{"id":1495,"date":"2026-03-12T17:59:54","date_gmt":"2026-03-12T20:59:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=1495"},"modified":"2026-04-11T10:55:02","modified_gmt":"2026-04-11T13:55:02","slug":"a-sobrevivencia-do-cuidado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2026\/03\/12\/a-sobrevivencia-do-cuidado\/","title":{"rendered":"A Sobreviv\u00eancia do Cuidado no Ponto de N\u00e3o-Retorno"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/todavialivros.com.br\/livros\/deslumbramento\">Resenha do livro: POWERS, Richard. <em>Deslumbramento<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Santiago Nazarian. S\u00e3o Paulo: Todavia, 2023.&nbsp;<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-normal-font-size wp-block-paragraph\">Christiane Silveira Kammsetzer<sup data-fn=\"5bb2ca6f-35d2-47f7-9b60-3b94d7a73e1c\" class=\"fn\"><a href=\"#5bb2ca6f-35d2-47f7-9b60-3b94d7a73e1c\" id=\"5bb2ca6f-35d2-47f7-9b60-3b94d7a73e1c-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-text-align-right has-small-font-size\"><blockquote><p>\u201cHavia um planeta que n\u00e3o conseguia entender onde estava todo mundo. Ele morreu de solid\u00e3o. Isso aconteceu bilh\u00f5es de vezes s\u00f3 na nossa gal\u00e1xia.\u201d<br>Richard Powers, <em>Deslumbramento<\/em><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Robin aterrissa em planetas modelados por seu pai, Theo, em expedi\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias em que se lan\u00e7am antes da hora de dormir. Para cada noite, um planeta. Na companhia do pai, explora algumas das incont\u00e1veis possibilidades de vida que a plasticidade da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do universo permitiria. Fazem isso em um mundo que queima, em que as \u00e1guas degeladas do \u00c1rtico jorram sobre o Atl\u00e2ntico, em que as vidas naturais se tornam invi\u00e1veis e desaparecem. Buscam sobreviver \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o de um luto em um planeta dominado por governantes que perpetuam um sistema econ\u00f4mico que vem, h\u00e1 centenas de anos, levando a Terra a um estado de n\u00e3o-retorno, o Antropoceno, onde a ag\u00eancia humana se tornou agente geol\u00f3gico, sendo capaz de produzir altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e ambientais de efeitos nefastos para a vida no planeta.<sup data-fn=\"1fe6c1e9-178c-49cc-b5c3-6c74a07b9022\" class=\"fn\"><a href=\"#1fe6c1e9-178c-49cc-b5c3-6c74a07b9022\" id=\"1fe6c1e9-178c-49cc-b5c3-6c74a07b9022-link\">2<\/a><\/sup> Como fazer morada quando o que d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 vida n\u00e3o est\u00e1 mais a\u00ed?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>Deslumbramento<\/em>, tradu\u00e7\u00e3o de \u201c<em>Bewilderment<\/em>\u201d, o escritor estadunidense Richard Powers, premiado com o Pulitzer na categoria Fic\u00e7\u00e3o em 2019 por seu romance anterior, <em>Overstory<\/em>, que foi publicado no Brasil pela Editora Todavia como <em>A trama das \u00e1rvores<\/em>, constr\u00f3i a narrativa de um homem que busca dar condi\u00e7\u00f5es de vida para o filho de nove anos, ao mesmo tempo que vive o luto pela morte da esposa Alyssa, ocorrido dois anos antes. Seu filho Robin diverge da norma social em seu comportamento e express\u00e3o afetiva. \u00c9 um garoto atravessado por perdas: da m\u00e3e, do cachorro Chester, de um planeta que lhe \u00e9 hostil e que faz desaparecer esp\u00e9cies animais, vegetais, que o faz desaparecer em um sistema educacional que n\u00e3o lhe propicia um lugar seguro. Robin sente raiva, revolta e saudades. Assim como o pai, luta para que a mem\u00f3ria da m\u00e3e n\u00e3o desapare\u00e7a, ao identificar-se com seu <em>ethos<\/em> de ativista ambiental. Ao mesmo tempo \u00e9 testemunha de um pai que sucumbe, melanc\u00f3lico, diante da constata\u00e7\u00e3o de que nada est\u00e1 sob seu controle.