Mário Quintana, o “poeta das coisas simples”

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“Os livros de poemas devem ter margens largas e muitas páginas em branco e suficientes claros nas páginas impressas, para que as crianças possam enchê-los de desenhos – gatos, homens, aviões, casas, chaminés, árvores, luas, pontes, automóveis, cachorros, cavalos, bois, tranças, estrelas – que passarão também a fazer parte dos poemas…”
(Da Paginação, Sapato Florido, p. 12)

Nascido em Alegrete-RS em 30 de julho de 1906, o escritor, tradutor e jornalista brasileiro Mário de Miranda Quintana é considerado um dos maiores poetas do século XX. 

Na capital do Rio Grande do Sul, Quintana começou a publicar seus poemas em 1919 em uma revista editada pelos alunos da Escola Militar de Porto Alegre.

Em 1929, ingressou no jornal O Estado do Rio Grande . O contato com cenas cotidianas e a trajetória como jornalista foram influência e inspiração fundamentais para a obra poética do escritor.

Em 1940, lançou o seu primeiro livro de poesias, A Rua dos Cataventos, composto por 35 sonetos em que os temas principais são infância e reflexões sobre a morte, como o poema “Minha morte nasceu no dia em que eu nasci”, dedicado ao também escritor Moysés Vellinho.

Em 1953, Quintana trabalhou no jornal Correio do Povo, como colunista da página de cultura e em 1973, publicou o livro Hora H, que reúne poemas e textos veiculados pelo autor em jornais nos quais trabalhou, vinculando poesia e jornalismo.

Em 1980 recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.

Mário Quintana publicou dezenas de livros de poesia e dedicados ao público infantil e  traduziu mais de cem obras da literatura universal, entre elas Em Busca do Tempo Perdido, do francês Marcel Proust.

O autor, que não se casou nem teve filhos, foi hóspede do Hotel Majestic, no centro histórico de Porto Alegre, de 1968 até 1980. Ao ficar desempregado e sem dinheiro, foi despejado e alojado no Hotel Royal, no quarto de propriedade do ex-jogador Paulo Roberto Falcão.

Em 1982, o prédio do Hotel Majestic foi tombado e em 1983 o governo estadual do Rio Grande do Sul adquiriu o imóvel e transformou-o em centro cultural, batizado como Casa de Cultura Mário Quintana.

Mário Quintana faleceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 5 de maio de 1994. Chamado o “poeta das coisas simples”, embora seja mais conhecido pelos toques de humor, ironia e coloquialismo na escrita, Mário Quintana nos presenteou com uma obra rica, profunda e matizada por diferentes estilos poéticos.

Sapato Florido, Edição Especial

Poetizar-se com Quintana é se deixar fruir da beleza de uma abordagem tão especial sobre o que é singelo. Você pode conferir algumas das obras do autor aqui no acervo da BC!

Como bônus especialíssimo desta biblioteca generosa, o livro “Malagolo visto por Quintana” (de 1985, da Coleção Século XX), edição comemorativa dos 80 anos do pintor e do poeta.  

Malagoli visto por Quintana

Fontes consultadas: Enciclopédia Itaú Cultural e Casa de Cultura Mário Quintana.

30 de julho de 2019

Publicado por Zuleika Branco