{"id":1714,"date":"2026-07-11T19:16:48","date_gmt":"2026-07-11T22:16:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=1714"},"modified":"2026-08-10T09:29:39","modified_gmt":"2026-08-10T12:29:39","slug":"aesthesis-planetaria-nao-cidadaos-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2026\/07\/11\/aesthesis-planetaria-nao-cidadaos-animais\/","title":{"rendered":"Aesthesis Planet\u00e1ria, N\u00e3o Cidad\u00e3os Animais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Josephine Berry<sup data-fn=\"24d5d525-ba4e-45b5-99c2-8d4f77c08b1d\" class=\"fn\"><a href=\"#24d5d525-ba4e-45b5-99c2-8d4f77c08b1d\" id=\"24d5d525-ba4e-45b5-99c2-8d4f77c08b1d-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao questionar o controverso conceito pol\u00edtico de responsabiliza\u00e7\u00e3o, o <em>Pinko Collective<\/em> argumenta que, em seu apogeu, seus objetivos eram criar \u201cnovas formas de relacionamento, uma nova sociedade e at\u00e9 mesmo um novo mundo\u201d.<sup data-fn=\"00f0f539-b0d5-4a71-b47f-eb4282a7530a\" class=\"fn\"><a href=\"#00f0f539-b0d5-4a71-b47f-eb4282a7530a\" id=\"00f0f539-b0d5-4a71-b47f-eb4282a7530a-link\">2<\/a><\/sup> Eles chegaram a essa compreens\u00e3o a partir de in\u00fameras na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e de sua \u201c\u00eanfase na repara\u00e7\u00e3o e na rejei\u00e7\u00e3o da puni\u00e7\u00e3o\u201d. Livre das atuais concep\u00e7\u00f5es punitivas e legalistas da responsabiliza\u00e7\u00e3o, essa \u00e9 a esperan\u00e7a para uma pol\u00edtica de responsabiliza\u00e7\u00e3o que muitos celebrariam e desejariam promover.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas talvez o termo \u201cresponsabilidade\u201d seja mais adequado no contexto dos movimentos sociais e das lutas ecol\u00f3gicas, especialmente considerando a correla\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica entre a responsabiliza\u00e7\u00e3o e os direitos, e a correspond\u00eancia entre os direitos e os limites contest\u00e1veis do cidad\u00e3o, do ser humano e do indiv\u00edduo. A rela\u00e7\u00e3o entre direitos e responsabiliza\u00e7\u00e3o, em seu sentido normativo, pressup\u00f5e um poder capaz de decidir em nome de requerentes que devem se identificar como pertencentes a uma comunidade, organiza\u00e7\u00e3o, ontologia ou esp\u00e9cie. Para ilustrar isso de forma r\u00e1pida, podemos perguntar: os animais poderiam ser responsabilizados? E, se n\u00e3o, ser\u00e1 por isso que tamb\u00e9m s\u00e3o privados de direitos? Embora essa ideia possa parecer absurda a princ\u00edpio (apesar de haver in\u00fameros casos em que animais foram julgados em tribunais humanos a partir da Idade M\u00e9dia), a diferen\u00e7a impl\u00edcita entre humanos e animais n\u00e3o seria o fato de que os humanos supostamente possuem livre-arb\u00edtrio e s\u00e3o conscientes de suas a\u00e7\u00f5es e, portanto, respons\u00e1veis por elas?<sup data-fn=\"5e9c85dd-902b-455e-a0dc-119cd4b96e99\" class=\"fn\"><a href=\"#5e9c85dd-902b-455e-a0dc-119cd4b96e99\" id=\"5e9c85dd-902b-455e-a0dc-119cd4b96e99-link\">3<\/a><\/sup> Essa l\u00f3gica serve para afirmar o excepcionalismo humano, agindo assim de forma contr\u00e1ria \u00e0s sensibilidades ecol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A l\u00f3gica da responsabiliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma l\u00f3gica de imuniza\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, ela oferece prote\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o contra danos ou abusos ao identificar, excluir ou, possivelmente, punir o autor de uma transgress\u00e3o. Como explica o Pinko, os processos de responsabiliza\u00e7\u00e3o por iniciativa pr\u00f3pria posicionam \u201ca comunidade\u201d como a \u201cbase imaginada e o resultado almejado da responsabiliza\u00e7\u00e3o\u201d.<sup data-fn=\"d5012dfc-93df-4827-9d5e-4de2ae896cf1\" class=\"fn\"><a href=\"#d5012dfc-93df-4827-9d5e-4de2ae896cf1\" id=\"d5012dfc-93df-4827-9d5e-4de2ae896cf1-link\">4<\/a><\/sup> Dessa forma, a comunidade deve ser restaurada por meio do confronto e da poss\u00edvel repara\u00e7\u00e3o daqueles que causam danos. Assim, tal como acontece com a imunidade, a responsabiliza\u00e7\u00e3o exige uma defini\u00e7\u00e3o preventiva de quem \u00e9 considerado membro aceito da comunidade e quem n\u00e3o \u00e9, de quem \u00e9 responsabilizado e de quem \u00e9 prejudicado. Todavia, como escreve Roberto Esposito, a imunidade \u00e9 um estado de dispensa da <em>communitas<\/em>, ou seja, da rela\u00e7\u00e3o que vincula os membros de uma comunidade \u201ca uma obriga\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca\u201d.<sup data-fn=\"be8a7691-a105-4ec1-b902-cc32273be71f\" class=\"fn\"><a href=\"#be8a7691-a105-4ec1-b902-cc32273be71f\" id=\"be8a7691-a105-4ec1-b902-cc32273be71f-link\">5<\/a><\/sup> A imunidade protege contra as \u201ccaracter\u00edsticas expropriadoras da <em>communitas<\/em>\u201d, as reciprocidades incontrol\u00e1veis do comum. Para Esposito, o efeito da tend\u00eancia da modernidade \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o \u00e9 separar o indiv\u00edduo de suas rela\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas e a esp\u00e9cie humana de seus colaborativos, mas tamb\u00e9m perigosos, conjuntos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0Se as formas de responsabiliza\u00e7\u00e3o auto institu\u00eddas ou mesmo abolicionistas se referem exclusivamente ao livre-arb\u00edtrio do ser humano, ent\u00e3o de que forma levamos em conta o ser comunit\u00e1rio ou as depend\u00eancias contingentes e ecol\u00f3gicas dos indiv\u00edduos \u2013 ou melhor, dos \u201c<em>dividuais<\/em>\u201d (segundo Deleuze) \u2013 nessa responsabiliza\u00e7\u00e3o moral? Como conciliamos essa linha de racioc\u00ednio com uma l\u00f3gica ecol\u00f3gica? Penso que essa quest\u00e3o se aproxima daquela levantada pelo Pinko, cujo compilado <em>After Accountability<\/em> investiga se os processos de justi\u00e7a transformadora podem ir al\u00e9m do que o ativista comunit\u00e1rio Escobar Kelly descreve como o ato de colocar algu\u00e9m &#8220;sob a mira da cr\u00edtica\u201d.