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Theo modela planetas em que ele e o filho tentam fazer morada para sua solid\u00e3o, tanto pela esperan\u00e7a evocada de recupera\u00e7\u00e3o da vida em condi\u00e7\u00f5es precar\u00edssimas, quanto por espelharem nesses outros mundos os afetos que vivenciam em seu percurso de luto. Enquanto viajam pelo espa\u00e7o, pisam no solo, adentrando os bosques e trilhas das montanhas Smoky, lugar onde pai e filho se aproximam da vida natural e das mem\u00f3rias de Alyssa. O garoto observa e registra, em seu caderno, esp\u00e9cies em vias de extin\u00e7\u00e3o. Imerso no mundo capitalista em que habita, o menino inventa um modo de dar condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia a esses seres por meio da venda de seus desenhos. No entanto, isso s\u00f3 se torna poss\u00edvel quando o menino, guiado pelo pai, escapa da vigil\u00e2ncia social \u2013 da escola e dos tratamentos convencionais \u2013 e ingressa em um curioso tratamento experimental realizado com o uso de intelig\u00eancia artificial, mas que n\u00e3o lhe deixa imune \u00e0 sociedade midi\u00e1tica em que vive.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda que pai e filho vivessem em uma sociedade hostil e pouco inclusiva \u00e0s peculiaridades de Robin, por uma suposta prote\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia estavam sujeitos aos s\u00f3lidos mecanismos de controle das vidas humanas. No entanto, resistindo \u00e0 l\u00f3gica de cuidado associada ao mercado, Theo tira o filho da mira da ind\u00fastria farmac\u00eautica buscando, como alternativa ao tratamento psiqui\u00e1trico convencional, recomendado pela escola, um cientista, amigo de Alyssa, conhecido por realizar um tratamento baseado em um experimento de <em>Decoded Neurofeedback <\/em>do qual Theo e Alyssa haviam participado anos antes. Robin passa, ent\u00e3o, a ter suas respostas cognitivas e emocionais remodeladas pelo padr\u00e3o neuronal de sua m\u00e3e, a partir de registros guardados pelo cientista de quando ela fora sugestionada a entrar em um estado emocional de \u00eaxtase. Os efeitos s\u00e3o surpreendentes, sobretudo pela capacidade adaptativa do menino, que vive o tratamento como um jogo que o leva de volta \u00e0 m\u00e3e, como se estivesse sob os comandos de seu c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"659\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/deslumbramento.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1505\" style=\"aspect-ratio:0.6589963635404543;width:443px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/deslumbramento.jpg 659w, https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/deslumbramento-198x300.jpg 198w\" sizes=\"auto, (max-width: 659px) 100vw, 659px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Capa do livro de Richard Powers<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A efic\u00e1cia do tratamento e do modo como Theo oferece seguran\u00e7a afetiva ao filho, respeitando sua condi\u00e7\u00e3o humana singular e propiciando condi\u00e7\u00f5es para que o menino encontre seus modos de estar no mundo devastado, revela a aten\u00e7\u00e3o da abordagem do escritor a tem\u00e1ticas sens\u00edveis e atuais que perpassam o romance. Evitando a leitura dos personagens em uma chave \u00fanica, ele traz o tema da neurodiversidade, das possibilidades que os c\u00e9rebros, assim como os planetas, t\u00eam de variar em termos de arranjos neuroqu\u00edmicos, permitindo configura\u00e7\u00f5es cognitivas e emocionais diversas, conforme as condi\u00e7\u00f5es que se apresentam. Dentro dessa perspectiva, aborda o tema da neurodiverg\u00eancia, mostrando recursos subjetivos constru\u00eddos na rela\u00e7\u00e3o do menino com o pai, com o mundo natural e com o experimento de que faz parte, em que aparecem quest\u00f5es que t\u00eam sido estudadas, sobretudo em pesquisas recentes sobre o autismo, como a constitui\u00e7\u00e3o de Duplo e as Ilhas de Compet\u00eancia que mediam a rela\u00e7\u00e3o entre o eu e o Outro social.