{"id":1698,"date":"2026-06-10T18:51:10","date_gmt":"2026-06-10T21:51:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=1698"},"modified":"2026-07-11T15:16:07","modified_gmt":"2026-07-11T18:16:07","slug":"sensibilidade-e-sono-zero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2026\/06\/10\/sensibilidade-e-sono-zero\/","title":{"rendered":"Sensibilidade e Sono Zero"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ubueditora.com.br\/24-7.html\">Resenha do livro: CRARY, Jonathan. <em>24\/7 \u2013 Capitalismo tardio e os fins do sono<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Joaquim Toledo Jr. S\u00e3o Paulo: Ubu, 2016<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Felipe Fauri<sup data-fn=\"52b02009-acc1-43b6-9271-b32e93f9c978\" class=\"fn\"><a href=\"#52b02009-acc1-43b6-9271-b32e93f9c978\" id=\"52b02009-acc1-43b6-9271-b32e93f9c978-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-text-align-right has-small-font-size\"><blockquote><p>\u201c<em>Deve-se ir ver, em uma boa manh\u00e3, do alto da colina do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, em Paris, a cidade descobrir seu v\u00e9u espl\u00eandido, antes de estender seus bra\u00e7os. Uma vez enfim dispersado, congelado, desprezado e sem febre, come\u00e7a como um navio \u00e0 grande noite, que faz da imund\u00edcie e da maravilha uma \u00fanica coisa.<\/em>\u201d<sup data-fn=\"8fb0663e-6ba2-42f9-a10d-6098da2d2494\" class=\"fn\"><a href=\"#8fb0663e-6ba2-42f9-a10d-6098da2d2494\" id=\"8fb0663e-6ba2-42f9-a10d-6098da2d2494-link\">2<\/a><\/sup><br>Andr\u00e9 Breton, \u201cOs Vasos Comunicantes\u201d<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A famosa frase de Andr\u00e9 Breton, em seu ensaio \u201cOs Vasos Comunicantes\u201d, imaginando Paris adormecendo e, com ela, toda uma multid\u00e3o dormindo com seus sonos portadores de um poder coletivo extraordin\u00e1rio que pode se efetivar no mundo no momento em que os sonhos de cada indiv\u00edduo come\u00e7assem a desejar o Real, \u00e9 significativa para pensar o livro de Jonathan Crary <em>24\/7 \u2013 capitalismo tardio e os fins do sono<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por detr\u00e1s da investiga\u00e7\u00e3o acerca dos mecanismos pelos quais o capitalismo pretende acabar com o sono humano e, com isso, com a pr\u00f3pria periodicidade da vida social, Crary busca concatenar diversos processos recentes do capitalismo tardio a fim de lhes atribuir sua fun\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica: a dessensibiliza\u00e7\u00e3o e a desumaniza\u00e7\u00e3o do tempo vivido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dos novos mecanismos de redu\u00e7\u00e3o da noite \u00e0 hipersatura\u00e7\u00e3o da imagem renderizada como objeto principal de direcionamento do olho humano, a tese sustentada \u00e9 de que as \u00e1reas da vida humana pouco mercantiliz\u00e1veis, como o sono, est\u00e3o se tornando cada vez mais uma mercadoria entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto come\u00e7a por meio da investiga\u00e7\u00e3o do pardal da coroa branca, animal conhecido por possuir uma capacidade impressionante de ficar acordado por um tempo inimagin\u00e1vel. H\u00e1 alguns anos, pesquisadores de universidades americanas v\u00eam estudando esse tipo espec\u00edfico de ave, tendo em vista o desenvolvimento de novas tecnologias para o aparato militar estadunidense. O objetivo com este estudo \u00e9 conseguir criar um soldado que n\u00e3o dorme. Atualmente, as t\u00e9cnicas de priva\u00e7\u00e3o do sono t\u00eam se baseado no uso de subst\u00e2ncias neuroqu\u00edmicas e estimula\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica transcraniana. A curto prazo, o objetivo \u00e9 possibilitar a atividade de um soldado por meio de indu\u00e7\u00e3o \u00e0 ins\u00f4nia como um est\u00edmulo constante para a vig\u00edlia. No entanto, o objetivo a longo prazo \u00e9 