Crescimento da publicação de ebooks no Brasil

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A explicação para o crescimento vertiginoso do
catálogo de ebooks em português vai muito além do aumento do interesse das
editoras pelo formato. Os autores, especialmente aqueles que nunca
estiveram sob o guarda-chuva de uma editora, são em boa parte responsáveis pelo
aumento na publicação de ebooks no Brasil. 
É um fenômeno bem mais comum em mercados onde o
livro digital é realidade há mais tempo, como EUA, Inglaterra e Japão, e já
começamos a trilhar o mesmo caminho.
As vantagens e razões para
preferir a publicação digital são comuns a todos os autores, sejam brasileiros
ou estrangeiros. Eles podem publicar diretamente na plataforma de Amazon e
Apple, ou podem contratar serviços que produzem o ebook e o colocam à venda –
existem soluções como o Smashwords,
que é gratuito e já comercializa centenas de milhares de ebooks no mundo
inteiro.
Enfim, para cada tipo de
bolso, existe uma solução para publicação digital, em geral mais vantajosa,
prática e econômica que o livro impresso.
Imagem do site http://www.bookbaby.com/
Ainda é muito cedo para
falar em fenômenos de self-publishing digital no mercado brasileiro,
especialmente em “listas de mais vendidos” como a da Amazon – que recentemente
anunciou alguns autores independentes entrando na sua lista de “100 mais
vendidos” em português.
Nada contra, mas o mercado
ainda é pequeno o suficiente para permitir que qualquer pico de vendas, em um
intervalo breve de tempo, afete estas listas de forma determinante, alçando até
o mais desconhecido dos desconhecidos para o topo – ou o mais copiado dos
copiados, como aconteceu em março na loja do Google, quando uma versão de
Dom Casmurro vendida por R$ 1,80 figurou entre os mais vendidos da loja.
Até o final de 2013, porém,
eu acredito que iremos conhecer um legítimo fenômeno nacional
(e arrebatador) de auto-publicação em ebook.
As editoras também são responsáveis por aumentar o volume de
ebooks, claro. Elas investem há tempos nisto e desde a chegada da “legião
estrangeira” das livrarias digitais, ganharam estímulos adicionais –
praticamente todas as lojas estrangeiras oferecem (ou ofereceram) conversões
gratuitas para as editoras, uma oferta que costuma vir acompanhada de alguma
obrigação de exclusividade sobre a venda dos arquivos, ou, pelo menos, da
proibição de utilizá-los em lojas concorrentes. Mesmo assim, as editoras
não conseguem superar um certo ritmo de lançamento de ebooks – falta braço
inclusive para revisar os arquivos. 
O avanço das editoras é
certo, mas lento. Já o avanço dos autores é certo, esperado e só tende a aumentar.
Texto de Eduardo Melo no site Revolução Ebook
21 de maio de 2013

Publicado por Priscila Jacobsen