{"id":321,"date":"2025-02-11T19:31:45","date_gmt":"2025-02-11T22:31:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=321"},"modified":"2025-03-09T13:24:24","modified_gmt":"2025-03-09T16:24:24","slug":"a-arte-e-uma-mercadoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2025\/02\/11\/a-arte-e-uma-mercadoria\/","title":{"rendered":"A Arte \u00e9 uma Mercadoria?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Leigh Claire La Berge<sup data-fn=\"75b3ef87-f7ef-4c63-bc26-d4eada466e26\" class=\"fn\"><a href=\"#75b3ef87-f7ef-4c63-bc26-d4eada466e26\" id=\"75b3ef87-f7ef-4c63-bc26-d4eada466e26-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote has-text-align-right has-small-font-size\"><blockquote><p><em>\u201cTipo a primeira vez que eu pensei sobre [arte e trabalho] na verdade provavelmente aconteceu em uma loja da Old Navy, onde eu estava comprando um dia, e eu pensei \u2018poxa, n\u00e3o seria legal se todas essas roupas fossem feitas \u00e0 m\u00e3o\u2019, e ent\u00e3o eu tive tipo uma surpresa. Todas essas roupas s\u00e3o feitas \u00e0 m\u00e3o, s\u00f3 que s\u00e3o m\u00e3os que eu n\u00e3o vejo. E eu pensei \u2018ah, OK\u2019. E ent\u00e3o eu comecei a pensar em todas as m\u00e3os que passaram pelas minhas roupas, e foi tipo engra\u00e7ado e meio desconcertante, mas tamb\u00e9m fant\u00e1stico, e foi o que me levou a fazer esse trabalho.\u201d <\/em><br>Zo\u00eb Sheehan Salda\u00f1a<sup data-fn=\"043ff520-fb06-4f6b-892d-7f2869d72286\" class=\"fn\"><a href=\"#043ff520-fb06-4f6b-892d-7f2869d72286\" id=\"043ff520-fb06-4f6b-892d-7f2869d72286-link\">2<\/a><\/sup><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A arte \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 uma mercadoria? A repeti\u00e7\u00e3o dessa pergunta estrutura muito do repert\u00f3rio filos\u00f3fico da arte em sua rela\u00e7\u00e3o com a economia. E, assim como a maioria das grandes perguntas, a possibilidade de se gerar conhecimento a partir dela n\u00e3o reside em respond\u00ea-la, mas sim em entender como a pr\u00f3pria incapacidade de respond\u00ea-la \u00e9 a base do conhecimento que os autores deste livro buscam. De fato, antes que se possa explorar essa pergunta \u00e9 preciso explorar muitas outras, e, ao faz\u00ea-lo, chegaremos a defini\u00e7\u00f5es fundamentais para este livro. O que <em>\u00e9<\/em> uma mercadoria? O que <em>\u00e9<\/em> trabalho? Como cada um desses termos, t\u00e3o basilares para a tradi\u00e7\u00e3o da economia pol\u00edtica, se relacionam com a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e cultural, e por qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para come\u00e7ar, ent\u00e3o, o que \u00e9 uma mercadoria? Procure ao redor, pegue o primeiro objeto que voc\u00ea vir. O que \u00e9? Uma caneta? Uma caneca? Uma cadeira? Seu computador ou sua mochila? Voc\u00ea provavelmente escolheu uma mercadoria. Uma mercadoria \u00e9 uma coisa comum, uma coisa exterior a n\u00f3s e uma coisa cuja apar\u00eancia \u00e9 enganosa. Marx utiliza a linguagem do olhar, primeira vista e impress\u00f5es estranhas para introduzir o que ele chama de forma mercadoria. Ele explica que \u201ca mercadoria \u00e9, antes de tudo, um objeto externo, uma coisa que, por meio de suas propriedades, satisfaz necessidades humanas de um tipo qualquer. A natureza dessas necessidades \u2013 se, por exemplo, elas prov\u00eam do est\u00f4mago ou da imagina\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o altera em nada a quest\u00e3o\u201d. E, mais conhecidamente, para Marx, \u201cuma mercadoria aparenta ser, \u00e0 primeira vista, uma coisa \u00f3bvia, trivial. Mas sua an\u00e1lise a revela como uma coisa muito intrincada [&#8230;]\u201d.<sup data-fn=\"c02ccc02-a631-4f05-93d9-c6432c4145e1\" class=\"fn\"><a href=\"#c02ccc02-a631-4f05-93d9-c6432c4145e1\" id=\"c02ccc02-a631-4f05-93d9-c6432c4145e1-link\">3<\/a><\/sup> Em pouco tempo, a armadura da mercadoria vai desfiar e desenrolar. Sua simplicidade e f\u00e1cil compreens\u00e3o se transformar\u00e3o naquilo que Marx chama de \u201csutilezas metaf\u00edsicas e caprichos teol\u00f3gicos\u201d cujas interpreta\u00e7\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica se tornar\u00e3o a condi\u00e7\u00e3o essencial do capitalismo. Central para as suas sutilezas \u00e9 o fato de que, enquanto qualquer coisa pode tomar a forma de uma mercadoria, apenas a a\u00e7\u00e3o pode gerar o valor que encontramos nela: o disp\u00eandio da for\u00e7a de trabalho humana. Se voc\u00ea voltar ao objeto que voc\u00ea escolheu, voc\u00ea consegue se lembrar do momento em que ele entrou em sua vida, a venda. Marx insiste, entretanto, que a venda da mercadoria n\u00e3o \u00e9 o seu come\u00e7o, mas, antes, a venda \u00e9 somente um longo momento da exist\u00eancia da