<sup data-fn=\"80ef72b9-c551-4453-ae99-e61bd8ddf6c0\" class=\"fn\"><a href=\"#80ef72b9-c551-4453-ae99-e61bd8ddf6c0\" id=\"80ef72b9-c551-4453-ae99-e61bd8ddf6c0-link\">3<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance traz ainda o tema do luto, que com Freud<sup data-fn=\"ee581532-2af1-4e4b-8933-3e8b42581643\" class=\"fn\"><a href=\"#ee581532-2af1-4e4b-8933-3e8b42581643\" id=\"ee581532-2af1-4e4b-8933-3e8b42581643-link\">4<\/a><\/sup> compreendemos como um trabalho de desinvestimento da libido no ser amado, o que n\u00e3o acontece sem resist\u00eancia. Tal trabalho de luto se apresenta como a tentativa de incorporar algo de Alyssa, o que Robin faz, tanto em sua aproxima\u00e7\u00e3o com a hist\u00f3ria da m\u00e3e por meio do ativismo ambiental, quanto ao estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o em alguma medida simbi\u00f3tica com algo que restou dela, atrav\u00e9s da programa\u00e7\u00e3o a partir dos registros deixados no experimento. No entanto, diferentemente de outros romances que tratam de subjetividade e de sa\u00fade mental, em <em>Deslumbramento<\/em> encontramo-nos com condi\u00e7\u00f5es emocionais ainda pouco ficcionalizadas como o ecotrauma e a ecoansiedade, que acomete crian\u00e7as e adolescentes que nasceram ap\u00f3s a virada do s\u00e9culo XXI e que sofrem com o que os adultos fizeram do mundo em que vivem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto de vista do pai nos guia no percurso que o menino faz na busca de manuten\u00e7\u00e3o da vida na Terra. Acompanhamos as consequ\u00eancias que Robin sofre \u2013 sobretudo devido \u00e0 viraliza\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria nas m\u00eddias digitais \u2013 em um momento geol\u00f3gico e pol\u00edtico em que n\u00e3o cabem a diversidade e a pluralidade, em que se exerce dom\u00ednio por meio dos mesmos recursos tecnol\u00f3gicos que podem multiplicar as possibilidades de exist\u00eancia. Richard Powers revela, portanto, as contradi\u00e7\u00f5es de uma sociedade em que a ag\u00eancia humana construiu tecnologias extremamente potentes, mas que t\u00eam seu uso limitado por rela\u00e7\u00f5es de poder retr\u00f3gradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Theo resta o narrar, que revela sua pot\u00eancia diante das perdas que se sucedem ao longo do romance e que o levam ao estado de desorienta\u00e7\u00e3o e perplexidade de sentir-se \u201cperdido em um bosque\u201d \u2013 recuperando a etimologia do voc\u00e1bulo \u201c<em>bewilderment<\/em>\u201d em uma de suas acep\u00e7\u00f5es. Dessa forma, o escritor configura, no romance, uma perspectiva de que fala em entrevistas, a de que se h\u00e1 ainda alguma forma de criar conex\u00e3o e empatia para a situa\u00e7\u00e3o limite em que vivemos em termos \u00e9ticos, pol\u00edticos e ambientais, \u00e9 pela via da arte, sobretudo da literatura. Para o escritor, o est\u00e9tico possibilita um caminho, atrav\u00e9s do sens\u00edvel, para o atravessamento de barreiras erguidas por uma racionalidade humana obturada por compreens\u00f5es de vida prec\u00e1rias. Dessa forma, Powers constitui, atrav\u00e9s de sua escrita, um modo de navega\u00e7\u00e3o diverso das \u201cbarcas habituais da narra\u00e7\u00e3o\u201d,<sup data-fn=\"fcb2ce5a-5649-427f-ae3f-1fbbc9fc03cf\" class=\"fn\"><a href=\"#fcb2ce5a-5649-427f-ae3f-1fbbc9fc03cf\" id=\"fcb2ce5a-5649-427f-ae3f-1fbbc9fc03cf-link\">5<\/a><\/sup> em que o centro das hist\u00f3rias \u00e9 o encontro do humano com os outros seres vivos e com os territ\u00f3rios. Busca, assim, dar ag\u00eancia ao mundo natural. Segundo ele, \u201cprecisamos contar novas hist\u00f3rias para um novo mundo\u201d.