{"id":2938,"date":"2021-07-08T08:35:07","date_gmt":"2021-07-08T11:35:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/?p=2938"},"modified":"2021-07-09T10:00:23","modified_gmt":"2021-07-09T13:00:23","slug":"pesquisa-detalha-de-forma-inedita-contaminacao-do-arroio-diluvio-por-metais-potencialmente-toxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/pesquisa-detalha-de-forma-inedita-contaminacao-do-arroio-diluvio-por-metais-potencialmente-toxicos\/","title":{"rendered":"Pesquisa detalha de forma in\u00e9dita contamina\u00e7\u00e3o do Arroio Dil\u00favio por metais potencialmente t\u00f3xicos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pesquisa desenvolvida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia do Solo da UFRGS (PPGCS) analisou em detalhes a contamina\u00e7\u00e3o por metais no Arroio Dil\u00favio, c\u00f3rrego que se estende por 18 km entre Viam\u00e3o e Porto Alegre. A partir da an\u00e1lise de sedimentos, os pesquisadores descobriram que a polui\u00e7\u00e3o do Dil\u00favio cresce ao longo de sua extens\u00e3o \u2013 ou seja, o arroio carrega metais potencialmente t\u00f3xicos, como zinco, chumbo e cobre, al\u00e9m de elementos org\u00e2nicos, como carbono, nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo, para o Lago Gua\u00edba, que abastece Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa, que faz parte do <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/201786\">mestrado<\/a> do engenheiro agr\u00f4nomo <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2758179411190625\">Vin\u00edcius Maggioni dos Santos<\/a>, tamb\u00e9m analisou sedimentos das chamadas \u201cilhas\u201d, os bancos de areia que v\u00e3o se acumulando no meio do arroio e onde crescem plantas de forma espont\u00e2nea. Nesses locais, foi encontrada uma alta concentra\u00e7\u00e3o de metais potencialmente t\u00f3xicos, especialmente zinco, cobre e chumbo. O grupo de pesquisa ainda coletou tr\u00eas esp\u00e9cies de plantas que crescem espontaneamente nessas ilhas e investigou a viabilidade de us\u00e1-las como \u201cfiltros\u201d desses metais. Os cientistas descobriram que as plantas acumularam metais \u2013 especialmente o zinco \u2013 em suas ra\u00edzes, o que aponta que elas podem atuar como barreiras para os contaminantes, reduzindo a quantidade deles que chega ao Gua\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssa \u00e9 a primeira avalia\u00e7\u00e3o com esse n\u00edvel de detalhamento da polui\u00e7\u00e3o ao longo do arroio, especialmente focando na contamina\u00e7\u00e3o por metais potencialmente t\u00f3xicos, que n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel e nem percept\u00edvel no gosto ou no odor da \u00e1gua\u201d, enfatiza <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7665378790484936\">Tales Tiecher<\/a>, coorientador de Vin\u00edcius e professor do PPGCS. Na primeira etapa do trabalho, Vin\u00edcius coletou amostras de sedimentos em 15 pontos dos quase 18 km de extens\u00e3o do Dil\u00favio (das nascentes at\u00e9 a foz). Na segunda fase, foram coletadas mais cinco amostras de sedimentos e plantas das \u201cilhas\u201d que se formam na \u00e1rea canalizada do arroio. Os pesquisadores ressaltam que um dos motivos de analisar toda a extens\u00e3o do arroio \u00e9 poder comparar e verificar o grau de contamina\u00e7\u00e3o em cada um dos pontos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_20170207_15212-editada-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2946\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_20170207_15212-editada-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_20170207_15212-editada-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_20170207_15212-editada-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_20170207_15212-editada.jpg 1800w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Pesquisadores coletaram amostras de sedimentos ao longo de toda a extens\u00e3o do arroio &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da