{"id":2586,"date":"2020-10-15T15:43:31","date_gmt":"2020-10-15T18:43:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/?p=2586"},"modified":"2020-10-22T14:53:08","modified_gmt":"2020-10-22T17:53:08","slug":"rio-grande-do-sul-o-paraiso-das-borboletas-projeto-aponta-mais-de-900-especies-no-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/rio-grande-do-sul-o-paraiso-das-borboletas-projeto-aponta-mais-de-900-especies-no-estado\/","title":{"rendered":"Rio Grande do Sul, o \u2018para\u00edso das borboletas\u2019: projeto aponta mais de 900 esp\u00e9cies no estado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Registrada em 1952 no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, a borboleta <em>Vanessa carye<\/em> \u00e9 uma das mais de 800 esp\u00e9cies devidamente catalogadas e armazenadas no Laborat\u00f3rio de Ecologia de Insetos (<a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/zooborboletas\/\">LEI<\/a>) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A caixa de vidro, cuidadosamente manuseada por <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3692858826013362\">Flora Dresch<\/a>, estudante do curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e bolsista de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no LEI, traz apenas dois exemplares da <em>Vanessa carye<\/em>, o segundo registro foi no Morro Santana em 2004.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De 1993 at\u00e9 agora, a cole\u00e7\u00e3o do programa que estuda a fauna de borboletas do sul da Mata Atl\u00e2ntica e do Pampa dobrou de tamanho. Estima-se que devam existir mais de 900 esp\u00e9cies no estado. <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8192540793712521\">Helena Piccoli Romanowski<\/a>, coordenadora do projeto, pontua que, do total de registros, 400 ocorreram na Regi\u00e3o Metropolitana. \u201cA Am\u00e9rica do Norte tem menos de 800 esp\u00e9cies; a Europa, cerca de 500; e a Austr\u00e1lia, 400. Registrar toda essa riqueza na nossa regi\u00e3o \u00e9 um resultado important\u00edssimo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u201cpara\u00edso das borboletas\u201d \u00e9 composto por dois biomas: Mata Atl\u00e2ntica e Pampa. A diversidade de fauna e flora desses ambientes se encontraram na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre, permitindo que algumas esp\u00e9cies de borboletas sejam registradas em determinada data e nunca mais sejam vistas. \u00c9 o caso da <em>Vanessa carye<\/em>. \u201cEu nunca vi uma dessas, porque aqui n\u00e3o \u00e9 \u00e1rea de ocorr\u00eancia delas, vivem em ambientes mais frios. Talvez com o aquecimento global seja cada vez menos prov\u00e1vel avistarmos essas borboletas aqui\u201d, explica <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5781495137217873\">Lucas Augusto Kaminski<\/a>, bolsista PNPD-Capes, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biologia Animal, cientista e pesquisador colaborador no LEI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O bioma Pampa se conecta com a \u201cdiagonal seca\u201d na Am\u00e9rica do Sul, uma sequ\u00eancia de biomas secos e abertos, que inclui a Caatinga, o Cerrado e o Chaco. \u201cEssas \u00e1reas possuem uma din\u00e2mica antiga e relativamente est\u00e1vel, permitindo que as borboletas diversifiquem nesses biomas\u201d, diz Lucas. Por outro lado, as florestas \u00famidas, como a Mata Atl\u00e2ntica e a Amaz\u00f4nia, s\u00e3o compostas por outras esp\u00e9cies de borboletas. Com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, principalmente em decorr\u00eancia do desmatamento, as florestas est\u00e3o secando, e os ambientes est\u00e3o mudando. Com o desequil\u00edbrio, a floresta \u00famida se tornar\u00e1 seca, e a \u201cdiagonal seca\u201d virar\u00e1 deserto. Algumas \u00e1reas de floresta mais secas se tornar\u00e3o caatinga, alterando a vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs nossos estudos t\u00eam percebido isso, pois em \u00e1reas em que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica est\u00e1 mais extrema, as borboletas j\u00e1 n\u00e3o podem mais \u2018correr\u2019. O cerrado, agora, est\u00e1 cada vez mais seco, o que desloca a <span class=\"wphints-container\" style=\"display:inline;\">\n            \n       <a href=\"javascript:void(0);\" data-box-id=\"a4ea69694dd1e7fb1633ea9dc829fc85\" class=\"better-links\">fenologia<\/a> <span class=\"wphints-data-box\" id=\"a4ea69694dd1e7fb1633ea9dc829fc85\" ><span class=\"wphints-triangle\"><\/span><span class=\"wphints-main-content\"> estudo das rela\u00e7\u00f5es entre processos ou ciclos biol\u00f3gicos e o clima.