mercadoria. Vou escrever mais sobre isso a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao descrever o capitalismo, Marx sugere que ele se parece com uma imensa cole\u00e7\u00e3o de mercadorias. Ainda assim, para um objeto existir como mercadoria, algumas condi\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser satisfeitas: primeiramente, uma mercadoria \u00e9 feita pelo trabalho assalariado; em segundo lugar, ela \u00e9 vendida no mercado. O trabalho assalariado refere-se \u00e0 venda do tempo de algu\u00e9m para outra pessoa; o mercado refere-se ao tempo-espa\u00e7o fora de n\u00f3s, um lugar semip\u00fablico onde outra pessoa pode comprar nossos produtos, ou, de fato, nos comprar, uma vez que a rubrica \u201cfeito pelo trabalho assalariado e vendido no mercado\u201d, sobretudo, descreve o pr\u00f3prio trabalhador. Os trabalhadores s\u00e3o feitos pela sua pr\u00f3pria for\u00e7a de trabalho, uma proposi\u00e7\u00e3o totalmente expressa pelos primeiros te\u00f3ricos do contrato social, que alegavam que cada pessoa (com as usuais proibi\u00e7\u00f5es de ra\u00e7a e g\u00eanero) tem a propriedade do pr\u00f3prio corpo por conta do seu trabalho.<sup data-fn=\"5db1de40-0bb9-4800-b99d-4c7747edd9e4\" class=\"fn\"><a href=\"#5db1de40-0bb9-4800-b99d-4c7747edd9e4\" id=\"5db1de40-0bb9-4800-b99d-4c7747edd9e4-link\">4<\/a><\/sup> E o trabalhador feito por si mesmo constitui a mercadoria essencial da for\u00e7a de trabalho que ele possui e que ser\u00e1 vendida no mercado. Esse fato faz com que o trabalho seja nossa mercadoria mais caracter\u00edstica, porque, diferentemente de um carro ou um sof\u00e1, o trabalho se regenera diariamente ao longo da vida do trabalhador, comumente atrav\u00e9s do trabalho de cuidado das mulheres e de sujeitos racializados e colonizados. O trabalhador tem que sair do trabalho, comer, dormir, se vestir e se manter saud\u00e1vel \u2013 tudo isso sem pagamento \u2013, e ele o faz a fim de ser capaz de se apresentar no trabalho de novo no dia seguinte. Ele tem que se reproduzir como trabalhador. E isso faz parte do longo momento da exist\u00eancia da mercadoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Marx, a singularidade do capitalismo se encontra no fato de que todos t\u00eam que vender seu trabalho como mercadoria para algu\u00e9m. Essa cont\u00ednua troca global da for\u00e7a de trabalho gera o mundo social da modernidade no qual estamos todos conectados localmente, nacionalmente e mundialmente atrav\u00e9s do nosso com\u00e9rcio. \u00c9 um mundo em que todas as coisas, servi\u00e7os e a\u00e7\u00f5es podem ser e ser\u00e3o mercantilizadas ou compradas por algu\u00e9m que pagou pelo direito sobre o nosso trabalho por uma certa quantia de tempo. Neste livro, quando os autores falam de mercadoria, eles pretendem enfatizar o trabalho humano. Ainda assim, mesmo que isso venha a definir nossas vidas, a venda da for\u00e7a de trabalho produz um falso reconhecimento b\u00e1sico; a saber, o valor das mercadorias parece estar localizado nas coisas, e n\u00e3o no trabalho das pessoas que as produziram. Marx observa que tal cen\u00e1rio gera um mundo governado pelas \u201crela\u00e7\u00f5es reificadas entre pessoas e rela\u00e7\u00f5es sociais entre coisas\u201d.<sup data-fn=\"e4854150-f1bd-479f-b749-aaf3af0be7e3\" class=\"fn\"><a href=\"#e4854150-f1bd-479f-b749-aaf3af0be7e3\" id=\"e4854150-f1bd-479f-b749-aaf3af0be7e3-link\">5<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vis\u00e3o de mundo como essa pode parecer totalizante \u2013 e \u00e9. Mesmo assim, na hist\u00f3ria da teoria cr\u00edtica, uma exce\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e t\u00eanue a esse regime foi continuamente observada e retomada: a ampla esfera da produ\u00e7\u00e3o e da rea\u00e7\u00e3o aos est\u00edmulos naturais e art\u00edsticos conhecida como \u201ca est\u00e9tica\u201d.<sup data-fn=\"b0a5f34c-003f-4b93-aa9a-5ba1db484072\" class=\"fn\"><a href=\"#b0a5f34c-003f-4b93-aa9a-5ba1db484072\" id=\"b0a5f34c-003f-4b93-aa9a-5ba1db484072-link\">6<\/a><\/sup> Simult\u00e2nea \u00e0 emergente realidade capitalista do s\u00e9culo XVIII, na qual todos os produtos e servi\u00e7os, incluindo algumas pessoas e a maioria das propriedades, poderiam ser vendidos, a categoria da est\u00e9tica surgiu para contornar as rela\u00e7\u00f5es mercantis. \u201cNuma not\u00e1vel ironia hist\u00f3rica\u201d, o te\u00f3rico cr\u00edtico Terry Eagleton escreve, \u201co nascimento da est\u00e9tica como discurso intelectual coincide com o per\u00edodo em que a produ\u00e7\u00e3o cultural est\u00e1 come\u00e7ando a sofrer as mis\u00e9rias e indignidades de sua transforma\u00e7\u00e3o em produ\u00e7\u00e3o de mercadorias\u201d.