
Bruno Grigoletti Laitano defendeu sua dissertação no PPG em História, sob orientação da professora Caroline S. Bauer. Sua pesquisa abordou o tema “Digitalizar o arquivo, arquivar o digital: a história e suas fontes diante das velhas e novas tecnologias”. Baseada na ideia de que os registros históricos passam por um processo de reconceituação, o estudo dedicou-se a dois formatos da fonte digital: o documento digitalizado e os chamados “arquivos nascidos digitais”. Na primeira parte, intitulada “Digitalizar o arquivo”, observou-se que o escaneamento e a disponibilização de acervos documentais em repositórios online são práticas correntes no âmbito da história, o que revela certa preocupação em torná-los mais acessíveis e em garantir a preservação prolongada de fontes sujeitas à degradação natural.
Entre tantos exemplos, optou-se pela análise do projeto “Brasil: Nunca Mais Digit@l”. Uma iniciativa de várias instituições públicas e organizações não-governamentais que abriga em seu site os documentos utilizados na produção do livro “Brasil: Nunca Mais”, uma das principais denúncias contra a ditadura civil-militar brasileira, publicado pela Editora Vozes em 1985.
Na segunda parte, intitulada “Arquivar o digital”, trabalhou-se com registros nascidos digitais – isto é, que foram produzidos na e para a internet. As fontes estudadas não são convencionais, são documentos que, em larga medida, sequer têm sido preservados ou incorporados pela historiografia ao conjunto de recursos de pesquisa do historiador. São os casos das postagens em redes sociais, de sites, e-mails ou mesmo de artigos científicos publicados exclusivamente em meio eletrônico. Mais uma vez diante de exemplos variados, escolheu-se o portal “Memórias da Ditadura” como objeto de estudo. Trata-se de um compilado de informações a respeito do período, suas figuras e eventos marcantes, além de um repositório de conteúdos audiovisuais e pedagógicos. Vale destacar que não foram contemplados os projetos em sua plenitude, debruçando-se sobre tudo o que publicaram ou reproduziram, tampouco foi abordada detalhadamente a temática que possuem em comum (a ditadura), mas foi priorizada uma compreensão abrangente de ambos em sua relação com as tecnologias que lhes dão suporte.