<sup data-fn=\"c4a09fa5-ff32-4450-a811-20e00dff8e47\" class=\"fn\"><a href=\"#c4a09fa5-ff32-4450-a811-20e00dff8e47\" id=\"c4a09fa5-ff32-4450-a811-20e00dff8e47-link\">6<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cResponsabilidade\u201d, por outro lado, \u00e9 definida no Oxford English Dictionary como \u201cencargo, confian\u00e7a ou dever pelo qual algu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel. O estado ou fato de ser respons\u00e1vel; a oportunidade ou necessidade de ser respons\u00e1vel\u201d. Portanto, essa defini\u00e7\u00e3o oferece uma maneira mais informal, ainda que essencial, de manter rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias. Ela compartilha a mesma raiz etimol\u00f3gica com \u201cresposta\u201d, que significa \u201cuma r\u00e9plica\u201d ou \u201cuma a\u00e7\u00e3o ou <em>sentimento<\/em> causado por um est\u00edmulo ou influ\u00eancia; uma rea\u00e7\u00e3o\u201d.<sup data-fn=\"d99feb12-4dc3-4679-a061-47d4d86139e9\" class=\"fn\"><a href=\"#d99feb12-4dc3-4679-a061-47d4d86139e9\" id=\"d99feb12-4dc3-4679-a061-47d4d86139e9-link\">7<\/a><\/sup> Embora a responsabilidade seja frequentemente delegada (por exemplo, pelos pais aos filhos), a palavra captura a dimens\u00e3o rec\u00edproca, afetiva e voluntariamente assumida da conduta comunit\u00e1ria. Como Donna Haraway nos ensinou, ela tamb\u00e9m enfatiza a capacidade de reagir: ser \u201ccapaz de responder\u201d.<sup data-fn=\"aae3882f-0e9c-47fc-a4ac-a007e334ac17\" class=\"fn\"><a href=\"#aae3882f-0e9c-47fc-a4ac-a007e334ac17\" id=\"aae3882f-0e9c-47fc-a4ac-a007e334ac17-link\">8<\/a><\/sup> Para ela, essa capacidade est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 compreens\u00e3o dos profundos envolvimentos, depend\u00eancias e la\u00e7os de afinidade de cada um nas redes tentaculares de rela\u00e7\u00f5es que constituem a vida na Terra. Os seres vivos s\u00e3o, e precisam urgentemente se tornar, mais respons\u00e1veis entre comunidades, al\u00e9m das fronteiras entre esp\u00e9cies, nas redes ecotecnol\u00f3gicas e nas in\u00fameras escalas e temporalidades da exist\u00eancia, sem falar nos n\u00edveis consciente e inconsciente. Em outras palavras, eles precisam ir al\u00e9m das supostas inten\u00e7\u00f5es racionais do livre-arb\u00edtrio. \u00c9 isso que Jennifer Gabrys descreveu recentemente como a urgente necessidade de refinar e desenvolver as \u201cpr\u00e1ticas coletivas de percep\u00e7\u00e3o\u201d<sup data-fn=\"86897fed-df76-4669-94dc-30f21bc5f221\" class=\"fn\"><a href=\"#86897fed-df76-4669-94dc-30f21bc5f221\" id=\"86897fed-df76-4669-94dc-30f21bc5f221-link\">9<\/a><\/sup> da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, novamente, a capacidade de resposta, que estrutura a no\u00e7\u00e3o \u00e9tica de responsabilidade, tem sido convencionalmente contraposta \u00e0 mera rea\u00e7\u00e3o animal. A capacidade de responder ajuda a qualificar a suposta capacidade do ser humano de ter vontade livre e soberana, um efeito de nosso funcionamento cognitivo \u201csuperior\u201d. Os animais n\u00e3o humanos, por outro lado, t\u00eam sido considerados como possuidores apenas da capacidade b\u00e1sica de rea\u00e7\u00e3o biomec\u00e2nica. Mesmo para Deleuze (<em>Diferen\u00e7a e Repeti\u00e7\u00e3o<\/em>, 1968), os animais s\u00e3o incapazes de estupidez e, portanto, tamb\u00e9m incapazes de crueldade. Ele escreve: \u201cO animal \u00e9 protegido por formas espec\u00edficas que o impedem de ser besta [<em>bete<\/em>], pois n\u00e3o \u00e9 livre e n\u00e3o possui vontade\u201d.<sup data-fn=\"052123a8-79d7-4c18-80a2-97214ad30e59\" class=\"fn\"><a href=\"#052123a8-79d7-4c18-80a2-97214ad30e59\" id=\"052123a8-79d7-4c18-80a2-97214ad30e59-link\">10<\/a><\/sup> Como Derrida responde criticamente, para Deleuze \u201ca bestialidade cruel e a besteira [<em>b\u00eatise<\/em>] s\u00e3o pr\u00f3prias do homem e n\u00e3o podem ser atribu\u00eddas \u00e0s chamadas bestas animais\u201d.<sup data-fn=\"79b9876e-5915-4b30-98e7-6979809cb1be\" class=\"fn\"><a href=\"#79b9876e-5915-4b30-98e7-6979809cb1be\" id=\"79b9876e-5915-4b30-98e7-6979809cb1be-link\">11<\/a><\/sup> Assim, a responsabilidade, em um sentido antropoc\u00eantrico e n\u00e3o-harawayiano, tamb\u00e9m pode ser concebida como uma ferramenta biopol\u00edtica para tra\u00e7ar a fronteira entre o humano e o animal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, nos cinquenta anos desde a observa\u00e7\u00e3o de Deleuze, a zoologia e a ci\u00eancia cognitiva demonstraram amplamente que muitas esp\u00e9cies, como os cefal\u00f3podes, s\u00e3o capazes de formas de metacomunica\u00e7\u00e3o, tais como jogos, engana\u00e7\u00e3o, previs\u00e3o, planejamento e travessuras. Por outro lado, os pesquisadores tamb\u00e9m passaram a compreender at\u00e9 que ponto, como argumenta Carey Wolfe, nunca foi poss\u00edvel \u201cdesfazer a mistura do ovo e separar o ego do que o rodeia e, na verdade, o sobredetermina\u201d.