{"id":952,"date":"2024-10-11T12:54:53","date_gmt":"2024-10-11T15:54:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/?p=952"},"modified":"2024-10-11T12:54:53","modified_gmt":"2024-10-11T15:54:53","slug":"nota-politica-do-ceri-resistencia-palestina-e-o-apartheid-israelense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/2024\/10\/11\/nota-politica-do-ceri-resistencia-palestina-e-o-apartheid-israelense\/","title":{"rendered":"Nota Pol\u00edtica do CERI &#8221; Resist\u00eancia Palestina e o Apartheid Israelense&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>A Palestina enfrenta uma nova fase de intensifica\u00e7\u00e3o do genoc\u00eddio palestino desde o dia 7 de outubro de 2023. E, sob esse sistema de opress\u00e3o colonial e racista que perdura h\u00e1 76 anos \u2013 um regime de apartheid com in\u00fameras ferramentas para realizar uma limpeza \u00e9tnica, cujo sangue derramado \u00e9 a grande base do poder de Israel \u2013, a resist\u00eancia palestina organiza uma nova opera\u00e7\u00e3o de autodefesa. A rea\u00e7\u00e3o a essa nova movimenta\u00e7\u00e3o resulta em uma escalada na viol\u00eancia, especialmente com o apoio do imperialismo estadunidense. Essa escalada tamb\u00e9m se v\u00ea na t\u00e1tica expansionista do sionismo israelense, que leva o projeto genocida para al\u00e9m do territ\u00f3rio palestino ocupado.<\/p>\n\n\n\n<p>A opera\u00e7\u00e3o realizada no dia 7 de outubro de 2023 \u00e9 apontada como o in\u00edcio dessa guerra, mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Al\u00e9m dos 76 anos de ocupa\u00e7\u00e3o, o ataque foi feito em resposta \u00e0s viola\u00e7\u00f5es cometidas por Israel na Mesquita de Al-Aqsa, refletido no pr\u00f3prio nome da opera\u00e7\u00e3o, Tempestade al-Aqsa. N\u00e3o obstante, o ataque ocorre no contexto dos palestinos &#8220;virem suas terras serem devoradas constantemente por assentamentos e atormentadas pela viol\u00eancia; sua economia sufocada; seu povo deslocado e suas casas demolidas&#8221;, nas palavras de Ant\u00f3nio Guterres, Secret\u00e1rio Geral da ONU. Em resposta a este ataque, Israel deflagrou uma incessante campanha de bombardeios e ocupa\u00e7\u00e3o sobre a popula\u00e7\u00e3o palestina em Gaza, recusando qualquer tentativa de cessar-fogo ou estabelecimento da paz. Na verdade, Israel somente fez o contr\u00e1rio. H\u00e1 um ano que Israel s\u00f3 amplia este conflito e arrisca arrastar toda a regi\u00e3o para uma guerra generalizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucos dias atr\u00e1s, Israel iniciou uma invas\u00e3o terrestre do L\u00edbano, ap\u00f3s uma sequ\u00eancia de bombardeios indiscriminados, utilizando a mesma estrat\u00e9gia que usou em Gaza. Ainda mais absurdo \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00e1ticas genuinamente terroristas, como a sabotagem e explos\u00e3o de dispositivos eletr\u00f4nicos no pa\u00eds, matando crian\u00e7as e civis. E enquanto esse massacre inicia um novo cap\u00edtulo, n\u00e3o deve ser esquecida a destrui\u00e7\u00e3o em curso da Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente nesse um ano, para al\u00e9m do fortalecimento da pol\u00edtica de destrui\u00e7\u00e3o em massa da infraestrutura palestina \u2013 sobretudo na Faixa de Gaza, a qual teve 80% do seu territ\u00f3rio arrasado \u2013, o ex\u00e9rcito israelense matou mais de 40 mil palestinos e deixou cerca de 92 mil feridos. Esses fatos s\u00e3o o retrato da continua\u00e7\u00e3o do projeto sionista, advindo de muito antes de outubro de 2023, e tamb\u00e9m s\u00e3o a maior representa\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de viola\u00e7\u00f5es do direito internacional. O cerco total \u00e0 Gaza imposto por Israel no dia 9 de outubro, que limita a importa\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, comida, medicamentos, energia e combust\u00edvel, \u00e9 uma nova etapa do bloqueio mantido desde 2007 \u2013 uma viola\u00e7\u00e3o total das Conven\u00e7\u00f5es de Genebra que tornou Gaza uma pris\u00e3o a c\u00e9u aberto. E esses atentados n\u00e3o se restringem a apenas um territ\u00f3rio palestino, pois a Cisjord\u00e2nia, por exemplo, enfrenta ataques diariamente que se configuram como a maior incurs\u00e3o militar israelense j\u00e1 feita desde 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra