Ao longo da história da humanidade, vários povos, tais como os gregos, celtas, fueginos (indígenas sul-americanos), eliminavam pessoas deficientes, mal-formadas ou as muito doentes como forma de preservar o grupo, de diminuir o impacto de mantê-los.
O termo Eugenia foi criado por Francis Galton (1822-1911), que
o definiu como:
Galton era parente de Charles Darwin (1809-1882). Erasmus
Darwin era avô de ambos, porém com esposas
diferentes. Darwin descendeu da primeira, por parte de pai, e
Galton da segunda, por parte de mãe. Darwin já
havia publicado "A Origem das Espécies" em 1858,
portanto, anteriormente a divulgação das
idéias de Galton sobre eugenia. Vale lembrar que ambos
tiveram uma forte influência das idéias do
avô, que publicou um livro chamado "Zoonomia", onde
apresenta alguns conceitos, muito antecipatórios, que
poderiam explicar a mudança (evolução)
verificada entre diferentes animais.
No seu texto, Galton propunha que "as forças cegas da seleção natural, como agente propulsor do progresso, devem ser substituidas por uma seleção consciente e os homens devem usar todos os conhecimentos adquiridos pelo estudo e o processo da evolução nos tempos passados, a fim de promover o progresso físico e moral no futuro".
O argentino José Ingenieros publicou, em 1900, um texto, posteriormente divulgado como livro, denominado "La simulación en la lucha por la vida". Neste texto incluem-se algumas considerações eugênicas, tais como:
O 1o. Congresso Brasileiro de Eugenismo foi realizado no Rio de Janeiro, em 1929. Um dos temas abordado era "O Problema Eugênico da Migração". O Boletim de Eugenismo propunha a exclusão de todas as imigrações não-brancas. Em março de 1931 foi criada a Comissão Central de Eugenismo, sendo o seu presidente Renato Kehl e o Prof. Belisário Pena um dos membros da diretoria. Os objetivos desta Comissão eram os seguintes:
Em vários países foram propostas
políticas de "higiene ou profilaxia social", com o
intuito de impedir a procriação de pessoas
portadoras de doenças tidas como hereditárias e
até mesmo de eliminar os portadores de problemas
físicos ou mentais incapacitantes. Jiménez de
Asúa defendeu a idéia de que as políticas
alemã, italiana e espanhola nesta área não
eram eugenistas, mas sim "racismo" oriundo do
nacional-socialismo alemão.
Vale lembrar que as idéias nazistas alemãs se
basearam na obra do Conde de Gobineau - "Ensaio sobre a
desigualdade das raças humanas" - publicado em 1854.
Antes, portanto, das idéias darwinistas terem sido
divulgadas e do termo Eugenia ter sido criado. O Conde de
Gobineau esteve no Brasil, onde coletou dados. Neste ensaio de
1854 foi feita a proposta da superioridade da "raça
ariana", posteriormente levada a extremo pelos teóricos
do nazismo Günther e Rosenberg nos anos de 1920 a
1937. Outro autor alemão, Gauch, afirmava
erroneamente que havia menos diferenças anatômicas
e histológicas entre o homem ariano e os animais, do que
as verificadas entre um nórdico (ariano) e as demais
"raças humanas". Este argumento serviu de base para a
legislação alemã de 1935, nas denominadas "Leis de Nuremberg", que proibiam o
casamento e o contato sexual de alemães com judeus, o
casamento de pessoas com transtornos mentais, doenças
contagiosas ou hereditárias. Os judeus, ciganos e outros
grupos do leste europeu foram categorizados como "sub-humanos"
("Untermenschen"). Para casar era preciso obter um certificado
de saúde. Em 1933 já haviam sido publicadas as
leis que propunham a esterilização de pessoas com
problemas hereditários e a castração dos
delinquentes sexuais. Vale recordar que a
classificação de sub-humanos já havia sido
proposta pelo advogado e historiador norte-americano Lothrop
Stoddard em 1922 em um pequeno livro denominado "The Revolt
Against Civilization: The Menace of Under-man", que foi
publicado em alemão em 1925, com o título "Der
Kulturumsturz: Die Drohung des Untermenschen".
Jiménez de Asúa propunha que a Eugenia deveria se ocupar de três grandes grupos de problemas: a obtenção de uma descendência saudável (profilaxia), a consecução de matrimônios eugênicos (realização) e a paternidade e maternidade consciente (perfeição).