{"id":1596,"date":"2026-04-11T11:53:38","date_gmt":"2026-04-11T14:53:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=1596"},"modified":"2026-05-12T20:22:42","modified_gmt":"2026-05-12T23:22:42","slug":"a-mesma-batalha-de-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2026\/04\/11\/a-mesma-batalha-de-novo\/","title":{"rendered":"A Mesma Batalha, De Novo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Resenha do filme: UMA BATALHA Ap\u00f3s a Outra. Dire\u00e7\u00e3o: Paul Thomas Anderson. Produ\u00e7\u00e3o: Paul Thomas Anderson; Sara Murphy; Adam Somner. Distribui\u00e7\u00e3o: Warner Bros. Pictures (EUA), 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">A.C. Corey<sup data-fn=\"ef7e7dd1-ac10-4ceb-bdb9-6268e93e38b6\" class=\"fn\"><a href=\"#ef7e7dd1-ac10-4ceb-bdb9-6268e93e38b6\" id=\"ef7e7dd1-ac10-4ceb-bdb9-6268e93e38b6-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pessoas que usam \u00f3culos de arma\u00e7\u00e3o de metal como os meus parecem querer que esse filme seja realmente bom. Eu o acho muito bom pelo que ele \u00e9 \u2013 um agrad\u00e1vel, engra\u00e7ado, bem executado filme de a\u00e7\u00e3o sobre a paternidade \u2013, mas eu gostaria de me deter um pouco mais nesse investimento emocional. H\u00e1 de fato dois investimentos emocionais contidos no filme, que d\u00e3o forma um ao outro: uma esperan\u00e7a em torno dos filmes e uma esperan\u00e7a na pol\u00edtica radical de esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em primeiro lugar, existe essa esperan\u00e7a de que \u201co cinema voltou\u201d, uma eloquente celebra\u00e7\u00e3o geral que disfar\u00e7a uma ideia mais espec\u00edfica sobre o que os filmes s\u00e3o e o que os torna bons. Era uma vez, nos anos 1970, uma Nova Hollywood. Uma crise no antigo sistema de est\u00fadios significou que jovens arrivistas poderiam chegar e criar obras-primas obscuras, arriscadas, com or\u00e7amentos medianos para p\u00fablicos vastos, confundindo, \u00e0s vezes, o gosto popular, mas frequentemente aclamadas por um novo grupo de cr\u00edticos e, posteriormente, aceitas como cl\u00e1ssicos. <em>Sem Destino<\/em>, <em>O Poderoso Chef\u00e3o <\/em>etc. \u2013 esses filmes n\u00e3o eram nem musicais da era de ouro, nem <em>A Paix\u00e3o de Joana D\u2019Arc<\/em>. Eles formavam um novo nicho ousado, acima do <em>middlebrow<\/em> da cultura, que funcionava como uma vanguarda est\u00e9tica, remodelando toda a ind\u00fastria por meio de uma din\u00e2mica que durou at\u00e9 algum ponto entre a queda da URSS e a bolha das empresas ponto-com.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu gostaria de salientar, correndo o risco de dizer o \u00f3bvio, que a Nova Hollywood fez parte da funda\u00e7\u00e3o daquilo que relutantemente podemos chamar hoje de nossa subcultura \u201ccin\u00e9fila\u201d. Essa subcultura pode ser mais ampla, abrangendo o material de origem contradit\u00f3rio presente na revolu\u00e7\u00e3o original (o cinema de arte e o cinema internacional demarcando um limite; o cinema de g\u00eanero e o conhecimentos especializado dos filmes trash demarcando o outro), mas ela se apoia no sonho da Nova Hollywood de superar essa oposi\u00e7\u00e3o, ou de n\u00e3o ter que escolher entre um dos lados. \u00c9 claro, essa \u00e9 a pr\u00e9-hist\u00f3ria do pr\u00f3prio Paul Thomas Anderson, que largou a escola de cinema nos anos 1990 para fazer um filme sobre os descolados anos 1970, com sua iconoclastia art\u00edstica misturada com os del\u00edrios de criar o seu pr\u00f3prio <em>Exterminador do Futuro 2<\/em>. Tamb\u00e9m \u00e9 a pr\u00e9-hist\u00f3ria de todos n\u00f3s, usu\u00e1rios literais ou figurados do Letterboxd.