{"id":585,"date":"2016-07-07T15:56:46","date_gmt":"2016-07-07T18:56:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/?p=585"},"modified":"2016-07-14T09:35:37","modified_gmt":"2016-07-14T12:35:37","slug":"pesquisadores-estudam-efeitos-de-programa-de-intervencao-para-mudar-atitudes-de-profissionais-da-saude-em-relacao-a-populacao-lgbt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/pesquisadores-estudam-efeitos-de-programa-de-intervencao-para-mudar-atitudes-de-profissionais-da-saude-em-relacao-a-populacao-lgbt\/","title":{"rendered":"Estudo avalia efeitos de programa de interven\u00e7\u00e3o para mudar atitudes de profissionais da sa\u00fade em rela\u00e7\u00e3o a LGBTs"},"content":{"rendered":"<p>Uma sociedade ideal seria aquela que respeita todos os seres humanos. Na qual o afeto e o carinho possam ser expressos de forma livre, independentemente da orienta\u00e7\u00e3o sexual e\/ou da identidade de g\u00eanero. Mas isso ainda n\u00e3o ocorre. O Brasil n\u00e3o tem uma lei que criminaliza a discrimina\u00e7\u00e3o contra l\u00e9sbicas,\u00a0gays,\u00a0bissexuais,\u00a0travestis,\u00a0transexuais\u00a0e\u00a0transg\u00eaneros (LGBT). Em Porto Alegre, por\u00e9m, existe uma legisla\u00e7\u00e3o desde 1996 que prev\u00ea san\u00e7\u00f5es administrativas nesses casos (<a href=\"http:\/\/www2.portoalegre.rs.gov.br\/cgi-bin\/nph-brs?s1=000022938.DOCN.&amp;l=20&amp;u=%2Fnetahtml%2Fsirel%2Fsimples.html&amp;p=1&amp;r=1&amp;f=G&amp;d=atos&amp;SECT1=TEXT\">Artigo 150, Emenda \u00e0 Lei Org\u00e2nica n\u00ba 08\/1994<\/a>). Essa lei foi resultado da press\u00e3o de um importante movimento LGBT que promove as paradas do orgulho gay desde o mesmo ano na cidade. O Rio Grande do Sul tem uma legisla\u00e7\u00e3o semelhante desde 2002 (<a href=\"http:\/\/www.al.rs.gov.br\/filerepository\/repLegis\/arquivos\/11.872.pdf\">Lei n\u00ba 11.872<\/a>). O estado tamb\u00e9m possui um decreto (<a href=\"http:\/\/www.al.rs.gov.br\/filerepository\/repLegis\/arquivos\/DEC%2048.118.pdf\">n\u00ba 48.118<\/a>) que exige que pessoas <em>trans<\/em> sejam tratadas pelo seu nome social \u2013 nome escolhido pela pessoa \u2013, proporcionando um documento de identifica\u00e7\u00e3o do estado, j\u00e1 que o governo federal ainda n\u00e3o permite a retifica\u00e7\u00e3o do documento.<\/p>\n<p>Apesar disso, dados oficiais da Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica apontam que, em 2012, no Rio Grande do Sul, foram registradas 202 acusa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e 396 notifica\u00e7\u00f5es de viola\u00e7\u00f5es de direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBT, incluindo abuso psicol\u00f3gico (166), discrimina\u00e7\u00e3o em geral (145), viola\u00e7\u00e3o a integridade f\u00edsica (58), viol\u00eancia sexual (10), viol\u00eancia institucional (3) e abuso financeiro (1). Vale ressaltar que o Brasil tem uma das maiores taxas de homic\u00eddio de transexuais, com 689 casos registrados em 2015, de acordo com o Projeto de Monitoramento <em>Trans Murder<\/em>.<\/p>\n<p>Em \u00e2mbito nacional, existe a Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral de L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. O documento \u00e9 de 2011 e reafirma o que determina a Constitui\u00e7\u00e3o Federal \u2013 a sa\u00fade como um direito b\u00e1sico, sem discrimina\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, cor ou g\u00eanero \u2013 e estabelece diretrizes para que esse direito seja colocado em pr\u00e1tica. Atualmente tamb\u00e9m existe a garantia da realiza\u00e7\u00e3o de cirurgias de transexualiza\u00e7\u00e3o pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Desde a sua inclus\u00e3o no SUS, em 2008, o n\u00famero de procedimentos saltou de 101 para 3.157 em 2014, de acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Os repasses para o custeio desses procedimentos cresceram 832,5% no per\u00edodo, chegando a R$ 154,8 mil. Desde 2008, foram 9.867 cirurgias realizadas. Hoje os procedimentos s\u00e3o efetuados no Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e nos hospitais de Cl\u00ednicas de Goi\u00e2nia, Recife, S\u00e3o Paulo e Porto Alegre \u2013 que possui, desde 1998, o Programa de Identidade de G\u00eanero (Protig), que visa fornecer para o indiv\u00edduo <em>trans<\/em> e sua fam\u00edlia assist\u00eancia m\u00e9dica, apoio psicol\u00f3gico, orienta\u00e7\u00e3o familiar e a cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o sexual, junto com terapia hormonal, pelo SUS.