{"id":1735,"date":"2026-07-11T19:16:27","date_gmt":"2026-07-11T22:16:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=1735"},"modified":"2026-08-10T09:29:43","modified_gmt":"2026-08-10T12:29:43","slug":"quando-os-deuses-derretem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2026\/07\/11\/quando-os-deuses-derretem\/","title":{"rendered":"Quando os Deuses Derretem"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Antonio Mart\u00ednez Ron<sup data-fn=\"a720739d-57ef-4d96-8e79-6b0df15cf1e8\" class=\"fn\"><a href=\"#a720739d-57ef-4d96-8e79-6b0df15cf1e8\" id=\"a720739d-57ef-4d96-8e79-6b0df15cf1e8-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pastores de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Iaque\">iaques<\/a> do But\u00e3o est\u00e3o angustiados porque a montanha sagrada <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Monte_Chomolhari\">Jomolhari<\/a> tem perdido suas \u201cp\u00e9rolas reluzentes\u201d de neve e gelo; no Peru, os peregrinos que subiam ao <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jolljepunco\">Colquepunco<\/a> para coletar \u201cgelo sagrado\u201d limitam-se agora a tomar \u00e1gua do degelo das geleiras. Os primeiros sentem-se culpados por sua deusa estar \u201cadoecida\u201d, e os segundos acreditam que seu deus se cansou de suas ora\u00e7\u00f5es. Estes s\u00e3o apenas dois exemplos do impacto que o aquecimento global tem sobre as cren\u00e7as e rituais das culturas que consideram as geleiras lugares sagrados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seis pesquisadores que trabalham em alguns desses lugares do planeta publicaram uma an\u00e1lise conjunta no <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41558-025-02551-3\">Nature Climate Change<\/a> na qual exp\u00f5em como o aquecimento global est\u00e1 for\u00e7ando transforma\u00e7\u00f5es nas cren\u00e7as e rituais nas comunidades ind\u00edgenas montanheiras. Para muitos dos habitantes dessas regi\u00f5es do mundo, dos Andes ao Himalaia, ocorre algo perturbador: na vis\u00e3o deles, as geleiras sagradas aparentam estar doentes. Ou est\u00e3o se escondendo, ou os est\u00e3o abandonando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs deuses que habitam as montanhas, que em algum momento pareciam onipotentes, agora parecem fr\u00e1geis e abalados\u201d, resume<a href=\"https:\/\/www.elizabethallisonphd.com\/\"> Elizabeth Allison<\/a>, do Instituto de Estudos Integrais da Calif\u00f3rnia (CIIS). \u201cA conex\u00e3o espiritual com a Terra est\u00e1 sendo perdida ao mesmo tempo que est\u00e3o sendo perdidas as geleiras\u201d, explica <a href=\"https:\/\/pti-teledetect.csic.es\/project\/el-equipo_ivan-lizaga-villuendas\/\">Iv\u00e1n Lizaga<\/a>, pesquisador do IPE-CSIC e coautor do artigo. \u201cEles entendem que um \u00e9 consequ\u00eancia do outro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Desconex\u00e3o nas <em>Montanhas da Lua<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lizaga colabora com o pesquisador local <a href=\"https:\/\/mmu.ac.ug\/staff_member\/moses-muhumuza\/\">Moses Muhumuza<\/a>, que h\u00e1 anos trabalha nos <a href=\"http:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Monta%C3%B1as_Rwenzori\">Montes Rwenzori<\/a>, conhecidos historicamente como \u201cMontanhas da Lua\u201d, situadas na fronteira entre Uganda e a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. A cosmologia, as cren\u00e7as e as pr\u00e1ticas espirituais do <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Pueblo_konjo\">povo konjo<\/a>, que vive na regi\u00e3o, est\u00e3o profundamente entranhadas nos recursos naturais. Os konjo conhecem 21 deuses e deusas associados \u00e0 montanha, e em sua cosmovis\u00e3o as geleiras s\u00e3o o s\u00eamen semiss\u00f3lido do deus Kithasamba (literalmente, \u201cAquele que n\u00e3o escala\u201d, porque reside na c\u00fapula da montanha).