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O momento da Nova Hollywood definitivamente j\u00e1 passou. O tipo de filme que gerou aquele nicho cin\u00e9filo e que ainda funciona como seu centro de gravidade esteve em decl\u00ednio por aproximadamente duas das cinco d\u00e9cadas desde seu nascimento. Temos produtoras como a A24 \u2013 levando em frente o estilo do <em>middlebrow<\/em> com resultados cada vez piores \u2013 e um esfor\u00e7o an\u00f4malo, um tanto quanto arriscado, da Warner Brothers (por exemplo, com <em>Pecadores<\/em>), mas um filme de Robert Eggers em 2024 nunca ocupar\u00e1, na cultura, o mesmo lugar de um filme de Scorsese em 1990. E um Scorsese em 2024, n\u00e3o importa o qu\u00e3o bom, parece mais aquelas reuni\u00f5es de amigos do passado. Aonde isso nos levou? Como, h\u00e1 uma d\u00e9cada, havia lamentado Simon Reynolds a respeito da m\u00fasica popular (e Mark Fisher, a respeito da cultura popular como um todo), a sensa\u00e7\u00e3o de avan\u00e7o n\u00e3o existe mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em> j\u00e1 chega al\u00e7ado como um verdadeiro oponente capaz de superar esse mal-estar, de trazer de volta um senso de dinamismo a uma ind\u00fastria estagnada. H\u00e1 alguns motivos pelos quais isso \u00e9 plaus\u00edvel \u2013 seja porque Paul Thomas Anderson \u00e9 um dos mais jovens entre os velhos mestres da Longa Nova Hollywood (c. 1965-1999), seja porque o filme parece acertar em cheio aquele ponto acima do <em>middlebrow<\/em> (Pynchon mais DiCaprio, com\u00e9dia de a\u00e7\u00e3o com trilha sonora de Johnny Greenwood). Por\u00e9m, o que quer que esteja por tr\u00e1s da esperan\u00e7a em torno de <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em>, aparentemente trata-se de algo que tem menos a ver com a disponibilidade de bons filmes para assistir e mais a ver com o fato de que a subcultura cin\u00e9fila ainda tem para onde ir. O sonho do cin\u00e9filo para os filmes \u2013 arte <em>e <\/em>entretenimento, autenticidade e relev\u00e2ncia para as massas \u2013 ainda tem f\u00f4lego. A vanguarda do <em>middlebrow<\/em> ainda \u00e9 vi\u00e1vel, tanto com uma integridade rarefeita que vale a pena ser preservada, quanto com um p\u00fablico massivo receptivo a ela de algum modo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos filmes, o sonho do cin\u00e9filo exprime uma tens\u00e3o cultural mais profunda. Quando, em 1979, Fredric Jameson emitiu o seu famoso apelo em \u201cReifica\u00e7\u00e3o e utopia na cultura de massa\u201d para que \u201cse leia a alta cultura e a cultura de massa como fen\u00f4menos objetivamente relacionados e dialeticamente interdependentes, como formas g\u00eameas e insepar\u00e1veis da fiss\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o est\u00e9tica sob o capitalismo\u201d,<sup data-fn=\"d88e6788-4e71-4c21-bd2e-7f2f58e2690d\" class=\"fn\"><a href=\"#d88e6788-4e71-4c21-bd2e-7f2f58e2690d\" id=\"d88e6788-4e71-4c21-bd2e-7f2f58e2690d-link\">2<\/a><\/sup> ele enfocou as qualidades formais que unem as duas. Tomando a repeti\u00e7\u00e3o como seu exemplo m\u00e1ximo (percorrendo m\u00fasicas pop e a fic\u00e7\u00e3o de g\u00eanero de Gertrude Stein a Robbe-Grillet), ele argumentou que a arte elevada e a arte de massa n\u00e3o poderiam evitar de compartilhar tais qualidades porque cada uma delas era uma resposta em paralelo, \u201cantit\u00e9tica\u201d, aos mesmos \u201cdilemas da forma e do p\u00fablico\u201d estruturalmente determinados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O argumento era sofisticado, mas a interven\u00e7\u00e3o era simples: nem a alta e nem a baixa culturas s\u00e3o \u201cas melhores\u201d para a cr\u00edtica marxista. Ambas est\u00e3o envolvidas na mesma totalidade contradit\u00f3ria, para o bem ou para o mal. Ambas prometem solucionar problemas que elas n\u00e3o conseguem resolver. Essa observa\u00e7\u00e3o \u00e9 o pano de fundo para Jameson defender o que foi, na \u00e9poca, uma leitura supreendentemente redentora das obras da cultura de massa, ao alegar que elas \u201cn\u00e3o podem ser ideol\u00f3gicas sem serem, em certo ponto e ao mesmo tempo, impl\u00edcita ou explicitamente ut\u00f3picas: n\u00e3o podem manipular a menos que ofere\u00e7am um gr\u00e3o genu\u00edno de conte\u00fado, como paga ao p\u00fablico prestes a ser t\u00e3o manipulado\u201d.