biol\u00f3gica, as pol\u00edticas de exterm\u00ednio, a campanha midi\u00e1tica sionista e o escolastic\u00eddio s\u00e3o algumas das outras frentes do genoc\u00eddio. Isso se v\u00ea, por exemplo, com a nova epidemia de poliomielite, com os campos de deten\u00e7\u00e3o que concentram m\u00e9todos de tortura extremamente cru\u00e9is, com as falsas narrativas e not\u00edcias sobre a resist\u00eancia, e com o sistema educacional palestino sob ataque. N\u00e3o resta d\u00favida como Israel trata os palestinos como animais, como j\u00e1 declarou o pr\u00f3prio ministro da Defesa israelense Yoav Gallant. Mesmo assim, as pot\u00eancias ocidentais continuam sendo c\u00famplices do Estado colonial israelense ao financi\u00e1-lo e sustent\u00e1-lo em diversas esferas. Atitudes como a den\u00fancia na Corte Internacional de Justi\u00e7a pela \u00c1frica do Sul e o rompimento das rela\u00e7\u00f5es com Israel pela Bol\u00edvia e pela Col\u00f4mbia, embora representem uma derrocada da imagem internacional de Israel, n\u00e3o s\u00e3o suficientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Na &#8220;comunidade internacional&#8221;, as atrocidades e os crimes contra a humanidade n\u00e3o bastam e nem s\u00e3o a gota d\u2019\u00e1gua. E o sentimento de como\u00e7\u00e3o e solidariedade por si s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o suficientes para encerrar o genoc\u00eddio. Urge a mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica n\u00e3o s\u00f3 internacional, mas tamb\u00e9m nacional, em torno de a\u00e7\u00f5es que encerrem de vez a m\u00e1quina de guerra de Israel e seus sustent\u00e1culos, como o apoio estadunidense. Em nosso pa\u00eds, o Minist\u00e9rio da Defesa quer manter um acordo bilion\u00e1rio com a empresa israelense Elbit Systems, que venceu a licita\u00e7\u00e3o para o fornecimento de 36 ve\u00edculos blindados de combate conhecidos como obuseiros (VBC OAP 155 mm SR). A Elbit Systems tamb\u00e9m possui subsidi\u00e1rias brasileiras como a Ares Aeroespacial e Defesa e a AEL Sistemas, empresas estas que o atual governo ainda permite o funcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pol\u00edtica nacional, essa cumplicidade com o genoc\u00eddio israelense tamb\u00e9m tange o meio acad\u00eamico. Acordos de coopera\u00e7\u00e3o concretizam um apoio de diversas universidades ao genoc\u00eddio cometido por Israel. Exemplos como esse est\u00e3o presentes em v\u00e1rias universidades em territ\u00f3rio nacional, incluindo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em abril de 2018, a UFRGS, sob a reitoria de Rui Oppermann, firmou um acordo com a empresa AEL Sistemas para desenvolvimento de ensino, pesquisa e extens\u00e3o voltadas \u00e0 tecnologia de defesa. Na pr\u00e1tica, a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento da universidade contribui com o aperfei\u00e7oamento da mesma intelig\u00eancia militar utilizada no genoc\u00eddio em Gaza. Al\u00e9m disso, o acordo tamb\u00e9m busca captar estudantes da universidade para estagiar na AEL Sistemas e, portanto, girar futuros profissionais qualificados para uma das representantes do aparato colonial de Israel. Infelizmente, essa parceria ainda perdura, pois foi renovada pela reitoria ap\u00f3s Oppermann, assumida por Carlos Andr\u00e9 Bulh\u00f5es; a mesma figura que, em 2013, participou da assinatura do acordo de coopera\u00e7\u00e3o com a universidade israelense Ben-Gurion (BGU).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo \u00e9 que a maior universidade do Brasil, a USP, ainda mant\u00e9m diversos acordos, como o acordo firmado em 2019 com o Instituto de Tecnologia de Israel (Technion), que busca o desenvolvimento de pesquisas conjuntas. Al\u00e9m disso, estabelece campos de &#8220;interc\u00e2mbio cultural&#8221; como a Corner Israel, resultado de um conv\u00eanio com o Consulado israelense em S\u00e3o Paulo, e a Feira de Universidades Israelenses \u2013 ambos espa\u00e7os que, na pr\u00e1tica, servem para deixar pesquisadores e estudantes brasileiros a servi\u00e7o de uma m\u00e1quina de guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, com a perman\u00eancia desses acordos, alguns podem pensar que a conjuntura n\u00e3o tende a mudar, e que o horizonte de mudan\u00e7a est\u00e1 muito