<sup data-fn=\"421f117e-a140-4e95-8f81-41f125bf6011\" class=\"fn\"><a href=\"#421f117e-a140-4e95-8f81-41f125bf6011\" id=\"421f117e-a140-4e95-8f81-41f125bf6011-link\">7<\/a><\/sup> Tratamos uma caneta de um modo diferente de como tratamos uma obra de arte, ainda que ambas sejam mercadorias, ambas sejam feitas pelo trabalho assalariado e vendidas no mercado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00e9, portanto, a tens\u00e3o central deste livro e a da vida de muitos artistas. Para se ter acesso ao tempo e ao espa\u00e7o para se fazer arte, aquela que <em>parece<\/em> residir fora das rela\u00e7\u00f5es sociais mercantilizadas, \u00e9 necess\u00e1rio o dinheiro, acima de tudo. Para se conseguir isso, \u00e9 preciso vender o pr\u00f3prio trabalho; \u00e9 preciso existir dentro do e para o mercado. Ap\u00f3s uma venda bem sucedida do pr\u00f3prio trabalho, sob a forma de um sal\u00e1rio por uma jornada de trabalho, \u00e9 necess\u00e1rio se ter tempo para <em>n\u00e3o<\/em> trabalhar \u2013 na verdade, \u00e9 preciso ter tempo para se fazer arte. Por exemplo, depois de vender o trabalho como empregado, \u00e9 preciso se ter tempo para tirar um dia de folga e fazer arte. A est\u00e9tica, como categoria filos\u00f3fica da qual a arte participa, \u00e9 tanto constitu\u00edda por, quanto oposta ao mundo do trabalho assalariado. Alguns artistas podem ser remunerados em algum momento por suas obras ou pelo trabalho de fazer arte, mas esses momentos espec\u00edficos em que o dinheiro troca de m\u00e3os n\u00e3o mitigam a tens\u00e3o categ\u00f3rica. Os artistas vivem nessa tens\u00e3o e a representam em suas obras; eles falam e escrevem sobre isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Basta pensar em todos os artistas que tentaram chocar o mundo art\u00edstico insistindo que a venda de arte \u00e9 uma venda como qualquer outra: Marcel Duchamp, que criou um cheque fraudulento para seu dentista, <em>Tzanck Check <\/em>(1919); David Hammons, que vendeu bolas de neve em <em>Bliz-aard Ball Sale<\/em> (1983); Mel Chin, que pede para os participantes criarem interpreta\u00e7\u00f5es desenhadas \u00e0 m\u00e3o de c\u00e9dulas de US$ 100 em <em>Operation Paydirect<\/em> (2006-presente); David Avalos, Louis Hock e Elizabeth Sisco, que no SITE Santa Fe doaram o subs\u00eddio de US$ 5.000 concedido pelo Fundo Nacional Para as Artes, distribuindo notas de US$ 10 para trabalhadores imigrantes reunidos em um espa\u00e7o para diaristas em <em>Sem T\u00edtulo<\/em> (1989); Andrea Fraser, que se tornou uma trabalhadora do sexo para seu projeto, <em>Sem T\u00edtulo <\/em>(2003); e Cesare Pietroiusti, que recobriu uma parede com 3.000 notas de um e de cinco d\u00f3lares, previamente tratadas com \u00e1cido sulf\u00farico e carimbadas no verso em <em>Sem T\u00edtulo<\/em> (2008). E h\u00e1 muitos outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da mesma forma, basta pensar em todos os artistas que rejeitaram o caminho da mercantiliza\u00e7\u00e3o. <em>Espere, voc\u00ea consegue lembrar deles?<\/em> Artistas que doam todo o seu trabalho de gra\u00e7a t\u00eam que vender o seu trabalho em outro lugar. Os artistas que ensinam vendem o seu trabalho como educadores. Projetos acad\u00eamicos, como este livro, fazem parte dos requisitos de trabalho para promo\u00e7\u00e3o e estabilidade acad\u00eamica. Essa situa\u00e7\u00e3o tem sua pr\u00f3pria ironia. O fato de o artista ser conhecido, circular e ter pessoas vendo, lembrando e comentando a sua arte, provavelmente faz com que a pr\u00f3pria arte (ou a pr\u00f3pria identidade) seja mercantilizada. E depois existem aqueles artistas cujas carreiras s\u00e3o aparentemente dedicadas a jocosamente ocupar o espa\u00e7o entre essas duas coisas. Tino Seghal tem performances supostamente n\u00e3o-mercantiliz\u00e1veis, mas ainda assim elas foram avidamente consumidas por museus e colecionadores. N\u00e3o h\u00e1 um objeto a ser comprado; um objeto a ser possu\u00eddo; ele n\u00e3o assinar\u00e1 um contrato de venda, e confia em elaborados acordos verbais entre os advogados para vender sua obra. E, mesmo assim, a arte dele vende. Quando perguntado sobre a obra de Seghal, Jannis Kounellis, um pintor de uma antiga gera\u00e7\u00e3o do movimento <em>arte povera<\/em>, ofereceu como resposta: \u201cSempre existiu algu\u00e9m para comprar algo. N\u00e3o h\u00e1 nada de novo nisso. O desafio \u00e9 permanecer dial\u00e9tico\u201d.