reduzir a necessidade de sono no corpo humano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda no universo militar, a tentativa de aproximar cada vez mais o soldado de um mecanismo n\u00e3o humano e reduzir a atividade humana no campo de batalha n\u00e3o come\u00e7ou ontem. A priva\u00e7\u00e3o do sono e um corpo em eterna vig\u00edlia s\u00e3o apenas mais um passo dado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 configura\u00e7\u00e3o total do aparato militar em um aparato n\u00e3o org\u00e2nico. Por mais macabro que isso j\u00e1 seja, a hist\u00f3ria demonstra que, rapidamente, inova\u00e7\u00f5es e dispositivos militares adentram na esfera social, e o soldado que n\u00e3o dorme logo vira o trabalhador que n\u00e3o dorme.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em alguns lugares do mundo, tentativas de criar um sistema de ilumina\u00e7\u00e3o intermitente visando ao aumento de produtividade em \u00e1reas como a explora\u00e7\u00e3o industrial, como no leste da R\u00fassia, j\u00e1 foram tentadas. O v\u00ednculo entre trabalho, ilumina\u00e7\u00e3o e atividade constante j\u00e1 pode ser sentido para al\u00e9m desses exemplos remotos, e \u00e9 nesta imbrica\u00e7\u00e3o de elementos que reside o capitalismo 24\/7.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora muitas empresas e institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 operem em regimes 24\/7, somente recentemente o termo p\u00f4de come\u00e7ar a denominar um tipo de reorganiza\u00e7\u00e3o de todas as esferas sociais, cuja apar\u00eancia de uma atividade humana constante esconde a equival\u00eancia entre vida social e desempenho rob\u00f3tico. Somente com as investidas contra a necessidade de dormir \u00e9 que o diagn\u00f3stico j\u00e1 feito por diversos autores, entre eles, Luk\u00e1cs, de que o tempo no capitalismo \u00e9 o tempo vazio e homog\u00eaneo da modernidade, se realiza. Crary caracteriza a express\u00e3o 24\/7 como \u201cuma redund\u00e2ncia est\u00e1tica que desautoriza qualquer imbrica\u00e7\u00e3o com as tessituras r\u00edtmicas e peri\u00f3dicas da vida humana\u201d (p. 18).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia temporal de um mundo que n\u00e3o dorme \u00e9 a de um tempo da indiferen\u00e7a. A ideia do trabalho sem pausa, da disponibilidade constante e, por conseguinte, de necessidades ininterruptas, se tornou normal. O sono seria um tempo roubado do capitalismo, um hiato incontorn\u00e1vel que afirma a necessidade de um intervalo, de um tempo que n\u00e3o pode ser calculado; nenhum valor pode ser extra\u00eddo do sono e, portanto, \u00e9 algo a ser erradicado da modernidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO sono \u00e9 o lembrete, t\u00e3o ub\u00edquo quanto despercebido, de uma pr\u00e9-modernidade jamais completamente superada, um vest\u00edgio do universo agr\u00edcola que come\u00e7ou a desaparecer h\u00e1 quatrocentos anos. O esc\u00e2ndalo do sono \u00e9 o enraizamento em nossas vidas das oscila\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas de luz solar e escurid\u00e3o, de atividade e descanso, de trabalho e recupera\u00e7\u00e3o \u2013 erradicadas ou neutralizadas em outros \u00e2mbitos.\u201d (p. 21)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro tra\u00e7o presente no capitalismo 24\/7 \u00e9 a expans\u00e3o de uma tend\u00eancia espec\u00edfica do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista: a for\u00e7a homogeneizadora que abole estruturas de diferencia\u00e7\u00e3o como sagrado-profano, m\u00e1quina-organismo etc. Qualquer lastro de atividade natural que n\u00e3o possa ser ou abolido ou aclimatado se torna um obst\u00e1culo ao tipo de produtividade que o 24\/7 busca realizar. Talvez o melhor exemplo seja o do <em>sleep mode: <\/em>uma configura\u00e7\u00e3o que deixa o aparelho quase dormindo, mas sempre pronto. O sono seria um estado de operacionalidade diminu\u00edda, mas sempre acess\u00edvel. Nada est\u00e1 verdadeiramente desligado, nem em repouso real.