{"id":565,"date":"2016-06-30T15:52:47","date_gmt":"2016-06-30T18:52:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/?p=565"},"modified":"2016-07-07T16:02:39","modified_gmt":"2016-07-07T19:02:39","slug":"projeto-caminhos-da-inovacao-na-industria-gaucha-estuda-as-empresas-e-sugere-o-que-elas-podem-fazer-para-inovar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/projeto-caminhos-da-inovacao-na-industria-gaucha-estuda-as-empresas-e-sugere-o-que-elas-podem-fazer-para-inovar\/","title":{"rendered":"Projeto Caminhos da Inova\u00e7\u00e3o na Ind\u00fastria Ga\u00facha estuda as empresas e sugere o que elas podem fazer para inovar"},"content":{"rendered":"<p>A ind\u00fastria ga\u00facha \u00e9 tradicionalmente conhecida por ser composta por micro e pequenas empresas familiares. Segundo levantamento realizado pelo N\u00facleo de Estudos em Inova\u00e7\u00e3o da UFRGS (Nitec), 86,9% das ind\u00fastrias do estado pertencem a essa categoria e 75% de todas as empresas ga\u00fachas s\u00e3o consideradas <em>low-tech<\/em>. O Nitec participa do projeto <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/nitec\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/revista_inova.pdf\">Caminhos da Inova\u00e7\u00e3o na Ind\u00fastria Ga\u00facha<\/a> em parceria com a PUCRS, Unisinos e Universidade de Caxias do Sul (UCS). O objetivo \u00e9 estudar as empresas do estado e entender por que o processo de inova\u00e7\u00e3o delas \u00e9 t\u00e3o lento.<\/p>\n<p>O N\u00facleo foi selecionado em 2009 pelo Programa de Apoio a N\u00facleos de Excel\u00eancia (Pronex) para participar desse estudo. Foram pesquisadas mais de 1.500 empresas entre 2010 e 2015. Dessas, 70 foram estudadas a fundo, ou seja, os pesquisadores acompanharam suas rotinas para avaliar seu funcionamento. Cerca de 50 pessoas, entre professores e alunos de mestrado, doutorado e gradua\u00e7\u00e3o, participam do estudo.<\/p>\n<p>O coordenador do projeto, <a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4787140T8\">Paulo Zawislak<\/a>, explica que empresas <em>low-tech<\/em> s\u00e3o aquelas \u201ccuja base tecnol\u00f3gica por tr\u00e1s dos produtos foi desenvolvida muitos anos atr\u00e1s. Como, por exemplo, a ind\u00fastria metal-mec\u00e2nica, petroqu\u00edmica, t\u00eaxtil, de alimentos, de cal\u00e7ados, entre outras\u201d.\u00a0 Ser uma empresa que se encaixa no perfil <em>low-tech<\/em> n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o seja poss\u00edvel inovar. Os fatores que pesam para que a inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorra, nesse caso, seriam a reputa\u00e7\u00e3o que a empresa j\u00e1 possui e o fato de ela n\u00e3o ser estimulada a estar sempre desenvolvendo coisas novas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhum problema em ser micro ou pequena empresa familiar e do setor tradicional. O ruim \u00e9 que, juntando essas caracter\u00edsticas, a receita do sucesso \u00e9 muito limitada. Por\u00e9m, se estivessem mais no setor <em>high-tech<\/em>, a capacidade de gera\u00e7\u00e3o de riqueza seria maior, e essa riqueza se transformaria em mais empregos, mais investimentos e em novos produtos\u201d, salienta Paulo. As ind\u00fastrias <em>high-tech<\/em> s\u00e3o as l\u00edderes em seus segmentos, aquelas que possuem n\u00edvel tecnol\u00f3gico mais elevado e investem em pesquisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>O que \u00e9 inova\u00e7\u00e3o?<\/h5>\n<p>Inova\u00e7\u00e3o s\u00e3o os esfor\u00e7os que as empresas fazem para ampliar seus ganhos e participa\u00e7\u00e3o no mercado. Ela gera empregos, renda, riqueza social e econ\u00f4mica. \u201cInova\u00e7\u00e3o \u00e9, por exemplo, eu desenvolver uma bota que seja de salto alto, que voc\u00ea n\u00e3o usa porque \u00e9 menos confort\u00e1vel. Se eu descobrir uma t\u00e9cnica de botar um salto de um jeito que n\u00e3o te machuque, isso j\u00e1 \u00e9 ci\u00eancia. Foram calculados os \u00e2ngulos e o ponto de equil\u00edbrio da mulher. E eu, como sei que meu produto \u00e9 maravilhoso, vou cobrar 30% a mais. Isso \u00e9 inova\u00e7\u00e3o num setor tradicional\u201d, comenta o coordenador.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, existem empresas inovadoras em todos os setores, como, por exemplo, a Tramontina, no setor metal\u00fargico; a Usaflex, no setor de cal\u00e7ados; e a Braskem, no setor petroqu\u00edmico. Por\u00e9m, mesmo sendo l\u00edderes, n\u00e3o s\u00e3o suficientes para dinamizar o setor como um todo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Por que as empresas n\u00e3o inovam?