polui\u00e7\u00e3o do Dil\u00favio aumentar ao longo da extens\u00e3o do c\u00f3rrego, as amostras de sedimento coletadas j\u00e1 na parte inicial (na Represa Lomba do Sab\u00e3o, no Parque Saint-Hilaire, em Viam\u00e3o) apresentaram um alto \u00edndice de carbono e de metais potencialmente t\u00f3xicos: zinco, cobre, chumbo, cromo e n\u00edquel. Segundo os pesquisadores, isso ocorre em fun\u00e7\u00e3o do esgoto dom\u00e9stico das comunidades vizinhas, que \u00e9 lan\u00e7ado na \u00e1gua sem tratamento adequado. \u201cSe o sedimento tem muito carbono, ele acaba acumulando mais metais, em especial os potencialmente t\u00f3xicos\u201d, acrescenta o pesquisador e integrante do grupo <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8433123883718302\">Leonardo Capeleto de Andrade.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro aspecto que influencia na concentra\u00e7\u00e3o de metais e que foi analisado na pesquisa \u00e9 a granulometria, ou seja, o tamanho das part\u00edculas. A caracteriza\u00e7\u00e3o da granulometria n\u00e3o serve apenas para saber o tamanho de determinada part\u00edcula, mas tamb\u00e9m sua capacidade de reten\u00e7\u00e3o: \u201cAs part\u00edculas mais finas s\u00e3o ricas em minerais com capacidade de reter nutrientes, al\u00e9m de metais e outros contaminantes. Isto \u00e9, quanto mais fina \u00e9 a part\u00edcula, maior \u00e9 a capacidade dela de<span class=\"wphints-container\" style=\"display:inline;\">\n            \n       <a href=\"javascript:void(0);\" data-box-id=\"7f587301eae7e0bb02843e1f6776cdf3\" class=\"better-links\">adsorver<\/a> <span class=\"wphints-data-box\" id=\"7f587301eae7e0bb02843e1f6776cdf3\" ><span class=\"wphints-triangle\"><\/span><span class=\"wphints-main-content\">Adsor\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo f\u00edsico-qu\u00edmico no qual as mol\u00e9culas de um fluido aderem a uma superf\u00edcie s\u00f3lida.<\/span><\/span><\/span> esses compostos\u201d, explica Tales. Vin\u00edcius acrescenta que, nas amostras coletadas na Lomba do Sab\u00e3o, as part\u00edculas dos sedimentos s\u00e3o mais finas, uma vez que naquele ponto a \u00e1gua fica mais parada do que no restante do c\u00f3rrego: \u201cN\u00f3s encontramos um pico de contamina\u00e7\u00e3o nesse local tamb\u00e9m porque as part\u00edculas ficam mais tempo ali. \u00c0 medida que a \u00e1gua vai correndo no restante do Dil\u00favio, a granulometria dos sedimentos \u00e9 maior, porque as part\u00edculas mais finas v\u00e3o sendo carregadas pelo curso da \u00e1gua\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Plantas podem atuar como \u201cfiltro\u201d para os metais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Qualquer pessoa que passe pr\u00f3ximo ao Dil\u00favio percebe, pelo aspecto e pelo cheiro da \u00e1gua, que o arroio \u00e9 bastante polu\u00eddo. Foi pedalando \u00e0s margens do Dil\u00favio, rumo \u00e0 Faculdade de Agronomia da UFRGS, que Vin\u00edcius teve a ideia para a segunda parte da pesquisa. \u201cTodo dia, indo de bicicleta para o campus, eu ia reparando nas \u2018ilhas\u2019, e, conversando no grupo de pesquisa, decidimos que seria interessante estudar as plantas que crescem nelas, para ver o quanto elas absorviam daqueles metais\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram coletadas, ent\u00e3o, amostras de tr\u00eas esp\u00e9cies de plantas abundantes nas \u201cilhas\u201d \u2013 a braqui\u00e1ria, o sorgo e o capim-arroz \u2013 para investigar a possibilidade de us\u00e1-las para fitorremedia\u00e7\u00e3o. Tales explica que fitorremedia\u00e7\u00e3o \u00e9, basicamente, utilizar uma planta para resolver um problema. \u201cAs plantas t\u00eam capacidade de absorver elementos. Muitos elementos s\u00e3o nutrientes, porque elas precisam, por exemplo, de cobre e zinco em pequenas quantidades. Mas algumas plantas, quando expostas a altas concentra\u00e7\u00f5es de metais, conseguem absorv\u00ea-los ou realizar alguma estrat\u00e9gia, como