<\/p>\n<p>\u201cO relato dessas pessoas \u00e9 que \u00e9 muito dif\u00edcil acessar o servi\u00e7o de sa\u00fade e, quando acessam, sofrem discrimina\u00e7\u00f5es de todos os tipos\u201d, afirma o professor <a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4243755U2\">Angelo Brandelli<\/a>, que publicou, em parceria entre a UFRGS e a Secretaria Estadual da Sa\u00fade, artigo que avalia a efic\u00e1cia de uma interven\u00e7\u00e3o multidimensional (educacional, afetiva e comportamental) para mudar as atitudes de profissionais da sa\u00fade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBT. \u201cMe convocaram para ser o coordenador do processo de cria\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Estadual de Sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o LGBT. Eu j\u00e1 pesquisava nessa diretriz desde o mestrado e pensei em como eu poderia aplicar meu conhecimento, um conhecimento mais te\u00f3rico, na pr\u00e1tica\u201d, observa. De acordo com Angelo, um fator determinante para a realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa foi a demanda do movimento social de aumentar o conhecimento e as habilidades dos profissionais para melhorar a qualidade de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o LGBT, protegendo-a contra viola\u00e7\u00f5es e discrimina\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de aumentar a consci\u00eancia das necessidades espec\u00edficas desse grupo. \u201cN\u00f3s fingimos que o Brasil \u00e9 um lugar muito f\u00e1cil de viver, mas na verdade \u00e9 um pa\u00eds muito violento com as minorias. Precisamos combater esse preconceito, principalmente na sa\u00fade, que \u00e9 a \u00e1rea que vai acolher essas pessoas\u201d, observa o professor. O tema tamb\u00e9m foi assunto na <a href=\"https:\/\/issuu.com\/jornaldauniversidade\/docs\/ju_192_-_julho_2016\/6\">edi\u00e7\u00e3o de julho do Jornal da Universidade<\/a>, que traz uma hist\u00f3ria de discrimina\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da sa\u00fade.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado em um curso a dist\u00e2ncia pela plataforma Moodle\/UFRGS com dura\u00e7\u00e3o de quatro semanas. Divulgado atrav\u00e9s dos canais da Secretaria Estadual da Sa\u00fade, que convidaram profissionais da sa\u00fade a, primeiramente, responderem um question\u00e1rio, \u201cesse estudo faz parte da pr\u00e1tica cotidiana das pessoas. Fiquei feliz com os que quiseram participar\u201d, afirma o pesquisador. Os participantes poderiam trabalhar em qualquer \u00e1rea da sa\u00fade \u2013estudantes n\u00e3o poderiam ser inclu\u00eddos \u2013 e tamb\u00e9m deveriam exercer sua profiss\u00e3o no Rio Grande do Sul, tanto em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas quanto privadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><strong>Interven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h5>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o teve tr\u00eas componentes: educacional, afetivo e comportamental. Na parte de educa\u00e7\u00e3o, foi realizado um curso de autoaprendizagem, com conte\u00fado desenvolvido por especialistas em g\u00eanero e sexualidade, profissionais da sa\u00fade e membros da comunidade LGBT. Na primeira semana, houve uma apresenta\u00e7\u00e3o do quadro jur\u00eddico brasileiro sobre prote\u00e7\u00f5es e garantias de sa\u00fade LGBT e uma introdu\u00e7\u00e3o ao tema da discrimina\u00e7\u00e3o e sua rela\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade. Na segunda semana, foram exibidos conceitos b\u00e1sicos sobre g\u00eanero e sexualidade. Na terceira semana, o curso mostrou melhores pr\u00e1ticas de cuidados com a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o LGBT, discutindo equ\u00edvocos populares e descontruindo mitos e estere\u00f3tipos.<\/p>\n<p>No componente comportamental, na primeira semana, foi solicitado aos participantes que relatassem alguma experi\u00eancia com LGBTs. No caso de nenhuma experi\u00eancia, os participantes foram incentivados a tomar a perspectiva de um LGBT e imaginar como o contato poderia acontecer. Na segunda semana, os participantes criaram um plano de avalia\u00e7\u00e3o da necessidade de um usu\u00e1rio do servi\u00e7o de sa\u00fade LGBT, com base no conte\u00fado do curso educacional. Durante a terceira semana, os participantes foram convidados a organizar uma a\u00e7\u00e3o para melhorar a sa\u00fade de pessoas LGBTs em seus servi\u00e7os. Por fim, foi pedido aos participantes que avaliassem a atividade proposta na semana anterior e, no caso de n\u00e3o serem capazes de implementar a a\u00e7\u00e3o, houve conversas sobre barreiras institucionais, medos e ansiedades.