<sup data-fn=\"72e4ea9e-1c00-42f2-abae-0fef564e0dc9\" class=\"fn\"><a href=\"#72e4ea9e-1c00-42f2-abae-0fef564e0dc9\" id=\"72e4ea9e-1c00-42f2-abae-0fef564e0dc9-link\">8<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora as salas de aulas de arte contempor\u00e2nea se sintam confort\u00e1veis em rejeitar uma rela\u00e7\u00e3o com as mercadorias ou o capitalismo, e, de fato, embora muitos artistas tenham um vi\u00e9s antimercantilista ao descrever suas pr\u00f3prias pr\u00e1ticas, tal descri\u00e7\u00e3o ocorre majoritariamente em um n\u00edvel ret\u00f3rico. Os autores deste livro buscam sair do ret\u00f3rico para o material e tornar dispon\u00edveis outras formas de rela\u00e7\u00e3o entre estudante e obra de arte, estudante e estudante, estudante e professor, e assim por diante, proporcionando um livro de exemplos e de atividades pensadas para real\u00e7ar modos interdependentes de presen\u00e7a na sala de aula de est\u00fadio de arte. Atuando assim, os autores encontram uma s\u00e9rie de contradi\u00e7\u00f5es generativas, incluindo o fato de que a maioria do ensino de arte acontece na universidade, e as pr\u00f3prias universidades se tornaram mais um lugar para a produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o desigual de riqueza. Mas, novamente, o objetivo de se localizar uma quest\u00e3o ou uma contradi\u00e7\u00e3o verdadeiras n\u00e3o \u00e9 resolv\u00ea-las, mas sim entender como e por que elas existem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desafio deste livro \u00e9 tornar o ensino de arte dial\u00e9tico ou ciente das contradi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, irresol\u00faveis, que refor\u00e7am a exist\u00eancia do ensino de arte no s\u00e9culo XXI. Muitas dessas tens\u00f5es \u2013 que \u00e9 preciso pagar pela educa\u00e7\u00e3o, que a maioria das obras nunca ser\u00e1 vendida, que o ensino de arte tem sido um campo em desenvolvimento desde os anos 1950 e mesmo assim h\u00e1 poucos empregos hoje em dia \u2013 s\u00e3o deriva\u00e7\u00f5es das quest\u00f5es filos\u00f3ficas sobre a arte que ocuparam os te\u00f3ricos cr\u00edticos por muito tempo. Para Theodor Adorno, a arte \u00e9 conhecida por seu \u201ccar\u00e1ter amb\u00edguo enquanto aut\u00f4noma e como <em>fait social<\/em>\u201d.<sup data-fn=\"6441dc12-c63e-4d94-8d8c-682c1889f9d7\" class=\"fn\"><a href=\"#6441dc12-c63e-4d94-8d8c-682c1889f9d7\" id=\"6441dc12-c63e-4d94-8d8c-682c1889f9d7-link\">9<\/a><\/sup> A principal alega\u00e7\u00e3o de Adorno \u00e9 a de que, apesar de haver uma tens\u00e3o entre a autonomia da arte e o seu estatuto de mercadoria, ambos necessitam um do outro e podem expressar um ao outro. Ao ser aparentemente independente do mundo das mercadorias \u2013 aut\u00f4noma \u2013, a arte pode representar esse mundo, ela pode se colocar como um \u201cfato social\u201d. Jacques Ranci\u00e8re mostra essa mesma tens\u00e3o mediante a linguagem da hist\u00f3ria da arte: \u201cA mistura de arte e mercadoria n\u00e3o \u00e9 uma descoberta dos anos 1960&#8230; t\u00e3o logo a arte foi constitu\u00edda como uma esfera espec\u00edfica da exist\u00eancia, no come\u00e7o do s\u00e9culo XIX, seus produtores come\u00e7aram a p\u00f4r em quest\u00e3o a trivialidade da reprodu\u00e7\u00e3o, do com\u00e9rcio e da mercadoria [e], t\u00e3o logo eles o fizeram, as pr\u00f3prias mercadorias come\u00e7aram a seguir em dire\u00e7\u00f5es opostas \u2013 a entrar no \u00e2mbito da arte\u201d.<sup data-fn=\"be775880-cd4e-473b-a8c1-3c691f0dde5b\" class=\"fn\"><a href=\"#be775880-cd4e-473b-a8c1-3c691f0dde5b\" id=\"be775880-cd4e-473b-a8c1-3c691f0dde5b-link\">10<\/a><\/sup> O te\u00f3rico da m\u00fasica Jacques Attali \u00e9 talvez ainda mais sucinto: \u201cO artista nasceu na mesma hora em que a sua obra foi \u00e0 venda\u201d.<sup data-fn=\"c950cf53-5d75-4fcf-b3cd-5db6467be7ba\" class=\"fn\"><a href=\"#c950cf53-5d75-4fcf-b3cd-5db6467be7ba\" id=\"c950cf53-5d75-4fcf-b3cd-5db6467be7ba-link\">11<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A arte <em>\u00e9<\/em> uma mercadoria, ent\u00e3o? E, se ela \u00e9 uma mercadoria, ela \u00e9 do mesmo tipo de um carro ou uma camiseta? Se ela n\u00e3o \u00e9 uma mercadoria, ent\u00e3o por que n\u00e3o? Esse tipo de tens\u00e3o generativa interna n\u00e3o apenas delimita muitas discuss\u00f5es sobre a arte, como tamb\u00e9m, no relato de Boris Groys, tornou-se a defini\u00e7\u00e3o do que <em>\u00e9<\/em> a arte contempor\u00e2nea. A quest\u00e3o foi incorporada na pr\u00f3pria obra de arte por meio dessa alega\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica: a arte \u00e9 uma mercadoria? Sim. Ela deveria ser? N\u00e3o. Portanto, a obra de arte se tornar\u00e1 uma mercadoria que \u00e9 autocr\u00edtica de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia como mercadoria; ela \u00e9 uma mercadoria que gostaria de n\u00e3o o ser. Groys usa essa oposi\u00e7\u00e3o para construir o termo \u201cobjeto-paradoxo\u201d: \u201cser um objeto-paradoxo \u00e9 exig\u00eancia normativa impl\u00edcita na execu\u00e7\u00e3o de qualquer obra de arte contempor\u00e2nea\u201d, ele afirma.