{"id":465,"date":"2025-03-09T13:21:31","date_gmt":"2025-03-09T16:21:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=465"},"modified":"2025-04-10T17:23:44","modified_gmt":"2025-04-10T20:23:44","slug":"capitalismo-uma-historia-de-horror","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2025\/03\/09\/capitalismo-uma-historia-de-horror\/","title":{"rendered":"Capitalismo: uma Hist\u00f3ria de Horror"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">Resenha do livro: <a href=\"https:\/\/repeaterbooks.com\/product\/capitalism-a-horror-story-gothic-marxism-and-the-dark-side-of-the-radical-imagination\/\">GREENAWAY, Jon. <em>Capitalism: A Horror Story: Gothic Marxism and the Dark Side of the Radical Imagination<\/em>. Londres: Repeater Books, 2024<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Vin\u00edcius de Oliveira Prusch<sup data-fn=\"5e9b9b0c-f24a-4e50-98d1-ecaf934f7e14\" class=\"fn\"><a href=\"#5e9b9b0c-f24a-4e50-98d1-ecaf934f7e14\" id=\"5e9b9b0c-f24a-4e50-98d1-ecaf934f7e14-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Hide your children, hide your husbands<\/em><br><em>I am relentless, I am incessant, I am the ocean<\/em><br>Lingua Ignota<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\">Como manter a esperan\u00e7a acesa diante de um contexto t\u00e3o negativo? Antropoceno, alta da extrema direita no mundo, genoc\u00eddio do povo palestino: os motivos para descrer, \u00e0 esquerda, em um futuro melhor s\u00e3o gigantescos. Neste contexto, Jon Greenaway recupera Ernst Bloch e Walter Benjamin, especialmente, na tentativa de demonstrar como justamente na arte de horror, um lugar curioso para tal, ainda h\u00e1 esperan\u00e7a. Al\u00e9m desses autores, a inspira\u00e7\u00e3o em Fredric Jameson tamb\u00e9m \u00e9 clara. Encontrar utopia na cultura de massas n\u00e3o \u00e9 exatamente um lugar comum para o pensamento dial\u00e9tico, mas Jameson abriu este caminho, e Greenaway o explora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo come\u00e7a com uma demonstra\u00e7\u00e3o do porqu\u00ea de o capitalismo ser uma hist\u00f3ria de horror. Em primeiro lugar, h\u00e1 a viol\u00eancia. Em segundo lugar, e mais centralmente, a aliena\u00e7\u00e3o. O trabalho, os outros sujeitos e mesmo a pr\u00f3pria hist\u00f3ria se tornam estranhos. O capital ainda transforma os elementos mais cotidianos em mercadoria, atrav\u00e9s de uma \u201calquimia horripilante\u201d (p. 12). Greenaway recupera, na pr\u00f3pria linguagem marxiana e marxista, este elemento horror\u00edfico. O terror n\u00e3o seria, assim, mero entretenimento, mas um elemento de acesso \u00e0 hist\u00f3ria passada e contempor\u00e2nea atrav\u00e9s de nossas ansiedades e medos. O autor busca, assim, um marxismo g\u00f3tico, que saiba valorizar isto tudo. Um marxismo que veja a hist\u00f3ria como contingente, como algo que pode mudar. Um marxismo que busque recuperar o potencial pol\u00edtico do passado. Pois a possibilidade de um mundo melhor tamb\u00e9m assombra o capitalismo. O terror mostra o que h\u00e1 de horr\u00edvel em nosso presente e em nosso passado, mas tamb\u00e9m o que pode haver de melhor em nosso futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aliena\u00e7\u00e3o, o valor e o trabalho abstrato s\u00e3o, assim, origem de fantasmas, justamente porque causam um estranhamento do sujeito com rela\u00e7\u00e3o ao mundo vivido. E essas coisas est\u00e3o no centro do capitalismo, s\u00e3o o que faz do capitalismo capitalismo. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m fantasmas que assombram o pr\u00f3prio capitalismo. Fantasmas que apontam para um mundo por vir. Ambos os tipos de fantasma est\u00e3o presentes no terror. E \u00e9 a\u00ed que entra a utopia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cap\u00edtulo um recupera algumas coisas de Bloch. Os pr\u00f3ximos fazem an\u00e1lises de v\u00e1rios e variados objetos est\u00e9ticos. O cap\u00edtulo tr\u00eas, por exemplo (note-se que n\u00e3o vou fazer um coment\u00e1rio cap\u00edtulo a cap\u00edtulo, para que este texto n\u00e3o se torne enfadonho), trata de <em>Frankenstein<\/em>, de Mary Shelley. O autor come\u00e7a com a no\u00e7\u00e3o de Jeffrey Cohen do monstro como pren\u00fancio de crise