{"id":1839,"date":"2026-10-12T20:17:10","date_gmt":"2026-10-12T23:17:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=1839"},"modified":"2026-10-12T20:17:10","modified_gmt":"2026-10-12T23:17:10","slug":"entrevista-com-laleh-khalili","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2026\/10\/12\/entrevista-com-laleh-khalili\/","title":{"rendered":"Entrevista com Laleh Khalili"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Guerra entre Ucr\u00e2nia e R\u00fassia; Trump invadindo a Venezuela e o Ir\u00e3; Israel dizimando a Palestina em um genoc\u00eddio. Tudo isso transmitido ao vivo pelas telas dos celulares. Estamos, ao que tudo indica, em uma fase aguda do colonialismo, que se soma ao dom\u00ednio das Big Techs sobre os estados e ao levante fascista ao redor do planeta. S\u00e3o tempos dif\u00edceis que escancaram a matriz extrativista do capitalismo, em que as mercadorias, o compadrio, o fisiologismo e as empresas de consultoria esquadrinham o planeta, promovendo a concentra\u00e7\u00e3o de riqueza nas m\u00e3os de poucos agentes do capital. Nada disso escapa ao olhar agu\u00e7ado de Laleh Khalili, engenheira qu\u00edmica, doutora em Ci\u00eancia Pol\u00edtica e professora da Universidade de Exeter, no Reino Unido. De origem iraniana, a Professora Khalili conhece em primeira m\u00e3o muitos dos efeitos do capitalismo extrativista que ajudou a moldar as rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e socioecon\u00f4micas do Oriente M\u00e9dio. Por\u00e9m, \u00e9 sua atividade acad\u00eamica que enriquece as vis\u00f5es e an\u00e1lises presentes nos ensaios que comp\u00f5em o livro <em>Extractive Capitalism<\/em>.<sup data-fn=\"24dea47d-b18d-4e25-b740-505ddcefa281\" class=\"fn\"><a href=\"#24dea47d-b18d-4e25-b740-505ddcefa281\" id=\"24dea47d-b18d-4e25-b740-505ddcefa281-link\">1<\/a><\/sup> O petr\u00f3leo, talvez a principal mercadoria que lubrificou as engrenagens do capitalismo a partir do s\u00e9culo XX, \u00e9 obviamente uma figura de destaque no livro. Por\u00e9m, outros produtos aparecem, como o guano e a areia, para evidenciar, uma vez mais, que a extra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria prima de ex-col\u00f4nias sob o pretexto do desenvolvimento desses pa\u00edses por meio da sua integra\u00e7\u00e3o ao mercado apenas propiciou uma maior hegemonia econ\u00f4mica das empresas do Norte Global. Lan\u00e7ando um olhar para os comerciantes, os empres\u00e1rios, os negociadores, os chefes de estado, os trabalhadores do mar e toda uma gama de agentes que fazem parte da estrutura global do capitalismo extrativista, Khalili leva o leitor aos meandros das atividades econ\u00f4micas, dos enriquecimentos repentinos e dos conluios pol\u00edticos decorrentes dessa estrutura econ\u00f4mica. Mais do que isso, ela mostra como a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos produtos, em especial o petr\u00f3leo, n\u00e3o significou a emancipa\u00e7\u00e3o das ex-col\u00f4nias, sen\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, contribuiu para inseri-las no mercado global de bens sob a \u00e9gide de empresas europeias e estadunidenses que extra\u00edram a riqueza desses pa\u00edses sem qualquer contrapartida. Em muitos casos, a porta-girat\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es entre governos e empresas propiciou, ainda, a emerg\u00eancia de firmas e personalidades nefastas que moldaram, por meio de sua atividade comercial, a estrutura global do extrativismo, fornecendo as condi\u00e7\u00f5es materiais da explora\u00e7\u00e3o capitalista. Nosso convite, t\u00e3o gentil e prontamente aceito pela Professora Khalili, de falar mais a respeito desses temas resultou na excelente entrevista que voc\u00ea acompanha abaixo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANTONIO BARROS: Seu livro n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma hist\u00f3ria do