{"id":1058,"date":"2025-10-11T10:53:32","date_gmt":"2025-10-11T13:53:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=1058"},"modified":"2025-11-11T15:47:37","modified_gmt":"2025-11-11T18:47:37","slug":"a-arte-do-populismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2025\/10\/11\/a-arte-do-populismo\/","title":{"rendered":"A Arte do Populismo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Boris Groys<sup data-fn=\"c3d3d57a-0a4c-49cb-813a-2371c27a9d30\" class=\"fn\"><a href=\"#c3d3d57a-0a4c-49cb-813a-2371c27a9d30\" id=\"c3d3d57a-0a4c-49cb-813a-2371c27a9d30-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fen\u00f4meno do populismo contempor\u00e2neo \u00e9 demasiadamente complexo para ser resolvido em apenas um ensaio. Sendo assim, tratarei de apenas um aspecto de sua atratividade p\u00fablica. Eu gostaria de entender qual apelo o populismo tem entre intelectuais e artistas. \u00c9 evidente que tal apelo existe. Muitos artistas e intelectuais contempor\u00e2neos, apesar de sua rejei\u00e7\u00e3o moral ao populismo, t\u00eam uma impress\u00e3o de que ele oferece uma resposta, mesmo que ela esteja errada, a uma quest\u00e3o que \u00e9 importante para eles. Eu diria que esse desejo pelo populismo emerge da cis\u00e3o da cultura moderna entre cultura de elite e cultura de massas. Essa divis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas caracter\u00edstica da modernidade, mas \u00e9 o que a define; em certo sentido, a modernidade n\u00e3o \u00e9 nada mais do que essa divis\u00e3o. Ao mesmo tempo, tal cis\u00e3o causa uma frustra\u00e7\u00e3o profunda em ambos os lados. Autores s\u00e9rios \u2013 especialmente aqueles que fazem experimentos com a linguagem art\u00edstica \u2013 sentem-se desconectados das massas e s\u00e3o marginalizados por essa cis\u00e3o. Por outro lado, os \u00eddolos da cultura de massa querem ser levados a s\u00e9rio e adentrar o pante\u00e3o cultural. Todos, ent\u00e3o, est\u00e3o \u00e0 procura de uma nova cultura na qual o s\u00e9rio pode se tornar popular e vice-versa. \u00c9 este anseio por popularidade para al\u00e9m do puro entretenimento que leva artistas e intelectuais a se associarem a movimentos populistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O principal problema da arte moderna e contempor\u00e2nea \u00e9 a sua depend\u00eancia do gosto est\u00e9tico do p\u00fablico. De acordo com Kant, o fundador do conceito moderno de gosto, o julgamento est\u00e9tico pressup\u00f5e sua universalidade. Diferentemente do gosto por comida, que pode ser completamente pessoal, o julgamento est\u00e9tico relativo ao belo \u00e9 um julgamento reflexivo que reivindica universalidade. Kant comenta sobre o <em>sensus communis<\/em> como base para tal universalidade. No entanto, \u00e9 evidente que tal refer\u00eancia ao <em>sensus communis<\/em> n\u00e3o quer dizer que o esteta ilustrado deve buscar confirma\u00e7\u00e3o de seu gosto no p\u00fablico geral. \u00c9 \u00f3bvio que Kant pressup\u00f5e a exist\u00eancia de uma classe privilegiada e educada, capaz de fazer um julgamento esclarecido que represente o <em>sensus communis<\/em>. Artistas n\u00e3o pertencem a essa classe privilegiada. Um artista genial pode produzir belas obras, no entanto, n\u00e3o pode julgar sua beleza. Isso \u00e9 privil\u00e9gio de um espectador educado. Quando Kant fala sobre o sujeito da contempla\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e afirma que tal sujeito n\u00e3o est\u00e1 interessado na exist\u00eancia do objeto de sua contempla\u00e7\u00e3o, mas apenas no fato de ele ser belo ou n\u00e3o, ele quer dizer que objetos de contempla\u00e7\u00e3o est\u00e9tica possuem outras raz\u00f5es para existir para al\u00e9m de serem esteticamente agrad\u00e1veis. Flores e p\u00e1ssaros, montanhas e o p\u00f4r do sol possuem raz\u00f5es para existir que independem de serem bonitos ou n\u00e3o. As obras de arte produzidas, de acordo com Kant, para entretenimento social e gozo podem tamb\u00e9m cumprir seu papel sem que sejam consideradas belas. De um modo bastante tradicional \u2013 e, ao mesmo tempo, ao modo da cultura de massa \u2013, Kant