categ\u00f3rica, um sinal de algo porvir. O monstro, ainda segundo Cohen, desperta um medo que, na verdade, \u00e9 desejo. A categoria do monstro \u00e9 pol\u00edtica, diz Greenaway. A figura do monstro de Frankenstein leva a s\u00e9rio as ideias que Victor n\u00e3o levava. Neste aspecto, o monstro lembra o autor da Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana, que levou a s\u00e9rio as ideias dos revolucion\u00e1rios franceses. Na \u00e9poca de ouro das greves e das manifesta\u00e7\u00f5es, Frankenstein tem muito em comum com a multid\u00e3o em protesto: \u00e9 um \u201cpren\u00fancio monstruoso\u201d (p. 62) do sujeito que est\u00e1 por vir. O cap\u00edtulo ainda trata do vampiro, mais especificamente, de Dr\u00e1cula. A princ\u00edpio, afirma Greenaway, ele representa o capitalista por excel\u00eancia. Mas Katie Stone ressalta que Dr\u00e1cula n\u00e3o trabalha e pode, assim, servir como uma figura ut\u00f3pica antitrabalho, algo a que o autor subscreve. Somos assombrados pela possibilidade de um mundo al\u00e9m do trabalho, ou melhor, um mundo em que o trabalho sirva \u00e0s nossas necessidades e n\u00e3o seja alienado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Percebe-se que o monstro tem, para Greenaway, um lugar bastante especial. Ele n\u00e3o surge simplesmente como express\u00e3o de nossos medos. Ele \u00e9 o anunciante de um mundo melhor. Talvez justamente porque parte dos medos de quem vive na sociedade capitalista tem a ver com a dissolu\u00e7\u00e3o desta sociedade. Para outros, contudo, este \u00e9, na verdade, o desejo. A mudan\u00e7a \u00e9 monstruosa porque assusta a alguns, mas tamb\u00e9m porque ainda n\u00e3o tomou uma forma espec\u00edfica. \u00c9 de fato um Frankenstein, um conjunto de for\u00e7as e desejos dispersos dos de baixo, mas que apontam para o mesmo lugar. Trata-se, assim, de um abra\u00e7o e de uma aposta no monstruoso, no que ainda est\u00e1 por enformar-se.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No cap\u00edtulo cinco, Greenaway lida com as bruxas. Ele lembra de como elas retornaram como s\u00edmbolo de resist\u00eancia ao patriarcado sob Trump. Trata-se do s\u00edmbolo de um feminismo monstruoso, um feminismo que inclui mulheres trans e que busca abolir a forma da fam\u00edlia. O autor fala, ent\u00e3o, de <em>The VVitch<\/em>, filme no qual o bode possu\u00eddo v\u00ea que o que a vida promete a Thomasin \u00e9 uma vida de trabalho (re)produtivo n\u00e3o remunerado, submiss\u00e3o religiosa e envolvimento continuado com um sistema que domina destrutivamente a natureza. Black Philip, assim, oferece \u00e0 garota uma vida livre do trabalho e junto \u00e0 natureza. Mas Thomasin \u00e9, segundo Greenaway, uma bruxa pr\u00e9-pol\u00edtica, em contraste com as bruxas de <em>Suspiria<\/em>, de Luca Guadagnino. No filme, a irmandade de bruxas serve de sin\u00e9doque para a totalidade pol\u00edtica da Alemanha Ocidental. Mas o final do filme traz a figura messi\u00e2nica da Madre Suspiriorum, que mata todas que se envolveram com Markos, e, portanto, com o fascismo. A bruxa figura, assim, como um s\u00edmbolo revolucion\u00e1rio, capaz de redimir o sofrimento hist\u00f3rico. O cap\u00edtulo ainda fala em <em>Eu Sou o Monstro Que Vos Fala<\/em>, de Paul Preciado, texto originado em uma confer\u00eancia que ele n\u00e3o conseguiu terminar devido \u00e0 rea\u00e7\u00e3o da plateia. Preciado comenta o quanto a psican\u00e1lise n\u00e3o estaria pronta para lidar com a identidade trans, presa que estaria a l\u00f3gicas bin\u00e1rias. Transicionar, para Preciado, significa tornar-se um monstro. \u201cJunte-se ao monstro\u201d \u00e9 o lema dele que Greenaway nos convida a aceitar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sendo bastante sincero, n\u00e3o entendo porque a bruxa Thomasin \u00e9 pr\u00e9-pol\u00edtica. \u00c9 verdade que ela \u00e9 levada pelas circunst\u00e2ncias para um lugar de poucas sa\u00eddas poss\u00edveis, e s\u00f3 ent\u00e3o ela opta por fazer o pacto. Mas ela faz o pacto, ela deseja viver \u201cdeliciosamente\u201d, e, o mais importante, ela se junta a um coletivo que vive junto \u00e0 natureza. Sua escolha ainda remete a uma posi\u00e7\u00e3o social monstruosa com elementos que realmente existiram em nosso passado hist\u00f3rico. \u00c9 claro que as bruxas que existiram n\u00e3o faziam pacto algum com o dem\u00f4nio, mas, na narrativa, este pacto surge como uma liberta\u00e7\u00e3o. Uma liberta\u00e7\u00e3o do patriarcado, da fam\u00edlia e, especialmente, do trabalho. Parece-me algo bastante pol\u00edtico. Mas talvez Greenaway tenha em mente algo que me foge no momento.