Afetividade


José Roberto Goldim


Na denominação de Afetividade, segundo Bleuler, incluem-se: os afetos, as emoções, os sentimentos, as vontades e as não-vontades.

Na Afetividade duas características são importantes para a tomada de decisão: os vínculos entre as pessoas envolvidas e os desejos associados.

Segundo Montaigne, as pessoas podem estabelecer vínculos que podem ser relações afetivas, no sentido grego do Amor do tipo Filia, ou simples ligações.

As relações afetivas porem ser naturalmente impostas ou por livre arbítrio.

São exemplos de relações naturalmente impostas as que se estabelecem entre Pais – Filhos, que se baseiam no Respeito, e as entre irmãos, que constituem uma comunidade de interesses e partilham bens.

As relações de livre arbítrio são aquelas estabelecidas entre amigos, baseiam-se na comunicação, no intercâmbio de idéias e emoções, na correspondência de gostos, no afeto, propriamente dito, e na possibilidade de aconselhar e censurar.

As ligações são relações entre pessoas que se baseiam na noção de utilidade.

Epicuro estabeleceu uma classificação dos desejos, que podem ser naturais ou frívolos.

Os Desejos Naturais, por sua vez, podem ser simplesmente naturais ou necessários. Os prazeres são desejos simplesmente naturais, pois buscam o agradável.

Os desejos necessários são a felicidade, entendida como Eudaimonia; a tranquilidade do corpo, baseada na sua proteção; e a própria vida em si, por meio do sono e da nutrição, por exemplo.

Os Desejos Frívolos se dividem em Artificiais, tais como a riqueza e a glória, e os Irrealizáveis, como o desejo de imortalidade.

A afetividade, em especial os desejos, afetam a tomada de decisão ao alterar a avaliação das consequências. Um desejo minimiza uma consequência desagradável e maximiza as favoráveis. Por outro lado, uma aversão, desejo negativo, superestima as consequências negativas de uma ação


Eugen Bleuler. Lehrbuch der Psychiatrie. Berlin: Verlag von Julius Springer, 1920.
Michel de Montaigne. Da amizade. In: Ensaios. São Paulo; Nova Cultural, 1996:177-188.

Epicuro. Carta sobre a Felicidade (a Meneceu). São Paulo: UNESP, 2005.



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Texto atualizado em 19/03/2016
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