Na
Índia nasceu uma menina fusionada a um irmão gêmeo parcialmente desenvolvido,
sem desenvolvimento cefálico. Ela apresentava oito membros. Lakshmi é o nome da
deusa, esposa de Vishnu, que apresenta múltiplos membros. O nome dado à criança
foi uma referência a esta divindade. Após um período de perplexidade a família,
de uma região pobre do interior da Índia, começou a se preocupar com a qualidade
de vida da menina, que sempre ficava confinada ao seu leito. A família recebeu a
proposta de compra da menina por parte de um proprietário de um circo de Nova
Delhi, mas recusou. Uma equipe médica se prontificou a realizar uma cirurgia de
separação dos corpos, sem custo para a família. Mais de 30 profissionais foram
envolvidos em uma preparação que durou mais de dois meses. A cirurgia foi
realizada com sucesso. A família autorizou e participou de inúmeros
programas e
reportagens com a menina, outros membros da família e a equipe médica.
A principal questão envolvida neste caso foi a ampla divulgação dada na imprensa leiga sobre a preparação, realização e resultados da cirurgia. A espetacularização do caso acabou sendo questionada por alguns órgãos de imprensa da própria Índia. Várias questões podem ser discutidas. Uma importante se refere a vulnerabilidade da família e a validade do consentimento dado para a super-exposição que a menina teve nos meios de comunicação social. A divulgação científica deste caso seria muito adequada, com a finalidade de compartilhar a experiência cirúrgica realizada e os seus resultados, mas a liberação precoce de informações para o grande público é que causa mal-estar. Transformar a cirurgia num espetáculo, divulgado em todo o mundo, com altíssima exposição física da paciente no período pré e pós-cirúrgico é contrário às normas de prática médica na Índia.
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