<sup data-fn=\"f0d78176-282d-4d7e-8b4e-373356cb755b\" class=\"fn\"><a href=\"#f0d78176-282d-4d7e-8b4e-373356cb755b\" id=\"f0d78176-282d-4d7e-8b4e-373356cb755b-link\">6<\/a><\/sup> Para o leitor, fica a desorienta\u00e7\u00e3o em que o fim n\u00e3o traz o consolo do \u201cviveram felizes para sempre\u201d, mas nos apresenta a sombra da solid\u00e3o de quem, ainda que buscando sustentar-se nos restos de mem\u00f3rias recuperadas em registros neuronais armazenados por IA, em um gesto limite de tentar religar-se a sua fam\u00edlia, sucumbe a for\u00e7as destrutivas de um lugar em que n\u00e3o haver\u00e1 outros mundos poss\u00edveis para a \u201cNextGen\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"5bb2ca6f-35d2-47f7-9b60-3b94d7a73e1c\">Doutoranda em Letras: Estudos de Literatura na linha Teoria, Cr\u00edtica e Comparatismo, pela UFRGS; mestre em Psicologia Social e Institucional tamb\u00e9m pela UFRGS. <a href=\"#5bb2ca6f-35d2-47f7-9b60-3b94d7a73e1c-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"1fe6c1e9-178c-49cc-b5c3-6c74a07b9022\">Mark Bould. <em>The Anthropocene Unconscious<\/em>. Climate Catastrophe Culture. Londres; Nova York: Verso, 2021. <a href=\"#1fe6c1e9-178c-49cc-b5c3-6c74a07b9022-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"80ef72b9-c551-4453-ae99-e61bd8ddf6c0\">Jean-Claude Maleval. <em>O autista e a sua voz<\/em>. S\u00e3o Paulo: Blucher, 2017. <a href=\"#80ef72b9-c551-4453-ae99-e61bd8ddf6c0-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"ee581532-2af1-4e4b-8933-3e8b42581643\">Sigmund Freud. Luto e melancolia, 1917[1915]. In: Sigmund Freud. <em>Obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud: edi\u00e7\u00e3o standard brasileira<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, 1996. <a href=\"#ee581532-2af1-4e4b-8933-3e8b42581643-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"fcb2ce5a-5649-427f-ae3f-1fbbc9fc03cf\">Amitav Ghosh. <em>O Grande Desatino<\/em>. Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o impens\u00e1vel. Tradu\u00e7\u00e3o: Renato Prelorentzou. S\u00e3o Paulo: Quina, 2022, p. 14. <a href=\"#fcb2ce5a-5649-427f-ae3f-1fbbc9fc03cf-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"f0d78176-282d-4d7e-8b4e-373356cb755b\">The Conduit. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NrFvVmhc3UU&amp;t=3706s\">Richard Powers in conversation on his new book <em>Bewilderment<\/em><\/a>. <em>YouTube<\/em>, 25\/08\/2021. Acesso em: 09\/08\/2025. <a href=\"#f0d78176-282d-4d7e-8b4e-373356cb755b-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 6 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 16 \u2013 mar\u00e7o de 2026.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como proteger um filho em um planeta em colapso?<\/p>\n","protected":false},"author":64,"featured_media":1503,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Doutoranda em Letras: Estudos de Literatura na linha Teoria, Cr\u00edtica e Comparatismo, pela UFRGS; mestre em Psicologia Social e Institucional tamb\u00e9m pela UFRGS.\",\"id\":\"5bb2ca6f-35d2-47f7-9b60-3b94d7a73e1c\"},{\"content\":\"Mark Bould. <em>The Anthropocene Unconscious<\/em>. 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