Caso
Consentimento Informado em Pesquisa em Emergência

Um homem, solteiro, de 34 anos de idade, chega a um Serviço de Emergêcia acompanhado de sua irmã, com um quadro típico de infarto do miocárdio. Os sintomas haviam começado a cerca de três horas. Quando o plantonista o atendeu, lembrou que está sendo realizado um estudo clínico com dois fibrinolíticos em infarto agudo do miocárdio neste mesmo hospital. Solicitou a enfermeira que localizasse o grupo de pesquisadores para verificar se este paciente era elegível para esta pesquisa. A partir daí ficaram aguardando a chegada da equipe de pesquisadores, pois não queriam realizar alguma ação que prejudicasse o projeto de pesquisa.

Aproximadamente dez minutos depois, chegou uma médica residente, que avaliou o paciente e verificou que o mesmo preenchia todas os critérios de inclusão no estudo. Dirigiu-se ao paciente e iniciou o processo de obtenção de um consentimento informado.

Logo no início, quando informou ao paciente que ele estava sendo convidado para participar de uma pesquisa e ele disse que não estava em condições de discutir o assunto, que fosse procurada a sua irmã, que responderia por ele a tudo que a médica residente solicitasse. A residente contrargumentou que se ele estava em condições de poder delegar também poderia dar logo o seu consentimento. Ele reiterou a sua manifestação anterior e disse que queria era ser atendido o mais rápido possível. A residente insistiu e ele ficou muito tenso, vindo a fazer uma parada cárdiorrespiratória.

A equipe de plantonistas veio atender e após inúmeras tentativas não conseguiu reverter a parada, constatando então que o paciente havia morrido.



Questões pendentes:
1- Este óbito deveria ser relacionado como efeito adverso da pesquisa ?

2- A obtenção de Consentimento Informado neste tipo de projetos de pesquisa é adequada ?
3- Ela efetivamente atende aos melhores intereses do paciente ?


Pesquisa em Emergência
Material de Apoio - Pesquisa
Página de Abertura - Bioética

Texto incluído em 29/07/2000
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