<sup data-fn=\"2a85d3d0-15d7-4a90-bf89-c2af6c403eee\" class=\"fn\"><a href=\"#2a85d3d0-15d7-4a90-bf89-c2af6c403eee\" id=\"2a85d3d0-15d7-4a90-bf89-c2af6c403eee-link\">12<\/a><\/sup> Em outras palavras, a ideia de um sujeito egoico puro da vontade (o sujeito respons\u00e1vel), capaz de agir sem a influ\u00eancia de seu meio, sempre foi uma idealiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 luz disso, o sujeito individual da responsabiliza\u00e7\u00e3o \u2013 ou o sujeito responsabiliz\u00e1vel \u2013, assim como o agente da responsividade baseada no livre-arb\u00edtrio, \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o. Voltando \u00e0 quest\u00e3o da responsabiliza\u00e7\u00e3o, pode-se concluir que ela, juntamente com a no\u00e7\u00e3o de livre-arb\u00edtrio na qual se baseia, pertence ao delineamento do sujeito cartesiano, cuja inven\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica deve ser considerada respons\u00e1vel pela convers\u00e3o do mundo natural e de suas comunidades \u201cenegrecidas\u201d [<em>black(ened)<\/em>], para usar o termo de Zakiyyah Iman Jackson, em um conjunto de objetos para a extra\u00e7\u00e3o, prazer, consumo, domina\u00e7\u00e3o e exaust\u00e3o do \u201cHomem\u201d.<sup data-fn=\"411b70a8-9066-418a-b76e-a51e04974fb9\" class=\"fn\"><a href=\"#411b70a8-9066-418a-b76e-a51e04974fb9\" id=\"411b70a8-9066-418a-b76e-a51e04974fb9-link\">13<\/a><\/sup> \u00c9 poss\u00edvel ter responsabilidade (ou formas aut\u00f4nomas e n\u00e3o individualizantes de responsabiliza\u00e7\u00e3o) sem esse modelo cartesiano do sujeito e toda a viol\u00eancia biopol\u00edtica que tal sujeito historicamente implicou para os exclu\u00eddos, os animais n\u00e3o humanos ou os mundos mais-que-humanos?\u00a0Na atual conjuntura, isso parece de crucial import\u00e2ncia do ponto de vista de uma \u00e9tica ecol\u00f3gica, quando toda atividade humana parece constituir um abuso do \u201cespa\u00e7o planet\u00e1rio\u201d.<sup data-fn=\"5ca4ea3a-22c9-46e2-b888-3b9209558542\" class=\"fn\"><a href=\"#5ca4ea3a-22c9-46e2-b888-3b9209558542\" id=\"5ca4ea3a-22c9-46e2-b888-3b9209558542-link\">14<\/a><\/sup> Al\u00e9m disso, como \u00e9 poss\u00edvel atribuir responsabiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e decidir sobre quest\u00f5es como a d\u00edvida clim\u00e1tica sem cair erroneamente nessa estrutura cartesiana? Afinal, \u00e9 justamente essa estrutura que fornece um \u00e1libi para os perpetradores mais not\u00f3rios do ecoc\u00eddio global, pois, por meio da universaliza\u00e7\u00e3o de uma ontologia humana espec\u00edfica, acusa a \u201cesp\u00e9cie humana\u201d de ecoc\u00eddio sem especificar o sistema econ\u00f4mico capitalista no qual estamos historicamente (n\u00e3o naturalmente ou essencialmente) presos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar dessa ressalva filos\u00f3fica, a necessidade de criar formas alternativas e aut\u00f4nomas de justi\u00e7a parece t\u00e3o vital quanto inevit\u00e1vel. A hipocrisia flagrante do sistema jur\u00eddico em sociedades estratificadas por ra\u00e7a, g\u00eanero e classe pode ser desastrosa para aqueles que est\u00e3o fora do quadro biopol\u00edtico de privil\u00e9gio. Saidiya Hartman descreve a angustiante transforma\u00e7\u00e3o da lei em uma arma de persegui\u00e7\u00e3o empunhada contra jovens mulheres negras americanas em <em>Wayward Lives, Beautiful Experiments<\/em>, onde apresenta o exemplo da Lei dos Corti\u00e7os de 1901, no estado de Nova York: embora tivesse sido promulgada para proteger os inquilinos de propriet\u00e1rios negligentes \u2013 os chamados <em>slumlords<\/em> \u2013, ela serviu tamb\u00e9m para ampliar as leis contra a vadiagem que visavam sujeitos j\u00e1 vulner\u00e1veis e criminalizados. O resultado disso foi que, em 1914, 36% das mulheres condenadas por prostitui\u00e7\u00e3o por meio da cl\u00e1usula de vadiagem Lei dos Corti\u00e7os eram negras.<sup data-fn=\"cea1b2eb-fb67-4465-9000-ab87929dfa1f\" class=\"fn\"><a href=\"#cea1b2eb-fb67-4465-9000-ab87929dfa1f\" id=\"cea1b2eb-fb67-4465-9000-ab87929dfa1f-link\">15<\/a><\/sup> Assim como no sistema penal em todos os espa\u00e7os do capitalismo racial, a pr\u00f3pria lei \u00e9 criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os direitos n\u00e3o se aplicam ao ser humano nu, muito menos ao animal nu, assim como tragicamente demonstra a figura do refugiado na obra de Hannah Arendt. Mas e \u00e0 pr\u00f3pria Gaia? Em 2008, o Equador deu um passo hist\u00f3rico ao conceder direitos legais \u00e0 Natureza. O artigo 71 da chamada Constitui\u00e7\u00e3o da Pacha Mama estabelece que \u201ca Natureza, ou Pacha Mama, tem direito ao respeito integral \u00e0 sua exist\u00eancia e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o de seus ciclos de vida, estruturas, fun\u00e7\u00f5es e processos evolutivos\u201d.<sup data-fn=\"244745f6-2d42-4fd1-a1cd-76dac09dd0e3\" class=\"fn\"><a href=\"#244745f6-2d42-4fd1-a1cd-76dac09dd0e3\" id=\"244745f6-2d42-4fd1-a1cd-76dac09dd0e3-link\">16<\/a><\/sup> Como resume o advogado ativista Vernon Tava, isso representa \u201cuma mudan\u00e7a fundamental na forma como tudo o que n\u00e3o \u00e9 humano \u00e9 tratado pela lei\u201d.