Centro de Engenharia do Google no Brasil responde por mudanças relevantes no sistema de busca

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Duas piscadas de olho – tempo que corresponde a um quarto de segundo –, esse é o intervalo médio que o Google, principal ferramenta de busca na internet no mundo, leva para fornecer uma resposta ao internauta. São 100 bilhões de consultas realizadas por mês no buscador – uma média de 3,3 bilhões de pesquisas por dia, 137,5 milhões por hora e incríveis 2,3 milhões por minuto. Mais de 20 bilhões de endereços na web são analisados a cada 24 horas pelo Google, que depara com 500 milhões de procuras diárias inéditas, ou seja, que nunca haviam sido feitas antes. Aqui no Brasil o site detém 91% de participação no mercado de buscas pela internet. O que poucos sabem é que, para dar conta de tanta informação, a empresa de tecnologia com sede em Mountain View, uma das maiores cidades do Vale do Silício, na Califórnia, nos Estados Unidos, conta com o talento de uma equipe de pesquisadores brasileiros no Centro de Engenharia do Google para a América Latina, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
 “Cem por cento dos resultados de busca realizados globalmente, a cada dia, são melhores, em termos de relevância para a consulta, devido a projetos desenvolvidos pelo time de BH”, diz o cientista da computação Berthier Ribeiro-Neto, diretor de engenharia do Google e um dos líderes da equipe brasileira. “Somos responsáveis pela segunda mudança mais relevante na melhoria de busca da história do Google. Além disso, cinco dos 30 principais projetos experimentais com usuários do buscador saíram do nosso escritório”, diz o pesquisador, de 53 anos. Essa segunda inovação mais importante – que não pode ser descrita em detalhes por ser uma informação sigilosa – está relacionada a dois problemas fundamentais dos mecanismos de busca: compreender com precisão o que o usuário está expressando na consulta e entender o que cada um dos documentos na web quer dizer. É o casamento desses dois “entendimentos” que, ao final, tornam a informação apresentada pelo buscador mais próxima daquela que o internauta quer encontrar.
A principal área de atuação dos pesquisadores de BH é o ranqueamento – core ranking, em inglês –, que é a ordem em que os links são apresentados na página de resultados. “O foco do nosso grupo é a qualidade de busca. Trabalhamos para garantir que o resultado da consulta do usuário seja o melhor possível, e que a primeira resposta do ranking apresentado pelo Google atenda de fato o que o internauta está procurando”, diz o cientista da computação Hugo Pimentel de Santana, de 32 anos. “Um dos nossos maiores esforços é entender que certas consultas escritas de forma diferente representam a mesma intenção do usuário”, diz ele. 

Um indicativo da relevância do Centro de Engenharia de BH é que alguns de seus pesquisadores têm acesso irrestrito ao algoritmo de busca do Google, a enorme sequência numérica que faz o mecanismo funcionar. O algoritmo é um código altamente confidencial e tem para a empresa a mesma importância da fórmula da Coca-Cola para o fabricante do refrigerante – ele é a base de seu sucesso. “São poucos os grupos de fora da sede em Mountain View que trabalham na melhoria do algoritmo de busca”, diz Bruno Pôssas. 
Para Pôssas, o conhecimento dos pesquisadores brasileiros numa área teórica de fundamental importância para a construção de máquinas de busca, conhecida como “recuperação de informação” (information retrieval, em inglês), explica a boa reputação que a unidade mineira goza junto ao escritório central no Vale do Silício. “O Google começou em BH com um grupo muito bom em recuperação de informação, que era reconhecido pela comunidade científica internacional pela qualidade dos artigos que publicava”, afirma Pôssas.
Trechos do artigo da revista Pesquisa Fapesp.
19 de dezembro de 2013

Publicado por Priscila Jacobsen