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"668\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/crary-668x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1701\" style=\"aspect-ratio:0.6523482897482149;width:391px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/crary-668x1024.jpg 668w, https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/crary-196x300.jpg 196w, https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/crary-768x1178.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/crary.jpg 961w\" sizes=\"auto, (max-width: 668px) 100vw, 668px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Capa do livro de Jonathan Crary<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O regime 24\/7, em sua busca de abolir as distin\u00e7\u00f5es entre dia e noite, claro e escuro, a\u00e7\u00e3o e descanso, repensa o mundo como um enorme shopping center<em>, <\/em>sendo raz\u00e3o da ins\u00f4nia e lugar onde se encontra a solu\u00e7\u00e3o. Basta imaginar uma pessoa com dificuldades para dormir, no meio da noite, pedindo por aplicativo um rem\u00e9dio para dormir vindo de uma farm\u00e1cia aberta 24h. Esse estado de atua\u00e7\u00e3o constante do ser humano retira n\u00e3o s\u00f3 a periodicidade de uma vida natural, como tamb\u00e9m a possibilidade de sonhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<em>May God us keep From Single vision &amp; Newtons sleep<\/em>\u201d,William Blake uma vez disse. O sonho, reinterpretado como um lugar onde um novo mundo pode ser imaginado, um lugar onde o poder controlador da sociedade moderna n\u00e3o consegue penetrar, foi objeto de reflex\u00e3o de muitos artistas e fil\u00f3sofos. O sonambulismo, esse estado compar\u00e1vel ao <em>sleep mode, <\/em>costuma ser associado a comportamentos rotineiros e habituais, em que um poder de implos\u00e3o daquela temporalidade vivida fica abolido enquanto aquele regime espectral estiver vigente. A ep\u00edstola de S\u00e3o Paulo aos romanos evoca o poder disruptivo do despertar: \u201cSabeis em que momentos estamos: j\u00e1 \u00e9 hora de despertardes do sono. Agora, a salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais perto de n\u00f3s do que quando abra\u00e7amos a f\u00e9\u201d (Romanos, 13:11).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 os dias atuais, o despertar sempre esteve ligado \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de uma autonomia perdida no \u00f3cio do sono. No entanto, a possibilidade de a\u00e7\u00e3o reconfiguradora da ordem social que reside no ato de despertar j\u00e1 n\u00e3o mais amea\u00e7a um mundo que n\u00e3o dorme. \u00c9 na ambiguidade do sono que pensadores como Walter Benjamin e os artistas surrealistas v\u00e3o encontrar poss\u00edveis caminhos emancipadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aboli\u00e7\u00e3o do sono e a instaura\u00e7\u00e3o de um tempo 24\/7 n\u00e3o s\u00e3o, portanto, apenas uma homogeneiza\u00e7\u00e3o temporal, mas tamb\u00e9m imag\u00e9tica. J\u00e1 n\u00e3o existem mais momentos da vida que n\u00e3o possam ser gravados ou registrados, ou sonhos que n\u00e3o possam ser renderizados por uma IA. As imagens e informa\u00e7\u00f5es digitais buscam abolir a unicidade dos lugares e acontecimentos numa cadeia de rela\u00e7\u00f5es em que a experi\u00eancia temporal e material dos ambientes se transforma em um novo tipo de experi\u00eancia compartilhada, muito mais dessensibilizada e reificada. Jean-Luc-Godard, em um lind\u00edssimo filme chamado <em>Elogio do amor, <\/em>se questiona sobre a crise do olhar (\u201c<em>Quand est-ce-que le regard a bascul\u00e9<\/em>\u201d). Procurar a resposta para a pergunta nos levaria a digress\u00f5es improdutivas, com perigo de cair em formula\u00e7\u00f5es desistoricizantes; no entanto, o questionamento vale como