<sup data-fn=\"260cb00f-f43c-4c19-97f7-27c40f2a08b4\" class=\"fn\"><a href=\"#260cb00f-f43c-4c19-97f7-27c40f2a08b4\" id=\"260cb00f-f43c-4c19-97f7-27c40f2a08b4-link\">17<\/a><\/sup> No entanto, embora a nova Constitui\u00e7\u00e3o do Equador possa ter garantido pequenas, mas significativas, vit\u00f3rias contra o extrativismo estatal e capitalista, essas leis s\u00e3o sempre esmagadas pela voracidade capitalista e pela colus\u00e3o pol\u00edtica. Essa \u00e9 a triste realidade da subjuga\u00e7\u00e3o global do direito ao poder superior do capital \u2013 uma impot\u00eancia tragicamente exemplificada pelo fracasso da Corte Internacional de Justi\u00e7a em condenar os l\u00edderes de Israel pelo genoc\u00eddio cometido contra os palestinos em Gaza, conforme a acusa\u00e7\u00e3o apresentada pela \u00c1frica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Visto que a lei n\u00e3o transcende as rela\u00e7\u00f5es de poder humanas, mas faz parte delas, precisamos ampliar as formas de nos tornarmos respons\u00e1veis e \u201ccapazes de responder\u201d, a fim de multiplicar as formas de nos relacionarmos, percebermos, imaginarmos e cuidarmos dessas outras comunidades de vida com as quais compartilhamos nosso lar planet\u00e1rio. Aldo Leopold, um dos primeiros desenvolvedores americanos da \u00e9tica ambiental e da conserva\u00e7\u00e3o da natureza selvagem, escreveu que \u201cs\u00f3 podemos ser \u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o a algo que possamos ver, compreender, sentir, amar ou no qual, de alguma forma, tenhamos f\u00e9\u201d.<sup data-fn=\"08116b89-d783-4986-bdfe-e4fcc6b8f702\" class=\"fn\"><a href=\"#08116b89-d783-4986-bdfe-e4fcc6b8f702\" id=\"08116b89-d783-4986-bdfe-e4fcc6b8f702-link\">18<\/a><\/sup> A rela\u00e7\u00e3o depende dessa capacidade de perceber e dar sentido ao outro. \u00c9 por meio dessa formula\u00e7\u00e3o que podemos fazer a conex\u00e3o entre a pol\u00edtica dessa busca por \u201cum novo modo de se relacionar\u201d, como prop\u00f5e o <em>Pinko Collective<\/em>, com a \u00e9tica ecol\u00f3gica e a pol\u00edtica est\u00e9tica proposta por Jacques Ranci\u00e8re.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Ranci\u00e8re, o regime est\u00e9tico da modernidade \u00e9 marcado por uma liberta\u00e7\u00e3o da forma e da sensa\u00e7\u00e3o de significados fixos. Por meio disso, \u201cele se dedica \u00e0 inven\u00e7\u00e3o de novas formas de vida\u201d.<sup data-fn=\"96b37455-f1b3-4217-bd78-a25fd9972bda\" class=\"fn\"><a href=\"#96b37455-f1b3-4217-bd78-a25fd9972bda\" id=\"96b37455-f1b3-4217-bd78-a25fd9972bda-link\">19<\/a><\/sup> Esse ato de liberta\u00e7\u00e3o gera uma reordena\u00e7\u00e3o do significado atribu\u00eddo \u00e0s coisas (ou mesmo a ordem das coisas, por assim dizer) atrav\u00e9s de um modo diferente de aparecer e de perceber. Como explica Ranci\u00e8re, o regime est\u00e9tico desmantelou a antiga correla\u00e7\u00e3o entre \u201ctema e modo de representa\u00e7\u00e3o\u201d que havia atribu\u00eddo a pintura hist\u00f3rica \u00e0 nobreza e a pintura de g\u00eanero \u00e0 representa\u00e7\u00e3o c\u00f4mica dos trabalhadores. A partir da liberta\u00e7\u00e3o das representa\u00e7\u00f5es dos significados padronizados, novos tipos de experi\u00eancia e, consequentemente, novas comunidades de sentido foram estabelecidos, levando a novas formas de pensamento e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Importante ressaltar que, nos s\u00e9culos XIX e XX, as classes trabalhadoras passaram a ter formas dignas de visibilidade na pintura, o que, segundo ele, contribuiu para um maior reconhecimento pol\u00edtico dos direitos dos trabalhadores, resultando em uma \u201cdistribui\u00e7\u00e3o do sens\u00edvel\u201d.<sup data-fn=\"9011a309-9799-4969-9f3c-37e1e5c0ac13\" class=\"fn\"><a href=\"#9011a309-9799-4969-9f3c-37e1e5c0ac13\" id=\"9011a309-9799-4969-9f3c-37e1e5c0ac13-link\">20<\/a><\/sup> Mudar a l\u00f3gica da sensa\u00e7\u00e3o e da percep\u00e7\u00e3o muda o senso comum e, portanto, o mundo (para melhor ou para pior, \u00e9 claro).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se os sistemas de responsabiliza\u00e7\u00e3o est\u00e3o sujeitos a serem mal utilizados devido \u00e0 sua depend\u00eancia de r\u00edgidos limites do indiv\u00edduo que exclui os complexos entrela\u00e7amentos biol\u00f3gicos, podemos ent\u00e3o imaginar diferentes formas de capacidade de resposta decorrentes de diferentes tipos de sensa\u00e7\u00e3o \u2013 cujo sin\u00f4nimo poderia ser \u201c<em>aesthesis<\/em>\u201d? Em meu livro <em>Planetary Realism: Art Against Apocalypse<\/em>, defendo que a arte pode desempenhar um papel na nossa sensibiliza\u00e7\u00e3o para a emerg\u00eancia biosf\u00e9rica, ajudando-nos, assim, a despertar do fatalismo entorpecido do realismo capitalista para o real planet\u00e1rio subjacente. O realismo capitalista, como argumentou Mark Fisher, \u00e9 um estado em que \u00e9 mais f\u00e1cil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo. Esse fatalismo \u00e9 sustentado por um \u201chedonismo depressivo\u201d que, ao contr\u00e1rio da \u201canedonia\u201d \u2013 que caracteriza a incapacidade do depressivo de experimentar prazer \u2013, \u00e9 \u201cuma incapacidade de fazer qualquer coisa, <em>exceto<\/em> buscar o prazer\u201d.