colonialismo. Ele na verdade exp\u00f5e como o capitalismo, atrav\u00e9s da integra\u00e7\u00e3o de interesses diversos, espoliou na\u00e7\u00f5es e povos para financiar o dom\u00ednio europeu e estadunidense. Considerando as muta\u00e7\u00f5es do capitalismo atual (a IA, a \u201cdescarboniza\u00e7\u00e3o\u201d pelas baterias, a invas\u00e3o da Venezuela), quais ser\u00e3o as novas faces do extrativismo nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LALEH KHALILI:<\/strong> Essa \u00e9 uma quest\u00e3o importante, mas em geral eu sou bem cautelosa com previs\u00f5es, principalmente porque transforma\u00e7\u00f5es podem acontecer de forma repentina e inesperada (revolu\u00e7\u00f5es de todo tipo s\u00e3o, no fim das contas, o motor da hist\u00f3ria). Minha sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que, no entanto, h\u00e1 mudan\u00e7as que parecem estar agindo em conjunto: a degrada\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar americano, o surgimento de novos regimes energ\u00e9ticos e a ascens\u00e3o da China como um competidor dos EUA (ao menos na esfera do capitalismo). Os EUA, contudo, continuam sendo a principal pot\u00eancia militar global, uma pot\u00eancia que est\u00e1 disposta a usar seu poderio sem restri\u00e7\u00f5es para apoiar n\u00e3o apenas os seus objetivos geopol\u00edticos, mas tamb\u00e9m seus objetivos econ\u00f4micos. Este, portanto, \u00e9 um per\u00edodo que Gramsci chamaria de uma \u00e9poca de \u201csintomas m\u00f3rbidos\u201d. A viol\u00eancia \u00e9 generalizada, o genoc\u00eddio \u00e9 normalizado, o mecanismo de produ\u00e7\u00e3o de consenso imperialista (ou seja, a ajuda, o direito internacional, a ordem internacional) \u00e9 desmantelado e a vida humana se torna barata. Certamente no hemisf\u00e9rio ocidental, mas, se os EUA fizerem as coisas do seu jeito, em qualquer outro lugar do mundo tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANTONIO BARROS: A nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo foi um elemento importante na reivindica\u00e7\u00e3o da soberania por parte das ex-col\u00f4nias europeias do Sul Global. Contudo, como voc\u00ea demonstra, isso n\u00e3o significou de fato a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica desses pa\u00edses. Como o capitalismo extrativista interveio nisso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LALEH KHALILI:<\/strong> Atualmente, estou obcecada com essa quest\u00e3o e espero desenvolver um projeto de pesquisa grande e abrangente sobre isso. Meu palpite \u00e9 que, depois que a nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo revelou a integra\u00e7\u00e3o vertical das empresas de petr\u00f3leo, resultando na transfer\u00eancia de enormes quantidades de riqueza (na forma de reservas de petr\u00f3leo) para as na\u00e7\u00f5es produtoras, surgiu toda uma s\u00e9rie de instrumentos e processos que permitiu aos EUA e \u00e0 Europa recuperar as suas perdas. Tudo, desde o com\u00e9rcio de mercadorias \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o de derivativos financeiros atrelados ao petr\u00f3leo, at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de petroqu\u00edmicos e pl\u00e1sticos de maior valor agregado, passando pela migra\u00e7\u00e3o em massa de pessoas a fim de assegurar uma reserva constante de desempregados, e assim por diante. Eu espero de fato mostrar na filigrana as conex\u00f5es entre essas coisas no meu pr\u00f3ximo grande projeto, lan\u00e7ando m\u00e3o de um imenso n\u00famero de arquivos multil\u00edngues e transnacionais, tanto de Estados quanto de empresas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANTONIO BARROS: Al\u00e9m do petr\u00f3leo, o seu livro trata de outras riquezas que foram extra\u00eddas e da qual pouca gente se d\u00e1 conta, como, por exemplo, a areia (para a constru\u00e7\u00e3o civil) e o guano (para a fertiliza\u00e7\u00e3o). Como o com\u00e9rcio mundial do petr\u00f3leo e de produtos desse tipo ajudou a definir a ordem global capitalista atual?