imobilizar o metal na raiz sem que isso cause problemas a elas\u201d, acrescenta. Outras conseguem translocar os metais, isto \u00e9, transportar essas subst\u00e2ncias para a parte a\u00e9rea da planta (folhas e galhos), sem que isso necessariamente cause dano ao vegetal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_20180316_140850-editada2-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2948\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_20180316_140850-editada2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_20180316_140850-editada2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_20180316_140850-editada2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_20180316_140850-editada2.jpg 1800w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Na segunda etapa do trabalho, foram coletadas amostras de tr\u00eas esp\u00e9cies de plantas que crescem nas &#8220;ilhas&#8221; do arroio &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores queriam investigar a possibilidade de fitoextra\u00e7\u00e3o, processo no qual a planta consegue absorver o metal, transloc\u00e1-lo para a parte a\u00e9rea, e o ser humano pode retirar a parte a\u00e9rea, levar essa parte para outro local e inciner\u00e1-la para eliminar o metal. \u201cOs metais n\u00e3o se degradam naturalmente: s\u00e3o mol\u00e9culas que n\u00e3o se modificam e se acumulam. Esse \u00e9 o conceito da bioacumula\u00e7\u00e3o: se um animal consome chumbo, esse metal vai ficar nesse animal at\u00e9 o fim da vida dele. Em uma cadeia alimentar, quem consome esse animal tamb\u00e9m vai ser contaminado\u201d, esclarece Vin\u00edcius. Por isso, quando a planta transloca o metal para a parte a\u00e9rea, \u00e9 necess\u00e1rio eliminar essa parte do vegetal. Caso contr\u00e1rio, \u201cquando a planta morrer, ela vai se degradar naquele ambiente e liberar aqueles metais novamente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nenhuma das tr\u00eas plantas mostrou bons resultados para a fitoextra\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o translocaram os metais para a parte a\u00e9rea. No entanto, a braqui\u00e1ria mostrou o melhor resultado em absorver os metais e acumul\u00e1-los nas ra\u00edzes \u2013 especialmente o zinco. Isso indica que ela atua como uma esp\u00e9cie de \u201cfiltro\u201d, diminuindo a quantidade de metais que chega ao Gua\u00edba. \u201cEnquanto as braqui\u00e1rias est\u00e3o ali nas \u2018ilhas\u2019, elas est\u00e3o cumprindo um papel, um \u2018servi\u00e7o ambiental\u2019, de estabilizar aqueles metais e evitar que os peixes se contaminem mais\u201d, afirma Tales. No entanto, ele ressalta que a forma\u00e7\u00e3o das \u201cilhas\u201d traz um outro problema: o ac\u00famulo de material diminui a vaz\u00e3o do Dil\u00favio. Leonardo alerta que \u201cas plantas podem cumprir um papel, s\u00f3 que isso precisa de manuten\u00e7\u00e3o: n\u00e3o d\u00e1 pra deixar tudo como est\u00e1 agora, em que qualquer chuva forte faz a \u00e1gua subir at\u00e9 a avenida. Ao mesmo tempo, tirar todas as \u2018ilhas\u2019 \u00e9 for\u00e7ar a \u00e1gua a ser um \u2018jato\u2019 e levar tudo para o Gua\u00edba\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da dragagem do arroio, que n\u00e3o \u00e9 feita desde 2018, os pesquisadores apontam que uma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o para o Dil\u00favio seria o uso de plantas aqu\u00e1ticas para a descontamina\u00e7\u00e3o. \u201cExistem estudos que utilizam plantas que boiam na \u00e1gua, as macr\u00f3fitas, colocadas em uma esp\u00e9cie de caixa. De tempos em tempos, recolhe-se a caixa, incinera-se aquela planta, e outra caixa com outra planta \u00e9 colocada\u201d, explica Leonardo. Seria uma esp\u00e9cie de ecobarreira, mas ele frisa que, para que seja uma solu\u00e7\u00e3o efetiva, precisaria haver v\u00e1rias ecobarreiras e com manuten\u00e7\u00e3o regular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O papel da ci\u00eancia