O pesquisador Murilo Guimarães, ligado ao Instituto de Zoologia, desenvolve uma pesquisa para conhecer as populações de répteis e anfíbios no Rio Grande do Sul. Segundo dados oficiais, 28 espécies dessas populações estão ameaçadas de extinção devido à ação do homem. No entanto, Murilo estima que este número é maior, já que existem poucos dados sobre esses animais. Este é um dos problemas que sua pesquisa busca sanar. Nesta entrevista para a Rádio da Universidade, o pesquisador fala de sua pesquisa, os primeiros resultados e dos maiores perigos às populações de anfíbios e répteis.
Uma das espécies estudadas nesta pesquisa é o sapinho de barriga vermelha dos Pampas (Melanophryniscus pachyrhynus). A espécie é pouco conhecida e o estudo acabou de concluir suas preferências de habitat. Até então, a literatura de modo geral indicava que sapinho de barriga vermelha habitava afloramentos rochosos do Pampa. Neste trabalho, os pesquisadores descobriram que, apesar de ocorrerem nos afloramentos, os indivíduos têm preferência por locais com vegetação, pois ela mantém a umidade, um fator importante para anfíbios. A pesquisa também descobriu que temperatura é muito importante para a espécie e os sapinhos são mais encontrados em temperaturas médias. A medida que a temperatura aumenta (com pico no verão, podendo ultrapassar 40 graus), a chance de encontrar esta espécie se reduz pela metade ou menos. Isso indica a adaptação da espécie ao ambiente extremo que são os afloramentos rochosos, caracterizados por altas temperaturas, ventos intensos e umidade relativamente baixa. Todos esses fatores podem representar desafios para os anfíbios. Informações como esta fornecem pistas sobre como conduzir ações para preservação da espécie.
