Supermáquina de pesquisa

Compartilhe

O que estudos sobre a aerodinâmica de turbinas eólicas, o impacto de mudanças climáticas na agricultura ou o desenvolvimento de novas vacinas têm em comum? Essas são apenas algumas das 66 pesquisas atualmente em desenvolvimento no Centro Nacional de Supercomputação (Cesup) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Embora sejam trabalhos de diferentes áreas, todos precisam processar uma imensa quantidade de dados, e é aí que máquinas extremamente potentes os supercomputadores são essenciais.

Para os pesquisadores, a boa notícia é que, depois de 11 anos, o Cesup adquiriu um novo supercomputador, aposentando o Cray T90, em operação desde 1998 – um equipamento jurássico para os padrões de evolução cada vez mais meteóricos da computação. A nova máquina é um Cluster Sun Fire, com capacidade de processamento total de 12,76 teraflops, o que significa que é capaz de realizar mais de 12 trilhões de operações por segundo. Escolhido por licitação, o equipamento teve um custo de US$ 400 mil, bancados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

Mais do que uma ampliação da capacidade, o novo supercomputador representa a migração do Cesup para um novo conceito de computação. Em lugar do processamento vetorial – sistema usado pelo equipamento anterior e pelo Cray Y-MP, o primeiro supercomputador instalado no Cesup, em 1992 – a nova máquina funciona com a arquitetura de cluster. Isso significa que são usados múltiplos processadores de forma integrada, que podem processar uma só ou diversas tarefas ao mesmo tempo. Os processadores – 108 no total – são todos do tipo AMD Opteron Quadcore (com quatro núcleos).

– São os mesmos processadores que podem ser usados num computador doméstico. Além de aumentar a capacidade de processamento, essa tecnologia tem a vantagem de baratear a ampliação do sistema porque basta adicionar mais processadores sem precisar trocar a máquina toda – explica a diretora do Cesup, Denise Grüne Ewald.

Além do Cesup, o Brasil tem mais sete centros de supercomputação, que formam o Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Sinapad). Esses locais são interligados por meio da Rede Nacional de Pesquisa, com cabos de fibra óptica que permitem conexões de internet de altíssima velocidade, variando de 2,5 gigabits a 10 gigabits por segundo – 25 a 100 vezes mais veloz do que a conexão residencial mais rápida disponível no Estado.

No entanto, apesar de todos esses recursos, o Cesup ainda é utilizado apenas por universidades, uma situação que Denise espera mudar à medida que o novo supercomputador ficar mais conhecido.

– Por enquanto, só a comunidade acadêmica nos procura, temos pesquisadores até do Chile com projetos aqui, mas qualquer empresa pode utilizar nossos recursos. Basta entrar em contato e apresentar um projeto – afirma a diretora.

Para universidades, o uso do Cesup é gratuito. Empresas privadas pode utilizar o centro mediante pagamento. Mais informações podem ser obtidas no site www.cesup.ufrgs.br

Progressão constante

Desde o lançamento do Cray-1 em 1975, considerado o primeiro supercomputador do mundo, o processamento de dados evoluiu vertiginosamente. Há 34 anos, a capacidade de 133 megaflops da máquina – ou seja, a possibilidade de realizar 133 milhões de operações por segundo – era impressionante.

Hoje, o equipamento nem entraria no ranking dos 500 computadores mais potentes do mundo, divulgado semestralmente pelo site especializado Top 500 (www.top500.org). No gráfico à esquerda, é possível conferir a evolução dos supercomputadores desde 1993.

Na última edição da pesquisa Top 500, publicada em junho, o líder do ranking é um Roadrunner fabricado pela IBM e instalado no Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos. A máquina tem capacidade de processamento de 1,105 petaflop – realiza mais de um quatrilhão de operações por segundo.

Apesar de sua capaciadade de 12,76 teraflops, o novo computador do Cesup/UFRGS não figura entre os 500 maiores do mundo. O 500º do ranking tem capacidade pouco maior: 17,08 teraflops.

Gráfico da Evolução

Fonte: Zero Hora Online
Data:28/9/2009

28 de setembro de 2009

Publicado por Gabriela Marchioro