<\/p>\n<p>No componente afetivo, os profissionais participaram em grupos de aproximadamente 20 pessoas, acompanhadas por um tutor (poderiam ser profissionais da sa\u00fade, ativistas LGBT e estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no campo da sa\u00fade e de assuntos relacionados aos LGBT). De acordo com o artigo, todos os participantes apresentaram sinais de afli\u00e7\u00e3o no in\u00edcio da interven\u00e7\u00e3o. Os tutores foram instru\u00eddos a conversar sobre d\u00favidas individuais \u2013 se houvesse \u2013 e a mediar discuss\u00f5es em grupo nos f\u00f3runs. Na primeira semana, os participantes comentaram sobre dois v\u00eddeos que mostraram relatos de discrimina\u00e7\u00e3o em servi\u00e7os de sa\u00fade. Nas tr\u00eas semanas seguintes, os participantes foram instru\u00eddos a comentar sobre as atividades de outros nos f\u00f3runs. Nesse per\u00edodo, os tutores incentivaram discuss\u00f5es, com aten\u00e7\u00e3o redobrada para casos de manifesta\u00e7\u00f5es de cren\u00e7as preconceituosas.<\/p>\n<p>Algumas diretrizes foram seguidas para a realiza\u00e7\u00e3o do estudo:<\/p>\n<ul>\n<li>Como os profissionais da sa\u00fade se manifestavam com LGBTs antes do programa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas caracter\u00edsticas sociodemogr\u00e1ficas;<\/li>\n<li>A preval\u00eancia de epis\u00f3dios de discrimina\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os de sa\u00fade, conforme relatado pelos praticantes;<\/li>\n<li>O efeito do programa em grupos notoriamente associados com n\u00edveis mais elevados de preconceito (homens, pessoas religiosas, habitantes de cidades pequenas e pessoas que n\u00e3o tinham educa\u00e7\u00e3o anterior sobre o assunto).<\/li>\n<\/ul>\n<p>No in\u00edcio e no final do programa, os participantes foram convidados a responder um question\u00e1rio. As perguntas relacionadas ao t\u00f3pico sociodemogr\u00e1fico envolveram quest\u00f5es referente a sexo, idade, n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o, densidade populacional do lugar de resid\u00eancia (menos de 100.000 habitantes; entre 100.000 e 500.000 habitantes; mais de 500.000 habitantes) e religiosidade. Al\u00e9m disso, os participantes foram questionados sobre a sua profiss\u00e3o: ocupa\u00e7\u00e3o (enfermagem, psicologia, medicina, etc.), natureza da atividade (assist\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o, etc.), \u00e1rea de atividade (n\u00edvel municipal, estadual, federal, servi\u00e7o privado ou ONG) e n\u00edvel de cuidados (prim\u00e1rio \u2013 cl\u00ednicas comunit\u00e1rias; secund\u00e1rio \u2013 cl\u00ednicas especializadas; terci\u00e1rio \u2013 grandes hospitais; ou outro \u2013 escolas, penitenci\u00e1rias, ONG, etc.). Os participantes tamb\u00e9m foram questionados quanto a experi\u00eancias anteriores em cursos ou atividades relacionadas \u00e0 diversidade sexual e de g\u00eanero. Por fim, o question\u00e1rio perguntava se os participantes tinham visto ou sabiam de qualquer humilha\u00e7\u00e3o, agress\u00e3o f\u00edsica ou maus-tratos de um LGBT em seu servi\u00e7o de sa\u00fade.<\/p>\n<p>457 participantes foram inscritos no programa. Desses, 307 concordaram em participar e completaram o estudo pr\u00e9 e p\u00f3s-avalia\u00e7\u00e3o. A m\u00e9dia de idade foi de 34 anos, com o m\u00e1ximo de 62 anos e o m\u00ednimo de 18. Quase 70% j\u00e1 tinham participado de atividades educacionais sobre diversidade sexual e de g\u00eanero anteriormente. Considerando, contudo, pessoas de cidades menores, com menos de menos de 100.000 habitantes, esse n\u00famero cai para 65,2%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Resultados<\/h5>\n<p>O n\u00edvel de preconceito dos profissionais da sa\u00fade antes da interven\u00e7\u00e3o, em \u00e2mbito geral, era alto. Apenas 11% dos participantes se encaixavam no n\u00edvel m\u00ednimo de preconceito. J\u00e1 no final do programa, esse n\u00famero subiu para 19,87%. Cerca de 70% dos participantes n\u00e3o tinham conhecimento