<sup data-fn=\"073784be-7b3d-4644-9aa6-eb2815c63298\" class=\"fn\"><a href=\"#073784be-7b3d-4644-9aa6-eb2815c63298\" id=\"073784be-7b3d-4644-9aa6-eb2815c63298-link\">12<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora as tens\u00f5es entre a arte e o trabalho comoditizado est\u00e3o tanto filosoficamente quanto historicamente enraizadas, elas assumem formas espec\u00edficas em distintos momentos hist\u00f3ricos: \u00e0s vezes a dist\u00e2ncia \u00e9 maior; outras vezes uma intimidade se produz. Dos dada\u00edstas aos situacionistas, dos construtivistas ao Fluxus, a vanguarda por muito tempo recusou a distin\u00e7\u00e3o entre as categorias da arte e do trabalho, argumentando que a pr\u00f3pria separa\u00e7\u00e3o categorial ainda \u00e9 uma outra forma de pris\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o propriet\u00e1ria. A instru\u00e7\u00e3o de \u201cabandonar sua investiga\u00e7\u00e3o sobre a arte como modo de produ\u00e7\u00e3o e adentrar o \u00e2mbito da pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o\u201d, dada pelos construtivistas aos artistas, \u00e9 talvez a confronta\u00e7\u00e3o mais direta com essa separa\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 outras.<sup data-fn=\"92a79123-7d8b-4721-b882-f395a4f3a621\" class=\"fn\"><a href=\"#92a79123-7d8b-4721-b882-f395a4f3a621\" id=\"92a79123-7d8b-4721-b882-f395a4f3a621-link\">13<\/a><\/sup> Pensemos nos situacionistas encenando a\u00e7\u00f5es a caminho do trabalho, a designa\u00e7\u00e3o duchampiana das mercadorias produzidas em massa como objetos de arte \u201c<em>readymade<\/em>\u201d, as vendas do Fluxus ou ado\u00e7\u00e3o por parte de Andy Warhol de uma terminologia de produ\u00e7\u00e3o em seu est\u00fadio: era A F\u00e1brica. Acrescentaria a isso as performances baseadas em tarefas da dan\u00e7arina Yvonne Rainer e o \u201crealismo capitalista\u201d do pintor Gerhard Richter \u2013 cada um deles remetendo a como a arte incorpora o trabalho na arte para que a arte possa criticar o trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size wp-block-paragraph\">Hoje em dia, \u00e9 claro, existe um novo modo de produ\u00e7\u00e3o que, de novo, apresenta essa quest\u00e3o: pr\u00e1tica social ou arte socialmente engajada. Como eu demonstrei em meu livro mais recente, <em>Wages Against Artwork: Decommodified Labor and the Claims of Socially Engaged Art<\/em>, esse modo de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica deveria ser entendido como essencialmente preocupado com a quest\u00e3o do trabalho.<sup data-fn=\"5b96d289-b321-4059-9ac5-f1bfdfdc4216\" class=\"fn\"><a href=\"#5b96d289-b321-4059-9ac5-f1bfdfdc4216\" id=\"5b96d289-b321-4059-9ac5-f1bfdfdc4216-link\">14<\/a><\/sup> E certamente a necessidade de tratar de como o trabalho dos artistas foi transformado n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma parte da pr\u00e1tica art\u00edstica, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma parte do campo expandido do ativismo da arte. Pensemos na Art Workers Coalition (Coaliz\u00e3o dos Trabalhadores de Arte), ativa nos anos 1960 e 1970, que insistia que uma obra de arte \u00e9 feita por um <em>oper\u00e1rio da arte<\/em>;<sup data-fn=\"961407d1-8752-4323-a2f5-df01e580338e\" class=\"fn\"><a href=\"#961407d1-8752-4323-a2f5-df01e580338e\" id=\"961407d1-8752-4323-a2f5-df01e580338e-link\">15<\/a><\/sup> ou no grupo ativista que foi criado no Occupy Wall Street, \u201cArts &amp; Labor\u201d (\u201cArte &amp; Trabalho\u201d); ou na organiza\u00e7\u00e3o de artes contempor\u00e2neas W.A.G.E (Working Artists for a Greater Economy),<sup data-fn=\"436ddae1-77c7-4a13-9afe-25465ad104f6\" class=\"fn\"><a href=\"#436ddae1-77c7-4a13-9afe-25465ad104f6\" id=\"436ddae1-77c7-4a13-9afe-25465ad104f6-link\">16<\/a><\/sup> que tenta integrar os artistas ao movimento para a economia solid\u00e1ria.<sup data-fn=\"abfbcbf5-9c44-4e8d-94ce-3f30d7bfeb56\" class=\"fn\"><a href=\"#abfbcbf5-9c44-4e8d-94ce-3f30d7bfeb56\" id=\"abfbcbf5-9c44-4e8d-94ce-3f30d7bfeb56-link\">17<\/a><\/sup> Hist\u00f3ria econ\u00f4mica, teoria cr\u00edtica, hist\u00f3ria e cr\u00edtica da arte e sem d\u00favida os pr\u00f3prios praticantes da arte sugerem que uma mudan\u00e7a na valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho \u2013 quanto se ganha pelo trabalho e pela obra de arte \u2013 proporciona um muito desejado espa\u00e7o para o desenvolvimento da compreens\u00e3o contempor\u00e2nea da categoria da arte em si mesma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores deste livro o escreveram porque eles acreditam que esse espec\u00edfico momento material e filos\u00f3fico da pr\u00e1tica art\u00edstica pede uma nova pedagogia da produ\u00e7\u00e3o, da circula\u00e7\u00e3o e da distribui\u00e7\u00e3o art\u00edsticas, uma que d\u00ea conta no nosso presente capitalista. Enquanto muitos artistas que trabalham