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"677\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Capitalism-a-horror-story-cover-677x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-471\" style=\"width:511px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Capitalism-a-horror-story-cover-677x1024.jpg 677w, https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Capitalism-a-horror-story-cover-198x300.jpg 198w, https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Capitalism-a-horror-story-cover-768x1161.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Capitalism-a-horror-story-cover.jpg 918w\" sizes=\"auto, (max-width: 677px) 100vw, 677px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Capa do livro de Jon Greenaway<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No cap\u00edtulo sete, o autor fala das franquias <em>Jogos Mortais<\/em> e <em>Purge<\/em>. Sobre <em>Jogos Mortais<\/em>, Greenaway diz que o maior problema dos filmes tem a ver com o que significa valorizar a vida. Eles tratam depress\u00e3o, por exemplo, como uma falha moral. Trata-se de uma compreens\u00e3o de mundo bastante neoliberal. Os filmes punem pobres, viciados e pequenos criminosos, fazendo um espet\u00e1culo do necro-neoliberalismo, o momento em que as pol\u00edticas de morte dos Estados Unidos retornam para dentro do pa\u00eds. Filmes depois de <em>Jogos Mortais III<\/em> at\u00e9 tentam fazer cr\u00edticas sociais, mas acabam caindo no mesmo tipo de moralismo f\u00e1cil. A franquia <em>Purge<\/em>, por outro lado, apresenta cr\u00edticas mais consistentes a essa realidade social. O primeiro filme \u00e9 simplista, mas os seguintes melhoram a m\u00e3o. O quarto filme chega a apontar corretamente as causas sociais do que ocorre na hist\u00f3ria. Entretanto, a franquia ainda cai em um moralismo similar ao de <em>Jogos Mortais<\/em> no final, incapaz de ver uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria para os problemas que coloca na tela. As duas franquias demonstram como o horror oferece um diagn\u00f3stico do presente, mas, ao mesmo tempo, seus limites s\u00e3o grandes, e n\u00e3o h\u00e1 utopia aqui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem sempre, assim, o terror aponta para uma outra realidade poss\u00edvel. \u00c9 em casos espec\u00edficos que isso acontece; Greenaway n\u00e3o tem o objetivo de fazer crer que em todo filme de terror h\u00e1 esperan\u00e7a. E, por vezes, o monstro \u00e9, na verdade, o capitalismo ele pr\u00f3prio. Mesmo em casos como o das franquias analisadas, contudo, h\u00e1 um ponto de fuga. A sa\u00edda revolucion\u00e1ria est\u00e1 l\u00e1, nas quinas das narrativas, ainda que os filmes n\u00e3o apostem nela. O monstruoso est\u00e1, talvez, sempre a ponto de surgir no terror, mesmo que n\u00e3o surja de fato. H\u00e1 uma proximidade com o elemento monstruoso que n\u00e3o existe em outros tipos de arte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3ximo cap\u00edtulo abre com a quest\u00e3o de ser poss\u00edvel ou n\u00e3o pensar no terror e no G\u00f3tico como espa\u00e7os de utopia. Sua resposta \u00e9 positiva, \u00e9 claro: tratam-se de hist\u00f3rias em que se recupera um passado monstruoso em um movimento em dire\u00e7\u00e3o ao futuro. A utopia \u00e9 justamente um tornar-se monstruoso. O presente n\u00e3o \u00e9 s\u00edncrono, ele \u00e9 desigual e heterog\u00eaneo, portanto, est\u00e1 cheio de possibilidades. O marxismo g\u00f3tico deve ser fiel ao espectro que assombra o capitalismo. O passado n\u00e3o deve ser enterrado, mas sim retrabalhado na dire\u00e7\u00e3o de algo novo. No G\u00f3tico, o passado sempre volta, e ele \u00e9 monstruoso. O capitalismo \u00e9 incapaz de apagar completamente este passado. A utopia program\u00e1tica est\u00e1 em baixa, mas existe uma utopia monstruosa que est\u00e1 por a\u00ed. O