<\/span><\/span><\/span> , e isso provocar\u00e1 extin\u00e7\u00f5es em massa desses organismos\u201d, prev\u00ea Lucas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para\u00edso das borboletas, ser\u00e1?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3573_GustavoDiehl-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2590\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3573_GustavoDiehl-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3573_GustavoDiehl-600x397.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3573_GustavoDiehl-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3573_GustavoDiehl.jpg 1800w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>Lucas Augusto Kaminski, cientista e pesquisador colaborador no LEI. Na foto, as borboletas Atlides polybe (amarela com azul) e a Brangas silumena (cor de vinho). Foto: Gustavo Diehl &#8211; Secom\/UFRGS<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse cen\u00e1rio, considerar o Rio Grande do Sul como o \u2018para\u00edso das borboletas\u2019 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o positivo assim. A imprevisibilidade do clima e o aumento do desmatamento tornam os ciclos cada vez menos est\u00e1veis, quebrando o processo evolutivo de insetos, como o das borboletas. Esse achado vai de encontro ao negacionismo clim\u00e1tico sobre o aquecimento global. \u201cTer um banco de dados como este \u00e9 precioso, \u00e9 fundamental. Se estamos pensando em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, precisamos primeiro saber quais s\u00e3os os padr\u00f5es existentes. Uma hip\u00f3tese a ser testada \u00e9 verificar se, com o aquecimento da Mata Atl\u00e2ntica, as esp\u00e9cies que ocorrem em latitudes tropicais est\u00e3o, cada vez mais, ocorrendo em Porto Alegre\u201d, salienta Lucas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo de pesquisa tem registrado situa\u00e7\u00f5es de degrada\u00e7\u00e3o ambiental s\u00e9rias e que v\u00eam aumentando em um curto espa\u00e7o de tempo. \u201cIn\u00fameros locais que visitamos h\u00e1 mais de 20 anos hoje j\u00e1 n\u00e3o contam mais com ambientes saud\u00e1veis, capazes de suportar a fauna nativa, seja devido \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o, ao desmatamento, aos avan\u00e7os sem limites de monoculturas e\/ou ao uso intensivo e indiscriminado de agrot\u00f3xicos. E este quadro se repete no Pampa, no Planalto das Arauc\u00e1rias, na Serra do Sudeste, na Plan\u00edcie Costeira, em \u00e1reas de Mata Atl\u00e2ntica&#8230;\u201d, registra Helena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Destrui\u00e7\u00e3o de habitat, uso indiscriminado de agrot\u00f3xicos e aquecimento global s\u00e3o fatores que impactam diretamente a sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies de borboletas e, em consequ\u00eancia, dos insetos. \u201c\u00c9 bom estarmos cientes de que isso nos impacta tamb\u00e9m, \u00e9 uma amea\u00e7a para n\u00f3s: insetos s\u00e3o polinizadores, insetos s\u00e3o extremamente importantes para a manuten\u00e7\u00e3o de estrutura de solo, s\u00e3o alimento para outras esp\u00e9cies, ajudam a controlar plantas, sem insetos n\u00f3s n\u00e3o vivemos. Esses fatores tamb\u00e9m s\u00e3o amea\u00e7as para n\u00f3s. Tudo caminha para uma situa\u00e7\u00e3o em que as coisas n\u00e3o v\u00e3o ficar nada bem\u201d, enfatiza o cientista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Banco de dados aberto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3560_GustavoDIehl-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2589\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3560_GustavoDIehl-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3560_GustavoDIehl-600x397.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3560_GustavoDIehl-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3560_GustavoDIehl.jpg 1800w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>UFRGS tem c<em>ole\u00e7\u00e3o e banco de dados com informa\u00e7\u00f5es de mais de 900 esp\u00e9cies. Foto: Gustavo Diehl &#8211; Secom\/UFRGS<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro registro da Cole\u00e7\u00e3o de Lepidoptera da UFRGS \u00e9 de 1947, material original do extinto Instituto de Ci\u00eancias Naturais da Universidade. Atualmente, os mais de 15 mil exemplares est\u00e3o abrigados no <a href=\"https:\/\/www1.ufrgs.br\/infraestrutura\/geolocation\/index.php?verb=pan&amp;codpredio=43435\">Laborat\u00f3rio de Ecologia de