Caso Baby Doe
Baby Doe foi um bebê que nasceu em 1982, em Bloomington, no estado
de Indiana/EEUU, com malformações múltiplas (trissomia
do 21 e fístula traqueoesofágica). Os seus pais se negaram
a assinar um termo autorizando a realização de uma cirurgia
corretiva da fístula, que tinha 50% de chances de lhe salvar a vida.
Os pais, que tinham outros dois filhos sadios, alegaram que a criança
era muito comprometida. Solicitaram, ainda, que fosse suspendida a alimentação
e os demais tratamentos. A equipe médica solicitou à Justiça
autorização para realizar a cirurgia, suspendendo, temporariamente
o pátrio poder. A Justiça negou em primeira instância.
A promotoria apelou e a Suprema Corte do Estado de Indiana se negou a apreciar
o caso. Foi feita a tentativa de apelar para a Suprema Corte dos Estados
Unidos. O bebê, aos seis dias de vida morreu, não dando tempo
para que fossem feitas outras tentativas. O advogado da família
alegou que a mãe esteve sempre ao lado do bebê. Afirmou que
"não foi um caso de abandono, mas sim de amor".
A repercussão do caso foi muito grande na imprensa
leiga, desencadendo a criação de um telefone com chamada
gratuita para atender casos semelhantes (telefone 0800) e a formação
de um "Baby Doe Squad" para auxiliar pais em situações
semalhantes.
Doe, em ingles, significa "fulano", uma pessoa
qualquer, sem especificar a sua identidade. Foi utilizada esta denominação
com o objetivo de preservar a família envolvida.
Rothman D. Strangers at the bedside. New York: Basicbooks, 1991:254.
Washington Post 17/04/1982:16.
Clotet J. A bioética: uma ética aplicada em destaque.
In: Caponi GA, Leopardi MT, Caponi SNC. A saúde como desafio ético.
Florianópolis: Anais do I Seminário Internacional de Filosofia
e Saúde, 1994:122.
Casos
Página de Abertura - Bioética
©Goldim/97