situa\u00e7\u00e3o hoje que o Biev, de transfer\u00eancia para uma base de software livre. A gente vai trabalhar com o MySQL e vai significar fazer tudo de novo, tem um amigo meu fot\u00f3grafo que trabalha no mundo digital, quando n\u00f3s fotografamos a cole\u00e7\u00e3o Milit\u00e3o Augusto de Azevedo, 12 mil e poucos retratos em 1996, o arquivo salvo foi em bmp. Jpeg j\u00e1 existia, mas n\u00e3o para pobres mortais do terceiro mundo, a gente\u00a0consegui salvar em bmp. Isso significa que hoje n\u00f3s vamos ter que redigitalizar todo esse acervo. A sorte \u00e9 que na \u00e9poca n\u00f3s fomos conservadores e temos o cromo de todo esse material, ent\u00e3o n\u00e3o precisaremos voltar aos originais, que est\u00e3o l\u00e1 preservados. Mas \u00e9 um pouco o pre\u00e7o que se paga quando voc\u00ea se arrisca nessa seara e lida com essa obsolesc\u00eancia programada, que \u00e9 o mundo hoje em dia da inform\u00e1tica. Mas enfim, faz parte, ossos do of\u00edcio, vamos l\u00e1, vamos fazer tudo novamente, n\u00e3o tem problema nenhum, n\u00e3o vamos desistir.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\">Mas, por conta disso, ent\u00e3o a gente tem sempre olhado\u00a0os bancos, os similares, os mais diversos, e tem um artigo muito interessante de uma arquivista australiana chamada Joanna Sassoon, e esse artigo est\u00e1 num livro da Elizabeth Edwards sobre a materialidade dos objetos fotogr\u00e1ficos, e o t\u00edtulo do artigo \u00e9 &#8220;<em>photographic materiality in the age of digital reproduction<\/em>&#8220;, e ela faz aqui uma brincadeira, porque ela dialoga o tempo todo com o texto do Walter Benjamin &#8220;A fotografia na era da reprodutibilidade t\u00e9cnica&#8221;, ent\u00e3o ela vai justamente tratar da mesma quest\u00e3o, ela come\u00e7a dialogando com o Benjamin, para falar do que acontece hoje quando a fotografia passa a integrar esse mundo digital.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E a sua cr\u00edtica \u00e9 uma cr\u00edtica muito contundente no que se refere a essa descontextualiza\u00e7\u00e3o, e ela chama a aten\u00e7\u00e3o para o processo crescente de comodifica\u00e7\u00e3o ou de mercantiliza\u00e7\u00e3o da imagem n\u00e9 e que a gente sente em v\u00e1ri<span class=\"Apple-style-span\">os n\u00edveis, n\u00e3o s\u00f3 na quest\u00e3o dos direitos autorais, o que voc\u00ea tem que pagar, at\u00e9 quanto custam as cole\u00e7\u00f5es hoje, e quem pode comprar as cole\u00e7\u00f5es. \u00c9 um problema pol\u00edtico, estamos tratando disso, gerenciamento de informa\u00e7\u00e3o, e quem tem poder para deter acervos e a informa\u00e7\u00e3o sobre esses acervos.<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transcri\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia &#8211;\u00a0a\u00a0pesquisa com fotografia no Museu Paulista: constru\u00e7\u00e3o de banco de imagens e cole\u00e7\u00f5es de retratos Solange Ferraz de Lima &#8211;\u00a0Museu Paulista e USP &nbsp; Bom, boa tarde a todos. 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