Insetos<\/a> (Instituto de Bioci\u00eancias\/Departamento de Zoologia), sendo um dos principais grupos de pesquisa sobre borboletas no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os mais de 40 anos de tradi\u00e7\u00e3o dessa pesquisa resultam em um banco de dados f\u00edsico aberto para investiga\u00e7\u00f5es variadas, dispon\u00edvel a cientistas do estado, do Brasil e do mundo. As mais de 900 esp\u00e9cies de borboletas possuem o registro de nome, data e local de coleta, permitindo ao pesquisador identificar padr\u00f5es ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Helena enumera as etapas do estudo de comunidades de borboletas. \u201cOs pesquisadores fazem amostragens, coletam as esp\u00e9cies, analisam as propor\u00e7\u00f5es, quantas de cada esp\u00e9cie est\u00e3o no local, o quanto a comunidade est\u00e1 equilibrada. Esse banco de dados vai servir para o futuro, uma vez que a cole\u00e7\u00e3o est\u00e1 no Departamento sob os cuidados de professores, estudantes e volunt\u00e1rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As borboletas s\u00e3o um dos grupos de animais mais estudados por serem <span class=\"wphints-container\" style=\"display:inline;\">\n            \n       <a href=\"javascript:void(0);\" data-box-id=\"99f03e389ea9fe34ca23ec31ad9f200f\" class=\"better-links\">organismos modelos<\/a> <span class=\"wphints-data-box\" id=\"99f03e389ea9fe34ca23ec31ad9f200f\" ><span class=\"wphints-triangle\"><\/span><span class=\"wphints-main-content\"> organismos que, por suas caracter\u00edsticas, s\u00e3o f\u00e1ceis de ser estudados, observados ou manipulados.<\/span><\/span><\/span>  e, dado seu apelo est\u00e9tico, s\u00e3o tamb\u00e9m ferramentas para educa\u00e7\u00e3o ambiental. Al\u00e9m disso, sinalizam a sa\u00fade do ambiente e o que ocorre com os outros grupos de seres vivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diversidade de borboletas presentes no sul do Brasil permite aos pesquisadores conhecerem novas esp\u00e9cies, entenderem o que determina a escolha de cada uma quanto ao local em que vive e como vive. Entretanto, a perda de esp\u00e9cies \u00e9 um aspecto identificado pelos pesquisadores do LEI. \u201cOlhar para esses dados, com o passar dos anos, permite-nos investigar varia\u00e7\u00f5es, ciclos, n\u00famero de esp\u00e9cies, interfer\u00eancias clim\u00e1ticas, caminhos percorridos. Com os dados podemos tomar provid\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, por exemplo\u201d, salienta Lucas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo de pesquisa j\u00e1 esteve em mais de 40 regi\u00f5es do estado ga\u00facho e arredores (Argentina, Paraguai e Uruguai), com amostra de mais de 130 localidades. Um dos principais resultados dos trabalhos \u00e9 o conhecimento de quais s\u00e3o as esp\u00e9cies de borboletas que ocorrem no sul do Brasil, uma vez que a fauna do hemisf\u00e9rio Sul do planeta \u00e9 pouco conhecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na cole\u00e7\u00e3o da UFRGS \u00e9 poss\u00edvel encontrar a menor esp\u00e9cie, a <em>Zizula cyna<\/em>, que mede entre 1 e 2 cent\u00edmetros, e a maior, a <em>Caligo<\/em> (borboleta-coruja), que varia entre 11 e 13 cent\u00edmetros. Algumas esp\u00e9cies s\u00e3o bandeiras para a conserva\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso da Campoleta (<em>Euryades corethrus<\/em>): esp\u00e9cie end\u00eamica no Sul do pa\u00eds. \u201cEssa esp\u00e9cie foi objeto de estudo de doutorado de <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8099496212159955\">Guilherme Atencio<\/a>. O Rio Grande do Sul deve ser, provavelmente, o \u00faltimo ref\u00fagio dela, que est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o\u201d, explica Helena.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3520_GustavoDiehl-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2593\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3520_GustavoDiehl-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3520_GustavoDiehl-600x397.