para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores apontam que o ac\u00famulo de metais no arroio \u00e9 antr\u00f3pico, ou seja, causado por a\u00e7\u00f5es humanas. Al\u00e9m do lan\u00e7amento das redes de esgoto pluvial no Dil\u00favio, o arroio \u00e9 cercado pela Avenida Ipiranga, uma das principais da cidade, pela qual passa um grande fluxo de ve\u00edculos. O desgaste dos freios e pneus dos ve\u00edculos e da manta asf\u00e1ltica, assim como a queima de combust\u00edvel aumentam a quantidade de metais que chega ao arroio, e o crescimento da \u00e1rea impermeabilizada e a falta de arboriza\u00e7\u00e3o nas margens tamb\u00e9m contribuem para a degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio curso do arroio foi modificado pelo ser humano; essas transforma\u00e7\u00f5es iniciaram em 1912, quando foram feitas modifica\u00e7\u00f5es no canal do Dil\u00favio dentro da Faculdade de Agronomia da UFRGS. Entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1980, o c\u00f3rrego foi canalizado entre a foz, no Gua\u00edba, e a Avenida Ant\u00f4nio de Carvalho, com o objetivo de conter inunda\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo, a Avenida Ipiranga foi constru\u00edda nas margens do arroio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"943\" height=\"264\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/diluvio.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2939\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/diluvio.png 943w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/diluvio-600x168.png 600w\" sizes=\"(max-width: 943px) 100vw, 943px\" \/><figcaption><em>Desenho de Carolina Burin retratando o Dil\u00favio antes e depois da canaliza\u00e7\u00e3o \u2013 Fonte: <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3AEwWEM\">https:\/\/bit.ly\/3AEwWEM<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a canaliza\u00e7\u00e3o, o Dil\u00favio passou a receber o esgoto n\u00e3o tratado da cidade. Os cientistas ressaltam que, mesmo visto como um \u201cesgoto a c\u00e9u aberto\u201d pela popula\u00e7\u00e3o da cidade, o Dil\u00favio \u00e9 um rio e tem a sua import\u00e2ncia. \u201cEle n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um canal de macrodrenagem da cidade. O Dil\u00favio tem uma biota, uma natureza ali dentro\u201d, afirma Vin\u00edcius. \u201cAt\u00e9 a Faculdade de Agronomia, ele \u00e9 um rio mesmo, com mata ciliar, animais, etc., s\u00f3 que, a partir da Av. Ant\u00f4nio de Carvalho, ele teve toda sua estrutura modificada para ser usado como macrodrenagem\u201d, complementa Leonardo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muito a ser feito em rela\u00e7\u00e3o ao saneamento b\u00e1sico em Porto Alegre. Segundo <a href=\"https:\/\/www.painelsaneamento.org.br\/localidade\/compare?id=431490\">dados do Painel do Saneamento, do Instituto Trata Brasil<\/a>, 8,7% da popula\u00e7\u00e3o da capital n\u00e3o possui coleta de esgoto, e 51,6% do esgoto da cidade n\u00e3o \u00e9 tratado. A Prefeitura aposta em uma controversa parceria p\u00fablico-privada (PPP) para melhorar esses \u00edndices: <a href=\"http:\/\/www2.portoalegre.rs.gov.br\/ppp\/default.php?p_secao=1216\">a PPP do Saneamento<\/a>, que foi iniciada na gest\u00e3o de Nelson Marchezan J\u00fanior (2017-2020) e segue em andamento pelo atual prefeito, Sebasti\u00e3o Melo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando perguntados sobre os pr\u00f3ximos passos da pesquisa e que impactos esperam que ela tenha na situa\u00e7\u00e3o do Dil\u00favio, os cientistas refor\u00e7am o quanto estudos como esse s\u00e3o necess\u00e1rios para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cO maior benefici\u00e1rio desse estudo \u00e9 a Prefeitura de Porto Alegre, que recebeu, sem custo nenhum, resultados que podem guiar pol\u00edticas p\u00fablicas de tr\u00e2nsito, meio ambiente e saneamento\u201d, afirma Leonardo. Segundo eles, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos estaduais e municipais, como a Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam) e o Departamento Municipal de \u00c1gua e Esgoto de Porto Alegre (Dmae), t\u00eam conhecimento do trabalho de Vin\u00edcius e dos resultados obtidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, os tr\u00eas pesquisadores destacam o papel da universidade p\u00fablica e da ci\u00eancia: \u201cO Dmae fazia an\u00e1lises anuais no Dil\u00favio e no Gua\u00edba, em mais de um ponto, mas n\u00e3o consegue mais fazer isso porque n\u00e3o tem verba. Ent\u00e3o, quando conseguem esses dados de uma outra fonte, \u00e9 um benef\u00edcio enorme pra eles\u201d, enfatiza Leonardo. Para Tales, a disserta\u00e7\u00e3o mostra a relev\u00e2ncia dos investimentos na ci\u00eancia: \u201cAl\u00e9m de produzir estudos de qualidade, com uma import\u00e2ncia cient\u00edfica de n\u00edvel internacional, ainda estamos formando e preparando pessoas. Quantos outros Vin\u00edcius poder\u00edamos ter por a\u00ed, pensando em estrat\u00e9gias para resolver o problema do Dil\u00favio e de outros rios?\u201d, questiona. \u201cPrecisamos de pessoas motivadas e competentes, mas para que isso ocorra precisamos de bolsas e de recursos\u201d. No PPG Ci\u00eancia do Solo, 5 bolsas de mestrado e 2 de doutorado foram cortadas, o que representa 10% das bolsas do PPG.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tales afirma que pretende seguir atuando nessa linha \u2013 no momento, ele est\u00e1 pesquisando a origem dos sedimentos do Gua\u00edba. \u201cO cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 nada favor\u00e1vel, mas a vontade de seguir \u00e9 enorme, e vamos seguir lutando at\u00e9 a \u00faltima possibilidade\u201d, afirma. J\u00e1 Vin\u00edcius n\u00e3o pretende, por enquanto, seguir no doutorado e reflete que \u00e9 desanimador ver os resultados obtidos n\u00e3o serem utilizados. \u201cRealmente esperamos que esse resultado sirva para a tomada de decis\u00e3o sobre pol\u00edticas p\u00fablicas, para mudan\u00e7a de a\u00e7\u00f5es, para mitigar esse impacto e para que o Dil\u00favio n\u00e3o seja esse canal de esgoto a c\u00e9u aberto\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">SAIBA MAIS<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Artigos cient\u00edficos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>dos Santos, V.M., de Andrade, L.C., Tiecher, T.&nbsp;et al.&nbsp;<em>The Urban Pressure Over the Sediment Contamination in a Southern Brazil Metropolis: the Case of Diluvio Stream. Water Air Soil Pollut<\/em>, 2020: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s11270-020-04504-2.\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/s11270-020-04504-2.<\/a><\/li><li>dos Santos, V. M., de Andrade, L. C., Tiecher, T. et al: <em>Phytoremediation of metals by colonizing plants developed in point bars in the channeled bed of the Dil\u00favio Stream, Southern Brazil. International Journal of Phytoremediation<\/em>, 2021: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/15226514.2021.1924614\">https:\/\/doi.org\/10.1080\/15226514.2021.1924614<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado:<\/strong><br>T\u00edtulo: <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/201786\">Caracteriza\u00e7\u00e3o dos sedimentos do Arroio Dil\u00favio e avalia\u00e7\u00e3o do potencial de fitorremedia\u00e7\u00e3o por plantas espont\u00e2neas do sistema para a carga de elementos potencialmente t\u00f3xicos<\/a><br>Autor: Vin\u00edcius Maggioni dos Santos<br>Orientador: Fl\u00e1vio Anast\u00e1cio de Oliveira Camargo<br>Coorientador: Tales Tiecher<br>Unidade: Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia do Solo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa desenvolvida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia do Solo da UFRGS (PPGCS) analisou em detalhes a contamina\u00e7\u00e3o por metais no Arroio Dil\u00favio, c\u00f3rrego que se estende por 18 km entre Viam\u00e3o e Porto Alegre. 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