Histórico

Pedra fundamental do CECLIMAR.

A trajetória acadêmica do CECLIMAR remonta há muitos anos antes de sua criação em 1978. Culmina uma antiga relação de amor entre o Prof. Irajá Damiani Pinto, seu idealizador, e a região costeira do Rio Grande do Sul. Seu fascínio foi despertado já na infância, nos veraneios de família e tanto foi que, quando estudante de Ciências Naturais, dedicou-se ao conhecimento da natureza e ecologia da região. 

Mais tarde, já como professor da UFRGS, ao se aplicar ao estudo dos ostracodes do Litoral Norte, pensou em construir, no litoral, uma sede de pesquisas que pudesse proporcionar cursos e estudos na área. No final da década de 70, depois de vários anos de pesquisa no litoral, apresentou à Câmara Especial de Pós Graduação e Pesquisa da UFRGS o projeto de criação de um Centro de Ensino e Pesquisa que foi imediatamente aprovado.

A vocação e os propósitos acadêmicos do CECLIMAR estavam definidos e traçados!

A área escolhida para a construção do Centro, 12 hectares localizados às margens da Lagoa de Tramandaí e pertencentes ao Patrimônio da União, tiveram sua posse solicitada pelo então reitor, Prof. Homero Só Jobim, e aceita pela União em 1978.

A localização do Centro pode ser considerada privilegiada, às margens do complexo estuarino lagunar de Tramandaí, ligado a um sistema de lagoas interconectadas por canais naturais, que se estende para o norte e sul, formando o rosário de lagoas da Planície Costeira do Rio Grande do Sul, compreendendo ecossistemas de grande biodiversidade, juntamente com a costa marinha e o sistema de dunas remanescente. Conforme especialistas estudiosos da área, é um ecossistema único no mundo.

Com o apoio do Reitor, Prof. Earle Diniz Macarthy Moreira, o Centro foi instalado provisoriamente na Colônia de Férias da UFRGS, em Tramandaí, enquanto ocorria a tramitação do pedido de posse da área. Já nesta época, final da década de 70, realizaram-se os primeiros cursos de extensão de Biologia Marinha para estudantes de graduação da UFRGS e de outras universidades, para professores da rede de ensino dos municípios da região e para estudantes de colégios de São Paulo que vinham para cá especialmente com esta finalidade.

O projeto arquitetônico de construção do Centro, realizado pelo engenheiro Luiz Carlos Bortolini e pelo arquiteto Cyrillo Crestani, previa prédios para pesquisas em zoologia, paleontologia, recursos minerais, biologia, ecologia, fontes de energia (eólica) e hidrologia. Além disto, projetava áreas destinadas à administração, centro de saúde, museu, aquários, biblioteca, laboratórios, garagens (inclusive para barcos), alojamentos e lazer. Era o marco inicial de um Campus avançado da UFRGS, um centro de referência onde funcionariam vários institutos voltados ao ensino de graduação e pós-graduação, às pesquisas nas áreas de oceanografia, limnologia, ecologia de água doce, geologia e biologia marinha e às atividades de extensão junto à comunidade. 

Em fevereiro de 1981 foi lançada a pedra fundamental do CECLIMAR e em janeiro de 1983 foi inaugurado o prédio Central, hoje denominado de Administrativo, construído com recursos destinados pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, na pessoa do Governador Amaral de Souza, e transferido para a UFRGS através da FAPERGS. O CECLIMAR contou ainda com o apoio financeiro da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), Prefeitura Municipal de Tramandaí e Petrobras TRANSPETRO – Terminal Marítimo Alm. Soares Dutra.

Por 20 anos o CECLIMAR esteve ligado diretamente à Reitoria da UFRGS sem, contudo, ser oficializado no Regimento da Universidade.

Até julho de 1989 o Centro foi dirigido por seu fundador, Prof. Irajá, que trabalhou arduamente na busca de recursos que consolidassem seu ideal de um Centro de Pesquisas com professores/pesquisadores e linhas de pesquisa nas áreas de oceanografia, limnologia, ecologia de água doce, geologia e biologia marinha. Contava, nesta época, com um grupo de pesquisadores (biólogos, geólogos, oceanógrafos e médico veterinário), contratados através de projetos, que desenvolviam pesquisas nas áreas de ictiologia, malacologia, carcinologia, geologia costeira e patologias de animais aquáticos. O quadro funcional efetivo era composto por técnicos administrativos, técnicos de laboratório, auxiliares gerais e dois bibliotecários. Juntos estruturaram setores importantes no apoio à pesquisa, ensino e extensão, como o Museu de Ciências Naturais, a Biblioteca e os Laboratórios de ensino e pesquisa. Neste período, projetos de pesquisa e extensão importantes para a região foram desenvolvidos em parceria com o CECLIMAR ou com seu apoio, entretanto não foram suficientes para a consolidação do Centro como Unidade regimentalmente reconhecida dentro da UFRGS. Por outro lado, devido a “suas atividades, sempre muito focadas na comunidade do Litoral Norte e em seus recursos naturais e à popularidade alcançada pelo Museu, o Centro tornou-se rapidamente uma referência para toda região nas áreas da educação, da cultura e da ciência”.