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3520_GustavoDiehl-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3520_GustavoDiehl.jpg 1800w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>Exemplar da borboleta Actinote mamita<\/em> <em>coletado em 1999 no Morro Santana, em Porto Alegre. Foto: Gustavo Diehl &#8211; Secom\/UFRGS<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <em>Pseudolucia parana<\/em>, registrada na Capital, foi identificada como uma esp\u00e9cie que, atualmente, s\u00f3 ocorre em morros gran\u00edticos. \u201cTemos registro dela em quatro locais, um deles \u00e9 o Morro Santana, atr\u00e1s do Campus do Vale\u201d, diz a coordenadora. O grupo tamb\u00e9m registrou um novo g\u00eanero, a <em>Prenda clarissa<\/em>, esp\u00e9cie de borboleta amea\u00e7ada e encontrada apenas nos campos de altitude do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conhecimento sobre a fauna e a flora \u00e9 fundamental para qualquer lugar. No caso das borboletas, s\u00e3o capazes de sinalizar a sa\u00fade do ambiente e o que acontece com os outros grupos de seres vivos. A perda de diversidade e abund\u00e2ncia de insetos poder\u00e1 provocar efeitos em cascata nas redes alimentares e p\u00f4r em risco os servi\u00e7os dos ecossistemas. \u201c\u00c9 imposs\u00edvel imaginar a vida humana sem insetos sobre a terra\u201d, afirma Helena. \u201cEsse \u00e9 o papel do cientista: fazer pesquisa. Mas tamb\u00e9m, acima de tudo, o debate cient\u00edfico sobre o que est\u00e1 acontecendo \u00e9 a real ci\u00eancia\u201d, finaliza Lucas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cole\u00e7\u00e3o e o banco de dados s\u00e3o abertos para pesquisadores e interessados mediante contato com o LEI. O acesso \u00e9 realizado no Laborat\u00f3rio com o acompanhamento de um pesquisador da UFRGS. Verifique as <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/zooborboletas\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=9&amp;Itemid=10\">informa\u00e7\u00f5es sobre o banco de dados e o contato de como acess\u00e1-lo durante a pandemia de covid-19 AQUI<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por que as borboletas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lucas Kaminski \u00e9 cientista e escolheu essa profiss\u00e3o assim que entrou no curso de gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da UFRGS no segundo semestre de 1998. Ele retorna 21 anos depois para a institui\u00e7\u00e3o para pesquisar Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o, mas tudo come\u00e7ou pela admira\u00e7\u00e3o aos insetos, em particular, com a paix\u00e3o pelas borboletas. \u201cEu ia na casa do meu av\u00f4 para recortar reportagens de jornais sobre insetos, colocava em uma pasta de ecologia e animais; fiz isso na minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia toda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Decidido a dar continuidade \u00e0 paix\u00e3o pelos insetos, agora seguindo o rigor cient\u00edfico, Kaminski encontrou apoio junto \u00e0s pesquisas de Helena. \u201cO laborat\u00f3rio sempre foi muito aberto para os alunos, eu comecei a minha carreira acad\u00eamica muito cedo: ingressei no grupo de pesquisa logo que iniciei o curso de gradua\u00e7\u00e3o. Na minha inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, entendi o que era a carreira acad\u00eamica, que isso era uma possibilidade e que era o que eu queria fazer\u201d, revela ele.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3545_GustavoDiehl-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2591\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3545_GustavoDiehl-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3545_GustavoDiehl-600x397.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3545_GustavoDiehl-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3545_GustavoDiehl-2048x1356.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>Estudantes Flora e Demitreo e o pesquisador Lucas no LEI. Foto: Gustavo Diehl &#8211; Secom\/UFRGS<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Flora Desch e <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0455149040748711\">Demitreo Duarte Machado<\/a>, estudantes do 7\u00ba semestre do curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, tamb\u00e9m comp\u00f5em a equipe de pesquisa do Laborat\u00f3rio de Ecologia de Insetos. Flora, bolsista de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, est\u00e1 no laborat\u00f3rio h\u00e1 um ano e meio e pesquisa a borboleta Zebra (<em>Arawacus separata<\/em>). Demitreo come\u00e7ou como volunt\u00e1rio e est\u00e1 no Laborat\u00f3rio pelo mesmo per\u00edodo de Flora. Os dois sempre gostaram de insetos. \u201cEm 2019, criei v\u00e1rias borboletas, cheguei a 200 lagartas diferentes. Esse tipo de pesquisa que fazemos aqui (<em>pesquisa b\u00e1sica<\/em>) acontece, praticamente, em universidades p\u00fablicas\u201d, diz Flora. Para Demitreo, as brincadeiras de inf\u00e2ncia envolviam observa\u00e7\u00e3o, cuidado e anota\u00e7\u00f5es sobre os insetos. \u201cTenho