Tad DeLay1
A única coisa que pode ser justificada é a recusa da má utilização ideológica da própria existência e, de resto, conduzir-se em privado tão modesta, discreta e despretensiosamente quanto há muito o exige não mais a boa educação, mas antes a vergonha: de ter ainda no inferno o ar para respirar.2
Vai ficar tudo bem
Ao ler as colunas do horóscopo no Los Angeles Times em 1953, Theodor Adorno encontrou um sinal repetido: vai ficar tudo bem.3 A astrologia, na opinião dele, não era irracional tout court, mas, ao invés disso, servia como uma pseudo-racionalidade para os excessivamente egocêntricos, uma regressão na consciência, um tipo de “transtorno de processos racionais de autoconservação”.4 Deus está morto, portanto encontramos no céu uma mitologia ainda mais absurda do que as teologias que abandonamos. Vai ficar tudo bem.
Zerar as emissões líquidas, promessas políticas ambiciosas e o crescimento exponencial em renováveis atraem tanta atenção que é fácil perder de vista um fato único: as concentrações atmosféricas dos principais gases do efeito estufa ainda estão aumentando. E ninguém tem ideia de quando isso vai mudar.
A Reforma Protestante, como todos sabem, começou com Martinho Lutero afixando suas 95 teses que repreendiam as indulgências. As indulgências permitiam que o penitente fizesse um ato virtuoso (como, por exemplo, uma doação à igreja) a fim de encurtar os seus futuros dias no purgatório. Como bem resumiu uma frase atribuída ao pregador Johann Tetzel: “Tão logo a moeda no cofre cai, uma alma do purgatório sai”. Lutero notou, e criticou, que o crente não estava mais em busca da confissão – para não mencionar que a igreja estava desviando dinheiro dos camponeses pobres e depositando no bolso dos ricos.
Compensações de carbono frequentemente são comparadas às indulgências. Pague uma taxa, chame isso de virtude e desfrute da absolvição moral. Mas ao menos as pessoas ludibriadas pelas indulgências só eram lesadas financeiramente. Por outro lado, pagar alguns dólares para plantar uma árvore e aliviar os próprios sentimentos não apenas rende a você a acusação de falsas premissas, mascarando a continuidade das emissões enquanto contribui para uma mitigação climática totalmente insignificante, como também geralmente significa que as pessoas bem intencionadas, ecologicamente conscientes, são partícipes involuntários na expropriação das posses dos pobres e, em alguns casos, das terras ancestrais das populações indígenas.
Em 1989, uma companhia elétrica dos EUA chamada Applied Energy Services criou o primeiro programa de compensação de carbono como parte dos seus projetos para uma estação de energia movida a carvão. Ela plantou na Guatemala um grande número de árvores a fim de ostensivamente contrabalancear as emissões da estação. O primeiro impacto dessa iniciativa foi causar dano ao ecossistema local, introduzindo 50 milhões de uma espécie não nativa de árvore. Também criminalizou atividades das quais os habitantes locais dependiam, como, por exemplo, a coleta de lenha.5 Além disso, o projeto pretendia compensar as emissões ao longo de toda a existência da estação – mas após dez anos uma avaliação revelou que menos de 2% das emissões prometidas foram sequestradas. Você bem que gostaria de pensar que nesse ínterim as estatísticas melhoraram, mas um proeminente estudo de três décadas mais tarde descobriu que, novamente, somente 2% do programa de compensações estavam mais sujeitos a reduzir as emissões – atribuir qualquer quantia a mais seria uma estimativa exagerada.6
Uma nova empresa chamada YepYou levou a absolvição ao cúmulo.7 Autodenominando-se a “Primeira Compensação de Carbono por Respiração Humana do Mundo”, YepYou oferece aos clientes, mediante o pagamento de uma taxa a partir de 17 dólares por ano, extinguir o pecado das emissões pelo simples fato de exalar CO2. Baita negócio! Você pode até pagar para compensar a respiração do seu pet.
