{"id":685,"date":"2025-05-09T18:00:12","date_gmt":"2025-05-09T21:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=685"},"modified":"2025-06-10T14:55:02","modified_gmt":"2025-06-10T17:55:02","slug":"entrevista-com-aparecida-vilaca-e-francisco-vilaca-gaspar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2025\/05\/09\/entrevista-com-aparecida-vilaca-e-francisco-vilaca-gaspar\/","title":{"rendered":"Entrevista com Aparecida Vila\u00e7a e Francisco Vila\u00e7a Gaspar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma antrop\u00f3loga, professora do Museu Nacional da UFRJ, e um doutor em qu\u00edmica se juntaram para escrever um livro de contos que recupera sua experi\u00eancia comum nos trabalhos de campo na Amaz\u00f4nia. Aparecida e Francisco n\u00e3o s\u00e3o apenas coautores; s\u00e3o m\u00e3e e filho, que durante anos mantiveram contato estreito com os Wari\u2019, tribo ind\u00edgena da regi\u00e3o amaz\u00f4nica. No livro, encontram-se hist\u00f3rias de encontros improv\u00e1veis, de metamorfoses, de conflitos sobre a terra, de evangeliza\u00e7\u00e3o e choque cultural, numa mescla de representa\u00e7\u00e3o social da realidade sociopol\u00edtica dos habitantes nativos da Amaz\u00f4nia e valoriza\u00e7\u00e3o da po\u00e9tica do mito. Os autores n\u00e3o se alternam na assinatura dos contos; pelo contr\u00e1rio, como obra a quatro m\u00e3os, cada conto leva a marca de ambos, algo que, de certo modo, aponta para uma das especificidades liter\u00e1rias da obra, a saber, os atravessamentos m\u00faltiplos e cont\u00ednuos entre as diferentes esp\u00e9cies presentes no ecossistema amaz\u00f4nico. Ao utilizar o formato consagrado do conto, Aparecida e Francisco renovam as perspectivas para a literatura, na medida em que congregam os pontos de vista ind\u00edgena e as formas liter\u00e1rias convencionais. Ao mesmo tempo, <em>Fic\u00e7\u00f5es Amaz\u00f4nicas<\/em><sup data-fn=\"6fdd0f4c-7ab5-4493-9f88-3b45c36dfe78\" class=\"fn\"><a href=\"#6fdd0f4c-7ab5-4493-9f88-3b45c36dfe78\" id=\"6fdd0f4c-7ab5-4493-9f88-3b45c36dfe78-link\">1<\/a><\/sup> lan\u00e7a luz sobre algumas das quest\u00f5es urgentes do presente clim\u00e1tico, explorando, com sutileza, as tem\u00e1ticas do parentesco entre as esp\u00e9cies e da comunh\u00e3o da natureza e da cultura. N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que, a seu modo, o livro prop\u00f5e caminhos para a reconstru\u00e7\u00e3o do mundo. Nesta entrevista gentilmente concedida pelos autores ao <em>Carbono<\/em>, ficamos a par do seu processo criativo e de suas concep\u00e7\u00f5es sobre a literatura, sobre ecologia e outros assuntos. Acompanhe!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANTONIO BARROS: Podemos come\u00e7ar pelo processo criativo de voc\u00eas. H\u00e1 duas coisas que chamam a aten\u00e7\u00e3o: primeiramente, se trata de um livro a quatro m\u00e3os, escrito por uma antrop\u00f3loga e um qu\u00edmico. E, al\u00e9m disso, \u00e9 um livro de fic\u00e7\u00e3o que se inspira nos conhecimentos antropol\u00f3gicos sobre os povos ind\u00edgenas. Como se deu o processo de integra\u00e7\u00e3o desses conhecimentos cient\u00edficos ao trabalho de fic\u00e7\u00e3o? E como foi entre voc\u00eas o processo criativo de escrita dos contos a quatro m\u00e3os?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>APARECIDA VILA\u00c7A e FRANCISCO VILA\u00c7A GASPAR:<\/strong> Mais do que um processo a quatro m\u00e3os entre uma antrop\u00f3loga e um qu\u00edmico, o livro foi escrito por uma m\u00e3e e seu filho, que desde crian\u00e7a frequentou aldeias dos ind\u00edgenas Wari\u2019 na Amaz\u00f4nia. Juntos escolh\u00edamos temas que nos interessavam explorar, como por exemplo o ritual de puberdade feminina, o canibalismo funer\u00e1rio e a inicia\u00e7\u00e3o de jovens, e busc\u00e1vamos etnografias de povos ind\u00edgenas que tratassem desses temas, escolhendo um povo espec\u00edfico para oferecer a base etnogr\u00e1fica do conto. A partir da\u00ed cri\u00e1vamos a narrativa ficcional, situando os dados etnogr\u00e1ficos em contextos de encontros com brancos ou outras alteridades imaginados por n\u00f3s, mas com forte base em nossa experi\u00eancia emp\u00edrica na Amaz\u00f4nia. Todos os contos, sem exce\u00e7\u00e3o, foram escritos em conjunto, cada um de n\u00f3s adicionando partes ao que