<sup data-fn=\"8af4a70f-9314-4fc2-a5cb-c52ddfac1a5c\" class=\"fn\"><a href=\"#8af4a70f-9314-4fc2-a5cb-c52ddfac1a5c\" id=\"8af4a70f-9314-4fc2-a5cb-c52ddfac1a5c-link\">3<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tese de Jameson mostra-se particularmente plaus\u00edvel se aplicada ao cinema comercial dos anos 1970, que parece t\u00ea-la inspirado de forma direta; n\u00e3o \u00e9 por acaso que ele termina o ensaio com os estudos de caso de <em>Tubar\u00e3o <\/em>e <em>O Poderoso Chef\u00e3o<\/em>. E, portanto, a tese tamb\u00e9m parece se encaixar bem com a sensibilidade cin\u00e9fila esbo\u00e7ada acima. Por\u00e9m, enquanto alguns cin\u00e9filos podem se apegar aos gr\u00e3os de utopia de Hollywood, identificados por Jameson, a fim de proteg\u00ea-los, hoje em dia seria melhor focar na outra parte da sua formula\u00e7\u00e3o. Essa esperan\u00e7a \u00e9 uma isca no anzol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No uso que Jameson faz, a ideologia tem tudo a ver com a promessa de resolu\u00e7\u00e3o, na fantasia, das contradi\u00e7\u00f5es sociais objetivas. Desse modo, toda cultura \u00e9 ideol\u00f3gica no sentido estrito, mas eu gostaria de sugerir que o sonho do cin\u00e9filo em si tamb\u00e9m o \u00e9, na medida em que ele articula uma fantasia de solucionar as contradi\u00e7\u00f5es objetivas entre o cinema como arte elevada e o cinema como cultura de massa. A despeito de quaisquer outras tens\u00f5es sociais objetivas que os filmes da Nova Hollywood expressaram ou mitigaram para seus p\u00fablicos respectivos, eles tamb\u00e9m expressaram e mitigaram essa tens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Novamente, na \u00e9poca dos escritos de Jameson, a fus\u00e3o entre o alto e o baixo tinha se tornado cada vez mais \u201cobjetiva\u201d e evidente. No mesmo ensaio, antecipando em duas d\u00e9cadas sua obra-prima sobre o p\u00f3s-modernismo, Jameson observou uma crescente \u201cinterpenetra\u00e7\u00e3o\u201d da alta cultura e da cultura de massa. Citando alguns desenvolvimentos ao longo do campo das artes (notadamente Pynchon, na literatura), ele observou como esse entrela\u00e7amento est\u00e9tico revelava a interdepend\u00eancia bem mais antiga na qual ele estava interessado, bem como sugeria, tamb\u00e9m, que se tratava de um novo desenvolvimento. Embora sempre tenha sido um tanto quanto ilus\u00f3ria, agora a dist\u00e2ncia entre a alta e a baixa culturas parecia estar desaparecendo completamente. Escrevendo em 2014, muito depois dessa tend\u00eancia ter alcan\u00e7ado seus limites, Mark Fisher a louvou como um \u201cmodernismo popular\u201d \u2013 abarcando tudo desde o p\u00f3s-punk e a arquitetura brutalista, at\u00e9 as brochuras da Penguin e a BBC Radiophonic Workshop \u2013 em que \u201co projeto elitista do modernismo foi retrospectivamente justificado\u201d, enquanto \u201ca cultura popular definitivamente afirmava que ela n\u00e3o precisava ser populista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui, os limites conceituais e a periodiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o escorregadios, e os temas s\u00e3o t\u00e3o familiares que mesmo os termos cunhados para descrev\u00ea-los parecem gastos e datados. Aqui n\u00e3o \u00e9 o lugar de reformul\u00e1-los. Mas o nicho cin\u00e9filo teve um papel importante na interpenetra\u00e7\u00e3o descrita por esses termos e compartilhou de todas suas ambiguidades e dos becos-sem-sa\u00eddas \u201chauntol\u00f3gicos\u201d que se acumulam rapidamente. Fazendo um retrospecto de poucas d\u00e9cadas, seguramente podemos dizer que, assim como todas as solu\u00e7\u00f5es capitalistas para as suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es, os reparos do p\u00f3s-modernismo e do modernismo popular se mostraram t\u00e3o breves quanto amb\u00edguos. O mesmo pode ser dito de seus subsidi\u00e1rios cinematogr\u00e1ficos. Eu seria o \u00faltimo a negar que, na sua melhor vers\u00e3o, a Longa Nova Hollywood produziu obras de valor duradouro. Muito do seu c\u00e2none permanece dentro do meu cora\u00e7\u00e3o. Mas, na sua pior vers\u00e3o, ela contribui para uma par\u00f3dia perversa e vazia da fus\u00e3o entre arte elevada e cultura de massa que n\u00f3s poder\u00edamos esperar no comunismo \u2013 e essa dimens\u00e3o s\u00f3 piorou ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, um reparo ruim ainda tem seu charme, e <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em> aparentemente nos permite acreditar que ainda existe alguma lenha para queimar nisso tudo \u2013 se n\u00e3o para o modernismo popular em geral, ent\u00e3o ao menos para os filmes. Essa leitura ajudaria muito a explicar o frisson pr\u00e9-lan\u00e7amento em torno dos formatos, as repetidas visualiza\u00e7\u00f5es (\u201cEis a hist\u00f3ria bem aqui!