{"id":785,"date":"2025-06-10T18:18:26","date_gmt":"2025-06-10T21:18:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=785"},"modified":"2025-07-10T16:52:47","modified_gmt":"2025-07-10T19:52:47","slug":"a-rapidez-das-geleiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2025\/06\/10\/a-rapidez-das-geleiras\/","title":{"rendered":"A Rapidez das Geleiras"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Rob Nixon<sup data-fn=\"61dbe0dc-9a1e-41f6-b9b8-0eabc04c3ab5\" class=\"fn\"><a href=\"#61dbe0dc-9a1e-41f6-b9b8-0eabc04c3ab5\" id=\"61dbe0dc-9a1e-41f6-b9b8-0eabc04c3ab5-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A l\u00edngua se curva e se dobra sob o peso da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Pense no adjetivo \u201cglacial\u201d. Recentemente eu me deparei com um velho esbo\u00e7o da minha tese de doutorado, no qual meu orientador rabiscou a seguinte bronca: \u201cVoc\u00ea est\u00e1 progredindo em ritmo glacial. Voc\u00ea est\u00e1 patinando em gelo fino\u201d. Isso foi em 1988, o ano em que o climatologista James Hansen declarou, diante do Senado dos Estados Unidos, que os descontrolados gases do efeito estufa impunham uma amea\u00e7a ao planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se hoje em dia eu repetisse a admoesta\u00e7\u00e3o do meu orientador em uma disserta\u00e7\u00e3o, o estudante presumiria que eu o estaria advertindo por escrever depressa demais. Ao longo de todos os sete continentes, as geleiras est\u00e3o recuando rapidamente. Em um per\u00edodo de quatro anos, a calota de gelo da Groenl\u00e2ndia perdeu um trilh\u00e3o de toneladas de gelo. Alguns ge\u00f3logos esperam que o Parque Nacional da Geleira em Montana perca a \u00faltima de suas geleiras por volta de 2033, no mesmo momento em que as geleiras equatoriais no Monte Kilimanjaro estar\u00e3o em vias de desaparecer. Um glaciologista island\u00eas calcula que, ao final do pr\u00f3ximo s\u00e9culo, a Isl\u00e2ndia estar\u00e1 desprovida de gelo. Estamos caminhando em dire\u00e7\u00e3o a uma \u00e9poca em que os turistas visitar\u00e3o o Parque Nacional Antes Conhecido Como Parque Nacional da Geleira? Em que os estudantes ler\u00e3o o conto de Hemingway \u201cAs neves do Kilimanjaro\u201d (1936) n\u00e3o como realismo, mas sim como fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica? Em que Reykjavik ser\u00e1 a capital da Exl\u00e2ndia?<sup data-fn=\"c921e286-ec91-48a5-aee9-603b309a2209\" class=\"fn\"><a href=\"#c921e286-ec91-48a5-aee9-603b309a2209\" id=\"c921e286-ec91-48a5-aee9-603b309a2209-link\">2<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa mudan\u00e7a nos faz lembrar de que met\u00e1foras mortas n\u00e3o est\u00e3o terminantemente mortas para sempre. \u00c0s vezes elas s\u00f3 est\u00e3o hibernando, para depois cambalear de volta \u00e0 vida, atordoadas e confusas, piscando diante do mundo alterado que as despertou de seu sono. (\u201cMet\u00e1fora morta\u201d \u00e9 ela pr\u00f3pria uma met\u00e1fora morta, mas n\u00e3o podemos mais sentir a mortalidade em linguagem figurada.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a Pequena Era Glacial, que se estendeu do s\u00e9culo XIV ao s\u00e9culo XIX, o inverno m\u00e9dio do hemisf\u00e9rio Norte era significativamente mais frio do que \u00e9 hoje. As geleiras mais frequentemente avan\u00e7aram do que recuaram, \u00e0s vezes aniquilando comunidades conforme avan\u00e7avam. O poema de Percy Bysshe Shelley \u201cMont Blanc\u201d (1817) captura a aura amea\u00e7adora que emanava desses congelantes rios de gelo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c[&#8230;] As