Portal revela os museus do RJ

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Desvendando o legado histórico do Rio de Janeiro


Elena Mandarim

 Divulgação/UniRio
       
       O portal apresenta cerca de 300 museus do estado, mostrando suas
        relações com a localidade e os pontos de interesse de cada região

Durante o Encontro dos Museus do Rio, que ocorreu nos dias 14, 15 e 16 de dezembro no Museu Histórico Nacional, foi lançado o portal “Museus do Rio”. Ele cumpre o objetivo de apresentar os resultados do projeto “Memória, Cultura, Transformação Social e Desenvolvimento: Panorama Museal do Estado do Rio de Janeiro”,  contemplado no edital Pensa Rio, da FAPERJ. Segundo a antropóloga Regina Abreu, coordenadora do estudo e professora da Escola de Museologia e do programa de pós-graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), o portal trará informações qualitativas dos museus, sempre apresentando a história de cada um deles relacionada ao contexto da região em que foi implantado. “A metodologia que adotamos promove uma etnografia dos percursos, que consiste em registrar as características locais e culturais ao longo dos caminhos percorridos. Nosso objetivo é mostrar que essas instituições são fonte de conhecimento e podem favorecer a inclusão social e o desenvolvimento sustentável”, explica a coordenadora. Por meio do slogan “descubra um Rio de Janeiro que você ainda não conhece”, o portal visa valorizar os museus do Rio de Janeiro, no momento em que o estado se prepara para receber a Copa do Mundo, as Olimpíadas, e a próxima reunião do International Council of Museums (ICOM), principal instituição dedicada ao fomento internacional da museologia. De acordo com Regina, a nova ferramenta virtual contém informações básicas para turistas, estudiosos e interessados na área museológica.
O portal oferece duas possibilidades de acesso: uma pelos percursos e outra pelas regiões. No primeiro, o internauta visualiza o percurso feito pela equipe de pesquisa e recebe dicas sobre as estradas e as cidades percorridas. Nessa opção, são apresentados apenas os museus visitados, sob a perspectiva social e antropológica do estudo. “Nossa preocupação foi sempre valorizar a relação do museu com seu meio, buscando evidenciar os ícones locais”, diz Regina.
Na segunda possibilidade de acesso, o visitante recebe uma descrição geral da região, com curiosidades e dados históricos sobre as cidades. Nessa opção, há uma relação completa de todos os museus da localidade. “Essa parte de inventário está sendo muito bem feita pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). É um trabalho quantitativo que tem servido de base para muitas pesquisas”, conta a pesquisadora.
Nas duas alternativas, pode-se acessar os museus para se ter informações históricas, além de sua localização, horários e serviços. Cada um deles é também retratado em um pequeno filme, de cinco minutos. “Os filmes mostram um pouco da relação do museu com sua cidade, contam sua história e apresentam seu acervo”, diz Regina.

 Divulgação/UniRio
          
   O Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Niterói, foi um dos
 museus visitados pela equipe de pesquisa da professora Regina  

A partir dos registros das viagens, nove documentários foram produzidos pela equipe da professora Regina, em parceria com o Ibram. Até 19 de dezembro, a TV NBR estará reproduzindo as filmagens, podendo reprisá-las aleatoriamente em sua programação. Esse material ainda foi desmembrado para produzir programas de 13 minutos que serão veiculados pela TV Alerj, toda sexta-feira, às 20h30, a partir do dia 17 de dezembro. “A UniRio e a TV Alerj firmaram um contrato para dar continuidade a essa programação. Assim, continuaremos a produzir documentários”, conta a pesquisadora.

Para Regina, por meio da interatividade e da dinamicidade, o portal será constantemente alimentado. O site ainda disponibiliza um guia de cadastro para que os diretores dos museus preencham sempre que quiserem atualizar ou inserir informações. Há também uma página linkada com a comunidade, por meio de blogs, sugestões, comentários e oferta e procura de oportunidades nos museus. “Pensamos em criar um espaço para que estagiários e profissionais possam se comunicar com os museus e vice-versa”, diz. Foi criado, ainda, um espaço exclusivo para disponibilizar os trabalhos científicos, assim como dissertações de mestrado e teses de doutorado na área de museologia e memória social e de patrimônio. “Os interessados poderão solicitar a inclusão de seus trabalhos. Temos o objetivo de criar um grande banco de dados, que sirva de base de novas pesquisas na área”, diz Regina.
Futuro do Portal De acordo com a coordenadora do projeto, nesta primeira fase, o portal disponibiliza informações sobre os museus do interior do estado. A segunda etapa, com conclusão prevista para final de 2011, disponibilizará dados sobre os museus da cidade do Rio de Janeiro, que congregam cerca da metade dos trezentos museus do estado. “A nossa proposta a seguir é traçar percursos por bairros dentro da cidade do Rio de Janeiro. Há bairros, por exemplo, Botafogo e Centro, que concentram muitos museus”, adianta Regina.
Segundo a pesquisadora, a ideia de começar pelo interior justifica-se pela pouca visibilidade dos museus fluminenses. “Muitas vezes, o visitante chega ao Rio de Janeiro e não tem a menor noção de que o interior do estado também guarda preciosidades históricas, um verdadeiro tesouro de memória e cultura. Afinal, o Rio, incluindo interior e capital, sediou quase todos os grandes momentos da história do Brasil”, diz Regina.

 Divulgação/UniRio
        
         O Museu Casa da Hera, na região sul de Vassouras, é
      testemunho da riqueza e da prosperidade dos barões do café.

Para ela, muitos deles ainda são pérolas pouco conhecidas, como o “Museu do Surf”, em Cabo Frio, resultado da coleção de um surfista apaixonado, que é capaz de narrar por meio de seus preciosos objetos minúcias da história internacional do surf. Há, também, o “Museu Casa da Hera” em Vassouras, testemunho da riqueza e do fausto dos barões do café. Ou ainda, o “Museu de Conchas”, de Mangaratiba, resultado do esforço de um colecionador que conta a história das transformações do local por meio das conchas que foram desaparecendo e que ali jazem testemunhas de épocas de biodiversidades mais pulsantes. Para a antropóloga, os museus do Rio desempenham importante papel enquanto lugares de memórias coletivas, capazes de irradiar e potencializar conquistas para a inclusão social, a cidadania, a transformação social e o desenvolvimento sustentável em diferentes regiões. “Espalhados pelo estado, os museus são indícios de uma vitalidade histórica e memorável e constituem, hoje, espaços cada vez mais relevantes, que respondem ao nosso anseio por referências e elos com diferentes temporalidades”, observa Regina.
Da Colônia à República, passando pelo Império, houve importantes processos em todas as regiões do estado do Rio de Janeiro, que tiveram repercussão nacional. É fácil entender, portanto, porque Regina afirma que os museus restaram como testemunhos e fontes de pesquisa de toda esta movimentação, o que faz deles um importante legado histórico.

Fonte: Boletim da Faperj
Data: 16/12/2010

17 de dezembro de 2010

Publicado por Gabriela Marchioro