o outro havia escrito. A escrita da maior parte dos contos foi realizada durante a pandemia, cada um dos autores confinado em uma casa diferente, de modo que nossas intera\u00e7\u00f5es davam-se por e-mail ou telefone. A experi\u00eancia de escrita em coautoria mostrou-nos como a troca de ideias e percep\u00e7\u00f5es pode produzir textos mais complexos e, esperamos, mais interessantes, pois nos permitiu romper os limites das subjetividades individuais. \u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANTONIO BARROS: As hist\u00f3rias que fazem parte do livro cont\u00eam humanos metamorfoseados em animais, viagens entre a Inglaterra e a Amaz\u00f4nia em uma cabine de banheiro, vis\u00f5es de esp\u00edritos, entre outras coisas. Por\u00e9m, esses elementos, que poderiam situar o livro dentro dos g\u00eaneros mais tradicionais da literatura, n\u00e3o se configuram como fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou realismo m\u00e1gico. De que modo o livro de voc\u00eas subverte os g\u00eaneros e inaugura um novo tipo de literatura? E o quanto isso est\u00e1 ligado \u00e0s formas orais e tradicionais da cultura ind\u00edgena?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>APARECIDA e FRANCISCO: <\/strong>Essa \u00e9 uma \u00f3tima pergunta. O \u00edmpeto de classificar o livro como \u201crealismo m\u00e1gico\u201d, dado que v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o incomuns do nosso ponto de vista, n\u00e3o nos parece ideal. Como nossa base s\u00e3o as culturas ind\u00edgenas, fundadas em vis\u00f5es de mundo muito distintas da nossa, o que nos parece irreal ou m\u00e1gico, para os ind\u00edgenas que protagonizam os contos s\u00e3o ocorr\u00eancias perfeitamente comuns fundadas em ontologias animistas e perspectivistas. Atravessar de um banheiro em Bristol e sair na floresta amaz\u00f4nica, por meio da manipula\u00e7\u00e3o casual de uma foto de parede, \u00e9 t\u00e3o plaus\u00edvel quanto um encontro com um branco na cidade ou na beira do rio. Um dos autores que escreveu a contracapa, Hermano Vianna, fala exatamente isso. Os contos exploram realidades amaz\u00f4nicas, que s\u00e3o diferentes das nossas.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANTONIO BARROS: O conto que inaugura o livro, \u201cCinco amigos e um funeral\u201d, traz uma hist\u00f3ria de antropofagia entre amigos brancos. \u00c9 uma hist\u00f3ria que lida com um aspecto da cultura amer\u00edndia que \u00e9 tabu na cultura ocidental. Pensando justamente na import\u00e2ncia desse tabu \u2013 e em como, por exemplo, os lestrig\u00f5es e Polifemo s\u00e3o representados na <em>Odisseia<\/em>, livro fundante da literatura ocidental \u2013, de que modo esse conto redefine a antropofagia para a nossa cultura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>APARECIDA e FRANCISCO:<\/strong> Oswald de Andrade foi o autor que melhor situou a antropofagia no contexto da cultura brasileira, como uma forma de rela\u00e7\u00e3o com o outro, de captura de suas qualidades ou posi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata, no caso do canibalismo funer\u00e1rio retratado no conto, de um canibalismo de vingan\u00e7a, como aquele realizado pelo c\u00edclope na <em>Odisseia<\/em>. N\u00e3o se trata tampouco, como o conto deixa claro, de um ato violento, mas de um ato de compaix\u00e3o e cuidado, de modo a dar ao morto o destino p\u00f3stumo desejado. Isso fica claro nas mais diferentes etnografias do hoje extinto canibalismo funer\u00e1rio entre alguns povos Amaz\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANTONIO BARROS: Outro conto que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cO Garrincha da floresta\u201d. Se estou correto, creio que voc\u00eas deram forma liter\u00e1ria \u00e0 ideia de perspectivismo, conceito que apreende o tipo de rela\u00e7\u00e3o imanentista presente nas culturas ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia. Voc\u00eas acreditam que uma vis\u00e3o imanentista falta \u00e0 cultura ocidental? A falta dessa vis\u00e3o prejudica as nossas rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, precipitando a cat\u00e1strofe ambiental?