Envolvimento de jovens brasileiros com o Facebook é tema de estudos

Compartilhe

Com 92 milhões de usuários brasileiros*, o Facebook é uma das redes sociais mais acessadas no mundo. A interação do Brasil é tão relevante que tem sido objeto de análises com vários enfoques. É o caso da pesquisa “Factors driving young users’ engagement with Facebook: Evidence from Brazil”, publicada em julho deste ano no periódico Computers in Human Behavior. A publicação da editora Elsevier está disponível para as instituições participantes do Portal de Periódicos da Capes.

Desenvolvido por Mauro José de Oliveira (Centro Universitário FEI – São Paulo), Melby Huertas e Zhibin Lin (ambas da Newcastle Business School, Northumbria University – Reino Unido), o estudo mostra que o envolvimento dos usuários tem sido foco de atenção para planejadores de marketing que buscam capturar as enormes oportunidades oferecidas pelos meios de comunicação. Para atrair o público, o direcionamento a elementos socioculturais é forte, já que os quatro principais fatores que justificam o envolvimento dos jovens com a rede social são: norma subjetiva, identidade social, valor de entretenimento e manutenção de conectividade interpessoal.

A coleta de dados se deu por meio de um questionário online. Para atingir participantes em todo o país, o grupo usou como intermédio uma grande empresa que oferece oportunidades de emprego para estagiários do mercado brasileiro. A pesquisa teve 5655 respostas, das quais foram extraídos aleatoriamente 1126 formulários para compor a análise de dados. A idade média da amostra é de 21 anos e os entrevistados são, em sua maioria, estudantes do Ensino Médio (34,1%) do Ensino Superior (58,1%).

Relação com o desempenho acadêmico

Facebook tem 92 milhões de usuários brasileiros (Foto: marciojosemj.blogspot.com.br)Um estudo holandês – feito em 2010 por Paul Kirschner (Open University) e publicado no mesmo periódico – vinculou o uso de redes sociais como o Facebook a um baixo desempenho acadêmico. O efeito seria consequência da forma como esse tipo de site é utilizado: o usuário fica permanentemente conectado ou faz várias visitas diárias enquanto realiza, simultaneamente, outras atividades – inclusive as relacionadas aos estudos.

Segundo Kirschner, em comparação com estudantes que realizam uma tarefa de cada vez, os adeptos ao multitasking (fazer várias atividades ao mesmo tempo) precisam de mais tempo para o aprendizado e cometem mais erros no processamento da informação. A análise revelou que usuários do Facebook apresentaram, em uma escala de um a quatro, uma nota média de 3,06, enquanto acadêmicos que não usavam a rede social tiveram desempenho 20% melhor.

O estudo também concluiu que usuários da rede social estudam menos horas: entre uma e cinco horas por semana, em comparação com não usuários, que disseram estudar entre 11 e 15 horas no mesmo período. O pesquisador entrevistou 219 estudantes de uma universidade pública holandesa.

Kirschner conjecturou que aliar a ferramenta a informações acadêmicas talvez fosse uma alternativa interessante para reverter o cenário. Em 2015, o autor publicou uma nova análise, que explora o uso do Facebook como plataforma de aprendizagem. Entretanto, as conclusões mostram que “ainda há um longo caminho a percorrer antes de a rede social ser eficientemente utilizada como recurso para a construção do conhecimento”.

Benefícios para estudantes e professores

Uma quarta investigação, divulgada em julho de 2015 por pesquisadores das Faculdades Pequeno Príncipe (Paraná), mostra que o Facebook é a rede social mais utilizada no Brasil, inclusive entre docentes e discentes de educação superior. Em contrapartida aos resultados apresentados por Kirschner, a análise indica que a ferramenta contribui expressivamente com a área pedagógica para educação em saúde (campo de atuação que foi o objeto de estudo), seja por meio de campanhas, pela divulgação entre usuários ou pelos alertas sobre assuntos importantes.

“Sendo considerada uma ferramenta midiática e com objetivo de encontrar novas formas de interação social, para o ensino superior é possível explorar o Facebook de várias formas, como por exemplo, criando uma comunidade de aprendizagem a fim de realizar discussões sobre assuntos vistos em aula. Nesta perspectiva, o ambiente concreto da sala de aula ganha novas dimensões ao sair do real para o ciberespaço. (…) O que se busca não é apenas a incorporação de novas tecnologias, mas também perceber o quanto a educação superior ganha com novas práticas pedagógicas que agreguem redes sociais”, conclui a análise.

Os entrevistados foram alunos e professores de cursos de graduação na área da saúde de uma instituição de ensino superior filantrópica localizada em Curitiba (Paraná). A amostra da pesquisa incluiu 188 participações, sendo 31 docentes e 157 acadêmicos.

*Dado divulgado pelo Facebook em abril de 2015

Fonte: texto de Alice Santos – Notícias Portal de Periódicos CAPES

15 de janeiro de 2016

Publicado por Priscila Jacobsen