{"id":1075,"date":"2017-04-20T14:01:50","date_gmt":"2017-04-20T17:01:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/?p=1075"},"modified":"2019-04-11T12:08:09","modified_gmt":"2019-04-11T15:08:09","slug":"residuos-de-medicamentos-e-hormonios-na-agua-preocupam-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/residuos-de-medicamentos-e-hormonios-na-agua-preocupam-cientistas\/","title":{"rendered":"Res\u00edduos de medicamentos e horm\u00f4nios na \u00e1gua preocupam cientistas"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar no que acontece com os medicamentos que voc\u00ea ingere? Ao tomar um rem\u00e9dio para dor de cabe\u00e7a, por exemplo, uma parte de seu princ\u00edpio ativo (nesse caso, a subst\u00e2ncia respons\u00e1vel pelo al\u00edvio da dor) \u00e9 utilizada para o efeito terap\u00eautico; outra parte \u00e9 metabolizada pelo corpo; e outra, eliminada inalterada pela urina ou pelas fezes. A partir da\u00ed, duas coisas diferentes podem ocorrer. Se sua casa est\u00e1 conectada \u00e0 rede de esgoto, esse princ\u00edpio ativo passar\u00e1 por uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento \u2013 na qual pode ser total ou parcialmente eliminado, a depender da subst\u00e2ncia \u2013 antes de desembocar em alguma fonte de \u00e1gua. Caso contr\u00e1rio, ele ser\u00e1 despejado integralmente no manancial mais pr\u00f3ximo. Agora imagine que, al\u00e9m do seu rem\u00e9dio para dor de cabe\u00e7a, v\u00e3o parar na \u00e1gua todos os outros rem\u00e9dios para dor de cabe\u00e7a, antibi\u00f3ticos, anti-inflamat\u00f3rios e horm\u00f4nios consumidos pelo restante da popula\u00e7\u00e3o e pelos animais que recebem tratamentos veterin\u00e1rios. Isso sem contar os medicamentos vencidos que s\u00e3o descartados de maneira inadequada e acabam contaminando rios e solo.<\/p>\n<p>Cientistas de todo o mundo t\u00eam se dedicado ao estudo dos chamados contaminantes emergentes na \u00e1gua, que s\u00e3o res\u00edduos de f\u00e1rmacos e horm\u00f4nios (como os artificiais, consumidos como anticoncepcionais ou para fins de reposi\u00e7\u00e3o) que afetam rios e lagos de todo o planeta. O termo \u201cemergentes\u201d se deve ao fato de que as pesquisas na \u00e1rea s\u00e3o relativamente recentes \u2013 iniciadas no final dos anos 90 \u2013 e ainda n\u00e3o h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que regule a presen\u00e7a desses compostos nos recursos h\u00eddricos.<\/p>\n<p>Conforme explica a professora do Instituto de Qu\u00edmica da UFRGS <a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4793261Z8\">T\u00e2nia Pizzolato<\/a>, por estarem presentes em concentra\u00e7\u00f5es extremamente baixas na \u00e1gua \u2013 na faixa dos microgramas ou nanogramas por litro \u2013, esses contaminantes n\u00e3o chegam a afetar diretamente a sa\u00fade humana. Para se ter uma ideia, um micrograma equivale a um mil\u00e9simo de miligrama, e um nanograma \u00e9 um milh\u00e3o de vezes menor que o miligrama. \u201cS\u00e3o partes por bilh\u00e3o de litro, por trilh\u00e3o, \u00e0s vezes at\u00e9 por quatrilh\u00e3o, dependendo do composto\u201d, enfatiza a professora.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, apesar de essas concentra\u00e7\u00f5es serem consideradas baixas para humanos, elas podem ter efeitos t\u00f3xicos para a fauna e a flora aqu\u00e1ticas. \u201cAqueles res\u00edduos no ambiente v\u00e3o afetar a base da cadeia alimentar \u2013 os micro-organismos, os peixes pequenos&#8230; E quando se afeta a base, indiretamente se afeta toda a estrutura\u201d, explica T\u00e2nia.<\/p>\n<p>H\u00e1 inclusive alguns estudos que relacionam a presen\u00e7a de horm\u00f4nios femininos e outros contaminantes na \u00e1gua com a <a href=\"http:\/\/news.nationalgeographic.com\/news\/2007\/05\/070521-sex-fish.html\">feminiza\u00e7\u00e3o de peixes<\/a> e a <a href=\"http:\/\/news.nationalgeographic.com\/2016\/02\/160203-feminized-fish-endocrine-disruption-hormones-wildlife-refuges\/\">forma\u00e7\u00e3o de \u00f3vulos em animais machos<\/a>, indicando que mesmo pequenas quantidades do estrog\u00eanio usado em p\u00edlulas anticoncepcionais podem levar ao colapso de algumas esp\u00e9cies. Outro grande problema que pode ser causado