com economia pol\u00edtica s\u00e3o tanto seduzidos por fazer obras de arte que dizem \u201cA-h\u00e1! \u00c9 o capitalismo trabalhando\u201d, quanto se sentem atra\u00eddos a oferecer uma endecha moral sobre \u201co qu\u00e3o terr\u00edvel \u00e9 o nosso momento neoliberal\u201d, neste livro os autores querem se haver precisamente com as mesmas contradi\u00e7\u00f5es que acabamos de entender: a saber, o papel da arte em mitigar a diferen\u00e7a entre a nossa realidade vivida e os nossos desejos coletivos por uma igualdade pol\u00edtica e econ\u00f4mica. Ao abordar essas contradi\u00e7\u00f5es, muito mais do que conden\u00e1-las ou celebr\u00e1-las, os autores podem cavoucar uma pedagogia art\u00edstica que reflita suas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. Nessa atividade e nessa pr\u00e1tica de menor escala, os autores acreditam que alguma transforma\u00e7\u00e3o possa ocorrer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como os autores pensam a respeito da arte e da justi\u00e7a econ\u00f4mica? Ao longo do livro, eles se inspiram na injun\u00e7\u00e3o de Marx de se aventurar na \u201cmorada oculta da produ\u00e7\u00e3o\u201d. Mas, ao passo que para Marx a abertura dessa porta leva ao entendimento do capitalismo em sua totalidade, para os autores h\u00e1 a esperan\u00e7a de transformar essa instru\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o em um m\u00e9todo de ensino de arte. Que for\u00e7as est\u00e3o por tr\u00e1s da produ\u00e7\u00e3o do estudante de arte, do professor de arte? Que for\u00e7as organizam as aulas de arte e, com isso, os objetos produzidos nelas, ou seja, as obras dos estudantes de arte? Como elas surgem, permanecem e v\u00e3o embora? A partir da longa hist\u00f3ria da teoria cr\u00edtica economicamente orientada, os autores entendem que por tr\u00e1s de qualquer objeto existe um sistema de extra\u00e7\u00e3o, de produ\u00e7\u00e3o e de circula\u00e7\u00e3o cujas hist\u00f3rias s\u00e3o escondidas no momento em que o objeto aparece como independente, \u00fanico, uma mercadoria, uma obra de arte. Para os autores deste livro, o objeto que eles tentam reposicionar \u00e9 o objeto de arte, especificamente o objeto de arte produzido na sala de aula do est\u00fadio de arte do s\u00e9culo XXI ou em outros espa\u00e7os de aprendizagem. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>* * * <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">(Este texto foi originalmente publicado no livro organizado por Susan Jahoda e Caroline Woolard. <em>Making and Being<\/em>. <em>Embodiment, Collaboration &amp; Circulation in the Visual Arts<\/em>. Mais detalhes sobre o livro, acesse o site <a href=\"https:\/\/makingandbeing.com\/\">aqui<\/a>. Para o texto original em ingl\u00eas, clique <a href=\"https:\/\/makingandbeing.com\/chapters\/entry-points\/is-art-a-commodity.html\">aqui<\/a>. Agradecemos encarecidamente \u00e0s editoras do livro, bem como \u00e0 autora, pela concess\u00e3o dos direitos da tradu\u00e7\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o de Antonio Barros.)<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"75b3ef87-f7ef-4c63-bc26-d4eada466e26\">Professora na Borough of Manhattan Community College (BMCC). Autora do livro<em><a href=\"https:\/\/www.dukeupress.edu\/wages-against-artwork\"> Wages Against Artwork. Decommodified Labor and the Claims of Socially Engaged Art<\/a><\/em> e <em><a href=\"https:\/\/www.dukeupress.edu\/marx-for-cats\">Marx for Cats. A Radical Bestiary<\/a><\/em>. <a href=\"#75b3ef87-f7ef-4c63-bc26-d4eada466e26-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"043ff520-fb06-4f6b-892d-7f2869d72286\">Zo\u00eb Sheehan Salda\u00f1a, \u201cLABOR,\u201d entrevistada por Susan Jahoda e Caroline Woolard, BFAMFAPhD, na Escola de Artes Visuais, Nova York, NY, junho de 2016, v\u00eddeo, 1:04. Dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/193419284\">aqui<\/a>. <a href=\"#043ff520-fb06-4f6b-892d-7f2869d72286-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c02ccc02-a631-4f05-93d9-c6432c4145e1\">Karl Marx. <em>O Capital<\/em>. Livro I: o processo de produ\u00e7\u00e3o do capital. Tradu\u00e7\u00e3o: Rubens Enderle. S\u00e3o\u00a0 Paulo: Boitempo, 2017, pp. 113; 146. <a href=\"#c02ccc02-a631-4f05-93d9-c6432c4145e1-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"5db1de40-0bb9-4800-b99d-4c7747edd9e4\">Como afirma John Locke: \u201cEmbora a terra e todas as criaturas inferiores perten\u00e7am em comum a todos os homens, no entanto todo o homem tem a propriedade de sua pr\u00f3pria pessoa. A esta mais ningu\u00e9m tem direito sen\u00e3o ele. O trabalho do seu corpo e a obra de suas m\u00e3os, podemos dizer, s\u00e3o propriamente dele\u201d. Ver: John Locke. <em>Dois tratados do Governo Civil<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Miguel Morgado. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 2006, p. 251. <a href=\"#5db1de40-0bb9-4800-b99d-4c7747edd9e4-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e4854150-f1bd-479f-b749-aaf3af0be7e3\">Karl Marx. <em>O Capital<\/em>. Livro I: o processo de produ\u00e7\u00e3o do capital. Tradu\u00e7\u00e3o: Rubens Enderle. S\u00e3o\u00a0 Paulo: Boitempo, 2017, p. 148. <a href=\"#e4854150-f1bd-479f-b749-aaf3af0be7e3-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"b0a5f34c-003f-4b93-aa9a-5ba1db484072\">Fredric Jameson indentifica a \u201cnatureza\u201d \u2013 n\u00e3o apenas a arte \u2013 como um dos pontos de apoio que foram absorvidos pelo capitalismo. Ver: Fredric Jameson. <em>P\u00f3s-modernismo<\/em>. A l\u00f3gica cultural do capitalismo tardio. Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Elisa Cevasco. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2002. <a href=\"#b0a5f34c-003f-4b93-aa9a-5ba1db484072-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 6 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"421f117e-a140-4e95-8f81-41f125bf6011\">Terry Eagleton. <em>A Ideologia da Est\u00e9tica<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Mauro S\u00e1 Rego Costa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993, p. 53. <a href=\"#421f117e-a140-4e95-8f81-41f125bf6011-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 7 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"72e4ea9e-1c00-42f2-abae-0fef564e0dc9\">Jannis Kounellis, entrevista com Anna Dickie. \u201cJannis Kounellis in Conversation\u201d, <em>Ocula<\/em>, 21 de janeiro de 2014. Acesso em janeiro de 2015. Dispon\u00edvel <a href=\"http:\/\/ocula.com\/magazine\/conversations\/jannis-kounellis\/\">aqui<\/a>. <a href=\"#72e4ea9e-1c00-42f2-abae-0fef564e0dc9-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 8 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"6441dc12-c63e-4d94-8d8c-682c1889f9d7\">Theodor Adorno. <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Artur Mour\u00e3o. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, p. 16. <a href=\"#6441dc12-c63e-4d94-8d8c-682c1889f9d7-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 9 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"be775880-cd4e-473b-a8c1-3c691f0dde5b\">Jacques Ranci\u00e8re. \u201cContemporary Art and the Politics of Aesthetics\u201d. In: Yates McKee; Jaleh Mansoor (orgs.). <em>Communities of Sense. <\/em>Durham, NC: Duke University Press, 2009, p. 43. <a href=\"#be775880-cd4e-473b-a8c1-3c691f0dde5b-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 10 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c950cf53-5d75-4fcf-b3cd-5db6467be7ba\">Jacques Attali. <em>Noise: The Political Economy of Music<\/em>. Manchester: Manchester University Press, 1985, p. 47. <a href=\"#c950cf53-5d75-4fcf-b3cd-5db6467be7ba-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 11 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"073784be-7b3d-4644-9aa6-eb2815c63298\">Boris Groys. <em>Arte, Poder<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Virg\u00ednia Starling. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2015, p. 15. <a href=\"#073784be-7b3d-4644-9aa6-eb2815c63298-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 12 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"92a79123-7d8b-4721-b882-f395a4f3a621\">Maria Gough. <em>The Artist as Producer.<\/em> Berkeley, CA: University of California Press, 2005, p. 8. <a href=\"#92a79123-7d8b-4721-b882-f395a4f3a621-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 13 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"5b96d289-b321-4059-9ac5-f1bfdfdc4216\">Leigh Claire La Berge. <em>Wages Against Artwork: Decommodified Labor and the Claims of Socially Engaged Art<\/em>. Durham, NC: Duke University Press, 2019. <a href=\"#5b96d289-b321-4059-9ac5-f1bfdfdc4216-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 14 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"961407d1-8752-4323-a2f5-df01e580338e\">H\u00e1 aqui um jogo de palavras em ingl\u00eas: <em>artwork<\/em> (obra de arte) e <em>artworker<\/em> (trabalhador da arte). Decidi usar o termo \u201coper\u00e1rio\u201d para conservar o radical comum com a palavra \u201cobra\u201d. (N.T.) <a href=\"#961407d1-8752-4323-a2f5-df01e580338e-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 15 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"436ddae1-77c7-4a13-9afe-25465ad104f6\">W.A.G.E. \u00e9 uma sigla que remete \u00e0 palavra <em>wage<\/em>, \u201csal\u00e1rio\u201d, em ingl\u00eas. A tradu\u00e7\u00e3o do nome do grupo em portugu\u00eas seria \u201cArtistas Trabalhadores para uma Economia Melhor). (N.T.) <a