{"id":1685,"date":"2026-06-10T18:53:41","date_gmt":"2026-06-10T21:53:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=1685"},"modified":"2026-07-11T15:15:53","modified_gmt":"2026-07-11T18:15:53","slug":"contra-a-tecnocracia-da-ia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2026\/06\/10\/contra-a-tecnocracia-da-ia\/","title":{"rendered":"Contra a Tecnocracia da IA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Mark Coeckelbergh<sup data-fn=\"6364d4cd-2ca7-45cd-9f24-2d065e9d0270\" class=\"fn\"><a href=\"#6364d4cd-2ca7-45cd-9f24-2d065e9d0270\" id=\"6364d4cd-2ca7-45cd-9f24-2d065e9d0270-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <em>Magnifica Humanitas<\/em>, <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/en\/encyclicals\/documents\/20260515-magnifica-humanitas.html\">enc\u00edclica<\/a> publicada pelo Papa na \u00faltima segunda-feira (25 de maio de 2026), est\u00e1 em alta nas redes sociais e algumas pessoas chegaram de fato a l\u00ea-la. Isso se deve, em parte, ao fato de que, assim como sua predecessora, a <em>Rerum Novarum<\/em> de 1891, ela aborda as \u201cnovas quest\u00f5es\u201d de hoje: os desafios levantados pela intelig\u00eancia artificial, um dos assuntos mais debatidos na atualidade. O texto responde ao fato de que \u201ca digitaliza\u00e7\u00e3o, a intelig\u00eancia artificial (IA) e a rob\u00f3tica est\u00e3o transformando o nosso mundo\u201d. Para a Igreja, trata-se de uma rea\u00e7\u00e3o incomumente r\u00e1pida, quase \u201cimpulsiva\u201d, como observou um amigo meu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a refer\u00eancia \u00e0 <em>Rerum Novarum<\/em> tamb\u00e9m \u00e9 interessante porque o texto n\u00e3o apenas d\u00e1 continuidade \u00e0 \u00eanfase nas quest\u00f5es sociais presentes no pontificado de Francisco, predecessor de Le\u00e3o XIV (a <em>Rerum Novarum<\/em> foi uma enc\u00edclica inovadora que tratou das duras condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas produzidas pela Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e exerceu grande influ\u00eancia por meio de sua doutrina social), mas tamb\u00e9m expressa claramente a ambi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Vaticano de influenciar a sociedade, a pol\u00edtica e \u2013 de fato \u2013 a tecnologia. (\u00c9 ir\u00f4nico que algumas figuras do setor tecnol\u00f3gico, como Peter Thiel, recorram a uma linguagem teol\u00f3gica, enquanto o Papa apresenta orienta\u00e7\u00f5es sobre pol\u00edticas tecnol\u00f3gicas que, em muitos momentos, s\u00e3o surpreendentemente concretas.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma no\u00e7\u00e3o normativa central no texto de Le\u00e3o XIV \u00e9 a do bem comum. Na tradi\u00e7\u00e3o da teologia cat\u00f3lica, que remonta a S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino e Santo Agostinho (e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, Arist\u00f3teles), esse termo n\u00e3o se refere nem ao bem maior para a maioria, como no utilitarismo, nem a um bem coletivo totalit\u00e1rio, mas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que permitem \u00e0s pessoas alcan\u00e7arem sua realiza\u00e7\u00e3o humana \u2013 todas as pessoas. Nas palavras da enc\u00edclica, trata-se da \u201csoma das condi\u00e7\u00f5es sociais que permitem \u00e0s pessoas, seja como grupo, seja como indiv\u00edduos, alcan\u00e7arem sua realiza\u00e7\u00e3o com maior plenitude e facilidade (defini\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II) ou, simplificando, de \u201cconstruir um mundo no qual todos possam florescer\u201d. Outros termos-chave incluem a dignidade humana, a solidariedade e \u2013 sob influ\u00eancia da teologia da liberta\u00e7\u00e3o \u2013 a chamada \u201cop\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nesse pano de fundo da doutrina social, a <em>Magnifica Humanitas<\/em> considera a situa\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial. Retomando a oposi\u00e7\u00e3o do Papa Francisco \u00e0 tecnocracia (expressa na enc\u00edclica<em> Laudato Si\u2019<\/em>), ela adverte contra um mundo em que a tecnologia reduz os seres humanos a \u201cmeras engrenagens de um sistema movido por uma efici\u00eancia cada vez maior\u201d e em que a intelig\u00eancia artificial leva ao enfraquecimento da criatividade, do julgamento e das rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O texto tamb\u00e9m retoma temas j\u00e1 familiares nos debates de \u00e9tica sobre IA, como transpar\u00eancia, responsabilidade, democracia, verdade e desinforma\u00e7\u00e3o, desemprego (importante \u00e0 luz da doutrina social) e impacto ambiental, e enfatiza o principal ponto que fil\u00f3sofos da tecnologia v\u00eam repetindo h\u00e1 d\u00e9cadas: a tecnologia n\u00e3o \u00e9 neutra. Nas palavras da enc\u00edclica: \u201cn\u00e3o podemos considerar a IA moralmente neutra. Na realidade, toda ferramenta tecnol\u00f3gica incorpora escolhas e prioridades por meio daquilo que mede, ignora e otimiza, bem como pela forma como classifica pessoas e situa\u00e7\u00f5es\u201d. Al\u00e9m disso, o texto adverte contra o risco de sermos \u201cgovernados apenas por um pensamento tecnocr\u00e1tico\u201d, em que as mudan\u00e7as s\u00e3o \u201capresentadas como necess\u00e1rias e inevit\u00e1veis, impondo, em \u00faltima inst\u00e2ncia, regras moldadas por aqueles que controlam os dados, a infraestrutura e o poder computacional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui encontramos aquilo que provavelmente \u00e9 a principal e mais urgente mensagem pol\u00edtica desta enc\u00edclica: uma cr\u00edtica ao poder tecnocr\u00e1tico. Mais especificamente, uma cr\u00edtica social e pol\u00edtica a \u201cum mundo em que os dados, os recursos computacionais e a influ\u00eancia regulat\u00f3ria permanecem nas m\u00e3os de poucos\u201d. Evidentemente, os princ\u00edpios da dignidade humana e do bem comum tamb\u00e9m s\u00e3o mobilizados, mas, quando se trata da IA, o n\u00facleo do argumento gira em torno do poder. O Papa deseja \u201cdesarmar\u201d a IA, o que significa \u201cdesacreditar a suposi\u00e7\u00e3o de que o poder tecnocr\u00e1tico confere automaticamente o direito de governar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se trata apenas de impedir que a IA \u201cdomine a humanidade\u201d ou at\u00e9 mesmo de combater as \u201cnovas formas de escravid\u00e3o\u201d relacionadas \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o digital (a economia digital depende do trabalho silencioso de milh\u00f5es de pessoas que trabalham \u201csob condi\u00e7\u00f5es exigentes e por sal\u00e1rios m\u00ednimos\u201d), mas tamb\u00e9m de impedir que uns poucos ditem as novas regras do jogo. O texto adverte contra a \u201cdomina\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica\u201d e \u201ccomercial\u201d, contra uma \u201ccultura do poder\u201d em que alguns definem a agenda e contra a normaliza\u00e7\u00e3o da guerra e do uso militar da IA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dessa resposta clara \u00e0queles que, dentro e fora do setor tecnol\u00f3gico, defendem tend\u00eancias antidemocr\u00e1ticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 IA, como Elon Musk e Peter Thiel, a enc\u00edclica tamb\u00e9m argumenta contra a absolutiza\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia e contra o projeto transumanista de aprimoramento humano \u2013 um projeto frequentemente apoiado pelas mesmas figuras do setor tecnol\u00f3gico. Ela critica a no\u00e7\u00e3o do ser humano como algo desencarnado e como algo a ser aperfei\u00e7oado ou superado. Nessa perspectiva, argumenta o Papa, \u201ctorna-se mais f\u00e1cil aceitar que algumas vidas s\u00e3o menos \u00fateis, menos desej\u00e1veis ou menos valiosas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Papa Le\u00e3o rejeita tais formas t\u00e9cnicas de \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d e adverte contra a idolatria das \u201cferramentas tecnol\u00f3gicas\u201d. Em oposi\u00e7\u00e3o ao transumanismo e ao que denomina \u201cp\u00f3s-humanismo\u201d, o texto defende um humanismo crist\u00e3o segundo o qual o futuro de uma pessoa n\u00e3o \u00e9 calcul\u00e1vel, mas depende da liberdade, da gra\u00e7a, das rela\u00e7\u00f5es e do amor. A