pela contamina\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos se refere ao desenvolvimento de superbact\u00e9rias resistentes a antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos surge quando os micro-organismos que causam uma infec\u00e7\u00e3o sobrevivem \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o ao medicamento que, normalmente, deveria mat\u00e1-los. Esse sobrevivente ir\u00e1 crescer e se reproduzir, difundindo essa capacidade de sobreviv\u00eancia aos seus descendentes. Apesar de a resist\u00eancia ser um processo natural que ocorre desde que os primeiros antibi\u00f3ticos foram descobertos, o uso indiscriminado desses medicamentos, assim como o seu descarte irregular, pode acelerar o processo de adapta\u00e7\u00e3o e de resist\u00eancia dessas bact\u00e9rias, e as doen\u00e7as causadas por elas, por consequ\u00eancia, ficam cada vez mais dif\u00edceis de serem tratadas.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio elaborado pelo \u00f3rg\u00e3o brit\u00e2nico <a href=\"https:\/\/amr-review.org\/\"><em>Review on Antimicrobial Resistance<\/em><\/a> indica que 700 mil pessoas morrem todos os anos no mundo devido \u00e0 resist\u00eancia das superbact\u00e9rias a antibi\u00f3ticos. E, em 2050, esse n\u00famero deve chegar aos 10 milh\u00f5es. Ser\u00e3o mais pessoas do que as que morrem de c\u00e2ncer atualmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Contaminantes emergentes em Porto Alegre<\/h5>\n<p>A linha de pesquisa coordenada por T\u00e2nia no Instituto de Qu\u00edmica realiza estudos sobre contaminantes emergentes desde 2001 e, desde 2006, faz monitoramentos no Arroio Dil\u00favio, em Porto Alegre. Atualmente, o grupo est\u00e1 trabalhando em seu terceiro monitoramento, com a avalia\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de 210 produtos diferentes, entre medicamentos, horm\u00f4nios, pesticidas e alguns produtos provenientes da degrada\u00e7\u00e3o e da transforma\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos, uma vez que h\u00e1 subst\u00e2ncias cuja degrada\u00e7\u00e3o pode gerar elementos mais t\u00f3xicos que os originais.<\/p>\n<p>As coletas s\u00e3o feitas trimestralmente em seis pontos diferentes do Arroio, que v\u00e3o do Campus do Vale da UFRGS, onde ele ainda recebe poucos efluentes e mant\u00e9m a sua mata ciliar e a \u00e1gua transparente, ao local em que ele desemboca no Lago Gua\u00edba, \u00fanico manancial de abastecimento de Porto Alegre. Com in\u00edcio em junho do ano passado, esse monitoramento deve ser finalizado em meados de 2018.<\/p>\n<p>A professora menciona que as subst\u00e2ncias encontradas com mais frequ\u00eancia no Arroio Dil\u00favio s\u00e3o antibi\u00f3ticos, anti-inflamat\u00f3rios, betabloqueadores (tipo de medicamento usado principalmente em tratamentos card\u00edacos) e corticoides, mas tamb\u00e9m s\u00e3o detectados horm\u00f4nios, tanto naturais quanto sint\u00e9ticos. \u201cO Arroio Dil\u00favio \u00e9 praticamente um esgoto a c\u00e9u aberto\u201d, comenta T\u00e2nia, fazendo refer\u00eancia ao grande aporte de efluentes dom\u00e9sticos e de esgoto <em>in natura<\/em> que o rio recebe, principalmente nas \u00e1reas de maior densidade populacional. \u201cOnde \u00e9 que temos, ent\u00e3o, mais problemas com res\u00edduos de f\u00e1rmacos no meio ambiente? Nos grandes centros urbanos. Nas cidades menores, esses contaminantes acabam se diluindo\u201d, observa.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m comparam a quantidade de contaminantes encontrados nos diferentes per\u00edodos desde que se iniciaram os monitoramentos. Segundo T\u00e2nia, a tend\u00eancia, de modo geral, tem sido de estabilidade: \u201cPiorou um pouco, mas n\u00e3o muito. Estatisticamente n\u00e3o h\u00e1 muita diferen\u00e7a entre os monitoramentos, o que \u00e9 razo\u00e1vel, se se pensar que a popula\u00e7\u00e3o de Porto Alegre n\u00e3o variou muito nesse per\u00edodo\u201d.<\/p>\n<p>O grupo tamb\u00e9m realiza estudos em esta\u00e7\u00f5es-piloto de tratamento de esgoto, como a do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas da UFRGS e uma localizada no mun\u00edcipio de Canoas. Nesses locais, os pesquisadores analisam o efluente urbano em dois momentos: logo que ele chega \u00e0 esta\u00e7\u00e3o e depois que passa pelo processo de tratamento. Esse processo analisado \u00e9 o de tratamento tradicional \u2013 o mesmo que \u00e9 aplicado pelos \u00f3rg\u00e3os municipais respons\u00e1veis pelas redes de esgoto.