Negócios como sempre
Estamos em vias de queimar todas as atuais reservas de petróleo e gás natural no momento em que os millenials completarem cem anos. Mas, na verdade, infelizmente podemos queimar por muito mais tempo, porque as reservas são somente um subconjunto do total de recursos. As reservas são a porção que nós podemos extrair com a tecnologia de hoje, nos preços atuais. Qual o tamanho da lacuna que existe entre os dois? Para efeitos de perspectiva, queimar todas as reservas elevaria a temperatura em mais 1,5°C, mas queimar todos os recursos (uma tarefa absurda e impossível) elevaria a temperatura em inimagináveis 20,5°C.8 O tempo restante nas reservas, chamado relação Reserva/Produção, permaneceu estável em aproximadamente meio século por, bem, meio século. O tempo nunca acaba nas reservas. O tempo só acaba para o clima, para a biodiversidade e tudo o mais.
“Negócios como sempre” é uma frase interessante de se usar. No fim das contas, a crise é a norma no ciclo de negócios: os crescentes empobrecimento e desapropriação, a monopolização dentro da classe burguesa e o aumento dos lucros mediante a senhoriagem, a financeirização e o capital fictício que coincide com o declínio da margem de lucro da indústria. Negócios como sempre não significa alto crescimento. Os climatologistas sabem disso e lamentam que o cenário com as mais altas emissões, o RCP8,5 (que descreve o triplo de emissões e de aquecimento ao nível dos 5,7°C em 2100), foi rotulado de “negócios como sempre” pela mídia. Felizmente, não é uma conta exata – mas as tendências atuais são suficientemente ruins. Negócios como sempre significa, no mínimo dos mínimos, que nada vai ficar bem.
O recente relatório do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirmou que as políticas existentes (verdadeiros negócios como sempre) extrapolarão o aquecimento de 3,2°C em 2100, talvez um pouco menos se inovações políticas se mantiverem. Reservas de combustíveis fósseis muito pouco acessíveis valem algumas centenas de trilhões de dólares e o total de recursos soma US$ 2,5 quadrilhões.9 A lei da acumulação capitalista, que Marx formulou como D-M-D’, significa que o ímpeto de explorar o trabalho e os recursos naturais nos empurra para mais perto de um clima jamais visto desde a Época do Plioceno, a última vez em que o dióxido de carbono ultrapassou as 400 partes por milhão, quando os oceanos pulsaram de 15 a 25 metros mais alto. No passado longínquo, todas as cinco extinções em massa envolveram grandes flutuações no dióxido de carbono. Como quer que sejam as muitas outras extinções em massa nos próximos 800 milhões de anos, ponto no qual o dióxido de carbono cairá ao nível mais baixo para a fotossíntese e os últimos animais morrerão de fome, elas seguramente acompanharão as mudanças extremas nos gases do efeito estufa.
Duas Negações
Não seria bom se alguém estivesse no comando? Devia haver um plano. Seria legal se, como graciosamente afirmou Bill Clinton, “a mão invisível de Adam Smith tivesse um polegar verde”. Gostaríamos que as coisas fossem diferentes. “Obviamente pode melhorar”, disse o psicanalista Jacques Lacan em sua crítica ao desatinado discurso capitalista. “Seria preciso que o Discurso do Mestre fosse um pouco menos primário e, para dizer de uma vez por todas, não tão idiota”. Sim, seria legal se houvesse um plano! Se os senhores da tecnologia não fossem tão tolos e os políticos que eles subornam não fossem tão covardes! Se as emissões que vocês geram ao dirigir até o mercado não sobrevivessem por meio milhão de anos e não matassem espécies que ainda nem evoluíram.
Freud observou uma vez que seus analisandos (pacientes) respondiam de uma de duas formas quando uma ideia reprimida emergia. Alguns analisandos negavam a própria realidade, preferindo, em vez disso, viver de ilusão. Outros rejeitavam alguns atributos morais da ideia ou se distanciavam da culpa. Um esquema simples da negação: negação da realidade ou negação da culpa.10 Por sorte, os norte-americanos têm um partido importante para representar qualquer um dos caminhos do negacionismo climático que você quiser seguir. Os liberais, especialmente, adoram chafurdar na culpa. Eles querem reclamar com um gerente, alguém no comando que possa prender o impuro.