<\/h5>\n<p>Os motivos principais que fazem com que as empresas do Rio Grande do Sul n\u00e3o inovem s\u00e3o a falta de necessidade e a dificuldade de inovar. \u201cImagina que voc\u00ea \u00e9 uma fabricante de autom\u00f3vel e eu fa\u00e7o pe\u00e7as. Se voc\u00ea me pede sempre a mesma pe\u00e7a ao longo dos anos, voc\u00ea n\u00e3o quer que eu mude. Al\u00e9m disso, quanto mais eu fizer do mesmo, mais barato ficar\u00e1, o que para ti \u00e9 uma vantagem. Por um lado, as empresas n\u00e3o t\u00eam necessidade de inovar, porque o cliente n\u00e3o quer que elas inovem; por outro, elas t\u00eam dificuldade porque o recurso que sobra n\u00e3o \u00e9 suficiente\u201d, explica Paulo.<\/p>\n<p>Outro fator seria a dist\u00e2ncia entre a regi\u00e3o metropolitana e as ind\u00fastrias do interior. \u201cPor que fica mais dif\u00edcil entrar no setor de maior complexidade tecnol\u00f3gica? Porque est\u00e1 mais longe das universidades, h\u00e1 maior dificuldade de encontrar pessoas qualificadas e a m\u00e3o de obra \u00e9 mais restrita.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>O que fazer para inovar?<\/h5>\n<p>Paulo sugere a reconvers\u00e3o competitiva \u2013 aproveitar as caracter\u00edsticas que aparentemente parecem ser defeitos e transform\u00e1-las em vantagens. \u201cPor exemplo, voc\u00ea pode continuar produzindo em pequena escala, mas desenvolve um produto especial.\u201d \u00c9 um processo de agrega\u00e7\u00e3o de valor em nichos de produtos cada vez mais espec\u00edficos.<\/p>\n<p>O Nitec tamb\u00e9m realiza, em parceria com as empresas, o diagn\u00f3stico das organiza\u00e7\u00f5es. \u201cVemos como \u00e9 seu laborat\u00f3rio, sua f\u00e1brica, seu escrit\u00f3rio e sua loja; e depois fazemos o plano de inova\u00e7\u00e3o. Se o forte dela \u00e9 opera\u00e7\u00e3o, n\u00f3s intervimos para aumentar a efici\u00eancia, diminuir o desperd\u00edcio, aumentar a qualidade, reduzir o tempo\u201d, comenta o coordenador.<\/p>\n<p>Existem quatro caracter\u00edsticas b\u00e1sicas em uma empresa: <em>desenvolvimento<\/em> (representado pelo laborat\u00f3rio), <em>opera\u00e7\u00e3o<\/em> (f\u00e1brica), <em>gest\u00e3o<\/em> (escrit\u00f3rio) e <em>comercial<\/em> (loja). Oitenta por cento das ind\u00fastrias do Rio Grande do Sul s\u00e3o focadas em desenvolvimento e opera\u00e7\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m quatro tipos de empresas: as pouco inovadoras, as operacionais, as de gest\u00e3o e marketing e as tecnol\u00f3gicas. Para cada uma delas, existe uma capacidade diferente de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para avan\u00e7ar do perfil \u201cpouco inovador\u201d para o \u201coperacional\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio que haja altera\u00e7\u00e3o do foco para a fabrica\u00e7\u00e3o de produtos mais especiais. Para evoluir de \u201coperacional\u201d para \u201cgest\u00e3o e marketing\u201d, sugere-se que a empresa desenvolva sua marca e invista em nichos de mercado. E, para ascender de \u201cgest\u00e3o e marketing\u201d para \u201ctecnol\u00f3gica\u201d, deve-se focar no dom\u00ednio tecnol\u00f3gico de desenvolvimento de novos produtos. Paulo salienta que n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel fazer o salto de \u201cpouco inovadora\u201d para \u201ctecnol\u00f3gica\u201d, o que geralmente acaba acontecendo, e refor\u00e7a que esse \u00e9 o erro que empresas cometem quando tentam inovar. Deve ser um movimento gradual, de etapa em etapa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_569\" aria-describedby=\"caption-attachment-569\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/empresas-ga\u00fachas-distribui\u00e7\u00e3o-por-setores-principais-e-mesorregi\u00f5es.jpg\" rel=\"attachment wp-att-569\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-569\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/empresas-ga\u00fachas-distribui\u00e7\u00e3o-por-setores-principais-e-mesorregi\u00f5es.jpg\" alt=\"Distribui\u00e7\u00e3o das empresas ga\u00fachas por setores principais e mesorregi\u00f5es - Fonte: Caminhos da Inova\u00e7\u00e3o na Ind\u00fastria Ga\u00facha\" width=\"660\" height=\"668\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/empresas-ga\u00fachas-distribui\u00e7\u00e3o-por-setores-principais-e-mesorregi\u00f5es.jpg 860w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/empresas-ga\u00fachas-distribui\u00e7\u00e3o-por-setores-principais-e-mesorregi\u00f5es-593x600.jpg 593w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-569\" class=\"wp-caption-text\">Distribui\u00e7\u00e3o das empresas ga\u00fachas por setores principais e mesorregi\u00f5es &#8211; Fonte: Caminhos da Inova\u00e7\u00e3o na Ind\u00fastria Ga\u00facha<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ind\u00fastria ga\u00facha \u00e9 tradicionalmente conhecida por ser composta por micro e pequenas empresas familiares. 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