{"id":1467,"date":"2026-03-12T18:02:18","date_gmt":"2026-03-12T21:02:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=1467"},"modified":"2026-04-11T10:55:26","modified_gmt":"2026-04-11T13:55:26","slug":"o-clima-extremo-e-a-nossa-nova-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2026\/03\/12\/o-clima-extremo-e-a-nossa-nova-realidade\/","title":{"rendered":"O Clima Extremo \u00c9 a Nossa Nova Realidade. Temos que Aceit\u00e1-la e Come\u00e7ar a Planejar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Gaia Vince<sup data-fn=\"cad4e99a-3d39-47f9-8804-8293f78097b6\" class=\"fn\"><a href=\"#cad4e99a-3d39-47f9-8804-8293f78097b6\" id=\"cad4e99a-3d39-47f9-8804-8293f78097b6-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem bem se passou um quarto deste s\u00e9culo e as temperaturas m\u00e9dias globais j\u00e1 est\u00e3o 1,75\u00b0C acima da m\u00e9dia do per\u00edodo pr\u00e9-industrial. <a href=\"https:\/\/climate.copernicus.eu\/copernicus-january-2025-was-warmest-record-globally-despite-emerging-la-nina\">O m\u00eas de janeiro de 2025 foi o mais quente j\u00e1 registrado<\/a> e tamb\u00e9m atingiu o n\u00edvel mais alto de temperatura m\u00ednima anual da superf\u00edcie terrestre \u2013 e provavelmente a m\u00ednima mais alta nos \u00faltimos 120.000 anos. Isso tudo faz parte de um padr\u00e3o muito claro. No ano passado, a temperatura m\u00e9dia global foi de 1,6\u00b0C acima do per\u00edodo pr\u00e9-industrial \u2013 um preocupante choque de realidade, uma vez que, passados apenas tr\u00eas meses da c\u00fapula da COP29 em Baku, no Azerbaij\u00e3o, os l\u00edderes mundiais ainda diziam que era poss\u00edvel limitar o aumento da temperatura global a 1,5\u00b0C.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora definitivamente estamos no mundo p\u00f3s-mudan\u00e7a clim\u00e1tica, e as graves implica\u00e7\u00f5es disso demandam um franco reconhecimento. O fato \u00e9 que agora estamos vivendo em um per\u00edodo de desastres incessantes que se desencadeiam juntamente com nosso desastre mais lento em escala planet\u00e1ria. Nesses tempos mais arriscados, precisamos estar preparados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O janeiro mais quente come\u00e7ou com cenas literalmente sa\u00eddas de Hollywood: inc\u00eandios furiosos engolindo algumas das propriedades mais valiosas do mundo, em Los Angeles, em um dos pa\u00edses mais ricos do planeta. Entre as cenas de devasta\u00e7\u00e3o apocal\u00edptica que invadiram nossas telas estavam dezenas de milhares de cidad\u00e3os atordoados for\u00e7ados a evacuar, alguns deles os refugiados clim\u00e1ticos mais ricos do nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto os 200.000 residentes de Los Angeles retornam para suas casas, nestes tempos fadados ao desastre decis\u00f5es dif\u00edceis ter\u00e3o que ser tomadas acerca de onde reconstruir e de quais lugares devem ser abandonados para se escapar do risco. Est\u00e1 claro que precisaremos de uma prote\u00e7\u00e3o melhor, \u00e0s vezes adaptando as constru\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m est\u00e1 claro que alguns lugares n\u00e3o ser\u00e3o mais capazes de abrigar grandes popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil que \u00e9 encarada, com menos alarde, por milh\u00f5es de outras pessoas desalojadas pelo clima ao redor do mundo, das Filipinas a Somerset, do Qu\u00eania \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2024\/dec\/21\/spain-valencia-paiporta-picanya-anger-floods\">Espanha<\/a>. Em lugares mais pobres, quando for\u00e7ados a abandonar suas casas inabit\u00e1veis, as pessoas podem acabar na pris\u00e3o. Tomemos como exemplo <a