Uma vantagem da falta de curiosidade e do otimismo dos norte-americanos é que você não precisa se preocupar em matar seus netos se você não quiser. Nós temos várias opções para armazenar nossa culpa. Como eu documentei em meu livro Against: What Does the Evangelical Want?, cerca de dois terços dos evangélicos brancos, bem como algo entre um terço e um quinto de todos os norte-americanos, não acreditam de jeito nenhum que haverá um século XXII – porque Jesus já terá chegado até então. Quando o Secretário do Interior de Regan, o falecido James G. Watt, foi perguntado numa audiência no Congresso se ele planejava defender as terras para as gerações futuras, ele consabidamente respondeu: “Eu não sei quantas gerações futuras podemos contar antes do retorno do Senhor”.11 Dezenas de milhões de norte-americanos responderiam da mesma forma. Mas e o resto de nós, que estamos estressados com o apocalipse (mas, você sabe, o de verdade)? Bem, se você não negar a realidade, você pode negar a culpa.
Hoje em dia todo mundo apregoa a neutralidade; chame isso de Complexo Industrial da Pureza. A Delta Airlines alega ser neutra em carbono, uma mentira deslavada. A pioneira em greenwashing British Petroleum afirma ter um caminho para a neutralidade em carbono. O leite do meu bebê se propagandeia como “carbono positivo”. Existe uma indústria caseira de viagens de luxo supostamente neutra em carbono; você pode pagar com cartões de crédito que alegam plantar uma árvore para cada compra. Praticamente todos esses esquemas dependem de truques ou fraudes na contagem de carbono, exorbitando o que as árvores podem fazer. Você sabe que as árvores respiram dióxido de carbono, então ótimo – alguém deve ter feito as contas, certo? Astrologia para ciclos de carbono. Vai ficar tudo bem.
A gente não pode só plantar árvores e dirigir Teslas?
Em todos os verões incêndios se alastram por incontáveis acres de florestas de compensação das empresas. As companhias que dependem do esquema das árvores para alegar sua “neutralidade em carbono” não alertam seus consumidores de que, de fato, elas não foram neutras naquele ano, mesmo de acordo com sua própria contabilidade distorcida. Embustes à parte, o reflorestamento é sem dúvida um instrumento importante na redução das emissões – embora muito limitado. Uma árvore madura absorve 22 quilos de dióxido de carbono por ano. O estilo de vida de um norte-americano médio emite anualmente 14,5 toneladas de CO2. Se eu fosse eliminar essas emissões com árvores, eu precisaria plantar mais ou menos 660 árvores hoje e teria que garantir que elas não fossem cortadas neste século.
Companhias aéreas oferecem hoje uma taxa de compensação junto com o seu bilhete, muito embora cada um dos passageiros seja responsável pela mesma quantidade de CO2 por hora de voo que dúzias de árvores consumiriam em um ano. Um estudo recente descobriu que teoricamente poderíamos ampliar as florestas em um bilhão de hectares a mais e sequestrar 205 gigatoneladas de carbono,12 o que reduziria a concentração de dióxido de carbono na atmosfera em 50 partes por milhão. O plantio de toda árvore possível restauraria os níveis de concentração ao período por volta da invasão do Iraque pelos EUA.
Outra opção é comprar veículos elétricos. Afinal, a eletrificação é o caminho mais importante para a redução das emissões, e veículos elétricos produzem menos emissões – ao longo do seu tempo de vida. Essa advertência é crucial; a fabricação deles produz altas emissões antecipadamente. A Tesla recentemente se tornou lucrativa ao vender créditos de emissão (US$ 1,6 bilhão em seu primeiro ano de lucro). A empresa vendeu esses créditos mediante vários esquemas diferentes de comércio de carbono, que usam múltiplas estratégias de contabilidade criativa, mas seu objetivo geral era pôr um preço nominal no carbono.
Esquemas de comércio de carbono podem ser voluntários, como quando uma companhia quer compensar carbono e ela pode se anunciar como verde, ou involuntários, em que as regulações limitam as emissões. Os reguladores leiloam ou distribuem livremente alocações de licenças de permissão. Se a Empresa A estiver acima do orçamento de emissões e a Empresa B estiver abaixo, a Empresa A pode comprar créditos da Empresa B para cumprir o regulamento. Idealmente, o teto de emissões em uma área regulada diminuiria com o tempo nesses assim chamados esquemas de teto e comércio. Alguns reguladores incentivam montadoras de automóvel a produzir veículos de emissão zero mediante a distribuição de créditos que podem ser revendidos a grandes emissores.
