Equipamento desenvolvido na UFRGS ajuda no tratamento pós-cirúrgico do cotovelo e antebraço

Aparelho realiza Movimentação Passiva Contínua e tende a melhorar a atividade motora de pacientes que foram submetidos à cirurgia no braço

Aparelho pode vir a ser utilizado em hospitais, clínicas e até mesmo na casa dos pacientes - Foto: Gustavo Diehl/UFRGS

A tese de doutorado de Aline Callegaro, defendida em 2015 no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UFRGS, visa desenvolver e otimizar equipamento para a reabilitação do cotovelo e do antebraço. Esse aparelho possui duas funções principais: a Movimentação Passiva Contínua (MPC), que realiza flexão e extensão do cotovelo e pronação e supinação no antebraço, e a vibração, utilizada no bíceps. O tratamento é indicado para pessoas que não podem ou não devem fazer esses movimentos e normalmente é aplicado no pós-operatório imediato. “Alguns estudos já realizados conseguem identificar que há uma melhora ou uma tendência a melhorar o recrutamento dessas unidades motoras”, explica Aline.

Os pesquisadores analisaram o campo de patentes e o que existe no mercado. “Estudamos os principais stakeholders (clientes e todos os interessados que têm relação com a cadeia de valor do produto). Uma vez mapeados, os entrevistamos, desenvolvemos as partes qualitativa e quantitativa, para depois integrar isso ao desenvolvimento do produto”, salienta a pesquisadora.  “Não é só o paciente que vai utilizar, mas o médico, o fisioterapeuta, a empresa que está desenvolvendo, o gestor da qualidade, o gestor financeiro, entre outros.”

O grupo de pesquisa apresentou o equipamento de MPC para a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e agora trabalha nas melhorias sugeridas pela equipe de cirurgia de ombro. A parte de vibração ainda está em fase de testes. “No mercado internacional, o equipamento de MPC existe, mas não com essas melhorias que nós desenvolvemos. Ao implementar outras funções no produto, ele se torna diferenciado e inovador em relação ao que existe no mercado internacional. Nós comparamos os seis modelos disponíveis, e o nosso vem com as melhorias”, comenta Aline. A singularidade do equipamento desenvolvido na UFRGS é a vibração muscular localizada, além de possuir melhorias ergonômicas.

Esse aparelho pode vir a ser utilizado em hospitais, clínicas e até mesmo na casa dos pacientes, por meio de aluguel. A MPC possibilita a diminuição do inchaço e o alívio da dor. “Você pode programar o equipamento para fazer uma movimentação sem atingir o limite, para tratar o tecido ósseo e também os tecidos moles. Já se for trabalhar no limite da articulação, você contribuirá para aumentar a amplitude de movimento”, explica a pesquisadora.

Realizado em parceria com o Laboratório de Mecatrônica e Controle (LAMECC), com a Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança (Esefid) e com pesquisadores das Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT), o trabalho contou com a participação de uma equipe multidisciplinar. “Como é um equipamento que tem partes mecânicas, elétricas e de programação, a gente precisa de profissionais de varias áreas. Manter o pessoal engajado e fazer a gestão de várias pessoas diferentes foi um desafio. Porém, a multidisciplinaridade foi fundamental para conseguirmos obter os resultados”, ressalta Aline. Ao falar sobre as dificuldades do trabalho, a pesquisadora salientou também a fragmentação entre o meio acadêmico e o empreendedor. Além disso, os produtos da área da saúde têm de passar por toda uma regulamentação – com uma série de certificações e análises – para que possa chegar ao mercado. O depósito de patente do equipamento de MPC já foi solicitado, e os pesquisadores aguardam a sua aprovação.

 

Tese

Título: Desenvolvimento e otimização de um equipamento inovador para a reabilitação do cotovelo e antebraço
Autora: Aline Marian Callegaro
Orientadora: Carla Schwengber ten Caten
Unidade: Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção

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