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LALEH KHALILI:<\/strong> Para mim, extrativismo \u00e9 extrair da natureza aquilo que pode se tornar mercantiliz\u00e1vel, e no que estou particularmente interessada s\u00e3o as desigualdades globais em torno dessa extra\u00e7\u00e3o, o que Fernando Coronil chamou de explora\u00e7\u00e3o da Natureza do Terceiro Mundo, ou aquilo que aparece nas discuss\u00f5es de Polanyi sobre a mercantiliza\u00e7\u00e3o da natureza. A extra\u00e7\u00e3o desses elementos mercantiliz\u00e1veis b\u00e1sicos da natureza obviamente moldou as caracter\u00edsticas fundamentais da revolu\u00e7\u00e3o industrial, seguramente na Inglaterra e na Holanda, que n\u00e3o dispunham de todas as mercadorias prim\u00e1rias necess\u00e1rias para a produ\u00e7\u00e3o industrial (a Inglaterra tinha o carv\u00e3o e o estanho, mas era s\u00f3 isso praticamente). \u00c9 claro que esse extrativismo assumiu outras formas em economias distintas (os EUA tinham mercadorias prim\u00e1rias abundantes; o Vale do Ruhr na Alemanha era rico em carv\u00e3o e min\u00e9rio de ferro). Por\u00e9m, imp\u00e9rios ultramarinos frequentemente foram forjados na tentativa de extrair esses bens b\u00e1sicos de lugares al\u00e9m-mar, e o colonialismo visava facilitar esse processo de extra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANTONIO BARROS: Seu livro tamb\u00e9m aborda a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores dos navios que fazem o transporte de mercadorias no com\u00e9rcio mar\u00edtimo. Com isso, ele nos d\u00e1 uma outra dimens\u00e3o do extrativismo, que \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o do trabalho pelo capitalismo. Em quais outras atividades laborais podemos encontrar as marcas do capitalismo extrativista, hoje e no passado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LALEH KHALILI:<\/strong> \u00c9 claro que a explora\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 uma caracter\u00edstica presente em qualquer sistema socioecon\u00f4mico. Eu penso que o que diferencia o atual momento \u00e9 o grau de eros\u00e3o pelo qual passaram os direitos trabalhistas, conquistados ap\u00f3s a Segunda Guerra por meio da \u00e1rdua luta dos trabalhadores, e as concess\u00f5es do p\u00f3s-guerra feitas pelos capitalistas. Outra coisa distinta no trabalho mar\u00edtimo \u00e9 o quanto a economia do bico [<em>gig economy<\/em>] de hoje em dia lan\u00e7a m\u00e3o de inven\u00e7\u00f5es conceituais e processuais fundamentais no setor mar\u00edtimo a fim de explorar, impedir a organiza\u00e7\u00e3o trabalhista e manter em prontid\u00e3o mecanismos disciplinares que docilizam a for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANTONIO BARROS: Outras duas dimens\u00f5es reveladas pelo seu livro s\u00e3o a porta-girat\u00f3ria \u2013 os agentes estatais que se integram \u00e0s empresas privadas que exploram os pa\u00edses perif\u00e9ricos \u2013 e as empresas de consultoria \u2013 respons\u00e1veis por implementar as estruturas de espolia\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses explorados. Como se d\u00e1 essa simbiose entre Estado e capital privado nas novas fronteiras da coloniza\u00e7\u00e3o? A Palestina pode ser citada como um exemplo disso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LALEH KHALILI:<\/strong> Empresas de consultoria e outras empresas de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o s\u00e3o basicamente os ve\u00edculos de transforma\u00e7\u00e3o das normas globais de acumula\u00e7\u00e3o em um sistema mais reconhec\u00edvel e explor\u00e1vel pelas grandes economias. \u00c9 por isso que n\u00e3o surpreende o fato de que muitas dessas empresas t\u00eam suas origens em pa\u00edses do Atl\u00e2ntico Norte. Basicamente, essas