{"id":895,"date":"2025-08-10T20:13:12","date_gmt":"2025-08-10T23:13:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/?p=895"},"modified":"2025-09-10T18:36:03","modified_gmt":"2025-09-10T21:36:03","slug":"plataformas-e-a-crise-da-imaginacao-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/carbono\/2025\/08\/10\/plataformas-e-a-crise-da-imaginacao-politica\/","title":{"rendered":"Plataformas e a Crise da Imagina\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Let\u00edcia Cesarino<sup data-fn=\"76a093ed-793d-42e1-95a7-7dba9b03e882\" class=\"fn\"><a href=\"#76a093ed-793d-42e1-95a7-7dba9b03e882\" id=\"76a093ed-793d-42e1-95a7-7dba9b03e882-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a ascens\u00e3o de Donald Trump para um segundo mandato em 2025, e o alinhamento pol\u00edtico cada vez mais expl\u00edcito dos principais fundadores e CEO do Vale do Sil\u00edcio com sua pol\u00edtica transacional e antidemocr\u00e1tica, a pauta da soberania foi catapultada para o centro do debate p\u00fablico e midi\u00e1tico brasileiro. O incr\u00edvel imbr\u00f3glio envolvendo a guerra tarif\u00e1ria com o Brasil foi se mostrando ser menos sobre a anistia a Jair Bolsonaro do que sobre o uso do Estado americano para defender interesses econ\u00f4micos, notadamente, das chamadas big techs. O pix se coloca como entrave \u00e0 expans\u00e3o de empresas como a Meta no mercado brasileiro de pagamentos digitais, a Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados atrapalha o extrativismo massivo dos vampiros da Intelig\u00eancia Artificial, o julgamento do Marco Civil da Internet pelo STF tornou-se uma pedra no sapato de uma ind\u00fastria que acreditava j\u00e1 ter travado qualquer regulamenta\u00e7\u00e3o significativa por meio de seus pesados lobbies junto ao Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meio ao escalamento das tentativas de interfer\u00eancia de Donald Trump no processo soberano de puni\u00e7\u00e3o da intentona golpista no Brasil, o procurador do MPF-SP Yuri Luz fez um <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2025\/07\/crimes-contra-a-soberania-nacional-uma-reforma-necessaria.shtml\">alerta <\/a>crucial. A legisla\u00e7\u00e3o em vigor relativa a \u201ccrimes contra a soberania nacional\u201d, ao entender guerra e seguran\u00e7a nacional apenas em termos territoriais, n\u00e3o contempla muitos dos cen\u00e1rios que hoje se desenrolam, como a \u201cweaponiza\u00e7\u00e3o\u201d de tarifas comerciais e a possibilidade de empresas estrangeiras cortarem acesso a nuvens e outros servi\u00e7os essenciais utilizados pelo pr\u00f3prio Estado brasileiro. Em outras palavras, a lei n\u00e3o antecipou que guerras e disputas por soberania ocorreriam, hoje, em larga medida em, e atrav\u00e9s de, infraestruturas de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso significa que os debates sobre regulamenta\u00e7\u00e3o de plataformas, Intelig\u00eancias Artificiais e outros servi\u00e7os digitais foram ultrapassados pelos eventos. N\u00e3o que n\u00e3o devam prosseguir; mas n\u00e3o s\u00e3o mais caminhos suficientes para defender nossa democracia e, agora, nossa soberania. O jogo mudou. Agora, trata-se de uma disputa com as plataformas pelo que elas, na realidade, sempre foram: espa\u00e7os de soberania paralela sobre os quais o poder p\u00fablico nunca teve inger\u00eancia alguma, a n\u00e3o ser via decis\u00e3o judicial \u2013 justamente, a previs\u00e3o do Artigo 19 do Marco Civil da Internet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se falamos de soberania, n\u00e3o estamos falando em pol\u00edtica num sentido convencional, ou seja, de terreno comum compartilhado onde advers\u00e1rios possam debater ideias e propostas. Estamos falando de metapol\u00edtica e de uma l\u00f3gica de guerra \u2013 n\u00e3o no sentido da viol\u00eancia, mas da estrat\u00e9gia e t\u00e1tica, de disputa por territ\u00f3rio, inclusive no \u201cterreno humano\u201d. Assim, diagn\u00f3sticos de conjuntura s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o num sentido especulativo ou contemplativo, e sim para orientar a a\u00e7\u00e3o