entende a arte como entretenimento. Enquanto as obras agradarem, elas n\u00e3o ir\u00e3o perder sua raz\u00e3o de ser, mesmo que o gosto refinado as considere feias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artistas modernos queriam, e ainda querem, ser emancipados, criando obras n\u00e3o para entretenimento das massas. Artistas \u201cs\u00e9rios\u201d produzem suas obras porque as consideram belas ou ao menos relevantes para a hist\u00f3ria da arte. Em outras palavras, eles produzem para satisfazer um gosto est\u00e9tico culturalmente educado. O \u00fanico motivo para essas obras existirem \u00e9 o de serem esteticamente reconhecidas. Se eu digo que tal obra n\u00e3o possui um valor est\u00e9tico, ent\u00e3o de fato eu estou defendendo a sua destrui\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o lado escuro da emancipa\u00e7\u00e3o da arte e dos artistas. Antigamente, fazer arte se integrava \u00e0 pr\u00e1tica religiosa ou \u00e0 autoestetiza\u00e7\u00e3o do Estado. \u00cdcones e monumentos hist\u00f3ricos mantinham seus direitos de exist\u00eancia, mesmo que n\u00e3o fossem completamente satisfat\u00f3rios em termos est\u00e9ticos. Eles eram valorizados por uma comunidade religiosa ou uma popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o porque eram especialmente bem-sucedidos esteticamente, mas porque seus criadores pertenciam \u00e0 mesma comunidade ou popula\u00e7\u00e3o e, portanto, expressavam valores e cren\u00e7as sociais comuns. No entanto, quando a arte \u00e9 liberada das suas fun\u00e7\u00f5es religiosas, hist\u00f3ricas, educacionais e sociais, ela se torna existencialmente dependente do reconhecimento est\u00e9tico de um p\u00fablico instru\u00eddo. Tal reconhecimento significava a vida; a nega\u00e7\u00e3o do reconhecimento significava a morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nossa cultura pressup\u00f5e que arte esteticamente desafiadora n\u00e3o \u00e9 capaz de entreter. Em seu famoso ensaio \u201cVanguarda e Kitsch\u201d, Clement Greenberg descreve tal condi\u00e7\u00e3o com uma f\u00f3rmula bastante conhecida: \u201cse a vanguarda imita o processo da arte, o kitsch imita seus efeitos\u201d. Quando Greenberg fala sobre \u201cefeitos\u201d, ele est\u00e1 falando precisamente de entretenimento. O kitsch entret\u00e9m porque imita a arte do passado na medida em que era divertida. A arte de vanguarda n\u00e3o imita o lado divertido da arte tradicional, mas apenas as t\u00e9cnicas que as faziam belas. Portanto, podem ser consideradas belas apenas por um privilegiado grupo de espectadores educados culturalmente. Aqui vemos a oposi\u00e7\u00e3o estrita entre o gosto da elite e o gosto popular. Ambos os gostos s\u00e3o gerados a partir da tradi\u00e7\u00e3o art\u00edstica. O gosto popular desfruta da arte, nova ou velha, caso ela seja divertida, mas rejeita a arte moderna s\u00e9ria e emancipada que n\u00e3o busca entretenimento. Como resultado, a arte s\u00e9ria e esteticamente reconhecida encontra ref\u00fagio nas institui\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. E esses ambientes tamb\u00e9m s\u00e3o o lar de discuss\u00f5es s\u00e9rias relativas aos crit\u00e9rios e \u00e0s regras do reconhecimento est\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje em dia, temos uma longa tradi\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica institucional. Ao mesmo tempo, ficou evidente que as institui\u00e7\u00f5es art\u00edsticas s\u00e3o fracas demais para serem criticadas. Em nossa economia, que pretende ser superprodutiva e rent\u00e1vel, museus parecem n\u00e3o ser um bom neg\u00f3cio. Eles n\u00e3o conseguem competir com os esportes, a m\u00fasica pop, os filmes e outras formas de entretenimento. Fica evidente que, para ser bem-sucedido, o artista tem que apelar para um p\u00fablico maior. Mas como se faz isso quando se deseja ser um artista s\u00e9rio? Como ser s\u00e9rio e popular ao mesmo tempo? Confrontado com essa pergunta, o artista de hoje se lembra de um tempo em que os artistas que trabalhavam para a Igreja e para o Estado podiam ser populares sem necessariamente produzir o belo ou o