href=\"https:\/\/www.amnesty.org\/en\/latest\/campaigns\/2024\/11\/dadaab-refugee-camp-a-sanctuary-for-people-displaced-by-climate-change\/\">o campo de refugiados de Dadaab<\/a>, localizado no que hoje \u00e9 um deserto no Qu\u00eania. Ele \u00e9 o lar de mais de 300.000 refugiados aprisionados, a maioria composta de mulheres e crian\u00e7as somalis fugindo da seca cr\u00f4nica e da fome, assim como das enchentes devastadoras. Os conflitos existentes na regi\u00e3o s\u00e3o agravados por essas condi\u00e7\u00f5es extremas, que tornam o Chifre da \u00c1frica cada vez mais inabit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pessoas pobres que vivem nos desertos da regi\u00e3o equatorial s\u00e3o as primeiras e mais gravemente afetadas. Mas o nosso planeta est\u00e1 agora mais perigoso para os humanos independentemente de onde eles habitam. Inc\u00eandios, enchentes, ondas de calor e secas est\u00e3o matando e prejudicando as pessoas, as propriedades e a infraestrutura. O estrago social e psicol\u00f3gico \u00e9 devastador para as comunidades afetadas. E tamb\u00e9m o s\u00e3o os custos econ\u00f4micos. O seguro j\u00e1 \u00e9 impag\u00e1vel \u2013 quando n\u00e3o, indispon\u00edvel \u2013 em lugares de mais risco, o que eleva outros custos, muda a cara da vizinhan\u00e7a e aprofunda outras desigualdades. Todos n\u00f3s temos que levar em considera\u00e7\u00e3o o risco clim\u00e1tico ao escolher nossa moradia, nosso neg\u00f3cio ou o destino de nossas f\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O impacto dos desastres naturais pode muito bem ser internacional. Por exemplo, a seca prolongada que atingiu o Canal do Panam\u00e1 nos dois anos anteriores elevou os custos dos fretes e atrasou o mercado global em um momento em que as rotas mar\u00edtimas alternativas estavam impedidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desastres agr\u00edcolas podem ser devastadores tanto local, quanto globalmente. Eu conheci parentes de fazendeiros afetados pela seca que foram levados ao suic\u00eddio e outros que foram for\u00e7ados a migrar de pa\u00eds. Ouvi falar de <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2024\/oct\/10\/harvest-in-england-the-second-worst-on-record-because-of-wet-weather\">fazendeiros brit\u00e2nicos atingidos por enchentes e que perderam colheitas inteiras<\/a> e foram assolados pela d\u00edvida. O impacto no pre\u00e7o dos alimentos pode se espalhar. A infla\u00e7\u00e3o dos alimentos no Reino Unido subiu 19,1% em 2023, elevando significativamente o custo de vida e arrastando para a desnutri\u00e7\u00e3o algumas pessoas que estavam na linha de pobreza. O pre\u00e7o do suco de laranja mais que dobrou depois que o cintur\u00e3o da laranja na Fl\u00f3rida foi atingido por furac\u00f5es no final de 2024; o pre\u00e7o do azeite de oliva disparou ap\u00f3s o calor e a seca terem atingido as oliveiras, tornando-se <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2024\/mar\/09\/olive-oil-becomes-most-wanted-item-for-shoplifters-in-spain#:~:text=Olive%20oil%20has%20become%20the,market%2C%20according%20to%20new%20figures.\">o item mais furtado na Espanha<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os desastres empobrecem as pessoas e s\u00e3o custosos para as na\u00e7\u00f5es, especialmente quando m\u00faltiplos desastres atingem o mesmo pa\u00eds. Em 2024, o Brasil sofreu com <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/global-development\/article\/2024\/may\/24\/brazil-floods\">enchentes catastr\u00f3ficas na regi\u00e3o Sul<\/a>, que desabrigou mais de meio milh\u00e3o de pessoas. No mesmo ano, a seca prolongada e o calor desencadearam inc\u00eandios devastadores ao longo da regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia