Índice-h: vantagens e limitações

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No final do ano passado, a revista Chemistry World,
editada pela Royal Society of Chemistry, do Reino Unido, decidiu parar de
publicar um ranking on-line que era sucesso entre os leitores.
Tratava-se da lista, atualizada algumas vezes por ano, com mais de 500
pesquisadores altamente produtivos na área de química, aqueles que ostentam no
currículo um índice-h maior que 55.
A decisão de suspender o ranking foi uma capitulação às críticas de que
ele dava ênfase demasiada a um simples indicador de desempenho, sem levar em
conta outros aspectos da produção científica, e poderia induzir universidades e
agências de fomento a tomar decisões simplistas ou equivocadas.
O primeiro do ranking da Chemistry
World
 era George Whitesides,
da Universidade Harvard, com índice-h 169. Equivale a dizer que ele publicou
pelo menos 169 artigos que obtiveram, cada um, ao menos 169 citações em outros
trabalhos. Para ter um índice-h elevado, é preciso publicar artigos que
repercutam na comunidade científica. Se um pesquisador publica muito, mas é
pouco citado, ou se recebe muitas citações, mas num número restrito de artigos
que publicou, terá um índice-h baixo.
O
episódio da Chemistry World é
revelador das vantagens e mazelas do índice-h, uma medida que ganhou aplicação
generalizada por seus méritos – é fácil de calcular, baseia-se em critérios
objetivos e resume num único número a produtividade e a relevância do trabalho
de um pesquisador. Simultaneamente, seu uso tornou-se alvo de críticas por não
levar em conta suas limitações. O próprio Jorge Hirsch admite um problema
importante. “Deve-se sempre ter em mente que pesquisas fora domainstream podem ser pouco citadas e subavaliadas por indicadores
bibliométricos e merecem ser apoiadas financeiramente apesar disso”, afirmou à
revista on-line Research Trends. “Um
indicador bibliométrico deve ser sempre usado ao lado de outros indicadores, e
com bom senso.”
Não se pode usar o índice-h para comparar
pesquisadores em estágios diferentes da carreira – um pesquisador sênior com
índice-h 100 na área de química pode orgulhar-se de ser extremamente produtivo,
assim como um pesquisador jovem da mesma área que tenha um índice-h 30. Também
é equivocado comparar o desempenho de pesquisadores de áreas diferentes.
“Cada área tem um tamanho peculiar e tendências
diferentes de citação”, explica Rogério Meneghini, coordenador científico da biblioteca
SciELO Brasil. “Em bioquímica, por exemplo, há um número enorme de
pesquisadores. Logo há mais artigos e mais gente citando. A regra é você
trabalhar com as subáreas quando faz comparações”, afirma Meneghini, para quem,
contudo, o índice-h é uma ferramenta valiosa, sobretudo nas ciências naturais.
“Um índice-h elevado nessas áreas é um sinal de que o pesquisador fez coisas de
impacto”, afirma.
Já em muitas disciplinas das humanidades a divulgação
de resultados de pesquisa por meio de livros é tão importante quanto sua
divulgação por meio de artigos em revistas indexadas, de modo que nelas o
índice-h frequentemente diz pouco sobre o impacto real do trabalho de um
pesquisador. “Nas humanidades, um índice numérico de avaliação de impacto é
certamente algo a ser levado em conta, mas como um dos elementos de avaliação,
entre outros. Desacompanhado de elementos de avaliação de natureza qualitativa,
será só um número”, afirma Luiz Henrique Lopes dos Santos, coordenador adjunto
de Ciências Humanas e Sociais da FAPESP. “Além disso, o impacto de uma
publicação não se mede apenas por citações, mas também por muitas outras
coisas, como sua contribuição para inovações tecnológicas ou para a formulação
de políticas públicas, por exemplo.”
Leia o texto
na íntegra na Revista Fapesp Edição de Maio de 2013.
24 de maio de 2013

Publicado por Priscila Jacobsen