\u201d) e especialmente as primeiras resenhas mais entusiasmadas. Muitas das primeiras avalia\u00e7\u00f5es, como aquela de Bob Modello para a <em>NPR<\/em>, tamb\u00e9m elevaram <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em> ao posto de filme para o nosso momento pol\u00edtico; e a pol\u00edtica \u2013 a pol\u00edtica radical de esquerda \u2013 parece ser essencial para a esperan\u00e7a em torno do renascimento da cinematografia popular. Faz sentido. O c\u00e2none p\u00f3s-Nova Hollywood rastreou de perto, com alguns anos de atraso, as vidas al\u00e9m-t\u00famulo da contracultura amorfa alinhada com a Nova Esquerda, de onde ele nasceu e na qual ele se escorou para sustentar grande parte de sua ousadia e urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui \u00e9 onde entra a segunda esperan\u00e7a, a saber, a esperan\u00e7a pol\u00edtica. Ela \u00e9 mais direta. Neste momento, as coisas est\u00e3o indo mal. As pessoas querem clareza sobre o que est\u00e1 acontecendo, do que fazer a respeito, de onde tra\u00e7ar as linhas de batalha. Elas n\u00e3o querem s\u00f3 um movimento, mas sim <em>o <\/em>Movimento (como os jovens costumam cham\u00e1-lo), seja para fazer parte dele, critic\u00e1-lo ou apenas orbit\u00e1-lo. Por\u00e9m, neste momento, tudo o que temos s\u00e3o esses desejos e, em seu n\u00facleo, a aus\u00eancia. Existem cat\u00e1strofes e atrocidades em andamento ou iminentes, e existem campanhas e ocupa\u00e7\u00f5es e rebeli\u00f5es eventuais, bravos e nobres esfor\u00e7os individuais ou de pequenos grupos, e at\u00e9 movimentos, no plural. No entanto, seria dif\u00edcil alegar que essas correntes e tend\u00eancias e eventos atualmente resultam em algo al\u00e9m da soma de suas partes; e \u00e9 ainda mais dif\u00edcil dizer para onde eles caminham. Uma d\u00e9cada e meia ap\u00f3s o seu ressurgimento na era do Occupy, a esquerda dos EUA est\u00e1 fragmentada, desorganizada e, de modo geral, desmoralizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era assim tamb\u00e9m no final dos anos 1980, quando Pynchon escreveu <em>Vineland<\/em>, no qual <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em> vagamente se baseia. O livro \u00e9 sobretudo uma rumina\u00e7\u00e3o amarga desse estado de coisas, claramente inspirado na aten\u00e7\u00e3o cuidadosa dos reais esfor\u00e7os por parte dos \u201cveteranos dos anos 1960\u201d de aguentar a era Reagan. <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em>, por outro lado \u2013 relativamente transpondo a hist\u00f3ria para o presente \u2013, pode enfocar as urg\u00eancias da nossa pr\u00f3pria era, mas sua representa\u00e7\u00e3o da esquerda \u00e9 irreconhec\u00edvel, mesmo como idealiza\u00e7\u00e3o ou par\u00f3dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tomemos como exemplo a French 75, a organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que est\u00e1 no centro do filme. Eu presumi que era um ponto da trama retirado de <em>Vineland<\/em>. C\u00e9lulas de guerrilha urbana eram um tra\u00e7o caracter\u00edstico da Nova Esquerda nos EUA e no mundo, e muitas sobreviveram bem durante os anos 1980 (operacionalmente e na cultura pop). Em <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em>, a French 75 participa de assaltos armados e de um ataque a uma imita\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o do ICE; em <em>Vineland<\/em>, os ex-revolucion\u00e1rios s\u00f3 tiveram envolvidos em um coletivo de cinema radical e uma ocupa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. Os EUA testemunharam algumas ocupa\u00e7\u00f5es nos anos recentes, mas nenhuma unidade de guerrilha urbana de que se tenha not\u00edcia. Por que se entregar a uma fantasia anacr\u00f4nica?