De julho a outubro de 1989 o Centro foi dirigido temporariamente pela Profa. Drª. Yvonne T. Sanguinetti. Em novembro de 1989, assumiu a Direção do Centro a Profa. Drª. Norma Luiza Würdig que, como o Prof. Irajá, acreditava no potencial do CECLIMAR e envidou todos seus esforços no sentido de dar continuidade ao trabalho iniciado. A nova Direção enfrentou momentos difíceis com carência de recursos humanos e financeiros, pois, finalizados os projetos, as verbas acabaram e o grupo de pesquisa foi dizimado. Ainda assim, foi uma década (1989-1998) profícua em convênios voltados às pesquisas na região. Foram anos marcados pelo forte trabalho de extensão desenvolvido no Centro com destaque para os programas de educação ambiental. Neste momento surgiram as trilhas ecológicas na própria área do Centro e foram montadas atividades visando a conservação do meio ambiente entre elas as observações no caranguejal e visitas guiadas ao acervo do Museu e Minizoo. Em termos de ensino, foram realizados cursos em nível de aperfeiçoamento e graduação, precursores do Curso de Biologia existente hoje no CECLIMAR. É deste período (1995) a construção do prédio da Unidade de Graduação do CECLIMAR, com 180m², numa parceria entre a UFRGS e a Prefeitura Municipal de Imbé, destinado a expansão do ensino universitário do Litoral Norte.

Em abril de 1997, a Direção do Centro foi assumida pelo Prof. Dr. João Carlos Coimbra, do Departamento de Paleontologia e Estratigrafia do Instituto de Geociências permanecendo nesta função até abril de 2001. Durante sua gestão, o CECLIMAR passou a Órgão Auxiliar do Instituto de Biociências.

Ao encerrar esta década, entre 1997 e 1998, o CECLIMAR participou ativamente de importantes Programas Nacionais de Pesquisa (Projeto PED e REVIZEE). Garantiu ainda, através de Protocolo de Intenções entre a Universidade e a Associação dos Municípios do Litoral Norte do Rio Grande do Sul (AMLINORTE), a realização de vários convênios com finalidade de desenvolver projetos de pesquisa e ensino na região.

Os anos que se seguiram 1999 a 2008 foram de intenso trabalho em vultosos projetos e programas de pesquisa, ensino e extensão que determinaram grandes mudanças na estrutura do CECLIMAR e, consequentemente em suas atividades. Destaca-se neste sentido o programa que desenvolveu o Curso de Ciências Biológicas para Professores Leigos em convênio com prefeituras dos municípios do Litoral Norte para qualificar professores das redes municipais (2001); a criação do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres e Marinhos (CERAM), em 2002; o Projeto “Adequação de laboratórios de pesquisa de biologia do pescado e de monitoramento da qualidade da água com vistas ao desenvolvimento da pesca profissional artesanal no Litoral Norte do Rio Grande do Sul”, em 2006; a criação do Curso de Ciências Biológicas: ênfases em Biologia Marinha e Costeira e Gestão Ambiental Marinha e Costeira (2006); e a criação do Setor de Coleções, em 2008. Dirigiram o CECLIMAR neste período, o Prof. Drº. Luiz Paulo Rodrigues Cunha, de maio de 2001 a outubro de 2002, e a Profª. Drª. Norma Luiza Würdig, de novembro de 2002 a janeiro de 2008.

As mudanças ocorridas neste período determinaram a necessidade de ampliação do quadro funcional do Centro com recursos humanos qualificados que pudessem suprir as novas necessidades demandadas. O reconhecimento de tal carência pela administração central da UFRGS foi “imediato” e a nova década tem início com o quadro de técnicos do CECLIMAR acrescido com vagas de biólogos, químico, museólogo, médico veterinário, técnicos administrativos e técnicos especializados em química e biologia. A este novo quadro somaram-se dois professores do Departamento de Zoologia que solicitaram seu exercício no CECLIMAR.

Em janeiro de 2008, a Direção do Centro passou às mãos da Profª. Drª. Carla Penna Ozório que exerceu a função até dezembro de 2011. Em janeiro de 2012, a Profª. Drª. Norma Luiza Würdig assumiu outra vez a Direção e permaneceu no cargo até janeiro de 2016, quando foi substituída novamente pela Profª. Drª. Carla Penna Ozório.

Atualmente a Direção do Centro é exercida pelo Prof. Dr. Eduardo Guimarães Barboza e como diretora substituta a técnica Marlene Jung.

Primeira Logomarca do CECLIMAR

A primeira logomarca do CECLIMAR expressa graficamente todos os elementos que fazem parte da concepção deste Centro de Estudos: os seres vivos representados pela ave, e o perfil geológico do litoral, representado pelo o oceano, o mar, a costa e as lagoas costeiras. Acima, paira um arco-íris fazendo votos de um mundo melhor através dos dizeres em latim Si vis pacem difunde sapientiam et culturam que significa se queres paz, difunde saber e cultura. Desde sua criação até hoje, essa é a frase lema do CECLIMAR elaborada pelo seu próprio fundador.