Stonewall 50 anos

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Hoje é o Dia do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersex), data celebrada e lembrada mundialmente, que marca o episódio ocorrido em Nova Iorque, em 1969, no bar gay Stonewall Inn.

O bar sofria com batidas policiais carregadas de brutalidade, como forma de coagir os clientes LGBTI. Os episódios de violência e abuso de autoridade contra Stonewall eram constantes. Na data de hoje, há exatos cinquenta anos, mais uma vez o bar foi invadido por alguns policiais e o resultado da ação foi a prisão de clientes por “conduta imoral”.

Mas neste dia, como resposta, clientes do bar, simpatizantes moradores do bairro e funcionários dos bares vizinhos se uniram e revidaram contra a violência policial. O levante contra a perseguição da polícia às pessoas LGBTI durou mais três noites. 

O 28 de junho de 1969 é considerado marco zero pela luta por direitos civis das minorias LGBTI (cabe ressaltar que a sigla veio muito depois, com revisões e atualizações que contemplem a totalidade de minorias marginalizadas pela orientação sexual).

Embora a luta contra homofobia e pelos direitos civis já acontecessem antes de Stonewall, foi neste dia que ocorreu o emponderamento público (e intensamente coberto pela mídia) da comunidade LGBTI.

A homofobia e a desinformação matam. Só no Brasil, nos primeiros cinco meses de 2019, foram 141 pessoas foram mortas por LGBTfobia no Brasil. A homossexualidade ainda é considerada crime em mais de 60 países do mundo. Até os anos 90, era considerada resultado de doença mental e constava na lista internacional de doenças.

Como forma de conscientizar e manter o debate com a população geral, acontece na UFRGS nos dias 28 e 29 de junho, o seminário nacional de debates “De olho bem aberto – da cama pras ruas: Stonewall 50 anos, 28 anos Nuances”.  O evento, que ocorrerá no auditório da a Faculdade de Ciências Econômicas (Av. João Pessoa, 52 – Campus Centro), é gratuito e aberto a todos os interessados, sem necessidade de inscrições prévias.

O seminário pretende resgatar a importância da revolta de Stonewall como marco inicial do movimento LGBTQI, provocar uma reflexão sobre as dinâmicas de construção dos direitos de cidadania da população LGBTQI no atual cenário político brasileiro, além de analisar a importância política, cultural e social da emergência do movimento LGBTQI no Brasil à luz do marco da revolta de Stonewall de 1969. Entre os convidados, estão João Silvério Trevisan, pioneiro do movimento LGBT no Brasil; Paulo Mariante, dirigente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos – ABGLT; Keila Simpson, presidente da Antra – Associação Nacional de Travestis e Transexuais; e Monica Benicio, ativista dos direitos humanos e viúva de Marielle Franco. 

Mais informações pelo e-mail gruponuances@gmail.com.br

Fontes: UFRGS Notícias, ONU

A luta pelo respeito às diferenças segue necessária, a ressignificação dos pré-conceitos e preconceitos requer um árduo trabalho de conscientização e a conquista dos direitos da população LGBTI segue a passos curtíssimos. Portanto, a discussão, o apoio e a resistência são pungentes e essenciais.

28 de junho de 2019

Publicado por Zuleika Branco