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bem, essa fantasia contribui para o tipo de narrativa prazerosa que Paul Thomas Anderson quer contar. Em outras palavras, ele fica na zona de conforto. Voc\u00ea recebe a hist\u00f3ria de amor dos comunistas armados da Nova Esquerda, desprovida, por\u00e9m, do fardo da derrota hist\u00f3rica ou da plaus\u00edvel amea\u00e7a atual. Voc\u00ea recebe o brilho dos temas relevantes (por exemplo, o fascismo centrado na imigra\u00e7\u00e3o), mas sem nenhuma refer\u00eancia \u00e0 nossa atual falta de clareza ou unidade a respeito do que fazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comparando o filme a alguns precursores e inspira\u00e7\u00f5es para a Nova Hollywood \u2013 como, por exemplo, <em>A Chinesa <\/em>e <em>Zabriskie Point<\/em> \u2013, o cr\u00edtico de cinema da <em>New Yorker<\/em>, Richard Brody, observou \u201co contato, no estilo document\u00e1rio, com ativistas na vida real\u201d desses filmes em contraste com o filme de Anderson, um \u201cfilme \u00e0 moda antiga sobre o mundo de hoje&#8230; uma vis\u00e3o das possibilidades esperan\u00e7osas que permanece desvinculado das realidades\u201d. Estar desvinculado das realidades atuais, no entanto, pode ser o grande atrativo comercial do filme: um escapismo que, embora bem realizado, se encaixa muito facilmente no kitsch costumeiro. Mais uma ansiedade aplacada. Admitir que o conte\u00fado pol\u00edtico de <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em> \u00e9 bobo e ainda assim insistir que a superficialidade \u00e9 secund\u00e1ria frente \u00e0s reais virtudes do filme, que se apresenta como uma s\u00f3lida hist\u00f3ria de aventura, \u00e9 ignorar as preocupa\u00e7\u00f5es eminentemente pol\u00edticas que a divers\u00e3o e o sentimentalismo est\u00e3o tentando suavizar. Se toda arte, segundo Jameson, promete resolver tens\u00f5es como essa, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 nenhum crime (mesmo que o filme n\u00e3o consiga cumprir a promessa). Mas existem solu\u00e7\u00f5es melhores e piores, inclusive na fantasia, e talvez seja melhor n\u00e3o acalmar algumas ansiedades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O frisson e a esperan\u00e7a em torno de <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em> remetem a duas tochas que foram acesas pela Nova Hollywood e pela Nova Esquerda. Com cada uma delas, iniciou-se um processo, um projeto coletivo visando ao futuro. Mas em pouco tempo as tochas come\u00e7aram a se apagar. O processo emperrou, transformando-se de progresso em pastiche, e de recuo t\u00e1tico em coopta\u00e7\u00e3o. Embora <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em> tenha o direito de ser como quiser, <em>Vineland <\/em>\u00e9 incisivo justamente no ponto que o filme deliberadamente evita; assim \u00e9, por exemplo, <em>Network \u2013 Rede de Intrigas<\/em> (1976), um olhar mais antigo e mais sombrio da Nova Hollywood sobre os meios de massa, a conspira\u00e7\u00e3o e o foquismo na metr\u00f3pole. Em <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em>, as linhas de batalha continuam claras, mesmo quando Perfidia as cruza. No livro e na vida real, elas se tornam um pouco mais indefinidas. Com a revolu\u00e7\u00e3o empacada, ficou mais dif\u00edcil lembrar o que \u201cvendido\u201d ou \u201ctraidor\u201d significavam, afinal. Como voc\u00ea pode abandonar uma causa que pode n\u00e3o existir mais? Por quanto tempo voc\u00ea consegue caminhar por entre as institui\u00e7\u00f5es sem ser absorvido por elas? Voc\u00ea est\u00e1 segurando as linhas de frente ou s\u00f3 vivendo no passado? A cultura pop (ou a Ind\u00fastria Cultural, ou o Espet\u00e1culo) foi determinante para essa crescente confus\u00e3o, como dolorosamente estavam cientes Pynchon e Paddy Chayefsky, o roteirista de <em>Rede de Intrigas<\/em>. Agora, estamos