<\/p>\n<p>Enquanto alguns f\u00e1rmacos s\u00e3o completamente removidos pelo tratamento tradicional, outros t\u00eam somente uma remo\u00e7\u00e3o parcial. Os \u00edndices variam bastante, em fun\u00e7\u00e3o das diferentes caracter\u00edsticas qu\u00edmicas dos contaminantes presentes no meio ambiente, mas, de modo geral, pode-se afirmar que o tratamento reduz de maneira significativa a carga poluidora do efluente urbano.<\/p>\n<p>\u201cO tratamento do esgoto urbano \u00e9 fundamental para resolver v\u00e1rias quest\u00f5es ambientais, n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o aos f\u00e1rmacos. O esgoto tem pat\u00f3genos, detergentes, res\u00edduos de produtos de limpeza, de higiene pessoal&#8230; Tem muita coisa ali dentro. Al\u00e9m do efluente gerado nas nossas resid\u00eancias, h\u00e1 toda a contribui\u00e7\u00e3o da cidade ali. H\u00e1 um aporte de uma carga org\u00e2nica muito grande. E, quando voc\u00ea trata, voc\u00ea reduz tudo isso\u201d, enfatiza T\u00e2nia.<\/p>\n<p>A pesquisadora lembra que um grande problema nesse sentido \u00e9 o fato de que, ao menos em Porto Alegre, muitas pessoas n\u00e3o solicitam liga\u00e7\u00e3o de suas resid\u00eancias \u00e0 rede de esgoto, por n\u00e3o haver normas que tornem essa liga\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria. \u201cExiste uma rede de coleta bastante grande, mas tem que usar essa rede\u201d, ressalta. Segundo dados do Departamento Municipal de \u00c1guas e Esgotos (Dmae), a capacidade de tratamento de esgoto em Porto Alegre \u00e9 de 80%, mas, atualmente, somente 56% do esgoto produzido na cidade \u00e9 tratado.<\/p>\n<p>O grupo de pesquisa de T\u00e2nia tamb\u00e9m j\u00e1 desenvolveu alguns monitoramentos na \u00e1gua pot\u00e1vel da cidade. O \u00faltimo foi realizado no final de 2016, e nunca foram encontrados vest\u00edgios dos contaminantes emergentes estudados. Atualmente, os pesquisadores trabalham com an\u00e1lises de toxicidade e com a investiga\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de superbact\u00e9rias resistentes a antibi\u00f3ticos no Arroio Dil\u00favio. Os primeiros resultados desses levantamentos devem estar dispon\u00edveis at\u00e9 a metade deste ano.<\/p>\n<p>As pesquisas j\u00e1 envolveram mais de 60 pessoas no Instituto de Qu\u00edmica, incluindo alunos de gradua\u00e7\u00e3o, mestrado, doutorado e p\u00f3s-doutorado. Tamb\u00e9m colaboram com os trabalhos pesquisadores da Escola de Engenharia da UFRGS.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h5>T\u00e9cnicas avan\u00e7adas de tratamento<\/h5>\n<p>Como foi explicado anteriormente, o tratamento de esgoto tradicional, apesar de ajudar bastante, n\u00e3o \u00e9 capaz de eliminar completamente todos os contaminantes. Por isso, os pesquisadores estudam tamb\u00e9m o desenvolvimento de novas t\u00e9cnicas, capazes de degradar os que n\u00e3o s\u00e3o eliminados pelo tratamento tradicional. Subst\u00e2ncias diferentes requerem procedimentos diferentes.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios os processos avan\u00e7ados de tratamento, redu\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias, que podem incluir a oxida\u00e7\u00e3o, os eletroqu\u00edmicos, os catal\u00edticos, a fotocat\u00e1lise, entre outros. \u201cEles t\u00eam efici\u00eancias diferentes. Normalmente, quando trabalhamos com isso, testamos v\u00e1rios deles e vemos qual \u00e9 o mais eficiente para determinado grupo de compostos que seja mais problem\u00e1tico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 remo\u00e7\u00e3o\u201d, explica T\u00e2nia.<\/p>\n<p>A professora ressalta tamb\u00e9m que, por lidarem com concentra\u00e7\u00f5es muito baixas, esses processos requerem m\u00e9todos altamente sens\u00edveis: \u201cEstamos falando de uma qu\u00edmica anal\u00edtica extremamente requintada, avan\u00e7ada e espec\u00edfica\u201d. S\u00e3o processos que exigem um investimento muito alto. \u201cN\u00e3o \u00e9 qualquer equipamento, n\u00e3o pode ser qualquer reagente, n\u00e3o \u00e9 qualquer pessoa que consegue trabalhar nisso. Tem que ter um treinamento bastante longo, precisa de equipamentos bem espec\u00edficos, e esses equipamentos s\u00e3o caros. \u00c9 uma \u00e1rea de trabalho cara, que acaba envolvendo recursos bastante elevados. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 qualquer lugar que faz essas an\u00e1lises. Dentro da pr\u00f3pria Universidade, n\u00f3s levamos muito tempo para conseguir construir a estrutura para o que fazemos hoje\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Por isso, ela explica, a dificuldade em disponibilizar os m\u00e9todos em escala industrial para a utiliza\u00e7\u00e3o nos tratamentos tradicionais de esgoto. Mesmo em n\u00edvel mundial, h\u00e1 essa dificuldade. Em alguns pa\u00edses, como Alemanha e Estados Unidos, pioneiros na \u00e1rea, j\u00e1 h\u00e1 alguns processos avan\u00e7ados sendo aplicados, mas, de modo geral, ainda n\u00e3o s\u00e3o procedimentos de rotina. \u201cTem muito trabalho sendo feito na \u00e1rea, e esses estudos objetivam n\u00e3o s\u00f3 encontrar as t\u00e9cnicas mais adequadas, como tamb\u00e9m chegar a processos que tenham uma efici\u00eancia boa, tentando minimizar um pouco os custos\u201d, enfatiza a professora.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso investir muito em pesquisa para conseguir chegar a resultados que possam ser colocados em pr\u00e1tica. O que a gente observa \u00e9 que quanto mais investimento determinado pa\u00eds tem em pesquisa, mais rapidamente ele vai ter acesso a essas tecnologias de ponta. Existe uma necessidade crescente em pesquisa para que a gente tamb\u00e9m consiga ter condi\u00e7\u00f5es de implementar esses sistemas\u201d, complementa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Legisla\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p>No Brasil, os par\u00e2metros de potabilidade da \u00e1gua s\u00e3o determinados pela <a href=\"http:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/saudelegis\/gm\/2011\/prt2914_12_12_2011.html\">portaria n\u00ba 2.914, de 12 de dezembro de 2011<\/a>, publicada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Essa norma prev\u00ea, entre outras quest\u00f5es, as caracter\u00edsticas aceit\u00e1veis da \u00e1gua para consumo humano, como as relacionas \u00e0 turbidez e ao pH, e as concentra\u00e7\u00f5es permitidas para v\u00e1rias subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que representam risco \u00e0 sa\u00fade, incluindo uma diversidade de agrot\u00f3xicos e pesticidas. N\u00e3o h\u00e1, entretanto, qualquer previs\u00e3o para f\u00e1rmacos ou horm\u00f4nios. E, mesmo em n\u00edvel mundial, ainda n\u00e3o h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o dos f\u00e1rmacos.<\/p>\n<p>T\u00e2nia esclarece que esses par\u00e2metros n\u00e3o s\u00e3o simples de se estabelecer. Para saber, por exemplo, a quantidade m\u00e1xima de determinada subst\u00e2ncia que pode ser ingerida sem oferecer risco \u00e0 nossa sa\u00fade, s\u00e3o necess\u00e1rios in\u00fameros testes e anos de pesquisas. Esses valores n\u00e3o s\u00e3o aleat\u00f3rios. H\u00e1 muitos laborat\u00f3rios ao redor do mundo trabalhando para tentar estabelecer esses n\u00fameros, para, ent\u00e3o, fazer as recomenda\u00e7\u00f5es. H\u00e1, entretanto, muitos fatores envolvidos nessa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Vale lembrar que os trabalhos nessa \u00e1rea s\u00e3o relativamente recentes, tendo menos de 20 anos. \u201cPara se ter uma ideia, no caso dos pesticidas, os estudos come\u00e7aram logo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial\u201d, ressalta a professora. Claro que, de l\u00e1 para c\u00e1, as coisas mudaram muito em termos de pesquisa. A velocidade de obten\u00e7\u00e3o de dados, por exemplo, j\u00e1 \u00e9 muito maior. \u201cHoje em dia, temos mais recursos, t\u00e9cnicas mais avan\u00e7adas, mas, em fun\u00e7\u00e3o disso, as exig\u00eancias tamb\u00e9m s\u00e3o maiores\u201d, complementa T\u00e2nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar no que acontece com os medicamentos que voc\u00ea ingere? 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