geleiras rastejam<br>Como cobras que espreitam a presa, de suas long\u00ednquas fontes,<br>Rolando lentamente [&#8230;]<br>com o desd\u00e9m de um poder mortal\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Shelley via as geleiras como predadoras, for\u00e7as imortais, seres eternos, diante das quais os meros humanos estremeciam. Mas o aquecimento global inverteu essa percep\u00e7\u00e3o. Agora estamos mais propensos a ver as geleiras como v\u00edtimas dos poderes gigantescos da humanidade, capazes de alterar o planeta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As geleiras no s\u00e9culo XXI constituem um perigo <em>des<\/em>congelado, conforme as geleiras em recuo e as calotas polares elevam os n\u00edveis dos oceanos. T\u00e3o alarmante quanto o impacto na eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar causado pelo grande derretimento \u00e9 o impacto na seguran\u00e7a de nossas reservas de \u00e1gua pot\u00e1vel. Isso porque as geleiras servem como fr\u00e1geis e fr\u00edgidos reservat\u00f3rios que abrigam uma \u00e1gua insubstitu\u00edvel: 47% da humanidade dependem da \u00e1gua armazenada na forma do gelo sazonalmente aprovisionado que escorre apenas do Himalaia e do Tibet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do Himalaia aos Alpes e os Andes, o recuo das geleiras est\u00e1 revelando as botas e ossadas de montanhistas perdidos h\u00e1 muitos anos. Mas essas descobertas envolvem uma assombrosa revela\u00e7\u00e3o dupla: cada alpinista encontrado nos faz lembrar do pr\u00f3prio desaparecimento da geleira. A Geleira do Siachen, onde as tropas indianas e paquistanesas combateram intermitentemente desde 1984, \u00e9, para Arundhati Roy, a \u201cmet\u00e1fora mais apropriada para a insanidade de nossos tempos\u201d. O derretimento da geleira est\u00e1 expelindo \u201ccartuchos de artilharia vazios, gal\u00f5es de combust\u00edvel esvaziados, piquetas, botas velhas, tendas e todo tipo de lixo que milhares de seres humanos em guerra produzem\u201d. Esses detritos militares fantasmag\u00f3ricos est\u00e3o se tornando vis\u00edveis devido a uma guerra que deixa muito mais consequ\u00eancias, a guerra da humanidade contra o planeta que nos sustenta, uma guerra que deixou a Geleira do Siachen gravemente ferida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ralph Waldo Emerson chamou as met\u00e1foras mortas de \u201cpoesia f\u00f3ssil\u201d, observando em seu ensaio de 1844 que \u201ca palavra mais morta\u201d foi \u201coutrora uma imagem brilhante\u201d. Se toda met\u00e1fora envolve um teor (o objeto a que se refere) e um ve\u00edculo (a imagem que transmite a compara\u00e7\u00e3o), uma falha em visualizar imagens outrora brilhantes pode resultar em um amontoado de v\u00e1rios ve\u00edculos. Como afirmou George Orwell: \u201cO polvo fascista entoou o seu canto do cisne, o coturno foi jogado no caldeir\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em \u201cPol\u00edtica e a L\u00edngua Inglesa\u201d (1946), Orwell lan\u00e7ou seis regras para escritores, sendo a primeira delas: \u201cNunca use uma met\u00e1fora, s\u00edmile ou outra figura de linguagem que voc\u00ea est\u00e1 acostumado a ver na imprensa\u201d. Uma met\u00e1fora inerte tal como \u201cincubadora do radicalismo\u201d transmite muito pouco: n\u00e3o podemos mais sentir a temperatura ardente entre os len\u00e7\u00f3is, assim como \u2013 antes da consci\u00eancia p\u00fablica acerca do aquecimento global \u2013 deixamos de notar a congelante poesia f\u00f3ssil em \u201critmo glacial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme a consci\u00eancia acerca do