e do Pantanal. Muitas vezes, um desastre atropela outros, por exemplo quando o Paquist\u00e3o foi atingido por um calor insuport\u00e1vel e uma seca em 2022, antes que enchentes rel\u00e2mpago devastadoras desabrigassem 33 milh\u00f5es de pessoas em uma semana, seguidas por deslizamentos de terra que destru\u00edram infraestruturas cruciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na era p\u00f3s-aquecimento global, podemos esperar eventos extremos mais graves e mais frequentes. Os desastres afetar\u00e3o voc\u00ea e as pessoas que voc\u00ea ama nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Temos que aceitar essa nova realidade e inclu\u00ed-la em nossos planos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A adapta\u00e7\u00e3o implica mudar a linguagem que usamos e ajustar nossas expectativas e estrat\u00e9gias. Ela demanda franqueza da parte de nossos l\u00edderes. N\u00e3o podemos mais aceitar falar do aquecimento global como se ele fosse uma possibilidade futura que pode ser evitada. As pessoas est\u00e3o morrendo e tendo suas vidas destru\u00eddas hoje; precisamos de uma resposta muito mais pr\u00e1tica. <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2025\/feb\/08\/more-than-100000-homes-in-england-could-be-built-in-highest-risk-flood-zones#:~:text=More%20than%20100%2C000%20new%20homes,is%20supposed%20to%20be%20discouraged.\">Planejar casas em \u00e1reas de grande risco de enchente<\/a> \u00e9 negacionismo clim\u00e1tico. E quanto \u00e0queles que j\u00e1 vivem sob risco?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O planejamento adaptativo pode fazer uma enorme diferen\u00e7a. A Holanda \u00e9 bastante adaptada ao risco de enchente \u2013 ela vem fazendo isso h\u00e1 anos. Isso inclui abrir m\u00e3o de terras para dar \u201cespa\u00e7o para o rio\u201d e a incr\u00edvel barreira contra tempestade Maeslant, um prod\u00edgio da engenharia que protege \u00e1reas vulner\u00e1veis, incluindo Roterd\u00e3. A tempestade P\u00eda, que causou danos substanciais na Alemanha, na Su\u00ed\u00e7a e na B\u00e9lgica em dezembro de 2023, deixou inc\u00f3lumes os holandeses bem protegidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os desastres v\u00e3o sobrecarregar os pa\u00edses e muitos deles, <a href=\"https:\/\/www.theccc.org.uk\/publication\/independent-assessment-of-uk-climate-risk\/\">incluindo o Reino Unido<\/a>, n\u00e3o est\u00e3o gastando o suficiente na prepara\u00e7\u00e3o. As organiza\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o civil precisam agora reagir a m\u00faltiplos desastres dentro do mesmo pa\u00eds, bem como ajudar seus vizinhos e, \u00e0s vezes, continentes inteiros. A Austr\u00e1lia, por exemplo, conta com a ajuda do uso de avi\u00f5es-tanque da Am\u00e9rica do Norte para extinguir seus inc\u00eandios de ver\u00e3o durante o inverno no hemisf\u00e9rio Norte. Por\u00e9m, os inc\u00eandios em Los Angeles ocorreram em janeiro, enquanto Victoria tamb\u00e9m estava combatendo labaredas extremas. Agora que inc\u00eandios est\u00e3o ocorrendo ao longo de todo o ano em ambos os continentes, isso se torna um problema, e a Austr\u00e1lia, os Estados Unidos e o Canad\u00e1 ter\u00e3o que ampliar suas capacidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prote\u00e7\u00e3o adaptativa n\u00e3o necessariamente significa grandes obras de engenharia. Eu visitei vilarejos em Bangladesh \u2013 um pa\u00eds sujeito a desastres \u2013 onde as pessoas flexivelmente mudam de emprego durante as cheias, as constru\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais seguras e, mais importante, todos sabem o que fazer quando soam os alarmes. A prepara\u00e7\u00e3o para o desastre