<sup data-fn=\"d2b1af46-0579-4f30-8608-8d5427186b24\" class=\"fn\"><a href=\"#d2b1af46-0579-4f30-8608-8d5427186b24\" id=\"d2b1af46-0579-4f30-8608-8d5427186b24-link\">21<\/a><\/sup> Mas, seja o prazer ou a sua aus\u00eancia, o realismo capitalista produziu uma monocultura sensorial na qual a diversidade de sensa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias potenciais \u00e9 nivelada e tornada equivalente. Elas s\u00e3o, simplesmente, mercantilizadas. At\u00e9 mesmo os espet\u00e1culos mais angustiantes s\u00e3o consumidos no sof\u00e1, acompanhados por uma refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gostaria de abordar um exemplo de como a sensa\u00e7\u00e3o foi redistribu\u00edda em duas obras de Rebecca Belmore, artista e ativista Anishinaabe, de maneiras que proporcionam pequenas aberturas de repara\u00e7\u00e3o para as comunidades ind\u00edgenas do Canad\u00e1 por meio de uma intensifica\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com Gaia. Nessas obras, separadas por cerca de trinta anos, Belmore utiliza as formas semelhantes a chifres do megafone e da corneta para forjar canais de sensa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, atravessando a ordem sens\u00edvel do Estado colonialista e colonizador at\u00e9 um planet\u00e1rio real subjacente. A primeira \u00e9 sua <em>obra Ayum-ee-aawach Oomama-mowan: Speaking to Their Mother<\/em> (1991), criada em resposta \u00e0 Crise de Oka de 1990, que resultou em um tiroteio entre as for\u00e7as de seguran\u00e7a e manifestantes Mohawk, enquanto estes defendiam um bosque sagrado e um cemit\u00e9rio contra a expans\u00e3o de um campo de golfe. Belmore criou uma corneta gigante de madeira com um megafone embutido em seu interior, que podia ser transportada de comunidade em comunidade, proporcionando aos povos ind\u00edgenas os meios para \u201cdirigir-se diretamente \u00e0 terra\u201d.<sup data-fn=\"128603c4-2e95-4cbf-8ea1-1d35d09bdc1b\" class=\"fn\"><a href=\"#128603c4-2e95-4cbf-8ea1-1d35d09bdc1b\" id=\"128603c4-2e95-4cbf-8ea1-1d35d09bdc1b-link\">22<\/a><\/sup> Por meio desse ato significativo, Belmore rompeu com o regime sens\u00edvel do Estado, criando um canal de pertencimento incondicional entre os povos ind\u00edgenas e a terra. Como resultado, o pertencimento m\u00fatuo entre a terra e os seres humanos (e n\u00e3o o dom\u00ednio colonial sobre terras transformadas em propriedade) tamb\u00e9m se tornou tang\u00edvel. Esse trabalho mostra como existem outras formas de contabilizar, de significar, de ser ouvido e de pertencer para al\u00e9m dessa contabilidade cartesiana. Ou talvez dev\u00eassemos dizer que o planeta \u00e9 o contador supremo, o criador e destruidor supremo de todas as comunidades de sentido e sensibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2017, Belmore criou uma resposta a essa obra quando, ironicamente, recebeu a encomenda de celebrar os 150 anos do Estado canadense por meio da cria\u00e7\u00e3o de marcos hist\u00f3ricos. Em sua s\u00e9rie de esculturas \u201cWave Sound\u201d, ela criou quatro esculturas em forma de corneta para quatro parques nacionais em todo o Canad\u00e1, todas localizadas pr\u00f3ximas a corpos d\u2019\u00e1gua. As esculturas funcionam como trompetes ac\u00fasticos, atrav\u00e9s dos quais os visitantes do parque podem ouvir sons captados da margem oposta. Como escreve Kathleen Ritter: \u201cessa oscila\u00e7\u00e3o entre sons pr\u00f3ximos e distantes parecia corresponder \u00e0 forma como eu imaginava o som ao atrav\u00e9s do tempo\u201d.<sup data-fn=\"310338af-1437-474d-b7f1-e8434b74eb7c\" class=\"fn\"><a href=\"#310338af-1437-474d-b7f1-e8434b74eb7c\" id=\"310338af-1437-474d-b7f1-e8434b74eb7c-link\">23<\/a><\/sup> Por meio do isolamento e da amplifica\u00e7\u00e3o da trombeta, do vento que sopra sobre a terra, \u00e1gua, rochas e plantas, o ouvinte volta sua aten\u00e7\u00e3o para o que Heather Davis chama de \u201co tempo profundo da terra\u201d e todos os seus \u201cin\u00fameros corpos\u201d. Assim como o megafone, essas esculturas abrem um canal auditivo atrav\u00e9s do tempo da hist\u00f3ria colonial at\u00e9 per\u00edodos infinitamente profundos da Terra. Na avalia\u00e7\u00e3o de Davis, \u201ca terra, nesta obra, \u00e9 a autoridade. \u00c9 \u00e0 terra que devemos prestar contas\u201d.<sup data-fn=\"22141f55-3c5c-4e99-b109-48efbfb380be\" class=\"fn\"><a href=\"#22141f55-3c5c-4e99-b109-48efbfb380be\" id=\"22141f55-3c5c-4e99-b109-48efbfb380be-link\">24<\/a><\/sup> Essa obra, assim como muitos apelos ind\u00edgenas para que se respeitem florestas, rios, montanhas e paisagens como \u201cseres sagrados, vivos, inteligentes e conscientes\u201d \u2013 conforme sintetizado pelo conceito de Kawsak Sacha do povo equatoriano Sarayaku \u2013, relativiza o Estado-na\u00e7\u00e3o e suas leis, bem como todas as tentativas de conferir direitos \u00e0 natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m da marginaliza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria colonial do Canad\u00e1 como um lapso hist\u00f3rico passageiro, \u201cWave Sound\u201d tamb\u00e9m nos sintoniza com a eterna polifonia do planeta. Ouvimos e somos envolvidos pelos sons vibrantes da \u00e1gua, do vento e de in\u00fameras criaturas, de maneiras que expandem os contornos do eu para pr\u00e1ticas sensoriais coletivas. Para o biofil\u00f3sofo Andreas Weber, tal movimento entre os eus \u00e9 a \u201cpr\u00f3pria l\u00f3gica do mundo org\u00e2nico\u201d, que explica a autocat\u00e1lise material-semi\u00f3tica da biosfera \u2013 sua autocria\u00e7\u00e3o.