Modelo do Cuidado

Autores básicos

Carol Gilligan,  Anette Baier e Nel Noddings
Obras de referência
Gilligan C. In a Different Voice. Harvard: HUP, 1982:174.
Primeira edição em português sob o título Uma Voz Diferente. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, sd.

Baier A. The Need for more than justice. Can J Phil 1987;13(suppl):41-56.

Noddings N. Caring: A Feminine Approach to  Ethics and Moral Education. 1984.

Referência histórica
Baseia-se na tradição de estudos sobre a pscologia do desenvolvimento, especialmente o desenvolvimento das justificativas morais. Baseia-se é critica as idéias de Jean Piaget (O Julgamento Moral da Criança) e de Lawrence Kohlberg (Essays on moral development).
Proposta básica
A autora propõe que existe uma diferença fundamental entre o raciocínio moral masculino e feminino. As mulheres baseiam, de modo geral, o seu raciocínio moral dentro da noção de cuidado ("care") enquanto que os homens na de justiça (aspectos legalistas).

Este modelo permite identificar inúmeras características diferenciadoras, desde o ponto de vista do julgamento moral, de homens e mulheres.
 
Homem
Mulher
 Moral da Justiça
Moral do Cuidado
Concordar
 Compreender
Igualdade
Vínculo
Pensar
Sentir
Egoísmo
Altruísmo
Teoria
Prática
contrário de Justiça
Opressão
  contrário de Cuidado
Abandono

Noddings propôs que o cuidado se basta, que ele deve ser a essência. “A noção de cuidado é tudo que é necessário para a ética de enfermagem do cuidado. Sendo que as enfermeiras cuidam, não há  necessidade de regras e princípios   universais, não há necessidade de   se preocupar com as idéias tradicionais de imparcialidade e   justiça”

É uma proposta ainda individualista, mas que insere esta pessoa na sociedade.

Crítica
A maior crítica ao Modelo do Cuidado foi feita por Beachamp e Childress (Principles of Biomedical Ethics. New York: Oxford, 1994:91) por acharem que esta proposta teórica é incompleta, por dar apenas algumas novas contribuições sem constituir plenamente um novo modelo explicativo.

Apesar de ser uma proposta feminista, algumas  feministas, especialmente Susan Sherwin (No longer patient: feminist ethics and health care. Philadelphia: Temple Univ. Press, 1992:49-50)  rejeitam este modelo por reforçar o papel histórico de auto-sacrifício das mulheres, de permitir uma visão apenas parcial da realidade.

Helga Kuhse, no seu livro Caring: nurses, women and Ethics, publicado em 1997, faz uma crítica severa a este modelo. O capítulo 7 deste livro tem como título: ‘Yes’ to Caring - But ‘No’ to a Nursing Ethics of Care'.

A proposta de que o cuidado é a essência da Enfermagem e de que atende sempre aos melhores interesses do paciente foi contestada, em 1989, por Barbara Applebaum, em seu texto Is Caring Inherently Good?
Outra crítica possível é sobre a questão do estabelecimento de esteriótipos masculinos e femininos. Nos estudos de Geert Hosfstede (Cultures and Organiizations. New York: McGraw-Hill, 1991:79-107) sobre aspectos transculturais a caracterização de sociedades "masculinas",  sociedades "femininas", ou equilibradas podem levar a uma necessidade de adaptação transcultural deste modelo.
 



Palestra da Dra. Gilligan na Universidade de San Diego sobre a Ética do Cuidado
Modelos explicativos utilizados em Bioética
Textos - Conceitos Fundamentais
Página de Abertura - Bioética

Texto atualizado em 21/03/2001
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