{"id":401,"date":"2024-05-20T08:43:12","date_gmt":"2024-05-20T11:43:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/?page_id=401"},"modified":"2024-05-20T08:43:13","modified_gmt":"2024-05-20T11:43:13","slug":"nota-a-comunidade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/?page_id=401","title":{"rendered":"Nota \u00e0 Comunidade"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"623\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/3-sem-bordas-Elipse-Ufrgs-escuro-1-1024x623.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-405\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/3-sem-bordas-Elipse-Ufrgs-escuro-1-1024x623.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/3-sem-bordas-Elipse-Ufrgs-escuro-1-300x183.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/3-sem-bordas-Elipse-Ufrgs-escuro-1-768x467.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/3-sem-bordas-Elipse-Ufrgs-escuro-1.png 1463w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"300\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cecogr-1-300x300.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-406\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cecogr-1-300x300.gif 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cecogr-1-150x150.gif 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cecogr-1-510x510.gif 510w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"239\" height=\"300\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Gaigerco-1-239x300.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-407\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Gaigerco-1-239x300.png 239w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Gaigerco-1-816x1024.png 816w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Gaigerco-1-768x963.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Gaigerco-1-1225x1536.png 1225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ceco\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Gaigerco-1-1633x2048.png 1633w\" sizes=\"(max-width: 239px) 100vw, 239px\" \/><\/figure><\/div><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>NOTA \u00c0 COMUNIDADE<\/p>\n\n\n\n<p>A inunda\u00e7\u00e3o gerada pela cat\u00e1strofe clim\u00e1tica que assola o estado e atinge centenas de munic\u00edpios, j\u00e1 causou mais de uma centena de mortes, deixou milhares de desabrigados e devastou casas, lavouras e obras de infraestrutura. Diante desta cat\u00e1strofe, \u00e9 natural que se busquem solu\u00e7\u00f5es buscando evitar a repeti\u00e7\u00e3o de uma trag\u00e9dia semelhante.<\/p>\n\n\n\n<p>A extensa Bacia Hidrogr\u00e1fica do Gua\u00edba com 84.763 km<sup>2<\/sup>, produz uma vaz\u00e3o m\u00e9dia anual elevada junto \u00e0 desembocadura na Ponta de Itapu\u00e3, em volumes suficientes para manter o sistema h\u00eddrico da Lagoa dos Patos com uma cota um pouco acima do n\u00edvel do mar e, principalmente, manter as caracter\u00edsticas tipicamente l\u00edmnicas (de \u00e1gua doce) na parte norte da laguna.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Lagoa dos Patos possui um escoamento das \u00e1guas, desde Itapu\u00e3 at\u00e9 a desembocadura no Canal de Rio Grande, controlado pela a\u00e7\u00e3o dos ventos, diferente da Bacia do Gua\u00edba onde a vaz\u00e3o ocorre por for\u00e7a da gravidade. Por estas caracter\u00edsticas, a movimenta\u00e7\u00e3o das \u00e1guas at\u00e9 o canal no sul da laguna ocorre lentamente, enquanto a vaz\u00e3o fluvial introduz um volume consider\u00e1vel d\u2019\u00e1gua em propor\u00e7\u00f5es superiores \u00e0quelas em Rio Grande. Este desequil\u00edbrio no balan\u00e7o h\u00eddrico causa eleva\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis d\u2019\u00e1gua da Lagoa dos Patos e, consequentemente, as inunda\u00e7\u00f5es se estendem tamb\u00e9m para este sistema h\u00eddrico.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o objetivo de facilitar o escoamento das \u00e1guas da Lagoa e evitar ou reduzir o impacto de novos epis\u00f3dios de chuva extrema, nas \u00faltimas semanas tem se aventado a possibilidade da constru\u00e7\u00e3o de um canal de drenagem sobre a restinga (a barreira arenosa) que separa a Lagoa dos Patos do Oceano Atl\u00e2ntico. No entanto, esta proposi\u00e7\u00e3o demanda muita precau\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As obras de Engenharia Costeira exigem especial compreens\u00e3o da natureza, da complexidade das vari\u00e1veis que controlam o desenvolvimento dos habitats, o movimento dos sedimentos, tanto pela \u00e1gua como pelo vento, e da pr\u00f3pria hidrodin\u00e2mica da zona costeira. A hist\u00f3ria \u00e9 rica em exemplos de interven\u00e7\u00f5es humanas na zona costeira que fracassaram, resultando em fortes impactos negativos tais como assoreamento, eros\u00e3o e saliniza\u00e7\u00e3o. No caso da comunica\u00e7\u00e3o entre a c\u00e9lula norte da Lagoa dos Patos e o mar, os impactos potenciais n\u00e3o se restringiriam ao ambiente da barreira costeira. Deve-se considerar, por exemplo, o risco da introdu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua salgada em \u00e1reas onde a \u00e1gua \u00e9 utilizada para agricultura e para abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel. A entrada de \u00e1gua salobre no norte da Lagoa implicaria em forte impacto nos ecossistemas terrestres e l\u00edmnicos, adaptados h\u00e1 milhares de anos nesta zona costeira, repercutindo tamb\u00e9m nas atividades pesqueiras.<\/p>\n\n\n\n<p>A efici\u00eancia em termos de acelera\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o lagunar pela constru\u00e7\u00e3o de um canal sobre a barreira na parte norte da laguna precisa ser rigorosamente avaliada. Um projeto desta envergadura pode causar mais preju\u00edzos do que benef\u00edcios, dada a extens\u00e3o da \u00e1rea sobre a barreira, das caracter\u00edsticas litol\u00f3gicas do terreno, dos ecossistemas terrestres e l\u00edmnicos envolvidos, dos impactos hidrodin\u00e2micos, tanto no corpo lagunar como nas praias oce\u00e2nicas, exigindo uma compreens\u00e3o detalhada de cada impacto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, para que n\u00e3o seja introduzida uma solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica que produza desequil\u00edbrios irrevers\u00edveis na estrutura econ\u00f4mica, social e natural, da regi\u00e3o, um projeto desta natureza deve ser precedido por uma avalia\u00e7\u00e3o rigorosa dos impactos e sua repercuss\u00e3o em todos os n\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oce\u00e2nica (CECO)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Instituto de Geoci\u00eancias &#8211; Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">\u00a0e Grupo de A\u00e7\u00f5es Integradas em Gerenciamento Costeiro (GAIGERCO)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Universidade Federal do Rio Grande (FURG)<\/p>\n\n\n\n<p>(publicado em 18 de maio de 2024)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NOTA \u00c0 COMUNIDADE A inunda\u00e7\u00e3o gerada pela cat\u00e1strofe clim\u00e1tica que assola o estado e atinge centenas de munic\u00edpios, j\u00e1 causou mais de uma centena de mortes, deixou milhares de desabrigados e devastou casas, lavouras e obras de infraestrutura. 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