A Tesla vende créditos que ela recebe e dos quais não necessita, gerando assim permissões de emissão para outras empresas. Dado que os preços flutuam e que diferentes esquemas utilizam diferentes mecanismos de contabilidade, meus números são só uma estimativa.13 Mas para ficar próximo, usando a referência do preço do carbono do Sistema de Comércio de Emissões (ETS) da União Europeia, a Tesla pode ter permitido até 64 milhões de toneladas de dióxido de carbono em um ano. Isso significa que cada um dos meio milhão de Tesla vendidos pode ter facilitado em algum outro lugar 28 anos de emissões de veículos movidos a petróleo.14 Apesar de termos fortes evidências de que veículos elétricos produzem menos emissões em seu tempo de vida, esse truque de contabilidade ameniza o impacto e faz o contexto colapsar. Você não compra um Tesla para reduzir as emissões totais. Você o compra para reduzir as suas emissões.
A gente não pode limpar o ar?
Talvez, em vez disso, nós devêssemos remover o dióxido de carbono do ar. Existem três amplos caminhos para a descarbonização: melhorar a eficiência, eletrificar tudo o que for possível e implementar a captura de carbono para o resto. Os cenários de pouco aquecimento mostrados pelo IPCC dependem bastante das tecnologias de captura de carbono, as quais estão atualmente em prova de conceito ou nas primeiras fases experimentais. De fato, é preocupante quando líderes, como o enviado dos EUA John Kerry, identificam o problema como “além do catastrófico”, mas também insistem que “nenhum governo vai resolver esse problema” porque “a solução virá do setor privado” e dependerá de “tecnologias que ainda não temos”.
A captura e o armazenamento de carbono direto do ar (DACCS, em inglês) removem o dióxido de carbono da atmosfera usando absorção química ou mineralização. Idealmente, o produto resultante é armazenado como pedra no subsolo. A empresa suíça Climeworks é uma líder global em DACCS. Em 8 de setembro de 2021, a fábrica Orca da Climateworks foi inaugurada na Islândia. Sendo a maior fábrica mundial de captura direta do ar, ela ampliou a capacidade de captura de carbono em 50% do dia para a noite. Ao longo de um ano, a Orca pôde capturar 4.000 toneladas de emissões – o equivalente a apenas 870 carros. “Se funcionar”, disse o cientista do clima Peter Kalmus, “em um ano ela vai capturar o mesmo que três segundos das emissões humanas de CO2… a um custo inimaginável. Eu estou torcendo para que dê certo, mas só um trouxa apostaria o planeta nisso”.
O climatologista David Ho popularizou a noção de que a remoção de dióxido de carbono é como uma máquina do tempo. Pegue o total anual de emissões, divida pela absorção de uma máquina de captura de carbono, e o resultado é o quão distante no passado a máquina nos leva. Por exemplo, cada uma das quatro imensas fábricas de captura direta do ar que serão construídas nos EUA (graças à Lei de Redução da Inflação de 2022) vai remover treze minutos de dióxido de carbono por ano. “Mas no tempo gasto para remover 13 minutos de CO2”, Ho explicou, “o mundo já teria expelido outro ano inteiro de CO2 na atmosfera”.15
Embora seja exorbitantemente caro hoje, fontes internas acreditam que o preço da captura de carbono cairá para US$ 100 por tonelada em 2050. Mas dinheiro não é o único problema. Se a Orca fosse limpar as emissões de um domicílio médio, ela precisaria do dobro de eletricidade utilizada por esse domicílio. Está bem. Ninguém acha que vamos usar a captura direta do ar para limpar todas as nossas emissões (exceto muitos políticos e empresas de combustível fóssil). Mas digamos que podemos alucinar um futuro de captura total. Quanto custaria?