empresas pegam as pol\u00edticas concebidas em um determinado lugar e as modulam para serem aplicadas em outro. Elas tamb\u00e9m s\u00e3o um ve\u00edculo para que empresas, organiza\u00e7\u00f5es e Estados possam se envolver em a\u00e7\u00f5es prejudiciais a seus pr\u00f3prios trabalhadores, cidad\u00e3os e membros, enquanto alegam nega\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Palestina \u00e9 um caso especial. Trata-se de uma col\u00f4nia de povoamento que serviu de laborat\u00f3rio n\u00e3o apenas de contrainsurg\u00eancia violenta, vigil\u00e2ncia e repress\u00e3o, mas tamb\u00e9m de humanitarismo liberal e governan\u00e7a colonial. Muitas das empresas de consultoria de gest\u00e3o que operam em Israel e na Palestina atuam n\u00e3o somente para aproximar o Estado de Israel da Europa e da Am\u00e9rica do Norte \u2013 entrela\u00e7ando-o em suas economias, seus sistemas de educa\u00e7\u00e3o e sua vida social \u2013, mas tamb\u00e9m se engajam em projetar sistemas cada vez mais desumanos de opress\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o, notadamente o terr\u00edvel Conselho de Paz de Gaza, que \u00e9 basicamente um instrumento de expropria\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro que Israel n\u00e3o necessita de empresas de consultoria de gest\u00e3o para se envolver em um apartheid ou um genoc\u00eddio, mas elas d\u00e3o um verniz de respeitabilidade e profissionalismo ao colonialismo que, nas palavras de Frantz Fanon, \u201cn\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1quina pensante, nem um corpo dotado de faculdades racionais. \u00c9 a viol\u00eancia em seu estado natural\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANTONIO BARROS: Pensando, novamente, na pol\u00edtica trumpista para a Venezuela e o Ir\u00e3: o Brasil \u00e9 um dos maiores detentores de terras raras do mundo e, al\u00e9m disso, continua abrindo po\u00e7os de petr\u00f3leo na foz do Amazonas. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, que riscos o capitalismo extrativista oferece para um pa\u00eds como o Brasil hoje em dia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LALEH KHALILI:<\/strong> Possuir qualquer tipo de recurso natural em um mundo governado por imp\u00e9rios gananciosos como s\u00e3o os EUA \u00e9 sempre um risco. O que me parece claro, no entanto, \u00e9 que qualquer demonstra\u00e7\u00e3o falsa de civilidade e diplomacia foi abandonada pelo governo Trump, que descaradamente afirmou seu compromisso com a Doutrina Monroe e com uma viol\u00eancia virulenta em favor do predom\u00ednio da economia dos EUA. Isso se traduz, na Am\u00e9rica Latina, em interven\u00e7\u00e3o (secreta ou n\u00e3o) nos processos pol\u00edticos, seja no apoio a oficiais militares, monstros do sistema carcer\u00e1rio ou candidatos fascistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"24dea47d-b18d-4e25-b740-505ddcefa281\"><a href=\"https:\/\/www.versobooks.com\/products\/3405-extractive-capitalism?srsltid=AU7gw4UpIQg-JuJNECWDx5O8ktvMErTSxaGDqjaKF7-zc62vJuVg8sva\">KHALILI, Laleh. <em>Extractive Capitalism<\/em>. How Commodities and Cronyism Drive the Global Economy. Londres; Nova York: Verso, 2025<\/a>. <a href=\"#24dea47d-b18d-4e25-b740-505ddcefa281-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 23 \u2013 outubro de 2026.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um contexto em que o capitalismo extrativista entra em nova fase, a pesquisadora iraniana Laleh Khalili nos mostra as engrenagens desse sistema nesta entrevista<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1841,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"<a href=\\\"https:\/\/www.versobooks.com\/products\/3405-extractive-capitalism?srsltid=AU7gw4UpIQg-JuJNECWDx5O8ktvMErTSxaGDqjaKF7-zc62vJuVg8sva\\\">KHALILI, Laleh. <em>Extractive Capitalism<\/em>. 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