divertido. Naquela \u00e9poca, todos os membros da sociedade, independentemente de sua riqueza ou cargo, compartilhavam a mesma religi\u00e3o e eram s\u00faditos fi\u00e9is do mesmo Estado. Em outras palavras, todo mundo pertencia ao mesmo <em>populus<\/em>. O populismo moderno nada mais \u00e9 do que a busca por esse <em>populus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 f\u00e1cil falar que tal <em>populus<\/em> n\u00e3o existe, que nossa popula\u00e7\u00e3o moderna est\u00e1 fragmentada em diversos grupos e subgrupos que, ao que parece, n\u00e3o possuem nada em comum. Tal fragmenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser negada. No entanto, tamb\u00e9m n\u00e3o se pode negar que essa popula\u00e7\u00e3o fragmentada deseja unidade e comunh\u00e3o \u2013 um desejo de se tornar <em>populus<\/em>. \u00c9 este desejo que une a popula\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea: n\u00e3o uma comunalidade real, mas sim um desejo por comunalidade. O que se deseja \u00e9 a unidade \u2013 mesmo que seja uma unidade das diferen\u00e7as \u2013, e n\u00e3o a divis\u00e3o. Respeitam-se os unificadores e se desprezam os dissidentes. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de luta de classes, as pessoas querem ser gentis umas com as outras, respeitarem e serem respeitadas. N\u00f3s criticamos as elites quando se distanciam das \u201cpessoas comuns\u201d, mas as saudamos quando desejam trabalhar em prol do bem comum e de se tornarem parte do <em>populus<\/em>. \u00c9 esse desejo da popula\u00e7\u00e3o de se tornar <em>populus<\/em> que os diferentes movimentos populistas tentam satisfazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De certo modo, vemos uma repeti\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 1930, quando uma onda de movimentos populistas emergiu ap\u00f3s um per\u00edodo intenso de conflito de classes. Na Alemanha, as pessoas eram lembradas de que, no fim das contas, elas eram alem\u00e3s e bons cidad\u00e3os europeus, e, portanto, de que n\u00e3o deveriam ser divididas por agitadores judeus. Na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, ap\u00f3s um longo per\u00edodo de \u201cditadura do proletariado\u201d, o Estado se intitulou \u201co estado de todo povo sovi\u00e9tico\u201d \u2013 e as pessoas foram lembradas de que n\u00e3o deveriam ser divididas por agitadores trotskistas. Esses novos movimentos e poderes populistas abriram caminho para uma nova arte populista. Uma arte <em>populista<\/em> que n\u00e3o era arte <em>popular<\/em>. Em seu ensaio, Greenberg misturou o populismo com o popular. Ele acreditava que a arte sovi\u00e9tica e a arte nazista eram vers\u00f5es kitsch que foram usadas pelos l\u00edderes pol\u00edticos porque eles queriam agradar ao p\u00fablico. Contudo, Greenberg estava errado ao definir a cultura populista como kitsch. A cultura populista certamente n\u00e3o \u00e9 alta cultura, mas tampouco \u00e9 kitsch \u2013 at\u00e9 porque ela \u00e9 ma\u00e7ante. Ela pretende ser educativa e, portanto, dispensa o entretenimento que se espera do kitsch. A cultura populista funciona n\u00e3o porque \u00e9 apreciada, mas porque funciona como um sinal de comprometimento com alguma ideologia populista. E esse compromisso \u00e9 apenas parcialmente escolhido de forma livre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a p\u00f3s-modernidade, n\u00f3s fomos ensinados de que a personalidade, a individualidade e a subjetividade s\u00e3o apenas signos ou m\u00e1scaras que nada significam, que n\u00e3o t\u00eam referentes. O rosto \u00e9 uma m\u00e1scara \u2013 e n\u00e3o h\u00e1 nada por tr\u00e1s dela. Como, ent\u00e3o, escapar da m\u00e1scara imposta pela sociedade? N\u00e3o podemos mais querer descobrir nossa identidade verdadeira, escondida, universal e \u00edntima e nos libertarmos da identidade externa, falsa e particular, pois a \u00fanica alternativa para nossa m\u00e1scara social \u00e9 outra m\u00e1scara. Todas elas podem trocar de lugar e participar de uma troca carnavalesca de m\u00e1scaras que, para Mikhail Bakhtin, faz parte da teoria da \u201ccarnavaliza\u00e7\u00e3o\u201d