Site pretende amenizar o impacto da diabetes na adolescência

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Danielle Kiffer

O site, voltado para adolescentes e escolas, contém informações completas sobre diabetes.

A adolescência é reconhecida como uma fase difícil da vida. Nesse período, qualquer doença que requeira cuidados constantes, pode significar algo devastador. Pensando nessas circunstâncias, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) desenvolveu o site www.diabetesnasescolas.org.br para auxiliar jovens e escolas. O projeto é coordenado pela médica Marilia de Brito Gomes, professora e endocrinologista do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). “O adolescente tem mais dificuldade em aceitar a doença e, por conseguinte, tem mais resistência a aderir ao tratamento. Com o site, pretendemos não apenas informar esses jovens, mas também ajudar pais, professores e responsáveis a se prepararem melhor para lidar com a doença”, explica a pesquisadora.

Até 2025, o Brasil deve ocupar o quarto lugar no ranking mundial de maiores de 18 anos com diabetes. Hoje, 7,3 milhões de brasileiros adultos convivem com a doença, mas esse número vem crescendo a uma média de cerca de 650 mil novos casos por ano, de acordo com o Ministério da Saúde. Números preocupantes, principalmente quando se sabe que, segundo pesquisa realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) 64% dos adolescentes obesos, entre 15 e 19 anos, já apresentam pré-diabetes do tipo 2 – a que está associada ao excesso de peso e tem se tornado uma ameaça cada vez mais precoce à saúde de jovens e de adolescentes.

Diante de números tão preocupantes, a ideia do site foi mais do que oportuna. A página, toda ilustrada com desenhos, foi criada porque, durante os últimos anos, a professora vinha observando como era difícil a rotina de adolescentes diabéticos na escola. “Percebi que um dos problemas era a falta de informação específica em relação à doença para esses jovens. Com a página na internet, pretendemos mostrar que, com acompanhamento, precauções e alimentação correta, o jovem diabético pode levar uma vida normal.”

Diabetesnasescolas.org.br procura informar tudo sobre a doença: os tipos de diabetes existentes, suas características, os principais cuidados com a alimentação, como fazer a monitorização da glicemia e até a receita do kit de hipoglicemia para casos de emergência. “Mostramos também como devem se portar pais ou responsáveis e professores desses adolescentes, em um passeio escolar ou em uma festa. Nesses casos, é aconselhável que os pais ou responsáveis adequem as refeições do jovem diabético em casa, para que depois ele possa desfrutar do lazer sem maiores preocupações”, explica. A página também traz, disponível para download, uma cartilha ilustrada com as principais informações acerca do diabetes.

Navegando pelo site, o jovem pode conferir alguns dos sintomas da doença, enquanto pais e professores vêem as dicas apresentadas. Entre elas, a que sugere aos professores que, considerando que muitas crianças se sentem envergonhadas pelo fato de ter diabetes, encorajarem-nas a conversar com os colegas sobre o assunto, respeitando-lhes a privacidade, caso elas se neguem. Ou a de simplesmente autorizar o aluno diabético a sair da sala da aula para ir ao banheiro, beber água ou ingerir algum alimento, mesmo fora dos intervalos. Pequenas ações como essas ajudam a amenizar os sintomas da doença. Além disso, como qualquer mudança de comportamento da criança ou adolescente pode indicar uma mudança de glicemia, o site orienta pais e professores a medir a glicemia quando isso acontecer.

O que é diabetes

A primeira descrição documentada dos sintomas do diabetes encontrada até hoje está no papiro egípcio de Ebers, datado de 1.552 a.C. Trata-se de uma doença metabólica, caracterizada pela redução da secreção do hormônio insulina pelo pâncreas. Os tipos mais comuns são o diabetes tipo 1 (ou insulinodependente), e o tipo 2. A doença faz com que a membrana celular se torne menos permeável à glicose. Sem ser absorvida pelas células, a glicose se acumula no sangue (hiperglicemia). O organismo também se torna menos sensível à ação da insulina. O excesso de glicose é eliminado pela urina, fazendo com que o diabético urine muito, eliminando também muita água nesse processo, e consequentemente desidratando-se. Com isso, ele também sente mais sede e bebe mais água. Outros sintomas indicam a doença, como perda de peso, fadiga, fraqueza, maior suscetibilidade a infecções e visão turva. Muitas vezes, no entanto, a doença se instala sem apresentar sintomas, o que leva um grande número de portadores a desconhecer que apresentam a doença. Acreditando que estão bem, nem chegam a procurar um médico ou a submeter-se a qualquer tratamento. Como alertam os especialistas, trata-se de uma epidemia silenciosa. Sem tratamento adequado, o diabetes pode levar a várias outros problemas, como insuficiência renal, lesões de difícil cicatrização, problemas visuais e até cegueira, infarto e derrame cerebral.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 250 milhões de pessoas em todo o mundo têm diabetes e a projeção para 2030 é que esse número venha a dobrar. A enfermidade é responsável por cerca de 5% das mortes anuais do mundo. No Brasil, segundo a SBD, pelo menos 10 milhões de pessoas têm a doença, o que equivale a 5,9% da população. Segundo os especialistas, um dos fatores que mais vêm contribuindo para o crescimento do número de casos é o consumo de fast-food, símbolo do estilo de vida contemporâneo das nações mais ricas, mas que tem se espalhado pelas demais regiões do planeta.

Fonte: Boletim da FAPERJ nº28
Data: 30/04/2010

30 de abril de 2010

Publicado por Gabriela Marchioro