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>APARECIDA e FRANCISCO:<\/strong> N\u00e3o nos parece adequado classificar o perspectivismo amer\u00edndio como imanentismo, ideia mais compat\u00edvel com o dogma crist\u00e3o da onipresen\u00e7a divina ou com os fundamentos de algumas religi\u00f5es orientais. No perspectivismo as chamadas coisas ou for\u00e7as invis\u00edveis n\u00e3o est\u00e3o presentes o tempo todo e quando se fazem presentes s\u00f3 podem ser vistas por determinadas pessoas, de um modo geral pelos xam\u00e3s. N\u00e3o se trata de uma \u201crealidade\u201d \u00fanica impregnada de subjetividades outras, mas de diferentes realidades, vividas de modo distinto dependendo da pessoa e seu contexto relacional. Ind\u00edgenas, animais e alguns vegetais s\u00e3o ditos humanos, embora os ind\u00edgenas em seu cotidiano n\u00e3o os vejam dessa forma. As rela\u00e7\u00f5es entre essas diferentes subjetividades se d\u00e3o dentro de um contexto de embate de perspectivas, onde o que um v\u00ea \u00e9 diferente do que o outro v\u00ea. Os encontros s\u00e3o disputas e n\u00e3o contextos para contempla\u00e7\u00e3o m\u00edstica de seres onipresentes. Voltando \u00e0 alus\u00e3o ao imanentismo, se pensarmos na acelera\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o ambiental na China hoje, a vis\u00e3o de uma natureza imbu\u00edda de esp\u00edritos n\u00e3o parece ser relevante diante dos interesses econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANTONIO BARROS: Ainda sobre a quest\u00e3o ambiental e a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica: \u00e9 correto afirmar que, embora n\u00e3o diretamente, o livro de voc\u00eas toca nesses temas, pelo fato de lidarem com perspectivas culturais distintas do nosso modelo capitalista ecocida? E voc\u00eas acreditam que os contos podem contribuir de alguma forma para reestruturar a nossa vis\u00e3o ocidental em rela\u00e7\u00e3o aos ecossistemas e ao nosso modo de vida?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>APARECIDA e FRANCISCO:<\/strong> Certamente as rela\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas com aquilo que chamamos de natureza s\u00e3o muito distintas das nossas. Mas isso n\u00e3o \u00e9 devido ao que poder\u00edamos compreender como uma devo\u00e7\u00e3o religiosa aos outros seres. Como dissemos acima, esses seres outro-que-humanos t\u00eam ag\u00eancia pr\u00f3pria. Veem-se como humanos, vivem em casas, fazem festas, t\u00eam fam\u00edlias. Quando s\u00e3o atacados, como na ca\u00e7ada, podem revidar, tornando-se eles mesmos predadores dos humanos. Devem ser respeitados em seus desejos, tais como nos cuidados que os ind\u00edgenas devem ter com as presas mortas e com as maneiras de preparo e ingest\u00e3o. O respeito e o cuidado t\u00eam como fun\u00e7\u00e3o a autopreserva\u00e7\u00e3o e o medo das retalia\u00e7\u00f5es, ou seja, a vida dos ind\u00edgenas, embora os efeitos de tal pensamento sejam evidentes no controle da destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Como sabemos, as \u00e1reas ind\u00edgenas s\u00e3o as mais preservadas ao redor do globo. A saga etnocida n\u00e3o faz qualquer sentido para eles, pois sabem que os efeitos sobre si mesmos logo ser\u00e3o sentidos, fato que parece n\u00e3o ter sido bem compreendido por n\u00f3s. Nesse sentido, os contos certamente contribuem para a difus\u00e3o dessa vis\u00e3o relacional com a \u201cnatureza\u201d que funda a vida dos povos ind\u00edgenas. Embora n\u00e3o sejam contos did\u00e1ticos ou que tenham os problemas decorrentes do Antropoceno como centro, oferecem ao leitor vis\u00f5es bem concretas do cotidiano dos ind\u00edgenas amaz\u00f4nicos hoje. O tratamento ficcional dos dados etnogr\u00e1ficos, com a cria\u00e7\u00e3o de personagens bem definidos, convida o leitor a entrar na trama e a experimentar a vida ind\u00edgena por meio de sua imagina\u00e7\u00e3o. Entendemos que essa seja uma forma privilegiada de apresenta\u00e7\u00e3o dessas culturas para o leitor n\u00e3o-acad\u00eamico e n\u00e3o-especialista, e esperamos que, a partir da experi\u00eancia de leitura, possam, dentre outras coisas, ter contato com um modo diferente de rela\u00e7\u00e3o entre humanos e \u201cnatureza\u201d, e assim desenvolver uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre as nossas a\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ANTONIO BARROS: Para finalizar, tem havido um aumento no interesse pela cultura ind\u00edgena