href=\"#436ddae1-77c7-4a13-9afe-25465ad104f6-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 16 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"abfbcbf5-9c44-4e8d-94ce-3f30d7bfeb56\">Em alguns aspectos, essa demanda n\u00e3o \u00e9 nova. Ver: Michael Denning. <em>The Cultural Front<\/em>. Nova York: Verso, 2003. Mas enquanto os trabalhadores da cultura que Denning monitora queriam (e conseguiram) ser contratados e pagos, esse novo grupo de organiza\u00e7\u00f5es est\u00e1 menos interessado em receber do que em criticar as estruturas da sua falta de pagamento. Para a declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios do Arts &amp; Labor, clique <a href=\"http:\/\/artsandlabor.org\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/AL-Statement.pdf\">aqui<\/a>. <a href=\"#abfbcbf5-9c44-4e8d-94ce-3f30d7bfeb56-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 17 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\">Carbono, vol. 3 \u2013 fevereiro de 2025.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leigh Claire La Berge escreve sobre as tens\u00f5es inerentes \u00e0 categoria da arte. 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Livro I: o processo de produ\u00e7\u00e3o do capital. Tradu\u00e7\u00e3o: Rubens Enderle. S\u00e3o\u00a0 Paulo: Boitempo, 2017, p. 148.\",\"id\":\"e4854150-f1bd-479f-b749-aaf3af0be7e3\"},{\"content\":\"Fredric Jameson indentifica a \u201cnatureza\u201d \u2013 n\u00e3o apenas a arte \u2013 como um dos pontos de apoio que foram absorvidos pelo capitalismo. Ver: Fredric Jameson. <em>P\u00f3s-modernismo<\/em>. A l\u00f3gica cultural do capitalismo tardio. Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Elisa Cevasco. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2002.\",\"id\":\"b0a5f34c-003f-4b93-aa9a-5ba1db484072\"},{\"content\":\"Terry Eagleton. <em>A Ideologia da Est\u00e9tica<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Mauro S\u00e1 Rego Costa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993, p. 53.\",\"id\":\"421f117e-a140-4e95-8f81-41f125bf6011\"},{\"content\":\"Jannis Kounellis, entrevista com Anna Dickie. \u201cJannis Kounellis in Conversation\u201d, <em>Ocula<\/em>, 21 de janeiro de 2014. Acesso em janeiro de 2015. 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Belo Horizonte: Editora UFMG, 2015, p. 15.\",\"id\":\"073784be-7b3d-4644-9aa6-eb2815c63298\"},{\"content\":\"Maria Gough. <em>The Artist as Producer.<\/em> Berkeley, CA: University of California Press, 2005, p. 8.\",\"id\":\"92a79123-7d8b-4721-b882-f395a4f3a621\"},{\"content\":\"Leigh Claire La Berge. <em>Wages Against Artwork: Decommodified Labor and the Claims of Socially Engaged Art<\/em>. Durham, NC: Duke University Press, 2019.\",\"id\":\"5b96d289-b321-4059-9ac5-f1bfdfdc4216\"},{\"content\":\"H\u00e1 aqui um jogo de palavras em ingl\u00eas: <em>artwork<\/em> (obra de arte) e <em>artworker<\/em> (trabalhador da arte). Decidi usar o termo \u201coper\u00e1rio\u201d para conservar o radical comum com a palavra \u201cobra\u201d. (N.T.)\",\"id\":\"961407d1-8752-4323-a2f5-df01e580338e\"},{\"content\":\"W.A.G.E. \u00e9 uma sigla que remete \u00e0 palavra <em>wage<\/em>, \u201csal\u00e1rio\u201d, em ingl\u00eas. A tradu\u00e7\u00e3o do nome do grupo em portugu\u00eas seria \u201cArtistas Trabalhadores para uma Economia Melhor). (N.T.)\",\"id\":\"436ddae1-77c7-4a13-9afe-25465ad104f6\"},{\"content\":\"Em alguns aspectos, essa demanda n\u00e3o \u00e9 nova. Ver: Michael Denning. <em>The Cultural Front<\/em>. Nova York: Verso, 2003. Mas enquanto os trabalhadores da cultura que Denning monitora queriam (e conseguiram) ser contratados e pagos, esse novo grupo de organiza\u00e7\u00f5es est\u00e1 menos interessado em receber do que em criticar as estruturas da sua falta de pagamento. Para a declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios do Arts &amp; Labor, clique <a href=\\\"http:\/\/artsandlabor.org\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/AL-Statement.pdf\\\">aqui<\/a>.\",\"id\":\"abfbcbf5-9c44-4e8d-94ce-3f30d7bfeb56\"}]"},"categories":[14,10,5,6],"tags":[11,48,46,47,41],"class_list":["post-321","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arquivo","category-artigo","category-capitalismo","category-cultura","tag-capitalismo","tag-ensino-de-arte","tag-estetica","tag-mercadoria","tag-volume-3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/321","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=321"}],"version-history":[{"count":35,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/321\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":428,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/321\/revisions\/428"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/media\/336"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}