t\u00e1tica no terreno m\u00f3vel da guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o diagn\u00f3stico \u00e9 que a internet, no modelo plataformizado e hiperconcentrado que existe hoje, tornou-se uma amea\u00e7a existencial \u00e0 democracia. Na atual conjuntura, a pauta da soberania digital assume uma urg\u00eancia in\u00e9dita diante do r\u00e1pido avan\u00e7o da corros\u00e3o democr\u00e1tica, como mostra o caso dos EUA. Existe um ponto de n\u00e3o-retorno, depois do qual esse processo se torna irrevers\u00edvel. \u00c9 preciso, portanto, atuar em duas frentes: desacelera\u00e7\u00e3o do escalamento para evitar o colapso da democracia, mas tamb\u00e9m construir infraestruturas alternativas nas fraturas da hegemonia dominante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso compreender, ainda, que tecnologias, e em especial tecnologias cibern\u00e9ticas (ou seja, aquelas que mimetizam a camada da cogni\u00e7\u00e3o humana que compartilhamos com outros animais), n\u00e3o s\u00e3o nem nunca foram neutras. M\u00e1quinas cibern\u00e9ticas s\u00e3o constru\u00eddas com prop\u00f3sito, o que significa que os designs algor\u00edtmicos sempre t\u00eam um vi\u00e9s. E os vieses atuais s\u00e3o constru\u00eddos com base no legado do complexo industrial-militar no qual a ind\u00fastria tech se desenvolveu ao longo do s\u00e9culo XX. De um lado, a l\u00f3gica do capital de risco, da economia da aten\u00e7\u00e3o, da publicidade de massa; e, de outro, a l\u00f3gica da vigil\u00e2ncia, do controle e da guerra. Esse \u00e9 o DNA da ind\u00fastria: nesse sentido, ela tem uma tecnopol\u00edtica que sempre foi antidemocr\u00e1tica, como detalhei em outras <a href=\"https:\/\/www.ubueditora.com.br\/mundo-avesso.html\">ocasi\u00f5es<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse car\u00e1ter tecnopol\u00edtico das plataformas come\u00e7ou a ficar evidente dez anos atr\u00e1s, com a primeira onda de elei\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7as populistas de extrema direita. Naquele momento, vieram \u00e0 tona os problemas que passamos a designar como p\u00f3s-verdade, desinforma\u00e7\u00e3o, polariza\u00e7\u00e3o, populismo, teorias da conspira\u00e7\u00e3o, radicaliza\u00e7\u00e3o, <em>brain rot<\/em>,al\u00e9m de outros efeitos sist\u00eamicos \u201cn\u00e3o intencionais\u201d da plataformiza\u00e7\u00e3o da vida, que ent\u00e3o se aceleraram com a pandemia da covid-19. \u00c9 nesse momento que emerge a regula\u00e7\u00e3o de plataformas como principal pauta pol\u00edtica para mitiga\u00e7\u00e3o desses problemas, exemplificada no Brasil pela proposta, hoje praticamente extinta, do Projeto de Lei 2.630\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos dois anos, contudo, numa nova fase da disputa metapol\u00edtica entre democracia e ind\u00fastria tech se anuncia \u2013 ao que tudo indica, marcada pela pauta da soberania digital. Podemos elencar como marcos a elei\u00e7\u00e3o de Trump para um segundo mandato e a populariza\u00e7\u00e3o das IAs generativas. O alinhamento das big techs com o presidente americano desvelou uma esp\u00e9cie de reencontro entre ess\u00eancia e apar\u00eancia. Hoje, a ind\u00fastria pode ser, de forma aberta e consciente de si, o que ela sempre foi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel que, tomados individualmente, nem todos os envolvidos tenham plena consci\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica entre sua ind\u00fastria e a democracia. \u00c9 o caso de Bill Gates \u2013 \u00fanico fundador entre as top 5, ali\u00e1s, que n\u00e3o compareceu \u00e0 posse de Trump. Mas para outros, que se veem hoje dentro dos c\u00edrculos de poder mais \u00edntimos da Casa Branca, isso sempre foi n\u00e3o apenas consciente, mas um projeto. Talvez a fala mais contundente nesse sentido seja a de Peter Thiel, patrono financeiro e ideol\u00f3gico do vice-presidente J.D. Vance, e fundador da PayPal, Palantir e outras empresas que v\u00eam n\u00e3o apenas fechando contratos governamentais milion\u00e1rios em \u00e1reas como a defesa, mas tamb\u00e9m tendo seus pr\u00f3prios altos executivos