resultou que, nas d\u00e9cadas recentes, <a href=\"https:\/\/www.thebritishacademy.ac.uk\/documents\/3537\/JBA-9s9-04-Sammonds-etal.pdf\">as mortes causadas por ciclones na Ba\u00eda de Bengala despencaram<\/a>, mesmo que os ciclones tenham se tornado mais graves e frequentes nesse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea tem um plano para o caso de enchente na sua casa? Voc\u00ea ao menos receberia um alerta? Onde voc\u00ea se hospedaria e o que voc\u00ea levaria consigo se as chamas tomassem conta do seu pr\u00e9dio ou se voc\u00ea fosse evacuada do seu resort de f\u00e9rias? Viver nessa nova realidade significa estar preparado, desde preparar uma mochila de emerg\u00eancia at\u00e9 adquirir um <a href=\"https:\/\/www.thereengineer.pro\/p\/climate-hazards-this-flood-sensor\">sensor de enchente<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resili\u00eancia tecnol\u00f3gica tem que ser combinada com a resili\u00eancia social, e isso se consegue investindo na sociedade. A mudan\u00e7a \u00e9 desconfort\u00e1vel, principalmente quando voc\u00ea n\u00e3o a decidiu ou a planejou, mas as rela\u00e7\u00f5es que voc\u00ea tem, as conex\u00f5es que voc\u00ea fez, permitem que os elos mais fortes compensem os elos mais fracos \u2013 eles s\u00e3o o que vai nos dar apoio quando formos atingidos por desastres. Garantir que as comunidades sejam respaldadas por servi\u00e7os confi\u00e1veis, que os jovens vejam sentido e anseiem pelo futuro, \u00e9 algo crucial nisso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Onde quer que voc\u00ea more, as condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o mudando e as pessoas est\u00e3o sentindo fisicamente, financeiramente e socialmente o impacto do clima extremo. Somos todos refugiados de um clima mais ameno, mas alguns de n\u00f3s conseguiram se manter em suas casas. Nosso novo mundo est\u00e1 sendo constru\u00eddo sobre funda\u00e7\u00f5es mais inst\u00e1veis, mas, com a franqueza de nossos l\u00edderes acerca da nossa realidade clim\u00e1tica, n\u00f3s todos podemos aprender a conviver com a incerteza. Os desastres clim\u00e1ticos s\u00e3o inevit\u00e1veis; mas eles n\u00e3o t\u00eam que ser catastr\u00f3ficos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">(Este texto foi originalmente publicado no site do jornal <em>The Guardian<\/em>, em 15 de fevereiro de 2025. Agradecemos encarecidamente \u00e0 autora por ceder os direitos da tradu\u00e7\u00e3o. Para ler o original, <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/commentisfree\/2025\/feb\/15\/extreme-weather-new-reality-wildfires-floods-droughts\">clique aqui<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o de Antonio Barros.)<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"cad4e99a-3d39-47f9-8804-8293f78097b6\">Escritora, jornalista e apresentadora. Publicou o livro <em><a href=\"https:\/\/quinaeditora.com.br\/livro\/o-seculo-nomade\/?srsltid=AfmBOoogYESOP9fPme7k5HE2Wa2zO4rlV4uMzLQDb2zLOzTwuBdtGizu\">O s\u00e9culo n\u00f4made<\/a><\/em> e contribuiu para v\u00e1rios peri\u00f3dicos internacionais. <a href=\"#cad4e99a-3d39-47f9-8804-8293f78097b6-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 16 \u2013 mar\u00e7o de 2026.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conforme demonstraram os inc\u00eandios, as secas e as temperaturas que quebraram recordes, a era da p\u00f3s-mudan\u00e7a clim\u00e1tica chegou. Agora precisamos de franqueza e de a\u00e7\u00e3o da parte de nossos l\u00edderes<\/p>\n","protected":false},"author":61,"featured_media":1532,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Escritora, jornalista e apresentadora. 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