Universidades: o que são e para que servem?

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O ensino superior no país representa um complexo de 2.537 instituições, entre universidades, centros universitários, faculdades, institutos federais e Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets), segundo o Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Mais da metade das universidades brasileiras (53,8%) é pública. São 107, no total, sendo 63 federais – 31 nas capitais e 32 no interior –, com 1,2 milhão de estudantes matriculados. Os 97.580 docentes nas universidades públicas federais oferecem 469 mil vagas em 4.912 cursos de graduação. Os dados são do Censo da Educação Superior de 2018.

É nas universidades que se desenvolve a maior parte das pesquisas científicas do mundo.

No Brasil, há uma preponderância das universidades públicas nesse posto: são responsáveis por mais de 90% da produção científica do país, segundo relatório da Clarivate Analytics para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Sessenta por cento desse total ficam por conta de apenas 15 universidades públicas (federais e estaduais). […]

“O Brasil seria diferente se não tivéssemos as universidades públicas federais. Não teríamos o Pré-Sal ou a Embraer, por exemplo”, diz o professor do departamento de Sociologia da UnB Carlos Benedito Martins, acrescentando: “As universidades prestam muita atenção ao país. São guiadas por ética de pesquisa para produzir conhecimento para o bem da sociedade, como saúde, moradia, água, saneamento, gestão de políticas públicas. A atuação das universidades públicas está baseada na construção de um projeto de Estado”. Segundo Martins, sem as universidades, a humanidade voltaria para a Idade da Pedra. Isso porque é nessas instituições que há debate sobre cidadania e formação de mentalidades.

“As universidades ilustram a população, formam pessoas educadas, sensíveis para as questões da sociedade e da diversidade”, resume o professor Carlos Benedito Martins.

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As pesquisas desenvolvidas nas universidades diferenciam os países entre aqueles produtores de ciência e tecnologia e aqueles que são consumidores de tecnologia, como destaca a professora Catarina Almeida Santos, pesquisadora em Políticas Educacionais. “Quando tiramos as possibilidades de desenvolvimento de tecnologia, tornamos o país dependente do que vem de fora”, esclarece a docente da Faculdade de Educação (FE) da UnB.

Os grandes produtores de tecnologia são os chamados países desenvolvidos: são nações que produzem em diferentes segmentos, garantem condições de vida adequada para a sua população, não têm grande quantidade de pessoas abaixo da linha da pobreza, oferecem acesso universal à saúde e têm uma população com alto nível de escolaridade. Dentro desses critérios, o Brasil é um país em desenvolvimento. “Quando paramos de produzir conhecimento, voltamos para a lógica de país subdesenvolvido. Isso significa resultados trágicos para o país, como foi até o início dos anos 1990, quando convivíamos com grande mortalidade de pessoas pobres e altas taxas de mortalidade infantil. São questões que estão ligadas a avanços na educação”, esclarece Catarina Santos.

Conhecimento é o conjunto de informações adquirido pela humanidade ao longo da história. Ele é renovável, complementável e reciclável, conforme surgem novas descobertas. É transmitido de diversas formas e uma delas, por excelência, é por meio da educação. É pelo processo de transmissão de conhecimento que se pode reavaliar o que às vezes parece consensual e reajustar as compreensões de mundo das pessoas, elaborando novas visões, novas teorias, novas abordagens.

Para a pesquisadora, o caminho é continuar avançando na redução das desigualdades sociais do país, e isso passa pelos estudos promovidos nas universidades. Ademais, são as pesquisas que realizam levantamentos de dados sobre questões relevantes ao país, de forma a subsidiar a reflexão e a produção de políticas públicas. Carlos Benedito Martins, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia, exemplifica que, sem as universidades, progressos em áreas como a Agricultura seriam impensáveis. O mesmo vale para a produção de remédios, saneamento básico e proteção ambiental. “Todas as questões de segurança pública, por exemplo, passam por pesquisas científicas. Antropologia, Sociologia, Política, Direito, as ciências humanas também têm aplicação muito forte na sociedade”, destaca. É o que demonstra o ranking do número de depositantes de pedidos de patente produzido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

Dos dez principais depositantes residentes no Brasil, no ano de 2017, as universidades continuam a dominar o setor. Além disso, oito das dez primeiras posições são ocupadas por universidades federais e estaduais. Esse top dez representa quase 20% do total de requerimentos. O relatório também aponta que, assim como em 2016, apenas uma empresa aparece entre as dez maiores depositantes residentes no país.

ESTÍMULO AO PENSAMENTO

A lei 9.394 de 1996, ou Lei de Diretrizes e Bases (LDB) define, no artigo 43, que o papel da educação superior no Brasil é estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo. Além disso, a missão das instituições é formar pessoas em várias áreas do conhecimento, tanto para abastecer os postos de trabalho, quanto para contribuir para o desenvolvimento da sociedade brasileira. E ainda incentivar a pesquisa e a investigação científica para o desenvolvimento de ciência e tecnologia e para a criação e difusão de cultura.

O que diferencia as universidades das outras modalidades de ensino é o leque de ações que desempenham: por determinação constitucional, descrita no artigo 207 da Constituição de 1988, as universidades gozam de autonomia didático-científica e de gestão (nos limites estabelecidos em lei).

Cabe a elas realizar o tripé ensino, pesquisa e extensão.

As faculdades e centros universitários concentram as ações no ensino. A extensão ocorre por meio do acesso da população a atividades desenvolvidas pela universidade, de modo a difundir à comunidade as conquistas e os benefícios resultantes de pesquisas e inovação.

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Confira o texto na íntegra.

Fonte: Trechos do texto de Nair Rabelo para a Revista Darcy

5 de novembro de 2019

Publicado por Priscila Jacobsen