interesse em seguir nessa atividade, trabalhar com pesquisa voltada \u00e0s borboletas. Aqui no Laborat\u00f3rio montamos um grande quebra-cabe\u00e7a, pois cada trabalho desenvolvido \u00e9 uma pe\u00e7a que vai se encaixando para entendermos um panorama mais geral\u201d, orgulha-se ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Laborat\u00f3rio de Ecologia de Insetos da UFRGS \u00e9 tradicional no estudo de <span class=\"wphints-container\" style=\"display:inline;\">\n            \n       <a href=\"javascript:void(0);\" data-box-id=\"54ccbffdcdd2d504cb04f5d639630eaa\" class=\"better-links\">lepid\u00f3pteros<\/a> <span class=\"wphints-data-box\" id=\"54ccbffdcdd2d504cb04f5d639630eaa\" ><span class=\"wphints-triangle\"><\/span><span class=\"wphints-main-content\"> ordem de insetos que inclui as borboletas e mariposas; comp\u00f5em a segunda maior diversidade de insetos do planeta e s\u00e3o encontrados em quase todas as regi\u00f5es do mundo, principalmente em locais tropicais.<\/span><\/span><\/span> , tornando-se um espa\u00e7o para a qualifica\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o de cientistas voltados a essa \u00e1rea de estudo. \u201cO primeiro professor a trabalhar com isso foi <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6168559371209291\">Aldo Mellender de Araujo<\/a>, do Departamento de Gen\u00e9tica. Formado em Gen\u00e9tica Humana na Inglaterra, voltou para c\u00e1 disposto a trabalhar com uma linha de gen\u00e9tica ecol\u00f3gica com borboletas. Ele foi o orientador de bacharelado da professora Helena, que trabalhou com borboletas. Posso dizer que ela foi filha, e eu sou neto do Aldo\u201d, brinca Lucas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Helena tem trabalhado com popula\u00e7\u00f5es e comunidades de insetos, mais especificamente com foco em borboletas desde 1979, enquanto estudante. Em 1991, passou a integrar a equipe docente da UFRGS, realizando trabalho de campo, atividades de laborat\u00f3rio e simula\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas. De l\u00e1 para c\u00e1, orientou cerca de 150 estudantes, sendo mais de 45 em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, na sua maioria, hoje, vinculados a diversas institui\u00e7\u00f5es de ensino, pesquisa e gest\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa com borboletas na Universidade tem duas vertentes importantes: a forma\u00e7\u00e3o de pesquisadores, que come\u00e7a, muitas vezes, na inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, e a pesquisa b\u00e1sica. Os exemplos de vida acad\u00eamica de Helena, Lucas, Flora e Demitreo mostram que o LEI \u00e9 um espa\u00e7o fundamental para os estudantes entenderem o que \u00e9 a pesquisa e a sua import\u00e2ncia para a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento coletivo. \u201cA primeira vez que sa\u00ed a campo foi em abril de 1999, no Parque Estadual de Itapu\u00e3. Foi muito emocionante pensar que era poss\u00edvel algu\u00e9m ir a campo e fazer isso como profiss\u00e3o, registrar e pesquisar insetos\u201d, relembra Kaminski. Para os estudantes Flora e Demitreo, espa\u00e7os como o LEI s\u00e3o imprescind\u00edveis para a divulga\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e para a pesquisa no Brasil. \u201cSentimos orgulho de fazer parte desse projeto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3582_GustavoDiehl-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2595\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3582_GustavoDiehl-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3582_GustavoDiehl-600x397.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3582_GustavoDiehl-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3582_GustavoDiehl.jpg 1800w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>Estudante Flora em atividade no Laborat\u00f3rio, observando a borboleta Morpho aega. Foto: Gustavo Diehl &#8211; Secom\/UFRGS<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Helena refor\u00e7a que n\u00e3o existe dissocia\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia b\u00e1sica, pr\u00e1tica e setor produtivo. \u201cTodos n\u00f3s dependemos de todos n\u00f3s. Uma coisa n\u00e3o funciona sem a outra. Conhecimento \u00e9 v\u00e1lido em si mesmo, necess\u00e1rio para qualquer setor da sociedade. Entender como a vida funciona \u00e9 fundamental para ela persistir, para que n\u00f3s persistamos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na sua hist\u00f3ria, o LEI realiza o levantamento da biodiversidade de borboletas do