Caso
ANDi
Primeiro primata transgênico
José Roberto Goldim

O filhote de macaco Rhesus chamado ANDi, que é a sigla de inerted DNA lida ao contrário, ficou mundialmente famoso por ser o primeiro primata trangênico, isto é, o primeiro primata a possuir um gene de uma outra espécie diferente da sua. Foi introduzido um gene de medusa, que se incorporou ao seu pratrimônio genético. ANDi foi produzido experimentalmente no Centro Regional de Pesquisas em Primatas do estado de Oregon/EUA. A divulgação do seu nascimento foi feita na revista Science, em janeiro de 2001. O grande impacto desta divulgação, apesar de já serem realizadas pesquisas em animais trangênicos desde 1980, quando o primeiro rato deste tipo foi produzido, se deve ao fato de ser este experimento realizado em uma espécie muito próxima à humana.

A finalidade de utilizar um gene de medusa foi apenas a de possibilitar a fácil detecção da sua inclusão no patrimônio de outra espécie. Este gene não traz qualquer benefício ou prejuízo para o animal. Para que ANDi fosse gerado foram utilizados 224 óvulos de macacos que foram infectados com o vírus, utilizado como vetor, que continha o gene de medusa. Destes óvulos resultaram 126 embriões. Foram implantados os 40 embriões mais saudáveis, em 20 macacas que serviram de mães substitutivas. Ao final do processo apenas 3 filhotes nasceram vivos e somente ANDi era portador deste gene.

Somente a dificuldade técnica de necessitar 224 para produzir apenas 1 filhote com a característica trangênica desejada já leva a reflexão de que a transposição deste procedimento para a espécie humana é tecnicamente impraticável no momento atual. Porém esta quase inviabilidade técnica não desestimula a reflexão sobre os aspectos morais, legais, sociais e espirituais deste tipo de procedimento.

O Prof. Arthur Caplan, da Universidade de Pennsylvania/EUA fez uma excelente reflexão sobre os aspectos morais que o caso ANDi pode gerar, em especial sobre a questão da regulamentação de experimentos deste tipo. A sua posição, em resumo, é a de que não é através da regulamentação que se resolvem prioblemas deste tipo, mas sim através de um amplo debate social sobre as suas possíveis repercussões, exigindo um engajameno consequente de todas as pessoas, e não simplesmente um acatamento ou discordância de uma regra imposta por outros.

Outros aspectos morais envolvidos também merecem reflexão.




Animais trangênicos
Página de Abertura - Bioética

Texto implantado em 03/02/2001
©Goldim/2001