No cenário moderado de emissões proposto pelo IPCC, considerando que poderíamos limpar todas as emissões ao custo de US$ 100 por tonelada, teríamos que gastar US$ 5 trilhões por ano, ou US$ 389 trilhões até 2100. No pior cenário de emissões, a conta chegaria a US$ 1,22 quadrilhões, ou US$ 16 trilhões por ano.16
São números absurdos. Os custos são tão astronomicamente inconcebíveis que o sangue de muitos ambientalistas ferve diante da simples menção à captura e armazenamento de carbono. Os especialistas em captura de carbono e os climatologistas que pensam que o DACCS vai exercer seu papel (e eu me incluo entre aqueles que querem ver bilhões, preferencialmente trilhões, despejados nessa tecnologia) dirão a você que, na melhor das hipóteses, é a única opção na mesa entre as estratégias de mitigação.
É difícil imaginar os lordes pagando pelo que eles fizeram. Mais ainda, devido à tecnologia nascente e às políticas lamentavelmente inadequadas, é muito fácil compreender que o que poderia constituir soluções importantes e legítimas no futuro consegue gerar pouco mais que fraude e justificativas hoje.
As mudanças e a hesitação
Os próximos anos serão cheios de pseudocientistas moralistas prometendo perdão pelo que você fez. Não é verdade que, como costumamos ouvir, “cada pouquinho ajuda”. A maior parte da indústria do greenwashing piora as coisas – e o pior é monetizável. Temos a responsabilidade de aprender para que não invoquemos uma nova negação disfarçada de salvação. Nada está bem.
Ao longo da última década, o escritor de ficção científica Kim Stanley Robinson empregou dois termos em seus romances cuja temática é o clima: “as Mudanças” e “a Hesitação”. O primeiro, um termo comum em “cli-fi”, refere-se não apenas às mudanças ambientais e à catástrofe, mas também às possibilidades de transformação social deixadas pelas perturbações econômicas, levantes sociais, revoluções políticas, transições energéticas, fomes e outras ramificações caóticas.
A Hesitação, por sua vez, descreve o tom do longo século XXI, em que políticos fazem pouco para deter o que está em vias de acontecer, e corporações com fins lucrativos ativamente turvam as águas, sabotando toda intervenção em prol do prolongamento da nossa catatonia. Conforme a emergência se desdobra, “nós” (com todos os vários incentivos e interesses contraditórios sumarizados nesse pequeno pronome) estamos testemunhando a persistência enlouquecedora da Hesitação, enquanto as Mudanças geradas tornam-se mais inegáveis, dia após dia. Continuar nesse duplo estado é viver bem próximo da ilusão.
* * *
(Este texto foi originalmente publicado na Protean Magazine, em 5 de julho de 2023. Agradecemos encarecidamente à revista e ao autor por cederem os direitos da tradução. Para ler o original, clique aqui. Tradução de Antonio Barros. Revisão de Camila Cardozo.)
- Professor de Filosofia em Baltimore e autor de vários livros sobre psicanálise, religião e política, entre eles Future of Denial, publicado em 2024 pela editora Verso. ↩︎
- Theodor Adorno. Minima Moralia. Tradução: Luiz Eduardo Bicca. São Paulo: Editora Ática, 1992, p. 21. ↩︎
- Theodor Adorno. As estrelas descem à Terra. Tradução: Pedro Rocha de Oliveira. São Paulo: Edutora Unesp, p. 43. ↩︎
- Ibidem, p. 30. ↩︎
- Grace Smoot. “The History of Carbon Offsetting”. Impactful Ninja, acesso em 25 de março de 2022; Kevin Smith. “Carbon Cop-outs”. Transnational Institute. Dezembro de 2006. ↩︎
- Martin Cames et al. “How Additional Is the Clean Development Mechanism?: Analysis of the Application of Current Tools and Proposed Alternatives”. DG CLIMA, março de 2016. ↩︎
- O link fornecido no texto original se encontra quebrado. Mais informações sobre a empresa aqui. ↩︎