afirma\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. A possibilidade de enxergar tudo e todos nos impossibilitou de imaginar um Algo Diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crary, em determinado momento do livro, se det\u00e9m em analisar a famosa pintura de Joseph Wright of Derby (acima), sempre utilizada como exemplo em livros de hist\u00f3ria da industrializa\u00e7\u00e3o. A ilumina\u00e7\u00e3o artificial abole as temporalidades c\u00edclicas da Lua e do Sol e a novidade \u00e9 essa rela\u00e7\u00e3o moderna entre trabalho e tempo. A pintura realiza o diagn\u00f3stico feito por Marx da rela\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica entre capitalismo e vida rural, pois as temporalidades sazonais da agricultura s\u00e3o incompat\u00edveis com o regime de trabalho do qual o capitalismo depende.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crary consegue ser muito criativo na exposi\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos intr\u00ednsecos entre a aboli\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia temporal e a dessensibiliza\u00e7\u00e3o da vida humana. O que lhe falta \u00e9 um olhar mais detido para as diferentes maneiras atrav\u00e9s das quais tal processo se realiza no mundo contempor\u00e2neo. A sua tentativa de lavrar uma certid\u00e3o de nascimento para as novas formas de reorganiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico no in\u00edcio dos anos 1990 explica somente metade do problema. Mesmo aceitando sem ressalvas sua periodicidade, n\u00e3o fica claro como diferentes pa\u00edses e diferentes regi\u00f5es do mundo se relacionam com a homogeneiza\u00e7\u00e3o do tempo. Que isso ocorra nos pa\u00edses centrais do sistema capitalista \u00e9 esperado; no entanto, a din\u00e2mica de recep\u00e7\u00e3o de novas tecnologias feitas para abolir a experi\u00eancia temporal e sua fun\u00e7\u00e3o nos mecanismos de regula\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica de pa\u00edses fora do centro permanece obscura. Todos n\u00f3s sentimos a mesma dissocia\u00e7\u00e3o entre tempo e vida org\u00e2nica? E se sim, elas possuem a mesma raz\u00e3o hist\u00f3rica?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, o argumento central do livro n\u00e3o deve ser descartado, mas ao menos localizado. N\u00e3o s\u00f3 uma rigorosa historiciza\u00e7\u00e3o dos novos mecanismos de domina\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica criados a partir dos anos 1990, especialmente com a emerg\u00eancia da empresa Google, como tamb\u00e9m suas diversas formas de agir em diferentes partes do globo devem ser revistas com as devidas media\u00e7\u00f5es a fim de predicar, na totalidade social do problema, que o fim do sono no capitalismo tardio ocorre de maneira a nivelar toda experi\u00eancia humana. Como diagn\u00f3stico geral de uma tend\u00eancia hist\u00f3rica, o livro de Jonathan Crary acerta precisamente. Agora nos resta sedimentar o problema, buscando dar-lhe concretude hist\u00f3rico-mundial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"52b02009-acc1-43b6-9271-b32e93f9c978\">Estudante de Letras na UFRGS. Pesquisador de Teoria Liter\u00e1ria e Literatura Russa (<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6286447420779664\">curr\u00edculo Lattes<\/a>). <a href=\"#52b02009-acc1-43b6-9271-b32e93f9c978-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"8fb0663e-6ba2-42f9-a10d-6098da2d2494\">Tradu\u00e7\u00e3o livre feita por Pedro Manica. <a href=\"#8fb0663e-6ba2-42f9-a10d-6098da2d2494-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 19 \u2013 junho de 2026.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas palavras sobre o capitalismo 24\/7<\/p>\n","protected":false},"author":78,"featured_media":1703,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Estudante de Letras na UFRGS. 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