da cultura, que ele considerava ser a \u00fanica aut\u00eantica forma de cultura de massa. No entanto, a troca constante de signos nos deixa desconfort\u00e1veis. E, com isso, emerge o desejo de interromp\u00ea-la. Tal desejo \u00e9 o desejo pelo populismo. N\u00e3o se trata mais de nos mostrarmos como prolet\u00e1rios ou arianos e desmascararmos os burgueses ou os judeus, como na modernidade cl\u00e1ssica. Hoje, aceita-se a m\u00e1scara enquanto tal, assumindo-a como rosto \u2013 mesmo sabendo que \u00e9 uma m\u00e1scara. O \u00fanico resultado poss\u00edvel disso \u00e9 uma interrup\u00e7\u00e3o da troca constante de m\u00e1scaras: o carnaval se paralisa e se torna uma cena est\u00e1tica. O mundo se torna uma exibi\u00e7\u00e3o de museu, s\u00e9ria e respons\u00e1vel, mas sem nenhum observador, pois apenas Deus poderia v\u00ea-la. Por\u00e9m, Deus n\u00e3o distingue entre o que \u00e9 reconhecido esteticamente e o que n\u00e3o \u00e9, entre o belo e o feio, entre o divertido e o ma\u00e7ante. Como sabemos, Deus valoriza apenas a seriedade do compromisso \u00e9tico e pol\u00edtico. Portanto, sob as condi\u00e7\u00f5es do populismo, artistas e intelectuais s\u00e3o liberados da press\u00e3o de criar algo esteticamente relevante ou divertido que ultrapasse as fronteiras entre o gosto da elite e o gosto da massa. O comprometimento s\u00e9rio com a pr\u00f3pria identidade \u00e9 o suficiente para que algu\u00e9m seja aceito e respeitado. Essa promessa de al\u00edvio \u00e9 verdadeiramente sedutora, e \u00e9 por isso que todo populismo \u00e9 intrinsecamente religioso. Toda performance de um <em>populus<\/em> necessita de Deus como seu \u00fanico espectador, porque todo espectador humano se posiciona, inevitavelmente, como um estranho ou um separatista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">(Este texto foi originalmente publicado no <em>e-flux<\/em>, em 7 de junho de 2024. Agradecemos encarecidamente ao autor por ceder os direitos da tradu\u00e7\u00e3o. Para ler o original, <a href=\"https:\/\/www.e-flux.com\/notes\/613238\/the-art-of-populism\">clique aqui<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o de Felipe Fauri. Revis\u00e3o de Antonio Barros.)<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"c3d3d57a-0a4c-49cb-813a-2371c27a9d30\">Fil\u00f3sofo, ensa\u00edsta, cr\u00edtico de arte, te\u00f3rico das m\u00eddias e especialista reconhecido internacionalmente em a arte e a literatura da era sovi\u00e9tica, especialmente da vanguarda russa. <a href=\"#c3d3d57a-0a4c-49cb-813a-2371c27a9d30-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 11 \u2013 outubro de 2025.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Boris Groys, influente cr\u00edtico de arte e especialista em vanguarda russa, exp\u00f5e algumas das contradi\u00e7\u00f5es da arte erudita e da arte popular em sua rela\u00e7\u00e3o com o populismo<\/p>\n","protected":false},"author":44,"featured_media":1063,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Fil\u00f3sofo, ensa\u00edsta, cr\u00edtico de arte, te\u00f3rico das m\u00eddias e especialista reconhecido internacionalmente em a arte e a literatura da era sovi\u00e9tica, especialmente da vanguarda russa.\",\"id\":\"c3d3d57a-0a4c-49cb-813a-2371c27a9d30\"}]"},"categories":[14,10,5,6],"tags":[140,46,138,139,134],"class_list":["post-1058","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arquivo","category-artigo","category-capitalismo","category-cultura","tag-cultura-de-massa","tag-estetica","tag-kitsch","tag-populismo","tag-volume-11"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1058","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1058"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1058\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1137,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1058\/revisions\/1137"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1063"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1058"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1058"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1058"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}