- Temperaturas decorrentes da soma total de reservas e recursos, convertendo-os em emissões potenciais de CO2 (reservas: 3.328 gigatoneladas de CO2; recursos: 45.740 gigatoneladas de CO2), e usando o aquecimento de 0,45°C por 1.000 gigatoneladas de CO2 da resposta climática transitória do IPCC. Ver: “World Energy Outlook 2021” (International Energy Agency, dezembro de 2021); Cálculos para o potencial dióxido de carbono da “Greenhouse Gases Equivalencies Calculator – Calculations and References”, Environmental Protection Agency, acessado em 29 de abril de 2022; epa.gov e Intergovernmental Panel on Climate Change, Sixth Assessment Report, Working Group I, 2021, 28. ↩︎
- As reservas valem nominalmente US$ 259 trilhões, e os recursos valem US$ 2,5 quadrilhões segundo preços de vários anos recentes (US$ 708 por barril de petróleo, US$ 90 por tonelada de carvão e US$ 5 por mil pés cúbicos de gás), multiplicados pelas reservas e recursos calculados no “World Energy Outlook 2021” (International Energy Agency, dezembro de 2021). ↩︎
- Sigmund Freud. “A negação (1925)”. In: Obras completas, vol. 16. Tradução: Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. ↩︎
- Robert D. McFadden. “James G. Watt, Polarizing Interior Secretary Under Reagan, Dies at 85”. The New York Times, 8 de junho de 2023. ↩︎
- Jean-Francois Bastin et al. “The Global Tree Restoration Potential”. Science 365, n. 6448 (5 de julho de 2019): 76–79, 11. ↩︎
- Para uma breve explicação dos benefícios do comércio de crédito de carbono recebidos pela Tesla, ver Arjun Kharpal. “Tesla Electric Vehicle Regulatory Credits Explained”, CNBC, 18 de maio de 2021. Para uma análise do efeito do Sistema de Comércio de Emissões (ETS) da União Europeia, ver Patrick Bayer e Michaël Aklin. “The European Union Emissions Trading System Reduced CO2 Emissions Despite Low Prices”. PNAS 117, n. 16 (6 de abril de 2020), 8804–8812. ↩︎
- O preço do carbono do Sistema de Comércio de Emissões à época era de US$ 25 por toneladas de CO2, a Tesla vendeu US$ 1,6 bilhões de créditos ao passo que vendeu meio milhão de veículos, portanto permitindo 64 megatoneladas de CO2, ou 128 toneladas de CO2 por Tesla. A emissão média de um veículo movido a combustível fóssil é 4,6 toneladas de CO2. Ver: “Greenhouse Gas Emissions from a Typical Passenger Vehicle”. EPA, 21 de julho de 2021. ↩︎
- David T. Ho. “Carbon Dioxide Removal Is Not a Current Climate Solution—We Need to Change the Narrative”. Nature 616, n. 7955 (4 de abril de 2023). p. 9–9. ↩︎
- No cenário moderado de emissões SSP2-4.5, em que bateríamos 600 ppm em 2100, teríamos que remover 250 ppm até o restante do século. Fazendo alguns cálculos, primeiramente, se 1 ppm é igual 2,12 GtC, então podemos converter 250 ppm para 530 GtC. Em segundo lugar, o carbono corresponde a 12/44 do CO2, portanto o peso total desses 530 GtC é também 1.943 GtCO2. Em terceiro lugar, a fim de baixar a concentração atmosférica de CO2 até uma quantidade almejada, temos que remover o dobro dessa quantidade (devido à liberação de gases do oceano e do solo), então precisaríamos remover 3.887 GtCO2 até 2100. Nesse cenário moderado de emissões, ao preço de US$ 100 por tonelada, teríamos que pagar US$ 389 trilhões. No pior cenário de emissões SSP5-8.5, a concentração de 1.135 ppm até 2100 implica que teríamos que remover 785 ppm para voltar ao equilíbrio de 350 ppm. Convertendo para carbono, depois para CO2, e então multiplicando por dois, temos 12.204 GtCO2, o que custaria US$ 1,2 quadrilhão. Ver Malte Meinshausen et al. “The Shared Socio-Economic Pathway (SSP) Greenhouse Gas Concentrations and Their Extensions to 2500”. Geoscientific Model Development 13, n. 8 (13 de agosto de 2020): 3571–3605. Ver também: Intergovernmental Panel on Climate Change. The Sixth Assessment Report, Working Group I (2021), TS-47. ↩︎
Carbono, vol. 2 – janeiro de 2025.
ISSN: 3085-7066