sul da Mata Atl\u00e2ntica e do Pampa com metodologia padronizada desde 1993. Os estudantes ali formados s\u00e3o agentes ativos da elabora\u00e7\u00e3o de pesquisa voltada \u00e0 ci\u00eancia b\u00e1sica, que d\u00e1 subs\u00eddios aos \u00f3rg\u00e3os ambientais na orienta\u00e7\u00e3o para pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cAs pessoas perguntam: para que serve estudar borboletas? N\u00e3o \u00e9 para que que serve! Toda vida tem direito a existir e continuar, se n\u00e3o entendemos o mundo ao nosso entorno, n\u00e3o nos compreenderemos, assim as chances de sabermos fazer bom uso e nos integrarmos com o mundo em que vivemos ser\u00e3o m\u00ednimas\u201d, frisa Helena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sinergia e intera\u00e7\u00e3o. O mundo \u00e9 constitu\u00eddo por sistemas harm\u00f4nicos que conversam entre si numa proposta m\u00fatua de colabora\u00e7\u00e3o e crescimento. No universo dos insetos, essa rela\u00e7\u00e3o, chamada de mutualismo, pode ser de colabora\u00e7\u00e3o e\/ou de explora\u00e7\u00e3o, que no final das contas constr\u00f3i la\u00e7os positivos para todas as esp\u00e9cies envolvidas na intera\u00e7\u00e3o mutualista. Nesse mesmo universo, conhecido como planeta Terra, n\u00f3s, seres humanos dotados de consci\u00eancia, interagimos de diversas maneiras, entretanto, nem sempre essa rela\u00e7\u00e3o tem saldo positivo para todas as esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que fazer para a preserva\u00e7\u00e3o das borboletas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3575_GustavoDiehl-1-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2592\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3575_GustavoDiehl-1-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3575_GustavoDiehl-1-600x397.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3575_GustavoDiehl-1-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/GSD_3575_GustavoDiehl-1.jpg 1800w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>Parte da cole\u00e7\u00e3o de borboletas do LEI. Foto: Gustavo Diehl &#8211; Secom\/UFRGS<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\"><li>Conservar os seus habitats;<\/li><li>Plantar nos jardins esp\u00e9cies nativas;<\/li><li>Minimizar o uso de agrot\u00f3xicos;<\/li><li>Praticar uma agricultura baseada em pr\u00e1ticas sens\u00edveis e sustent\u00e1veis, que n\u00e3o seja baseada em monoculturas;<\/li><li>Respeitar o c\u00f3digo de preserva\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa;<\/li><li>Aprender que campo nativo \u00e9 vegeta\u00e7\u00e3o nativa, importante enquanto mata nativa.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Laborat\u00f3rio de Ecologia de Insetos (LEI) conta com financiamento do <a href=\"http:\/\/www.cnpq.br\/\">CNPq<\/a> e da <a href=\"https:\/\/www.capes.gov.br\/\">Capes<\/a> como fomentadores da pesquisa no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acesse os endere\u00e7os abaixo e saiba mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FanPage do LEI: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/labecologiadeinsetosufrgs\/\">https:\/\/www.facebook.com\/labecologiadeinsetosufrgs\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Banco de dados do LEI: <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/zooborboletas\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=9&amp;Itemid=10\">http:\/\/www.ufrgs.br\/zooborboletas\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=9&amp;Itemid=10<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biologia Animal: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgban\/\">https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgban\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Departamento de Zoologia: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/zoologia\/\">https:\/\/www.ufrgs.br\/zoologia\/<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Instituto de Bioci\u00eancias: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/biociencias\/\">https:\/\/www.ufrgs.br\/biociencias\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>* Esta reportagem foi produzida (entrevistas e fotos) em fevereiro de 2020, antes da suspens\u00e3o das atividades presenciais na UFRGS por conta da pandemia.<\/em><\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laborat\u00f3rio de Ecologia de Insetos da UFRGS registra, cataloga e armazena h\u00e1 mais de 20 anos as esp\u00e9cies de borboletas do Rio Grande do Sul. 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