sextante

O Sextante e a Bioética


Sextante/Goldim-98

José Roberto Goldim


O Sextante é um instrumento de navegação que permite ao navegador orientar o comandante da nave sobre o rumo que deve ser tomado para atingir a um objetivo previamente estabelecido. O navegador estabelece a posição atual e as diferentes possibilidades de rotas para atingir o destino proposto. O sextante, diferentemente da bússola e do mapa, não tem um único referencial, não é rígido. Pode ser apontado para qualquer estrela e, com base nesta orientação, estabelecer os parâmetros de navegação.

A reflexão bioética pode, metaforicamente, ser comparada ao uso do sextante na navegação. Ele não prescinde do uso da bússola, que pode ser equiparada aos princípios, e do mapa, que seria constituído pelos casos pregressos. A bússola e o mapa são instrumentos que também auxiliam a tomada de decisão, mas não definem propriamente qual alternativa tomar. A reflexão sobre dilemas que surgem em situações clínicas ou de pesquisa é em muito semelhante. O consultor de Bioética, assim como o navegador, não estabelece o rumo, não assume o processo de tomada de decisões. O seu papel é o de auxiliar os pacientes, familiares envolvidos, voluntários, membros da equipe de saúde, entre outras pessoas envolvidas, a tomarem a solução mais adequada, aquela que atenda aos melhores interesses do paciente ou voluntário. O corpo de conhecimentos, valores, sentimentos e atitudes que constituem a Bioética servem de instrumento, assim como o sextante, para orientarem o processo de tomada de decisão, nunca para substituí-lo.

A escolha do sextante como símbolo do Núcleo Interdisciplinar de Bioética foi feita com base nas semelhanças existentes entre ambos.


A História do Sextante
Página de Abertura - Bioética
Texto atualizado em 24/08/200398
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