enc\u00edclica afirma que a humanidade \u201cfloresce n\u00e3o <em>apesar<\/em> de suas limita\u00e7\u00f5es, mas frequentemente por meio delas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a<em> Magnifica Humanitas<\/em> n\u00e3o rejeite a tecnologia (\u201cdesarmar n\u00e3o significa rejeitar\u201d), ela enfatiza os problemas levantados pela IA. Esses problemas, ainda que apresentados com clareza e excelente capacidade de s\u00edntese, n\u00e3o s\u00e3o novos, mas j\u00e1 s\u00e3o conhecidos h\u00e1 anos no campo da \u00e9tica da IA, tanto na academia quanto fora dela. Por exemplo, em meu trabalho defendi o uso da no\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s43681-024-00492-9\">bem comum<\/a> em quest\u00f5es relacionadas \u00e0 IA e \u00e0 democracia, e em meu livro sobre <a href=\"https:\/\/www.politybooks.com\/bookdetail?book_slug=why-ai-undermines-democracy-and-what-to-do-about-it--9781509560929\">IA e democracia<\/a>, tamb\u00e9m recorri a Hannah Arendt para tratar do apagamento da \u201cdistin\u00e7\u00e3o entre fato e fic\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A novidade reside na aplica\u00e7\u00e3o renovada, abrangente e oportuna da doutrina social da Igreja e, de forma mais geral, do humanismo crist\u00e3o, \u00e0 quest\u00e3o em pauta, bem como na \u00eanfase dada \u00e0s quest\u00f5es relativas ao poder. Esta \u00faltima d\u00e1 apoio \u00e0queles que, dentro dos campos da \u00e9tica da IA, das pol\u00edticas de IA e de outras \u00e1reas, j\u00e1 questionam a atual situa\u00e7\u00e3o de poder em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 IA. S\u00f3 por isso, este \u00e9 um importante documento pol\u00edtico e um gesto pol\u00edtico significativo, proveniente de uma institui\u00e7\u00e3o secular que ainda possui consider\u00e1vel autoridade moral e relev\u00e2ncia pol\u00edtica, inclusive fora do mundo cat\u00f3lico. Minha impress\u00e3o \u00e9 que esta enc\u00edclica fortalece ainda mais essa autoridade e relev\u00e2ncia, inclusive entre pessoas laicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dito isso, algumas limita\u00e7\u00f5es precisam ser mencionadas. Algumas delas s\u00e3o evidentes: \u00e9 claro que essa vis\u00e3o est\u00e1 fundamentada em uma perspectiva religiosa particular que n\u00e3o \u00e9 compartilhada por todos no mundo; embora as quest\u00f5es culturais suscitadas pela IA sejam reconhecidas, h\u00e1 pouca \u00eanfase no di\u00e1logo intercultural e inter-religioso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vis\u00e3o proposta. O texto concentra-se em desenvolver argumentos a partir de um territ\u00f3rio j\u00e1 familiar e perde a oportunidade de oferecer pontes suficientes. Al\u00e9m disso, permanece bastante centrado no Ocidente, o que pode limitar seu impacto global. A \u00eanfase nos problemas tamb\u00e9m faz com que algumas oportunidades de utilizar a IA para potencializar a grandeza e a riqueza da experi\u00eancia humana acabam sendo subestimadas, especialmente em \u00e1reas como a criatividade e educa\u00e7\u00e3o. Ademais, a no\u00e7\u00e3o de bem comum empregada no texto n\u00e3o est\u00e1 isenta de dificuldades filos\u00f3ficas nem de controv\u00e9rsias, uma vez que podem coexistir diferentes concep\u00e7\u00f5es acerca do que constitui esse bem comum; uma filosofia pol\u00edtica madura da IA precisa ser capaz de lidar com essa pluralidade. Por fim, a cr\u00edtica da enc\u00edclica ao poder autorit\u00e1rio no contexto da intelig\u00eancia artificial perde parte de sua for\u00e7a quando se considera que, neste caso, ela prov\u00e9m de uma institui\u00e7\u00e3o pouco democr\u00e1tica e nem sempre transparente, cuja independ\u00eancia e autoridade t\u00eam um pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais fundamentalmente, contudo, existe uma limita\u00e7\u00e3o central ligada ao humanismo crist\u00e3o que alimenta este texto, relacionada ao seu pr\u00f3prio antropocentrismo e, portanto, situada no cerne intelectual desta enc\u00edclica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o Papa reconhe\u00e7a que a tecnologia \u201cn\u00e3o deve ser considerada, em si mesma, uma