distante. Mas, na verdade, a mudan\u00e7a j\u00e1 est\u00e1 em curso: a imagem de Israel \u00e9 cada vez mais decadente. Esse mesmo acordo com a BGU citado anteriormente foi derrubado gra\u00e7as a uma forte mobiliza\u00e7\u00e3o da comunidade \u00e1rabe-brasileira em conjunto com sindicatos e movimentos pol\u00edticos. Um rompimento similar ocorreu na Universidade Federal do Cear\u00e1, que cancelou parcerias com a BGU ap\u00f3s forte mobiliza\u00e7\u00e3o estudantil. A pr\u00f3pria USP tamb\u00e9m sofreu com intensa press\u00e3o dos seus estudantes para que acordos com a Universidade de Ariel, localizada em territ\u00f3rios palestinos ocupados, fossem revogados \u2013 e de fato foram. Na UnB, o curso de um professor da Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m foi cancelado ap\u00f3s protestos de estudantes. Esses s\u00e3o exemplos de como a organiza\u00e7\u00e3o estudantil tem um grande potencial transformador e de como a solidariedade pela Palestina pode ser convertida em luta, fato refor\u00e7ado pelo \u00faltimo Congresso da UNE, que aprovou a &#8220;Mo\u00e7\u00e3o dos Estudantes Brasileiros Contra o Apartheid Israelense e em Solidariedade ao Povo Palestino&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse exemplo de luta que deve ser seguido pela nossa universidade tamb\u00e9m engloba o \u00e2mbito internacional. O movimento estudantil se faz muito presente em diversas mobiliza\u00e7\u00f5es pr\u00f3-Palestina ao redor do mundo, como o caso dos Estados Unidos, onde mais de duas mil pessoas foram presas em campi universit\u00e1rios como na Universidade de Columbia e na Universidade da Calif\u00f3rnia. Em diversos outros pa\u00edses como Austr\u00e1lia, Reino Unido, M\u00e9xico, Fran\u00e7a, \u00cdndia e Canad\u00e1, al\u00e9m dos protestos, foram feitas ocupa\u00e7\u00f5es para exigir o fim dos conv\u00eanios e la\u00e7os acad\u00eamicos com institui\u00e7\u00f5es israelenses.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isso, \u00e9 necess\u00e1ria uma verdadeira mobiliza\u00e7\u00e3o do movimento universit\u00e1rio na UFRGS diante da total destrui\u00e7\u00e3o da infraestrutura educacional da Palestina, a qual teve todas suas universidades atingidas e mais de meio milh\u00e3o dos jovens da sua popula\u00e7\u00e3o sem acesso m\u00ednimo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Por isso, inspirado nesses exemplos de luta, o Centro Estudantil de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS exige o fim dos acordos da universidade com a AEL Sistemas, bem como quaisquer parcerias que financiam e giram a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento para a edifica\u00e7\u00e3o de um projeto genocida. A nova reitoria tem o dever de encerrar essa coopera\u00e7\u00e3o, por mais que tenha um hist\u00f3rico de liga\u00e7\u00f5es com Rui Oppermann, o mesmo que efetivou os acordos com essa empresa criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Convocamos todos os estudantes a se mobilizarem em torno dessa luta em solidariedade ao povo palestino!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Palestina enfrenta uma nova fase de intensifica\u00e7\u00e3o do genoc\u00eddio palestino desde o dia 7 de outubro de 2023. E, sob esse sistema de opress\u00e3o colonial e racista que perdura h\u00e1 76 anos \u2013 um regime de apartheid com in\u00fameras ferramentas para realizar uma limpeza \u00e9tnica, cujo sangue derramado \u00e9 a grande base do poder &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/2024\/10\/11\/nota-politica-do-ceri-resistencia-palestina-e-o-apartheid-israelense\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Nota Pol\u00edtica do CERI &#8221; Resist\u00eancia Palestina e o Apartheid Israelense&#8221;&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":954,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-952","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=952"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/952\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":953,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/952\/revisions\/953"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/wp-json\/wp\/v2\/media\/954"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ceri\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}