capitalismo cria monstros e tenta os matar, mas eles continuam voltando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00ed est\u00e1 um elemento fundamental do jogo: \u00e9 o capitalismo quem cria os monstros. As sa\u00eddas poss\u00edveis n\u00e3o surgem de fora do sistema, como Marx ensinou, mas de dentro dele. Seja no caso do proletariado, seja no das variadas formas de ser <em>queer<\/em>, estas posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o monstruosas porque o capital as coloca nesse lugar. Seu potencial revolucion\u00e1rio, portanto, vem do fato de elas terem sido colocadas \u00e0 margem. \u00c9 justamente da margem do capitalismo, n\u00e3o de fora, que surgem as possibilidades de algo melhor. H\u00e1, assim, um elemento ut\u00f3pico que sempre estar\u00e1 presente, mesmo no fim do mundo, e mesmo que nunca se consiga organiz\u00e1-lo: ele est\u00e1 naqueles que s\u00e3o colocados \u00e0 margem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conclus\u00e3o do livro, por fim, retoma a quest\u00e3o da monstruosidade. O monstro \u00e9 produzido pelo capitalismo e deve ultrapass\u00e1-lo. Os monstros s\u00e3o parecidos com os seus criadores: \u00e9 isso que os assusta. E o monstro criado nas \u00faltimas d\u00e9cadas (j\u00e1 estava l\u00e1, \u00e9 claro, mas foi tornado mais monstruoso) \u00e9 o das pessoas trans. \u00c9 a\u00ed que Greenaway analisa o romance <em>Tell me I\u2019m worthless<\/em>, de Allison Rumfitt, que faz uma conex\u00e3o casa assombrada\/fascismo. O monstro \u00e9 temido justamente porque ele pode falar, autodeterminar-se e amar, afirma o autor. E \u00e9 neste amor, que n\u00e3o \u00e9 apenas subjetivo, mas coletivo, que est\u00e1 a utopia. O final do livro aposta nesse amor, e a casa assombrada \u00e9 queimada. Greenaway analisa, nesse ponto, outro livro: <em>Manhunt<\/em>, de Gretchen Felker-Martin. O romance acompanha duas mulheres trans em um contexto em que existe um v\u00edrus que transforma qualquer um que tenha testosterona suficiente no seu corpo em um canibal estuprador. H\u00e1 um ex\u00e9rcito de TERFs (Feministas Radicais Trans-Excludentes), ainda, para piorar as coisas. Mas a dupla acaba encontrando um forte que as aceita no final. Se h\u00e1 um futuro a ser constru\u00eddo, diz o autor, ele inclui todos aqueles que assombram o capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 interessante notar que a leitura de Greenaway vai na contram\u00e3o daqueles que encontram no \u201cidentitarismo\u201d um perigo ao pensamento revolucion\u00e1rio. N\u00e3o; para o autor, o sujeito revolucion\u00e1rio expande-se com comunidade <em>queer<\/em>, e n\u00e3o diminui. E isso justamente porque as identidades LGBTQIAPN+ n\u00e3o s\u00e3o vistas como um ponto de chegada dentro do capitalismo, mas como elementos que apontam para al\u00e9m deste sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\">Se o livro de Greenaway tem um defeito, \u00e9 certamente falar muito de conte\u00fado e pouco de forma. Filmes regredidos como <em>Ready or Not<\/em> quase parecem marxistas nas an\u00e1lises do autor, porque seu problema n\u00e3o est\u00e1 no que dizem, mas no <em>como <\/em>dizem. Levando isso em conta na leitura, contudo, \u00e9 poss\u00edvel aproveitar as an\u00e1lises aprofundadas do conte\u00fado dos livros e filmes apresentadas no texto. O autor consegue expor com maestria como o horror pode ser um <em>locus <\/em>de utopia contemporaneamente. Resta saber como organizar esta utopia e fazer o monstro se levantar na realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>* * * <\/strong><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"5e9b9b0c-f24a-4e50-98d1-ecaf934f7e14\">Doutorando pelo PPG-Letras da UFRGS. Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/viniprusch\/\">@viniprusch<\/a>. <a href=\"#5e9b9b0c-f24a-4e50-98d1-ecaf934f7e14-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 4 \u2013 mar\u00e7o de 2025.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como manter acesa a esperan\u00e7a revolucion\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":479,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Doutorando pelo PPG-Letras da UFRGS. 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