for\u00e7a antag\u00f4nica \u00e0 humanidade\u201d uma vez que constitui uma \u201crealidade profundamente humana\u201d o humanismo crist\u00e3o tradicional \u2013 assim como o humanismo secular tradicional \u2013 n\u00e3o consegue reconhecer plenamente nem teorizar adequadamente o quanto humanidade e tecnologia sempre estiveram intrinsecamente entrela\u00e7adas. Pode-se argumentar que a pr\u00f3pria grandeza da humanidade inclui a tecnologia e que, portanto, uma \u00e9tica da tecnologia n\u00e3o pode assumir a forma de uma \u00e9tica voltada \u00e0 defesa da humanidade diante da tecnologia \u2013 como frequentemente aparece ao longo da enc\u00edclica. O humanismo crist\u00e3o n\u00e3o supera seu dualismo humano-tecnol\u00f3gico, talvez porque veja a redu\u00e7\u00e3o dos humanos a m\u00e1quinas, tal qual o transumanismo, como a \u00fanica alternativa. Nesta enc\u00edclica, somos apresentados a uma dicotomia entre uma vis\u00e3o antropoc\u00eantrica e uma vis\u00e3o na qual os humanos s\u00e3o dominados pelas tecnologias, sem conseguir imaginar formas alternativas de conceber a rela\u00e7\u00e3o entre humanos e suas tecnologias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da mesma forma, devido ao seu humanismo crist\u00e3o, ela n\u00e3o consegue estender seu quadro relacional aos n\u00e3o-humanos, em particular aos animais n\u00e3o-humanos. Ela v\u00ea apenas o rosto de outro ser humano. Alguns animais podem aparecer como objetos de cuidado por parte dos humanos, mas objetos, ainda assim. A base para essa limita\u00e7\u00e3o reside em sua vis\u00e3o criacionista, na qual apenas os seres humanos t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o especial com Deus. De acordo com essa vis\u00e3o, nossa grandeza \u00e9 \u201cconcedida a n\u00f3s\u201d pelo Criador. Os n\u00e3o-humanos, nessa vis\u00e3o, carecem desse esplendor e dignidade espec\u00edficos. A <em>Magnifica Humanitas<\/em> \u00e9 universal quando se trata de seres humanos, mas exclui os demais. Apesar dessas limita\u00e7\u00f5es, o Papa expressou uma vis\u00e3o clara e bastante atraente que \u00e9 altamente relevante para a nossa situa\u00e7\u00e3o atual e que ter\u00e1 um impacto significativo nos debates sobre IA, humanidade e poder nos pr\u00f3ximos meses \u2013 uma vis\u00e3o com uma qualidade que a maioria dos pol\u00edticos e l\u00edderes de opini\u00e3o atuais, infelizmente, n\u00e3o conseguiu entregar. Com sua defesa de uma IA voltada para o bem comum, em vez de para poucos, e a sua rejei\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias tecnocr\u00e1ticas vigentes, o Vaticano encontrar\u00e1 aliados entre pessoas laicas\/seculares\/n\u00e3o-religiosas e de outras religi\u00f5es que tamb\u00e9m se preocupam com o nosso futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">(Este texto foi originalmente publicado no Medium, em 28 de maio de 2026. Agradecemos encarecidamente ao autor por ceder os direitos da tradu\u00e7\u00e3o. Para ler o original, <a href=\"https:\/\/coeckelbergh.medium.com\/against-ai-technocracy-eb0ba203441a\">clique aqui<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o de Luisa Fonseca.)<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"6364d4cd-2ca7-45cd-9f24-2d065e9d0270\">Fil\u00f3sofo belga, professor de Filosofia da M\u00eddia e Tecnologia na Universidade de Viena. Autor dos livros <em><a href=\"https:\/\/www.ubueditora.com.br\/etica-ia.html\">\u00c9tica na Intelig\u00eancia Artificial<\/a><\/em> e <em><a href=\"https:\/\/mitpress.mit.edu\/9780262052214\/artificial-religion\/\">Artificial Religion: On AI, Myth and Power<\/a><\/em>. <a href=\"#6364d4cd-2ca7-45cd-9f24-2d065e9d0270-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 19 \u2013 junho de 2026.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma leitura da carta enc\u00edclica &#8220;Magnifica Humanitas&#8221;, do Papa Le\u00e3o XIV<\/p>\n","protected":false},"author":76,"featured_media":1687,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Fil\u00f3sofo belga, professor de Filosofia da M\u00eddia e Tecnologia na Universidade de Viena. 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