<sup data-fn=\"d4f9f731-e4a0-4910-93d2-cf7d232b61a0\" class=\"fn\"><a href=\"#d4f9f731-e4a0-4910-93d2-cf7d232b61a0\" id=\"d4f9f731-e4a0-4910-93d2-cf7d232b61a0-link\">25<\/a><\/sup> Seguindo o bi\u00f3logo Francisco Varela, que desenvolveu a teoria da autocat\u00e1lise, Weber afirma: \u201ctodas as caracter\u00edsticas que outros seres possuem s\u00e3o capazes de se tornar potencialidades de nossa pr\u00f3pria vivacidade e possibilidades para nossos pr\u00f3prios sentimentos\u201d.<sup data-fn=\"0b0aae6d-657f-4638-9675-0a9f868ba2ee\" class=\"fn\"><a href=\"#0b0aae6d-657f-4638-9675-0a9f868ba2ee\" id=\"0b0aae6d-657f-4638-9675-0a9f868ba2ee-link\">26<\/a><\/sup> O planeta, em outras palavras, \u00e9 uma gigantesca obra de <em>aesthesis<\/em>, distribuindo constantemente o sens\u00edvel. Ou, para colocar de outra forma, a <em>aesthesis<\/em> e a est\u00e9tica s\u00e3o, essencialmente, criadoras de mundos. Criar mundos diferentes, portanto, depende da redistribui\u00e7\u00e3o do sens\u00edvel, continuamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua pe\u00e7a recente <em>Fossils<\/em>, o artista Pil e o Galia Kollectiv tamb\u00e9m imaginam o mundo como uma gigantesca opera\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil. Um esqueleto em decomposi\u00e7\u00e3o imagina os ciclos da vida e da morte nestes termos: \u201cA natureza \u00e9 basicamente gest\u00e3o de estoque\u201d, reflete o Sr. Esqueleto, \u201ccom a morte como seu sistema log\u00edstico integrado. O cosmos \u00e9 apenas uma gigantesca planilha de balan\u00e7o patrimonial, transferindo ativos de ef\u00eameras explos\u00f5es de energia para a coluna de passivos, destinada \u00e0 decomposi\u00e7\u00e3o lenta e eterna. Na verdade, n\u00e3o morremos; simplesmente trocamos de posi\u00e7\u00e3o na planilha\u201d.<sup data-fn=\"9d96782a-4978-46b1-8139-9f4759a5de8b\" class=\"fn\"><a href=\"#9d96782a-4978-46b1-8139-9f4759a5de8b\" id=\"9d96782a-4978-46b1-8139-9f4759a5de8b-link\">27<\/a><\/sup> Essa imagem c\u00f4mica ressoa fortemente com o que tem sido proposto como \u201ceconomia do decrescimento\u201d, que busca realinhar a atividade econ\u00f4mica humana com o chamado \u201cor\u00e7amento planet\u00e1rio\u201d, reduzindo o \u201cfluxo material e energ\u00e9tico\u201d da sociedade humana, a fim de recuperar o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico com o mundo vivo, diminuir a desigualdade e melhorar o bem-estar humano.<sup data-fn=\"ad863d54-01e3-4878-8f21-3a488e3fe6fb\" class=\"fn\"><a href=\"#ad863d54-01e3-4878-8f21-3a488e3fe6fb\" id=\"ad863d54-01e3-4878-8f21-3a488e3fe6fb-link\">28<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os esfor\u00e7os dos movimentos sociais para conduzir seus pr\u00f3prios processos de presta\u00e7\u00e3o de contas, embora possam apresentar falhas, s\u00e3o, no entanto, um exemplo do que poderia ser considerado uma pr\u00e1tica de decrescimento que, creio eu, est\u00e1 intrinsecamente ligada a uma redistribui\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria do sens\u00edvel. O decrescimento n\u00e3o se resume apenas a reequilibrar os sistemas econ\u00f4micos para reduzir as emiss\u00f5es negativas; trata-se tamb\u00e9m da redistribui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica das capacidades de a\u00e7\u00e3o sociais, criativas e pol\u00edticas e da recupera\u00e7\u00e3o da auto-soberania comunit\u00e1ria. Os processos de justi\u00e7a comunit\u00e1ria fazem parte de uma resist\u00eancia mais ampla \u00e0s l\u00f3gicas e sensa\u00e7\u00f5es monoculturais e monot\u00f4nicas da cultura de consumo viciada em crescimento e dos Estados-na\u00e7\u00e3o capitalistas. Embora experimentos de presta\u00e7\u00e3o de contas corram o risco de cair em uma l\u00f3gica imunit\u00e1ria, as perspectivas de compartilhar as ricas reciprocidades do ser comunit\u00e1rio \u2013 e, assim, harmonizar-se com a \u201ccontabilidade\u201d de Gaia \u2013 s\u00e3o ainda maiores aqui, pois s\u00e3o criadas a partir de si mesmas. A redu\u00e7\u00e3o da escala das pr\u00e1ticas culturais, juntamente com a produ\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o sociais, deve inevitavelmente levar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de diferentes mundos experienciais, sensoriais e intelectuais que promovam uma din\u00e2mica capacidade de resposta. Como a antrop\u00f3loga Anna Lowenhaupt Tsing afirma de forma perspicaz: em tempos de precariedade sistem\u00e1tica, \u00e9 a arte de perceber que antecipa a capacidade de resposta. Portanto, reduzir a escala e a velocidade da experi\u00eancia, bem como as dist\u00e2ncias entre produ\u00e7\u00e3o e consumo, entre cria\u00e7\u00e3o e espectador, e entre as comunidades e suas representa\u00e7\u00f5es, significa fazer renascer o demos sensorial e, consequentemente, a perspectiva de uma responsabilidade planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">(Este texto foi originalmente publicado no <em>e-flux<\/em>, em fevereiro de 2026. Agradecemos encarecidamente \u00e0 autora por ceder os direitos da tradu\u00e7\u00e3o. Para ler o original, <a href=\"https:\/\/www.e-flux.com\/journal\/160\/6776829\/planetary-aesthesis-not-animal-citizens\">clique aqui<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o de Roger Gregory Silveira.)<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"24d5d525-ba4e-45b5-99c2-8d4f77c08b1d\">Pesquisadora e professora do Royal College of Art, em Londres, envolvida atualmente no estudo do Realismo Planet\u00e1rio. \u00c9 autora do livro <em><a href=\"https:\/\/www.sternberg-press.com\/product\/planetary-realism\/\">Planetary Realism: Art Against Apocalypse<\/a><\/em>. <a href=\"#24d5d525-ba4e-45b5-99c2-8d4f77c08b1d-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"00f0f539-b0d5-4a71-b47f-eb4282a7530a\">Pinko. <em>After Accountability: <\/em>A Critical Genealogy. Chicago: Haymarket Books, 2025, p. 27.