aquecimento global cresceu, uma nova classe de met\u00e1foras mortas adentrou a l\u00edngua inglesa. Frequentemente falamos de pegadas de carbono, de esp\u00e9cies varridas da face da Terra e dos gases do efeito estufa, mas n\u00e3o vemos mais os p\u00e9s, as m\u00e3os, os rostos e os galp\u00f5es de vidro que eram v\u00edvidos quando essas frases foram cunhadas pela primeira vez. Os ge\u00f3logos agora falam da busca pela \u201cassinatura humana\u201d no registro f\u00f3ssil. Alguns geoengenheiros querem injetar grandes nuvens de aerossol de sulf\u00farico na atmosfera da Terra, na esperan\u00e7a de \u201creiniciar o termostato global\u201d. Muitas dessas cunhagens pretendem dar uma dimens\u00e3o \u00edntima, humana, a fen\u00f4menos planet\u00e1rios que podem parecer imensos e abstratos de forma intimidadora. Em 1759, Adam Smith reagiu de forma parecida \u00e0 escala massiva das for\u00e7as econ\u00f4micas, inserindo o corpo humano na forma da \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d do mercado. Hoje, o escritor de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Kim Stanley Robinson traz a met\u00e1fora morta de volta \u00e0 vida, queixando-se de que, quando se trata do meio ambiente, \u201ca m\u00e3o invis\u00edvel nunca paga a conta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que a criosfera do nosso planeta descongela, podemos detectar todo tipo de agita\u00e7\u00e3o no cemit\u00e9rio das met\u00e1foras mortas. Nos resorts austr\u00edacos e su\u00ed\u00e7os, as \u201ccoberturas\u201d naturais de neve ficaram t\u00e3o gastas, que os donos dos resorts as est\u00e3o protegendo com cobertores isot\u00e9rmicos de verdade. E, no \u00c1rtico, paira a amea\u00e7a do permafrost <em>n\u00e3o<\/em> permanente, de onde borbulhar\u00e1 livremente o metano que altera o clima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em termos planet\u00e1rios, estamos todos patinando em gelo fino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO parto das geleiras\u201d \u00e9 a vers\u00e3o abreviada para o ritmo sazonal no qual as geleiras acumulam gelo e depois, no ver\u00e3o, liberam um pouco desse ac\u00famulo na forma de icebergs e blocos de gelo. Quando os cientistas se referem a \u201cgeleiras parindo\u201d, n\u00f3s n\u00e3o visualizamos o t\u00edpico rebanho leiteiro do Wisconsin: \u00e0 medida que a frase se torna rotineira, os partos s\u00e3o perdidos de vista. Agora que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica deixou em parafuso o equil\u00edbrio entre o ac\u00famulo e o desprendimento das geleiras, a met\u00e1fora morta se reafirma como uma imagem viva. O parto prol\u00edfico que estamos testemunhando agora \u00e9 um ato fecundo ou fatal, um ritual de nascimento ou um sintoma da morte do gelo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2015, antes da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, em Paris, o escultor Olafur Eliasson e o ge\u00f3logo Minik Rosing viajaram para a Groenl\u00e2ndia, onde eles la\u00e7aram alguns blocos de gelo que eles transportaram \u00e0 Place du Panth\u00e9on. L\u00e1, eles criaram o <em>Rel\u00f3gio de Gelo<\/em> (<em>Ice Watch<\/em>), uma combina\u00e7\u00e3o de mini-icebergs no formato de um mostrador de rel\u00f3gio. Ao longo de toda a confer\u00eancia, o p\u00fablico podia controlar o tempo se esgotando na forma de gelo derretido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Greenpeace tamb\u00e9m buscou, atrav\u00e9s da arte, mobilizar as pessoas contra a acelera\u00e7\u00e3o do desprendimento das geleiras. Mais de 7 milh\u00f5es de pessoas viram o <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2DLnhdnSUVs\">v\u00eddeo<\/a> do Greenpeace no qual o compositor Ludovico Einaudi interpreta a sua \u201cElegia para o \u00c1rtico\u201d (2016) em um piano de cauda equilibrado em uma fr\u00e1gil balsa. \u00c0 medida que a balsa desliza pelo gelo derretido que escorre de uma geleira em Svalbard, Noruega, os acordes plangentes do pianista reverberam em contraponto com o estrondo percussivo dos enormes peda\u00e7os de gelo quebrando no oceano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chegamos a um ponto de inflex\u00e3o lingu\u00edstico em que a express\u00e3o \u201critmo glacial\u201d \u00e9 incapaz de transmitir seu significado com alguma clareza? Sob a press\u00e3o de um mundo em aquecimento, o termo \u201cglacial\u201d precisa ser aposentado e empurrado do penhasco clim\u00e1tico?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a clim\u00e1tica abrupta desafia n\u00e3o apenas a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o do ser vivo, mas tamb\u00e9m as capacidades adaptativas da linguagem humana. O \u201cglacial\u201d rabiscado nas margens da minha tese de doutorado em 1988 n\u00e3o \u00e9 o mesmo \u201cglacial\u201d de 2018, assim como o urso polar que estrelou os comerciais da Coca-Cola (rechonchudo, a\u00e7ucarado, um \u00edcone feliz da vida plena) n\u00e3o \u00e9 intercambi\u00e1vel com o urso polar ic\u00f4nico de hoje \u2013 magrelo, com as costelas \u00e0 mostra, um refugiado clim\u00e1tico \u00e0 deriva em uma ex\u00edgua plataforma de gelo, inverossimilmente longe mar adentro. Em termos simb\u00f3licos, os dois ursos praticamente pertencem \u00e0 mesma esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muitos anos, na condi\u00e7\u00e3o de estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, eu encontrei e me deliciei com a exorta\u00e7\u00e3o de Franz Kafka segundo a qual \u201cum livro deveria ser a piqueta que abre o mar de gelo dentro de n\u00f3s\u201d. Mas agora eu ou\u00e7o as palavras dele de um modo bem diferente. Eu sinto vontade de dizer: \u201cHei, Franz, larga essa piqueta. Pega leve com esse fr\u00e1gil mar de gelo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">(Este texto foi originalmente publicado no site da <em>Aeon<\/em>, em 19 de mar\u00e7o de 2018. Agradecemos encarecidamente ao autor e \u00e0 revista por cederem os direitos da tradu\u00e7\u00e3o. Para ler o original, <a href=\"https:\/\/aeon.co\/ideas\/the-swiftness-of-glaciers-language-in-a-time-of-climate-change\">clique aqui<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o de Antonio Barros.)<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"61dbe0dc-9a1e-41f6-b9b8-0eabc04c3ab5\">Professor de Humanidades e Meio Ambiente na Universidade de Princeton. Autor do livro <em><a href=\"https:\/\/www.hup.harvard.edu\/books\/9780674072343\">Slow Violence and the Environmentalism of the Poor<\/a><\/em>. <a href=\"#61dbe0dc-9a1e-41f6-b9b8-0eabc04c3ab5-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c921e286-ec91-48a5-aee9-603b309a2209\">No original \u201cDeIceland\u201d, que \u00e9 um jogo de palavras com o nome do pa\u00eds em ingl\u00eas, Iceland (Isl\u00e2ndia). [N.T.] <a href=\"#c921e286-ec91-48a5-aee9-603b309a2209-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 7 \u2013 junho de 2025.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A l\u00edngua em tempo de mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":794,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Professor de Humanidades e Meio Ambiente na Universidade de Princeton. 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