h\u00e1 d\u00e9cadas de seus diagn\u00f3sticos desalentadores, e a sala est\u00e1 ficando sem oxig\u00eanio, sendo asfixiada pelo Universo Cinematogr\u00e1fico da Marvel, em parceria com o Departamento de Defesa e os reels do Instagram impregnados de gatos gerados por intelig\u00eancia artificial, misturados com as crian\u00e7as macilentas em Gaza. Ao inv\u00e9s de estarmos preocupados com os rumos da revolu\u00e7\u00e3o, estamos preocupados, com raz\u00e3o, com o fato de que as luzes v\u00e3o se apagar totalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No nosso estado de degrada\u00e7\u00e3o atual, <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em> se tornou um ve\u00edculo para o desejo de que podemos manter as tochas acesas ao ignorar tanto a derrota hist\u00f3rica, quanto a fragmenta\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, simultaneamente fugindo do presente para o passado e do passado para o presente. Mas j\u00e1 estamos a\u00ed; \u201contem, por\u00e9m hoje\u201d \u00e9 s\u00f3 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;O final do filme ressalta o duplo sentido do t\u00edtulo, n\u00e3o apenas o combate incessante, mas sim cada gera\u00e7\u00e3o escolhendo uma nova batalha que a gera\u00e7\u00e3o anterior abandonou. Willa despacha o assassino supremacista branco que a persegue antes mesmo de Bob os encontrar, frustrando a miss\u00e3o de resgate que segura a segunda parte do filme. Conforme toca a m\u00fasica otimista dos cr\u00e9ditos finais, Willa atende a liga\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio amador e corre para um protesto, enquanto Bob, chapado no sof\u00e1, fu\u00e7a na c\u00e2mera do celular, pedindo para Willa tomar cuidado. De acordo com Anderson, podemos passar a luta adiante para nossos filhos a despeito de nossas falhas ou fraquezas. Bob n\u00e3o est\u00e1 equipado para salvar Willa, mas o treinamento que ele lhe deu faz com que ela pr\u00f3pria se salve. Os que nos suceder\u00e3o podem seguir nosso exemplo e aprender com nossos erros; eles podem terminar o que come\u00e7amos. Trata-se de uma afirma\u00e7\u00e3o profundamente humana e esperan\u00e7osa \u2013 e, creio eu, verdadeira. No entanto, o filme tamb\u00e9m parece ter ajudado a ati\u00e7ar uma denega\u00e7\u00e3o man\u00edaca dos nossos impasses atuais, enfraquecendo precisamente o aprendizado geracional sobre o qual o seu otimismo se baseia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os diretores da Nova Hollywood foram oportunistas, tomando os meios de produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica durante um breve per\u00edodo em que isso parecia poss\u00edvel. E deu muito certo, muito mesmo, para todo mundo. Os filmes foram reinventados, e a decadente Hollywood foi salva gra\u00e7as \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o criativa e \u00e0 restrutura\u00e7\u00e3o moderna promovida pelos novos talentos que se associaram com os executivos mais experientes da velha guarda. O r\u00f3tulo que o estudioso de cinema Jeff Menne criou para essa era, o \u201cCinema P\u00f3s-Fordista\u201d, resume tudo muito bem. Assim como na transi\u00e7\u00e3o do fordismo para o p\u00f3s-fordismo, a revolu\u00e7\u00e3o foi incorporada \u00e0 renova\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, causa alguma surpresa o fato de que, assim como o sol se p\u00f4s no outono p\u00f3s-fordista do longo S\u00e9culo Americano, os filmes tenham que mudar de novo? <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em>, contudo, n\u00e3o \u00e9 uma mudan\u00e7a de fato. \u00c9 o \u00faltimo suspiro de um modelo de filme que j\u00e1 passou bastante do prazo de validade. O que quer que tenha sido verdadeiro, bom ou bonito na Nova Hollywood e seus desdobramentos, s\u00f3 poder\u00e1 ser buscado sob condi\u00e7\u00f5es diferentes que ainda est\u00e3o por vir. Mas elas vir\u00e3o, de um jeito ou de outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, de algum modo ainda estamos presos aos artefatos da derrota. Aprender com experi\u00eancias que envolvem perdas demanda uma capacidade de luto, de esquecimento. Prender-se \u00e0 melancolia impede essa possibilidade. Como uma variedade daquilo que hoje chamamos de depress\u00e3o, Freud se concentrou na marca registrada da melancolia: \u201cum abatimento doloroso, uma cessa\u00e7\u00e3o do interesse pelo mundo exterior&#8230; inibi\u00e7\u00e3o de toda atividade\u201d e as incessantes \u201crecrimina\u00e7\u00f5es e ofensas \u00e0 pr\u00f3pria pessoa, [culminando em] uma delirante expectativa de puni\u00e7\u00e3o\u201d.