nomeados para altas patentes do <a href=\"https:\/\/subscriber.politicopro.com\/article\/2025\/06\/palantirs-cto-prompted-the-army-to-create-a-program-for-elite-tech-executives-00407682\">Ex\u00e9rcito<\/a> americano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2010, num evento significativamente chamado Libertopia, Thiel <a href=\"https:\/\/perfectunion.us\/peter-thiel-the-billionaire-buying-the-end-of-democracy\/\">assim<\/a> se dirigiu a uma plateia de pares: \u201cN\u00f3s nunca vencer\u00edamos uma elei\u00e7\u00e3o para implementar certas pautas porque somos uma pequena minoria. Mas talvez seja poss\u00edvel mudar unilateralmente o mundo, sem ter que ficar tentando convencer as pessoas, implorando para pessoas que nunca concordariam conosco, atrav\u00e9s de meios tecnol\u00f3gicos. \u00c9 por isso que a tecnologia \u00e9 essa alternativa formid\u00e1vel \u00e0 pol\u00edtica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde ent\u00e3o, as infraestruturas digitais se tornaram de fato uma alternativa total \u00e0 pol\u00edtica democr\u00e1tica. Inclusive, a ideologia neorreacion\u00e1ria, que muitos desses executivos e fundadores abra\u00e7am, se baseia num diagn\u00f3stico sombrio de exaust\u00e3o e colapso iminente da democracia. Eles prop\u00f5em, no seu lugar, a funda\u00e7\u00e3o de Estados privados (tamb\u00e9m chamados <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6iHlfLPDoS4&amp;t=2216s\">estados-rede<\/a>), sem o fardo dos impostos ou da solidariedade dos direitos universais, regidos de forma monocr\u00e1tica por h\u00edbridos de CEOs e monarcas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante disso, fica claro por que a pauta da regula\u00e7\u00e3o, sozinha, n\u00e3o \u00e9 mais suficiente para defender a democracia. Isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura soberana e livre do controle da ind\u00fastria tech e de seus aliados autocr\u00e1ticos. \u00c9 urgente que a sociedade brasileira e o poder p\u00fablico tenham controle sobre a materialidade t\u00e9cnica dos dispositivos digitais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chegamos aqui ao que talvez seja a quest\u00e3o mais central da nossa \u00e9poca: a da imagina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Com o ocaso do socialismo real nos anos 1980, a esquerda perdeu a alternativa existencial ao capitalismo que sustentava sua imagina\u00e7\u00e3o de futuro, inaugurando a era do que Mark Fisher chamou de <a href=\"https:\/\/autonomialiteraria.com.br\/loja\/teoria-politica\/realismo-capitalista\/\">realismo capitalista<\/a>. O polo da utopia \u201crevolucion\u00e1ria\u201d foi ent\u00e3o ocupado, de forma mistificada, pela extrema direita, atrav\u00e9s das m\u00eddias digitais e das fantasias reacion\u00e1rias ali cultivadas, e que t\u00eam se mostrado capazes de capturar afetivamente boa parte do senso comum \u2013 como fez, ali\u00e1s, o fascismo hist\u00f3rico no entreguerras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito se tem especulado sobre como destravar essa crise de imagina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Mas talvez o problema esteja nas pr\u00f3prias premissas da quest\u00e3o. Na nossa sociedade, tendemos a entender a imagina\u00e7\u00e3o como dizendo respeito a ideias: se eu estudar o suficiente, debater com os grandes intelectuais, ocupar bastante espa\u00e7o na m\u00eddia, refletir intensamente, eu posso, quem sabe, ser brindada com o grande insight que ir\u00e1 destravar a prosperidade da esquerda brasileira. Infelizmente, n\u00e3o \u00e9 assim que funciona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como nos lembra a <a href=\"https:\/\/www.ubueditora.com.br\/ecologia-da-mente.html\">ecologia da mente<\/a>, \u201cideias\u201d n\u00e3o pertencem a um simb\u00f3lico abstrato, mas se ancoram na materialidade do mundo humano e n\u00e3o-humano. N\u00e3o apenas indiv\u00edduos, mas \u201csistemas\u201d tamb\u00e9m imaginam, e eles imaginam oscilando, concretamente, entre o que a sociedade \u00e9 e o que ela poderia ser. Nos termos de Victor Turner, entre estrutura e