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nestas montanhas os dados s\u00e3o preocupantes: foram perdidas cerca de 90% das geleiras desde os prim\u00f3rdios do s\u00e9culo XX. A perda f\u00edsica, juntamente com a proibi\u00e7\u00e3o aos habitantes locais de acessar o Parque Nacional, tem obrigado o abandono de muitas das cerim\u00f4nias tradicionais. A comunidade konjo estabeleceu uma rela\u00e7\u00e3o de causalidade direta entre os dois fatos, explica Lizaga, e interpretaram que o gelo sumiria n\u00e3o pelo aquecimento global, mas sim por eles serem impedidos de realizar seus rituais. Felizmente, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 se revertendo, mesmo que os efeitos do abandono se mantenham.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O deus escondido<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro caso citado no artigo \u00e9 o da peregrina\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Quyllurit%27i\">Senhor de Quyllurit\u2019i<\/a> no Peru. Historicamente, os devotos subiam as geleiras de Colquepunco para cortar blocos do \u201cgelo sagrado\u201d e lev\u00e1-los para suas comunidades. Como destaca a&nbsp; antrop\u00f3loga argentina <a href=\"https:\/\/bicyt.conicet.gov.ar\/fichas\/p\/maria-constanza-ceruti\">Constanza Ceruti<\/a>, os peregrinos agora se abst\u00eam de cortar o gelo e apenas recolhem \u00e1gua do degelo, interpretando que a geleira retrocede porque o Senhor, cansado das ora\u00e7\u00f5es dos devotos, est\u00e1 tentando \u201cse esconder\u201d deles. \u201cCom quase trinta anos de experi\u00eancia pessoal de campo no estudo antropol\u00f3gico e arqueol\u00f3gico de altitudes, pude ver claramente que o futuro das montanhas est\u00e1 em risco e, com ele, seu patrim\u00f4nio cultural\u201d, afirma Ceruti.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Bol\u00edvia, ap\u00f3s o total desaparecimento da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Chacaltaya\">geleira Chacaltaya<\/a> em 2009, os habitantes do Vale de Milluni interpretam o sol ardente como consequ\u00eancia de seus atos. \u201c\u00c9 um castigo que n\u00f3s mesmos criamos\u201d, relata um morador local. Na cosmovis\u00e3o andina, os topos nevados s\u00e3o \u201cav\u00f3s\u201d, ou guardi\u00f5es, e a crise clim\u00e1tica tem obrigado a modificar tradi\u00e7\u00f5es com s\u00e9culos de exist\u00eancia. Mas essa rela\u00e7\u00e3o pode ter mudado, destaca Elizabeth Allison. \u201cEnquanto antes as ora\u00e7\u00f5es para manter boas rela\u00e7\u00f5es com os deuses das montanhas pareciam produzir urg\u00eancias suficientes e oportunas, essas ora\u00e7\u00f5es e oferendas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o efetivas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A servi\u00e7o do diabo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.pucp.edu.pe\/profesor\/guillermo-salas-carreno\/\">Guillermo Salas Carre\u00f1o<\/a>, da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Peru (PUCP), defende que nos Andes as montanhas n\u00e3o deixaram de ser agentes intencionais, mas que seu significado est\u00e1 mudando. \u201cEu trabalhei nas menores comunidades rurais e elas s\u00e3o muito conscientes das mudan\u00e7as que ocorrem no clima, produzindo um sentimento de culpa na qual as colinas est\u00e3o as castigando por suas falhas morais e o descaso ritual\u201d, explica para <a href=\"http:\/\/eldiario.es\">elDiario.es<\/a>. \u201cH\u00e1 quem diga que nossos pecados cheiram t\u00e3o mal que o Senhor [as geleiras] foge durante a peregrina\u00e7\u00e3o, porque fedemos muito\u201d. Na sua opini\u00e3o, \u00e9 especialmente injusto que essa gente que vive em economias de subsist\u00eancia se culpe pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cEstamos diante do paradoxo de que eles est\u00e3o pagando mais caro pelas mudan\u00e7as e obviamente n\u00e3o t\u00eam a responsabilidade\u201d, enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um fato significativo em algumas regi\u00f5es, como explica Salar