Comunicação de Más Notícias


Psic. Adriana Pacheco Pires
Serviço de Psicologia/HCPA e
Núcleo Interinstitucional de Bioética


Um aspecto fundamental para o estabelecimento de uma boa relação médico-paciente é a troca de informações. Cada vez mais os pacientes querem encarregar-se de decisões sobre seu tratamento e buscam nos médicos seus conselheiros, confiando para que forneçam as informações necessárias para tomarem suas decisões. De acordo com Davis (citado por Cólon, 1995), o melhor caminho para uma relação de confiança é o médico ser a linha de frente no que diz respeito ao diagnóstico e prognóstico e isto define o futuro da relação.

No entanto, o diagnóstico de uma doença grave que envolve risco de morte, incapacidade e outras perdas, provoca sentimentos intensos e dolorosos. E apesar de ser uma tarefa praticamente inevitável para o médico, dar más notícias a um paciente ou familiar, continua sendo uma parte difícil e especial do trabalho do profissional de saúde.

Má notícia tem sido definida como qualquer informação que envolva uma mudança drástica na perspectiva de futuro em um sentido negativo (Buckman, 1992; Ptacket, Tara & Eberhardt, 1993, Miranda & Brody, 1992).

Entre as dificuldades dos médicos em dar más notícias, encontramos o medo de ser considerado culpado, o medo da falha terapêutica ou da sensação de impotência e de fracasso. Em relação ao paciente, encontramos o medo de causar dor e de desencadear uma reação. Há também a preocupação com os aspectos legais e com a hierarquia. O médico teme por estar realizando uma tarefa para o qual não foi treinado, teme dizer "eu não sei" e expressar suas emoções. Como uma dificuldade ainda maior, aparece o medo pessoal da doença e da morte. As ansiedades e os medos dos médicos tornam difícil iniciar a conversação, e levam o médico a sentir-se responsável pela doença (Buckman, 1984, 1992).

A relação médico-paciente pode apresentar três tipos básicos:

Sem dúvida alguma, a relação compreensiva e genuína é a mais adequada a estas situações onde o paciente terá o impacto de uma notícia ruim ou triste.

Por ser uma tarefa fundamental, com todas as dificuldades já descritas, Buckman (1992) propõe um protocolo de seis etapas de como dar más notícias:

Diversos autores reforçam a importância de avaliar se o paciente está pronto para ouvir a notícia, o quanto deseja saber, e só então, seguir em doses pequenas de informação, respeitando e acompanhando o ritmo do paciente (Buckman, 1992; Cólon, 1995; Miranda & Brody, 1992; Maguire & Faulkner, 1988; Quill & Towsend, 1991).

Em resumo, estes autores estabelecem os princípios da comunicação de más notícias:

Masmann (citado por Cólon, 1995) acrescenta que talvez seja necessário repetir a informação mais de uma vez. Os pacientes tendem a reconstruir a informação com base em outras que já tinham anteriormente. Esta característica pode atenuar ou agravar as informações recebidas.

Quill e Towsend (1991) referem que os resultados desejados para os encontros iniciais são:

Os médicos podem oferecer uma esperança realista que pode interferir na qualidade de vida do paciente, na dignidade e no conforto durante a evolução da doença.


Referências Bibliográficas

Buckman R. Breaking bad news: why is it still so difficult? British Medical Journal 1984; 288:1597-1599.

Buckman R. How to break bad news: a guide for health care professionals. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1992.

Colón KM. Bearing the bad news. Minesota Medicine 1995; 78:10-14.

Fallowfield L. Giving sad and bad news. Lancet 1993; 341:476-8.

Maguire P, Faulkner A. Communicate with cancer patients: 1 Handling bad news and difficult questions. BMJ 1988; 297:907-909.

Miranda J. Brody RV. Communicating bad news. Western Journal of Medicine 1992;156(1):83-85.

Ptacek JT, Eberhardt TL. Breaking bad news - a review of the literature. JAMA 1996; 276(16):496-502.

Quill TE, Townsend RN. Bad news: delivery, dialogue, and dilemmas. Arch Intern Med 1991;151:463-8.


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Texto incuído em 08/04/98
atualizado em 20/05/98
(c)Pacheco 1998