brasileira. Autores como Ailton Krenak, Gra\u00e7a Gra\u00fana, Davi Kopenawa, Eliane Potiguara, entre outros, tornaram-se mais conhecidos do p\u00fablico. O livro de voc\u00eas de certo modo se associa a essa tend\u00eancia, fortalecendo-a junto \u00e0 comunidade de leitores de literatura. Na opini\u00e3o de voc\u00eas, como a fic\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea brasileira deveria se comportar diante desse alargamento do campo liter\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>APARECIDA e FRANCISCO:<\/strong> Qualquer expans\u00e3o do campo liter\u00e1rio \u00e9 essencialmente positiva. No caso da inclus\u00e3o da literatura produzida por autores ind\u00edgenas como parte da literatura brasileira, isso ainda \u00e9 mais importante, pois d\u00e1 acesso aos leitores ao pensamento desses povos t\u00e3o mal-conhecidos pela maioria de nossa popula\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 um ponto que gostar\u00edamos de mencionar. Embora a produ\u00e7\u00e3o de autores ind\u00edgenas tenha crescido (especialmente, deve-se notar, pelo acesso \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o, incluindo ao ensino de n\u00edvel superior, pois suas culturas s\u00e3o originalmente de base oral), de um modo geral elas se concentram em relatos biogr\u00e1ficos (de indiv\u00edduos ou coletivos) e pol\u00edticos ou tratados filos\u00f3ficos, como no caso dos livros recentes de Ailton Krenak. Quando os ind\u00edgenas escrevem seus mitos, ficcionalizando-os ou n\u00e3o, como no caso da obra de Cristino Wapichana, seus livros s\u00e3o classificados como literatura infantil. Ao que parece, os editores entendem que animais ou rios que falam, pessoas que se transformam ou que podem frequentar lugares distintos ao mesmo tempo, coisas que tematizamos em nossos contos, fazem parte da imagina\u00e7\u00e3o infantil. Seriam meras fantasias. Pode ser que os autores ind\u00edgenas n\u00e3o tenham qualquer problema em ser classificados como autores para crian\u00e7as, mas esse tipo de classifica\u00e7\u00e3o revela claramente a nossa incompreens\u00e3o daquilo que se entende por realidade ind\u00edgena. Nesse sentido (e em v\u00e1rios outros) o livro coautorado por Davi Kopenawa e Bruce Albert \u00e9 um marco, pois ali a vis\u00e3o xam\u00e2nica \u00e9 apresentada em toda a sua complexidade, em uma linguagem adulta para o p\u00fablico adulto. Fica claro que n\u00e3o se trata de fantasia ou imagina\u00e7\u00e3o de Kopenawa, mas de experi\u00eancias vividas por ele. \u00c9 assim que, a nosso ver, livros de autoria ind\u00edgena que contam mitos ou est\u00f3rias ficcionais baseadas no pensamento ind\u00edgena deveriam ser tratados, como assunto de adultos, que t\u00eam assim acesso a um pensamento muito diferente. \u00c9 evidente que isso n\u00e3o exclui o seu interesse para o p\u00fablico infantil; o que criticamos aqui \u00e9 a exclusividade dada e ele. Cultura ind\u00edgena \u00e9 assunto para todo mundo e quanto mais gente ler, melhor. Nosso desejo \u00e9 que nosso livro de fic\u00e7\u00e3o, voltado ao p\u00fablico adulto, possa inspirar autores ind\u00edgenas a produzir mais fic\u00e7\u00e3o, e os editores a v\u00ea-las com outros olhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"6fdd0f4c-7ab5-4493-9f88-3b45c36dfe78\"><a href=\"https:\/\/todavialivros.com.br\/livros\/ficcoes-amazonicas\">VILA\u00c7A, Aparecida; GASPAR, Francisco Vila\u00e7a. <em>Fic\u00e7\u00f5es Amaz\u00f4nicas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Todavia, 2022<\/a>. <a href=\"#6fdd0f4c-7ab5-4493-9f88-3b45c36dfe78-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 6 \u2013 maio de 2025.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os autores do livro &#8220;Fic\u00e7\u00f5es Amaz\u00f4nicas&#8221; lan\u00e7am m\u00e3o do seu conhecimento emp\u00edrico no trabalho de campo para escrever um livro de contos que renova os caminhos da literatura e p\u00f5e a cultura ind\u00edgena no centro do debate<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":696,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"<a href=\\\"https:\/\/todavialivros.com.br\/livros\/ficcoes-amazonicas\\\">VILA\u00c7A, Aparecida; GASPAR, Francisco Vila\u00e7a. <em>Fic\u00e7\u00f5es Amaz\u00f4nicas<\/em>. 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