<sup data-fn=\"9cc2039f-87cc-4713-b175-7c2b2202dcab\" class=\"fn\"><a href=\"#9cc2039f-87cc-4713-b175-7c2b2202dcab\" id=\"9cc2039f-87cc-4713-b175-7c2b2202dcab-link\">4<\/a><\/sup> Qualquer pessoa que passou muito tempo nos chats em grupo do Signal na \u00faltima d\u00e9cada vai reconhecer esse sentimento. Freud ainda conjecturou que \u201ca mania n\u00e3o tem um conte\u00fado diferente da melancolia, que as duas afec\u00e7\u00f5es lutam com o mesmo \u2018complexo\u2019, ao qual o Eu provavelmente sucumbe na melancolia, enquanto na mania ele o sobrepuja ou p\u00f5e de lado\u201d,<sup data-fn=\"1828f98d-a289-4d11-bf50-950ce8e776e6\" class=\"fn\"><a href=\"#1828f98d-a289-4d11-bf50-950ce8e776e6\" id=\"1828f98d-a289-4d11-bf50-950ce8e776e6-link\">5<\/a><\/sup> resultando em sintomas opostos. Os analistas que vieram depois desenvolveram a co-constitui\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o e da mania, da mania como uma defesa contra a depress\u00e3o. O filme de Anderson nos oferece uma ilustra\u00e7\u00e3o excelente dessa defesa da mania. Os ex-revolucion\u00e1rios abatidos e introspectivos s\u00e3o lan\u00e7ados em uma a\u00e7\u00e3o nervosa e fren\u00e9tica. A puni\u00e7\u00e3o que esperamos \u2013 ou talvez queiramos \u2013 na primeira metade do filme nunca se concretiza. De alguma forma os her\u00f3is vencem, e a grande rede paraestatal de fascistas que cerca o antagonista Lockjaw parece desvanecer com sua derrota. Nada mudou, mas agora est\u00e1 tudo bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1999, Wendy Brown ressuscitou um ep\u00edteto de Walter Banjamin, a fim de ferir a \u201cmelancolia de esquerda\u201d da virada do mil\u00eanio, \u201cum apego pesaroso, conservador e retr\u00f3gado a um sentimento, an\u00e1lise ou relacionamento que se tornou algo reificado e congelado no cora\u00e7\u00e3o do suposto esquerdista\u201d.<sup data-fn=\"b3c5225c-8600-469a-be99-8bec038b4201\" class=\"fn\"><a href=\"#b3c5225c-8600-469a-be99-8bec038b4201\" id=\"b3c5225c-8600-469a-be99-8bec038b4201-link\">6<\/a><\/sup> Mais recentemente, Enzo Traverso nos lembrou que a esquerda demonstra essa inclina\u00e7\u00e3o para a melancolia perene e politicamente amb\u00edgua desde pelo menos 1848. <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em> ilustra o contraponto man\u00edaco da melancolia de esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia anterior ao lan\u00e7amento de <em>Uma Batalha Ap\u00f3s a Outra<\/em>, Assata Shakur, uma militante do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Negra, havia morrido em liberdade em Cuba, onde ela viveu depois de ter sido libertada da pris\u00e3o federal por um pequeno grupo de camaradas em 1979. Embora ela tenha se tornado um nome familiar entre muitas gera\u00e7\u00f5es de radicais dos EUA, muitos dos detalhes sobre a luta da sua gera\u00e7\u00e3o \u2013 incluindo a sofistica\u00e7\u00e3o organizacional e redes mais amplas de apoio que possibilitaram sua fuga \u2013 ca\u00edram no mito ou na obscuridade. Mas a morte de Assata foi lamentada pelos camaradas que a conheceram pessoalmente, pessoas que ainda est\u00e3o por a\u00ed e que t\u00eam uma sabedoria adquirida a duras penas para oferecer \u00e0queles capazes de ouvir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu n\u00e3o sei se podemos continuar vivendo por muito mais tempo nas confort\u00e1veis cascas do museu fukuyamista da Nova Hollywood e da Nova Esquerda, mas n\u00e3o estou seguro de que dever\u00edamos querer isso. Faz sentido que queiramos, uma vez que n\u00e3o sabemos o que est\u00e1 por