Carre\u00f1o, \u00e9 o percept\u00edvel aumento da influ\u00eancia das igrejas evang\u00e9licas e pentecostais. Isso deixa as antigas divindades de fora e abre caminho para uma interpreta\u00e7\u00e3o baseada nas escrituras. \u201cEssas mudan\u00e7as s\u00e3o vistas como castigo divino ou como parte da teleologia da Segunda Vinda e o Ju\u00edzo Final\u201d, explica o especialista. \u201cComo n\u00e3o s\u00e3o Deus, as geleiras e as montanhas s\u00e3o ent\u00e3o associadas com o diabo. E os convertidos costumam deixar de honrar as geleiras e as montanhas\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A deusa adoecida do Himalaia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No topo do mundo, no But\u00e3o, uma das consequ\u00eancias do aquecimento global \u00e9 que a met\u00e1fora da beleza divina est\u00e1 desmoronando. Os habitantes das terras altas do Himalaia descreviam anteriormente a montanha sagrada, Jomolhari, como uma deusa que vestia \u201cp\u00e9rolas reluzentes\u201d, em alus\u00e3o ao gelo e \u00e0 neve vista no cume. Agora, por\u00e9m, os pastores de iaques observam com pesar as \u201cmanchas pretas\u201d que aparecem na montanha \u00e0 medida que o gelo e a neve diminuem, sugerindo que ela \u201cparece adoecida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como nos casos anteriores, os habitantes das terras altas sinalizam um sentido de culpabilidade moral, preocupados de terem falhado ao seguir seus rituais e a cultura adequadamente, fazendo com que a deusa Jomolhari os abandonasse. Para Elizabeth Allison, o que ocorre \u00e9 uma perda de sentido de integra\u00e7\u00e3o e conex\u00e3o que as religi\u00f5es exerciam\u201d. \u201cAs percep\u00e7\u00f5es, as pr\u00e1ticas e as met\u00e1foras religiosas milenares nas comunidades de altitude est\u00e3o mudando \u00e0 medida que a paisagem f\u00edsica muda em dire\u00e7\u00e3o a um entorno ressecado e escuro\u201d, argumenta. \u201cMuitos desses rituais que est\u00e3o sendo abandonados protegiam a biodiversidade, e a sua desapari\u00e7\u00e3o contribui para que n\u00e3o se consiga mais deter essa degrada\u00e7\u00e3o\u201d, concorda Iv\u00e1n Lizaga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A ang\u00fastia pela perda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/portalrecerca.uab.cat\/es\/persons\/alvaro-fernandez-llamazares-onrubia\/\">\u00c1lvaro Fernandez-Llamazares<\/a>, especialista em etnobiologia da Universidade Aut\u00f4noma de Barcelona (ICTA-UAB), acredita que o referido artigo \u00e9 muito valioso porque mostra que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o apenas transformam paisagens f\u00edsicas, mas tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es espirituais que muitas comunidades mant\u00eam com essas paisagens. \u201cO retrocesso das geleiras afeta sistemas de cren\u00e7as, rituais e rela\u00e7\u00f5es de reciprocidade que durante s\u00e9culos regularam a conviv\u00eancia entre as pessoas e a natureza\u201d, ele salienta. Em seu trabalho com as comunidades ind\u00edgenas, ele p\u00f4de observar processos muito similares, frequentemente acompanhados do que se conhece como <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solastalgia\"><em>solastalgia<\/em><\/a>, uma sensa\u00e7\u00e3o de luto, ang\u00fastia e desorienta\u00e7\u00e3o que surge quando os lugares de pertencimento transformam-se ou desaparecem pela deteriora\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEntre os s\u00e2mi do norte da Fino-Escandin\u00e1via, a perda da neve est\u00e1vel e a crescente imprevisibilidade do gelo s\u00e3o vividas com uma sensa\u00e7\u00e3o enorme de perda\u201d, relata Fern\u00e1ndez-Llamazares. \u201cA paisagem para de responder como antes e se quebra a rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a constru\u00edda por gera\u00e7\u00f5es. Nas comunidades s\u00e2mi, essa mudan\u00e7a costuma ser expressa como um luto silencioso por um territ\u00f3rio que j\u00e1 