\u00a0 <a href=\"#00f0f539-b0d5-4a71-b47f-eb4282a7530a-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"5e9c85dd-902b-455e-a0dc-119cd4b96e99\">Os julgamentos de animais que ocorreram desde a Idade M\u00e9dia at\u00e9 o s\u00e9culo XVIII podem ser entendidos como o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es mais complexas entre humanos e animais, os quais eram vistos tanto como colaboradores dos humanos na produ\u00e7\u00e3o, quanto como autores ocasionais de delitos. Ver Leigh Claire La Barge, \u201cAnimals\u201d. In: Torsten Andreasen et al. (ed.).<em> Finance Aesthetics: A Critical Glossary. <\/em>Londres: Goldsmiths Press, 2024. <a href=\"#5e9c85dd-902b-455e-a0dc-119cd4b96e99-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d5012dfc-93df-4827-9d5e-4de2ae896cf1\">Pinko, <em>idem<\/em>, p. 207. <a href=\"#d5012dfc-93df-4827-9d5e-4de2ae896cf1-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"be8a7691-a105-4ec1-b902-cc32273be71f\">Roberto Esposito. <em>Bios<\/em>: Biopolitics and Philosophy. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2004, p. 50. <a href=\"#be8a7691-a105-4ec1-b902-cc32273be71f-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c4a09fa5-ff32-4450-a811-20e00dff8e47\">Escobar Kelly. \u201cEscobar Kelly: Entrevista\u201d, em <em>After Accountability<\/em>, p. 103. \u201cAs pessoas realmente se esquecem de ter sequer um pingo de empatia por algu\u00e9m \u2013 esquecem se aquilo aconteceu ou n\u00e3o, se a pessoa \u00e9 ou n\u00e3o, entre aspas, \u2018culpada\u2019 \u2013 por algu\u00e9m que est\u00e1 na mira de ser criticado, ponto final. Isso \u00e9 uma merda. E quando voc\u00ea se senta com v\u00e1rias dessas pessoas todo m\u00eas, isso come\u00e7a a ficar bem claro. Tipo, se meu objetivo final \u00e9 que voc\u00ea seja responsabilizado, a gente precisa recuar completamente.\u201d <a href=\"#c4a09fa5-ff32-4450-a811-20e00dff8e47-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 6 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d99feb12-4dc3-4679-a061-47d4d86139e9\"><em>Oxford English Dictionary<\/em>. \u00canfase adicionada. <a href=\"#d99feb12-4dc3-4679-a061-47d4d86139e9-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 7 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"aae3882f-0e9c-47fc-a4ac-a007e334ac17\">Donna Haraway. <em>Staying with the Trouble<\/em>: Making Kin in the Chthulucene. Durham; Londres: Duke University Press, 2016. <a href=\"#aae3882f-0e9c-47fc-a4ac-a007e334ac17-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 8 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"86897fed-df76-4669-94dc-30f21bc5f221\">Jennifer Gabrys. \u201cSensing a Planet on Fire and Listening with Forests\u201d. In: Ricardo Badano et al. (ed.). <em>Common Sensing: CRA#3. <\/em>Leipzig: Spector Books, 2025. <a href=\"#86897fed-df76-4669-94dc-30f21bc5f221-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 9 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"052123a8-79d7-4c18-80a2-97214ad30e59\"><em>Apud<\/em> Carey Wolfe. <em>Before the Law<\/em>: Humans and Other Animals in a Biopolitical Frame. Chicago: University of Chicago Press, 2012, p. 65. <a href=\"#052123a8-79d7-4c18-80a2-97214ad30e59-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 10 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"79b9876e-5915-4b30-98e7-6979809cb1be\"><em>Apud <\/em>Carey Wolfe, <em>op. cit.<\/em>, p. 65. <a href=\"#79b9876e-5915-4b30-98e7-6979809cb1be-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 11 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"2a85d3d0-15d7-4a90-bf89-c2af6c403eee\">Carey Wolfe, <em>op. cit.<\/em>, p. 66. <a href=\"#2a85d3d0-15d7-4a90-bf89-c2af6c403eee-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 12 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"411b70a8-9066-418a-b76e-a51e04974fb9\">\u201cEnegrecidas [<em>black(ened)<\/em>]\u201d expressa \u201ca conflu\u00eancia entre animalidade e racializa\u00e7\u00e3o\u201d como uma ferramenta para garantir a supremacia branca colonial. Jackson n\u00e3o pretende redefinir os limites da humanidade para incluir a quem ela foi anteriormente negada, mas sim abri-la ao seu pertencimento transesp\u00e9cie, a fim de transformar nossas categorias ontol\u00f3gicas e a pol\u00edtica que elas geram. Ver Zakiyyah Iman Jackson. <em>Becoming Human<\/em>: Matter and Meaning in an Antiblack World. Nova York: NYU Press, 2020. <a href=\"#411b70a8-9066-418a-b76e-a51e04974fb9-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 13 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"5ca4ea3a-22c9-46e2-b888-3b9209558542\">Essa formula\u00e7\u00e3o foi usada no abstract do simp\u00f3sio para \u201cFinite Future: Accountability and Sanctuaries\u201d no Art Hub, em Conpenhagen em junho de 2025, do qual participei. Ver <a href=\"https:\/\/arthubcopenhagen.net\/en\/event\/symposium-finite-future-accountability-and-sanctuaries\/\">aqui<\/a>. <a href=\"#5ca4ea3a-22c9-46e2-b888-3b9209558542-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 14 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"cea1b2eb-fb67-4465-9000-ab87929dfa1f\">Saidiya Hartman. <em>Wayward Lives<\/em>: Beautiful Experiments: Intimate Histories of Social Upheaval. Nova York: W. W. Norton &amp; Company, 2019, p. 222. <a href=\"#cea1b2eb-fb67-4465-9000-ab87929dfa1f-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 15 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"244745f6-2d42-4fd1-a1cd-76dac09dd0e3\">Artigo 71 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica do Equador, 20 de outubro, 2008. Ver <a href=\"https:\/\/pdba.georgetown.edu\/Constitutions\/Ecuador\/english08.html\">aqui<\/a>. <a href=\"#244745f6-2d42-4fd1-a1cd-76dac09dd0e3-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 16 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"260cb00f-f43c-4c19-97f7-27c40f2a08b4\"><em>Apud<\/em> Norrie Huddle, \u201cWorld\u2019s First Successful \u2018Rights of Nature\u2019 Lawsuit\u201d, <em>Kosmos<\/em>, outono-inverno de 2013. Ver <a href=\"https:\/\/kosmosjournal.org\/article\/worlds-first-successful-rights-of-nature-lawsuit-2\/\">aqui<\/a>. <a href=\"#260cb00f-f43c-4c19-97f7-27c40f2a08b4-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 17 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"08116b89-d783-4986-bdfe-e4fcc6b8f702\">Aldo Leopold. <em>A Sand County Almanac and Sketches Here and There. <\/em>Oxford: Oxford University Press, 1949, p. 214. <a href=\"#08116b89-d783-4986-bdfe-e4fcc6b8f702-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 18 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"96b37455-f1b3-4217-bd78-a25fd9972bda\">Jacques Ranci\u00e8re. <em>The Politics of Aesthetics<\/em>: The Distribution of the Sensible<em>. <\/em>Londres; Nova York: Continuum, 2004, p. 25. <a href=\"#96b37455-f1b3-4217-bd78-a25fd9972bda-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 19 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"9011a309-9799-4969-9f3c-37e1e5c0ac13\"><em>Idem<\/em>, p. 32. <a href=\"#9011a309-9799-4969-9f3c-37e1e5c0ac13-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 20 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d2b1af46-0579-4f30-8608-8d5427186b24\">Mark Fisher<em>. Capitalist Realism<\/em>: Is There No Alternative?. Londres: Zer0 Books, 2009, p. 22. <a href=\"#d2b1af46-0579-4f30-8608-8d5427186b24-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 21 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"128603c4-2e95-4cbf-8ea1-1d35d09bdc1b\">Ver <a href=\"https:\/\/www.rebeccabelmore.com\/exhibit\/Speaking-to-Their-Mother.html\">aqui<\/a>. <a href=\"#128603c4-2e95-4cbf-8ea1-1d35d09bdc1b-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 22 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"310338af-1437-474d-b7f1-e8434b74eb7c\"><em>Apud<\/em> Heather Davis. \u201cThe Breathing Land: On Questions of Climate Change and Settler Colonialism\u201d. In: \u00a0T. J. Demos et al. (ed.).<em> Routledge Companion to Contemporary Art, Visual Culture, and Climate Change<\/em>. Londres: Routledge, 2021, p. 211. <a href=\"#310338af-1437-474d-b7f1-e8434b74eb7c-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 23 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"22141f55-3c5c-4e99-b109-48efbfb380be\"><em>Idem<\/em>, <em>ibidem<\/em>. <a href=\"#22141f55-3c5c-4e99-b109-48efbfb380be-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 24 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d4f9f731-e4a0-4910-93d2-cf7d232b61a0\">Andreas Weber. <em>Enlivenment<\/em>: Towards a Poetics for the Anthropocene. Cambridge: MIT Press, 2019, p. 85. <a href=\"#d4f9f731-e4a0-4910-93d2-cf7d232b61a0-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 25 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"0b0aae6d-657f-4638-9675-0a9f868ba2ee\">Andreas Weber. <em>Matter and Desire<\/em>: An Erotic Ecology. Chelsea: Chelsea Green Publishing, 2014, p. 89. <a href=\"#0b0aae6d-657f-4638-9675-0a9f868ba2ee-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 26 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"9d96782a-4978-46b1-8139-9f4759a5de8b\"><em>Fossils<\/em>, de Pil e Galia Kollectiv, foi apresentado na Chemist Gallery, em maio-junho de 2025. Este trecho foi enviado para a autora pelos artistas em correspond\u00eancia privada. <a href=\"#9d96782a-4978-46b1-8139-9f4759a5de8b-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 27 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"ad863d54-01e3-4878-8f21-3a488e3fe6fb\">Jason Hickel. \u201cWhat Does Degrowth Mean? A Few Points of Clarification\u201d, <em>Globalizations<\/em> 18, no. 7, 2021. <a href=\"#ad863d54-01e3-4878-8f21-3a488e3fe6fb-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 28 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 20 \u2013 julho de 2026.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste artigo vibrante, a autora reflete sobre a est\u00e9tica e as responsabilidades diante da crise clim\u00e1tica, que envolve humanos e animais em um sentido diferente do demos<\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":1717,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Pesquisadora e professora do Royal College of Art, em Londres, envolvida atualmente no estudo do Realismo Planet\u00e1rio. \u00c9 autora do livro <em><a href=\\\"https:\/\/www.sternberg-press.com\/product\/planetary-realism\/\\\">Planetary Realism: Art Against Apocalypse<\/a><\/em>.\",\"id\":\"24d5d525-ba4e-45b5-99c2-8d4f77c08b1d\"},{\"content\":\"Pinko. <em>After Accountability: <\/em>A Critical Genealogy. 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