vir e que todos os sinais apontam para a cat\u00e1strofe. Mas, na melhor das hip\u00f3teses, tanto a Nova Hollywood quanto a Nova Esquerda foram apenas um trampolim. Talvez elas tenham sido formas \u00fateis de colocar os problemas que h\u00e1 tempos se degeneraram em solu\u00e7\u00f5es falsas, e talvez uma parte de nossa desorienta\u00e7\u00e3o atual decorra de nosso conformismo com elas. Talvez dev\u00eassemos nos preocupar menos em manter acesas as tochas e nos preocupar mais com us\u00e1-las para acender algo maior. Isso demanda n\u00e3o uma aten\u00e7\u00e3o menor \u00e0 hist\u00f3ria, mas sim uma aten\u00e7\u00e3o maior. Mas, se isso \u00e9 vago, \u00e9 porque eu tamb\u00e9m n\u00e3o sei o que est\u00e1 por vir. E eu assisti ao filme duas vezes, tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * * <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">(Este texto foi originalmente publicado na <em>Protean Magazine<\/em>, em 24 de fevereiro de 2026. Agradecemos encarecidamente ao autor por ceder os direitos da tradu\u00e7\u00e3o. Para ler o original, <a href=\"https:\/\/proteanmag.com\/2026\/02\/24\/the-same-battle-again\/\">clique aqui<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o de Antonio Barros.)<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"ef7e7dd1-ac10-4ceb-bdb9-6268e93e38b6\">Pesquisador e escritor independente, origin\u00e1rio do Michigan, nos EUA. <a href=\"#ef7e7dd1-ac10-4ceb-bdb9-6268e93e38b6-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d88e6788-4e71-4c21-bd2e-7f2f58e2690d\">Fredric Jameson. <a href=\"https:\/\/econtents.sbu.unicamp.br\/inpec\/index.php\/cma\/article\/view\/18753\">\u201cReifica\u00e7\u00e3o e cultura de massa\u201d<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Roberto Martins Filho. <em>Cr\u00edtica Marxista<\/em>. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, v. 1, n. 1, 1994, p. 6. <a href=\"#d88e6788-4e71-4c21-bd2e-7f2f58e2690d-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"8af4a70f-9314-4fc2-a5cb-c52ddfac1a5c\"><em>Idem<\/em>, <em>ibidem<\/em>, p. 20-21. <a href=\"#8af4a70f-9314-4fc2-a5cb-c52ddfac1a5c-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"9cc2039f-87cc-4713-b175-7c2b2202dcab\">Sigmund Freud. Luto e melancolia. In: Sigmund Freud. <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao narcisismo<\/em>: ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916). Tradu\u00e7\u00e3o: Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 172-173. <a href=\"#9cc2039f-87cc-4713-b175-7c2b2202dcab-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"1828f98d-a289-4d11-bf50-950ce8e776e6\"><em>Idem<\/em>, <em>ibidem<\/em>, p. 187. <a href=\"#1828f98d-a289-4d11-bf50-950ce8e776e6-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"b3c5225c-8600-469a-be99-8bec038b4201\">Felipe Cittolin Abal; Gabriel Antinolfi Divan. <a href=\"https:\/\/ojs.upf.br\/index.php\/rjd\/article\/view\/17904\/114118735\">\u201c<em>Resistindo \u00e0 melancolia de esquerda<\/em>, de Wendy Brown: notas e coment\u00e1rios \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas\u201d<\/a>. <em>Revista Justi\u00e7a do Direito<\/em>, vol. 40, n. 1, mar\u00e7o-junho, 2026. p. 11. <a href=\"#b3c5225c-8600-469a-be99-8bec038b4201-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 6 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 17 \u2013 abril de 2026.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta resenha do vencedor do Oscar de Melhor Filme do ano de 2026, o cinema da Nova Hollywood e a Nova Esquerda dos EUA s\u00e3o considerados da perspectiva da subcultura cin\u00e9fila<\/p>\n","protected":false},"author":68,"featured_media":1606,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Pesquisador e escritor independente, origin\u00e1rio do Michigan, nos EUA.\",\"id\":\"ef7e7dd1-ac10-4ceb-bdb9-6268e93e38b6\"},{\"content\":\"Fredric Jameson. <a href=\\\"https:\/\/econtents.sbu.unicamp.br\/inpec\/index.php\/cma\/article\/view\/18753\\\">\u201cReifica\u00e7\u00e3o e cultura de massa\u201d<\/a>. 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