antiestrutura. Isso \u00e9 verdadeiro para outros <a href=\"https:\/\/aeon.co\/essays\/how-evolution-favoured-costly-and-frivolous-animal-play\">mam\u00edferos<\/a>, para sociedades do <a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9786559211722\/o-despertar-de-tudo\">passado<\/a>, e tamb\u00e9m para nossas sociedades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sob esse \u00e2ngulo, fica claro que nos sentimos impotentes, bloqueados porque hoje a ind\u00fastria, com sua l\u00f3gica aceleracionista e antidemocr\u00e1tica, domina toda a infraestrutura pela qual opera a nossa \u201cmente estendida\u201d. Nossa capacidade de imaginar est\u00e1 materialmente travada, nossos territ\u00f3rios existenciais n\u00e3o conseguem oscilar para alternativas porque estas foram capturadas pelo mundo da fantasia \u2013 inclusive, das fantasias (contra)revolucion\u00e1rias \u2013 das plataformas digitais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como ensinou Marx, fazemos hist\u00f3ria, mas n\u00e3o nas condi\u00e7\u00f5es que escolhemos. Por\u00e9m, tamb\u00e9m aprendemos com o materialismo hist\u00f3rico-dial\u00e9tico que nenhuma hegemonia \u00e9, ou pode ser, eterna. Enquanto os neorreacion\u00e1rios apostam no colapso da democracia, precisamos apostar na acelera\u00e7\u00e3o e no colapso da ind\u00fastria deles. A pr\u00f3pria converg\u00eancia tecnopol\u00edtica antidemocr\u00e1tica, eug\u00eanica e imperialista que vemos hoje \u00e9 um prov\u00e1vel sinal de que esse limite possa estar chegando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da\u00ed conclui-se que apenas explora\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas pelos caminhos da soberania digital ser\u00e3o capazes de propiciar a materialidade para que essa nova imagina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica emerja. Isso implica nos prepararmos, desde j\u00e1, para quando as fendas na hegemonia do capitalismo de plataforma come\u00e7arem a aparecer. Enquanto eles se preparam para o fim do mundo, n\u00f3s nos preparamos para o in\u00edcio de um novo mundo. E isso s\u00f3 pode ser feito nos e a partir dos territ\u00f3rios, em alian\u00e7as heterog\u00eaneas em rede, cada um com sua voca\u00e7\u00e3o e campo de atua\u00e7\u00e3o. Na forma do que David Graeber chamou de <a href=\"https:\/\/theanarchistlibrary.org\/library\/david-graeber-revolution-in-reverse\">revolu\u00e7\u00e3o ao contr\u00e1rio<\/a>: de baixo pra cima, n\u00e3o (apenas) planejando, mas performando a sociedade dos comuns que queremos \u2013 imaginando, na pr\u00e1tica, um \u201ccomunismo\u201d para o s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">* * *<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"76a093ed-793d-42e1-95a7-7dba9b03e882\">Antrop\u00f3loga, professora na Universidade Federal de Santa Catarina, onde coordena o rec\u00e9m-criado Laborat\u00f3rio de Humanidades Digitais (LABHDUFSC). Autora de <em><a href=\"https:\/\/www.ubueditora.com.br\/mundo-avesso.html?gad_source=1&amp;gad_campaignid=20950886044&amp;gclid=CjwKCAjwhuHEBhBHEiwAZrvdchdl8wbTvXB9uSfHzb0k8VYlkWjnC85PN8k9DnFQwKvZiQ2cy1IUpxoC0pgQAvD_BwE\">O Mundo do Avesso: Verdade e Pol\u00edtica na Era Digital<\/a><\/em>; foi Assessora Especial no Minist\u00e9rio de Direitos Humanos e da Cidadania entre 2023 e 2024. <a href=\"#76a093ed-793d-42e1-95a7-7dba9b03e882-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>Carbono<\/em>, vol. 9 \u2013 agosto de 2025.<br>ISSN: 3085-7066<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste artigo in\u00e9dito, Let\u00edcia Cesarino aborda a crise da imagina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a necessidade de afirma\u00e7\u00e3o da soberania em um contexto mundial marcado pelo apoio das Big Techs \u00e0 ideologia neorreacion\u00e1ria <\/p>\n","protected":false},"author":35,"featured_media":900,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Antrop\u00f3loga, professora na Universidade Federal de Santa Catarina, onde coordena o rec\u00e9m-criado Laborat\u00f3rio de Humanidades Digitais (LABHDUFSC). 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