n\u00e3o sustenta com a mesma intensidade a vida cultural e espiritual\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A necessidade de que as comunidades se impliquem na conversa\u00e7\u00e3o dos ecossistemas tem levado a ONU a patrocinar programas como o que ocorre nas montanhas do norte do Paquist\u00e3o, onde se busca recuperar cren\u00e7as locais como o <a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/sociedad\/casar-glaciares-tengan-hijos-himalaya-recupera-tradicion-ancestral-combatir-crisis-climatica_1_12172821.html\">\u201cmatrim\u00f4nio entre geleiras machos e f\u00eameas\u201d<\/a> para semear novas geleiras. <a href=\"https:\/\/www.bc3research.org\/es\/sergio_faria.html\">S\u00e9rgio Henrique Faria<\/a> e sua equipe do <a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/sociedad\/laboratorio-estudia-secretos-hielo-autopsia-clima-pasado_1_11684340.html\">Laborat\u00f3rio de Gelo<\/a> (IzotzaLab) do Basque Center For Climate Change (BC3), que investigaram este processo, acreditam que a an\u00e1lise desses seis pesquisadores \u00e9 uma oportunidade para refletir sobre a posi\u00e7\u00e3o dessas cren\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDurante os \u00faltimos s\u00e9culos, o pensamento acad\u00eamico e cient\u00edfico considerava as religi\u00f5es baseadas na natureza algo primitivo que deveria ser superado\u201d, aponta Faria. \u201cNo seu tempo, essa atitude foi crucial para combater os perigos do misticismo, mas tamb\u00e9m diminuiu o valor positivo das rela\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas com o ambiente que \u00e9 mencionado naquele artigo\u201d. Na sua opini\u00e3o, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas destacaram os perigos do distanciamento radical com o meio ambiente, ao que se acrescenta a rea\u00e7\u00e3o de certos grupos religiosos, que n\u00e3o aceitam a ideia de fazer parte da natureza e perder a suposta superioridade humana outorgada pelo Divino. \u201c\u00c9 hora de considerar essas novas amea\u00e7as\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">(Este texto foi originalmente publicado no <em>El Diario<\/em>, em 20 de fevereiro de 2026. Agradecemos encarecidamente ao autor por ceder os direitos da tradu\u00e7\u00e3o. Para ler o original, <a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/sociedad\/dioses-derriten-calentamiento-global-sacude-rituales-creencias-montanas-sagradas_1_13005361.html\">clique aqui<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o de Pedro Christoff.)<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"a720739d-57ef-4d96-8e79-6b0df15cf1e8\">Jornalista de ci\u00eancia e escritor. Trabalhou nos principais ve\u00edculos de imprensa em espanhol e recebeu o pr\u00eamio Ondas e o Concha Garc\u00eda Campoy. \u00c9 um dos fundadores da plataforma Naukas e do podcast <em>Cat\u00e1strofe Ultravioleta<\/em>. Autor, entre outros, do livro <em><a href=\"https:\/\/www.planetadelibros.com\/libro-el-ojo-desnudo\/343867\">El ojo desnudo<\/a><\/em>. <a href=\"#a720739d-57ef-4d96-8e79-6b0df15cf1e8-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 20 \u2013 julho de 2026.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aquecimento global abala as cren\u00e7as e rituais nas montanhas sagradas. Dos Andes ao Himalaia, o derretimento das geleiras est\u00e1 for\u00e7ando as culturas locais a modificar rituais milen\u00e1rios, produzindo desconex\u00e3o espiritual e sensa\u00e7\u00e3o de culpa frente \u00e0 desapari\u00e7\u00e3o das divindades de gelo<\/p>\n","protected":false},"author":81,"featured_media":1737,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Jornalista de ci\u00eancia e escritor. Trabalhou nos principais ve\u00edculos de imprensa em espanhol e recebeu o pr\u00eamio Ondas e o Concha Garc\u00eda Campoy. \u00c9 um dos fundadores da plataforma Naukas e do podcast <em>Cat\u00e1strofe Ultravioleta<\/em>. 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