A engenharia mecânica por si só é uma vasta experiência em seus diversos campos de atuação. Não apenas se limitando a componentes mecânicos, em termos de projeto, simulação e validação, como também se estendendo a áreas térmicas e estruturais. Mais além, a engenharia nos prepara para exercer diversas funções em áreas de gerência, empreendedorismo e muito mais!
Dando continuidade às nossas entrevistas, hoje trazemos uma visão diferente a respeito do profissional formado em Engenharia Mecânica. Nosso entrevistado, Eduardo dos Santos Quadros é ex-aluno de engenharia mecânica na UFRGS e hoje trabalha com propriedade intelectual.
- (CEMEC) Conta um pouco de como foi sua trajetória durante a faculdade.
(Eduardo) Comecei na mecânica antes mesmo da engenharia. Fiz curso técnico no Parobé, e então decidi de fato que era o caminho que gostaria de seguir. Prestei junto com o técnico, acabei passando e entrei em 2013/2. Durante a faculdade participei da empresa júnior (OTMZA) bem no início, que foi muito importante para a minha caminhada. Não participei de projeto de laboratórios pois já tinha em mente que queria seguir a área de empreendedorismo, que me cativava mais.
Entrei no estágio obrigatório já na área de propriedade intelectual, onde tive meu primeiro contato com a área. Acabei me formando em 2018 e no momento estou no mestrado aqui na UFRGS (PROMEC). Nesse meio tempo, após formado, também fiz uma pós-graduação em propriedade intelectual, direito e ética, que me encaminhou ainda mais nessa área legislativa. A graduação foi bem importante pelo conhecimento teórico e técnico para suportar uma série de tecnologias que eu viria a participar, principalmente por trabalhar com patentes não apenas na área mecânica, como energia, climatização, refrigeração, entre outras, que foram bem supridas pelo próprio curso de engenharia mecânica que por ser muito amplo contemplou estes conhecimentos.
- O que é propriedade intelectual e como você foi trabalhar na área?
Eduardo: Como comentei, acabei entrando no estágio, primeiramente no não obrigatório e depois no obrigatório. Foi interessante, principalmente em provar que o engenheiro podia atuar nessa área. Na época tive dificuldade por parte do curso em aceitar meu estágio, que só foi aprovada após um documento que apresentei explicando as atividades e comprovando a relevância do engenheiro nessa área. Hoje não há como redigir uma patente de forma adequada sem que haja uma consultoria técnica por parte do engenheiro, por exemplo. Não apenas engenheiros atuam no setor de patentes, como também outros profissionais como biólogos e químicos. Esta consultoria técnica acaba sendo fundamental para a prospecção e proliferação da cultura de propriedade intelectual, que nada mais é que uma proteção de diversos tipos de ativos, aqui comentei sobre patentes mas também há o design de produtos, marcas, softwares, placas eletrônicas, segredos industriais e por aí vai.
- Como está sendo trabalhar neste setor e quais tuas expectativas para o futuro?
É muito tri. Porque estou trabalhando com inovação, na ponta de lança dos projetos por assim dizer, enquanto o projeto está se iniciando ou já consolidado, em nível de protótipo, enquanto o pedido de patente está se realizando. Então tu responde tanto administrativamente quanto judicialmente em perícias, e isso é importante para que um engenheiro acabe atuando. E o mais legal disso tudo é que cada dia é diferente do outro: ontem eu trabalhei com uma coisa, hoje estou trabalhando com outra e amanhã tenho certeza que irei trabalhar com outra diferente, então tem uma flexibilidade de aprendizado muito grande, que permite que trabalhe não apenas com a parte da mecânica, mas também com outras frentes.
Para o futuro espero me especializar ainda mais em diferentes áreas de engenharia, me envolver com perícias e litígios de ativos intelectuais e estudar os aspectos legislativos. Não só isso, meu desejo é atingir o máximo de pessoas e contribuir com as criações dos inventores, criar estratégias de negócios e gerir suas proteções.
- Como você vê a engenharia atuando em outras áreas além do setor industrial mais tradicional?
Eu vejo que a engenharia está atuando hoje não só no setor industrial, como tradição, mas também no ramo de investimentos, propriedade intelectual, vestuário, entre outros. Nós temos capacidade de ir pra área financeira por exemplo, então o engenheiro é muito capaz pelo seu aporte de conhecimento que é dado na engenharia. Aqui na UFRGS por exemplo é dado um aporte de conteúdo que permite o engenheiro trabalhar em diversas frentes, ele sai daqui pronto pra ser gestor, ou pelo menos para assumir um cargo de gerência, administrar algo seja no setor que for.
- Que conselho tu daria pra quem tá começando na engenharia e gostaria de seguir nessa área?
O primeiro passo é perguntar se gosta da área do direito, se gosta de legislação e se interessa por brigas judiciais por exemplo, se gosta de trabalhar com inovação e pessoas (lida muito com pessoas nessa área, tanto na parte técnica como comercial) e ter ciência que vai trabalhar juntamente com profisisonais de outras áreas, como química, saúde, entre outras. Outro conselho que dou é começar por um estágio na área, para ver se realmente gosta. E estudar muito, porque não se trata só de engenharia, se trata além disso, se trata de patentes, propriedade intelectual como um todo, legislação, e por aí vai. Não da pra parar de estudar. E isso eu falo para um engenheiro, como um engenheiro, e também para quem vai seguir essa área, que é muito particular e exige que você se atualize cada vez mais.
- Nós do CEMEC agradecemos a disponibilidade para conversar conosco e esperamos muito sucesso na trajetória, e por que não, que tua entrevista também inspire muitos de nós a procurar novos horizontes dentro da área da engenharia.
