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Sem ridículo não há tango Nelson Rodrigues Comentário: Luís Augusto Fischer (UFRGS) Ao comentar a vida brasileira, Nelson é o cronista ameno, que menciona nomes de amigos seus, mas é também impiedoso, não poupando nossas mazelas de país em busca de reconhecimento pelos países centrais. Isso também acontece, como se vê, nos comentários sobre outros países americanos, neste caso a Argentina. O cronista ridiculariza a volúpia brasileira por aquele reconhecimento na figura da caixa de fósforos premiada, mas aproveita para comentar, de modo surpreendente, o suposto abandono argentino em relação ao tango, afinal uma grande contribuição à cultura ocidental. Nos dois casos, o tema é o subdesenvolvimento, tratado humoristicamente mas reconhecido como um drama concreto da vida sul-americana. Nelson teve a virtude de flagrar aspectos profundos do modo de ser dos brasileiros a partir de evidências que só ele conseguia enunciar. E mais ainda: para enunciá-las, Nelson corria riscos consideráveis, porque contrariava a média do comentário de jornal, com a coragem que só os ensaístas têm. |