sobre o tema; 24% j\u00e1 tinham ouvido falar sobre o assunto; e quase 7% testemunharam discrimina\u00e7\u00e3o em servi\u00e7os de sa\u00fade. No in\u00edcio do curso, os n\u00edveis de preconceito entre os homens, embora maior, n\u00e3o apresentaram diferen\u00e7a estat\u00edstica quando comparados \u00e0queles entre as mulheres. No entanto, a interven\u00e7\u00e3o teve quase o dobro de efeito entre as elas. Quanto ao n\u00edvel de preconceito por densidade de popula\u00e7\u00e3o do local de resid\u00eancia, permanece o mesmo do in\u00edcio da interven\u00e7\u00e3o. Cidades com mais de 500.000 habitantes tinham n\u00edveis mais baixos de preconceito; em seguida, cidades entre 100.000 e 500.000; e, por fim, cidades com menos de 100.000 habitantes, que apresentaram n\u00edveis maiores. Aqueles que possu\u00edam algum tipo de religiosidade n\u00e3o apresentaram diferen\u00e7as significativas no n\u00edvel de discrimina\u00e7\u00e3o no in\u00edcio e no final da interven\u00e7\u00e3o, diferente dos n\u00e3o religiosos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores observaram que o preconceito era maior entre aqueles com menor escolaridade, habitantes de cidades menores, sem conhecimento pr\u00e9vio sobre o assunto e religiosos. \u00a0Apesar dos elevados n\u00edveis de preconceito, 68,74% dos profissionais n\u00e3o tinham conhecimento de epis\u00f3dios de discrimina\u00e7\u00e3o em seus servi\u00e7os. Quando considerado apenas aqueles com o menor grau de preconceito, o percentual cai para 44%. Segundo o artigo, esse resultado pode se dever ao fato de que os outros profissionais n\u00e3o t\u00eam conhecimento b\u00e1sico para identificar a discrimina\u00e7\u00e3o, incluindo a emitida por eles.<\/p>\n<p>Segundo o professor, apesar da redu\u00e7\u00e3o, o programa n\u00e3o eliminou completamente o preconceito. \u201cEstamos em um contexto que refor\u00e7a o preconceito, ent\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil reduzir apenas com uma a\u00e7\u00e3o, mas ficamos felizes que teve alguma redu\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>De acordo com Angelo, as pesquisas e interven\u00e7\u00f5es nesse contexto s\u00e3o recentes e escassas no Brasil. \u201cA \u00e1rea do preconceito \u00e9 muito nova, viv\u00edamos em uma ditadura at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, n\u00e3o tinha como estudar esse tema.\u201d O professor conta que os cursos na \u00e1rea da sa\u00fade colaboram para a dissemina\u00e7\u00e3o do preconceito. \u201cN\u00e3o falar da diversidade \u00e9 deixar o preconceito surgir, pois vivemos em uma sociedade muito conservadora, e se a universidade n\u00e3o assume o papel de combater isso, \u00e9 evidente que os profissionais v\u00e3o reproduzi-lo\u201d, observa. Em outra pesquisa realizada por seu grupo, o professor <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=e5YOipHKVi4\">mapeou o n\u00edvel de preconceito entre universit\u00e1rios da UFRGS<\/a>, mostrando que os cursos na \u00e1rea da sa\u00fade apresentam um n\u00edvel alto de preconceito.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m afirma que \u00e9 necess\u00e1rio um conjunto de estrat\u00e9gias para mudar esse cen\u00e1rio, como legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que puna pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias, a\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas nos cursos na \u00e1rea da sa\u00fade e, para os profissionais que j\u00e1 est\u00e3o no mercado, capacita\u00e7\u00f5es educativas que possibilitem o contato com pessoas da comunidade LGBT.<\/p>\n<p>Angelo est\u00e1 otimista quanto ao impacto do trabalho. \u201cEsse estudo mostra como a psicologia tem uma utilidade pr\u00e1tica no campo da sa\u00fade coletiva, visto que geralmente a vemos apenas como cl\u00ednica\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Artigos cient\u00edficos<\/h5>\n<p>COSTA, A. B. et al. <a href=\"http:\/\/hpq.sagepub.com\/content\/21\/3\/356.full\">Effectiveness of a multidimensional web-based intervention program to change Brazilian health practitioners attitudes toward the lesbian, gay, bisexual and transgender population<\/a>. Journal of Health Psychology, [s.l.], v. 21, n. 3, p.356-368, 1 mar. 2016. SAGE Publications.<\/p>\n<p>COSTA, Angelo Brandelli et al. <a href=\"http:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs13178-015-0191-z\">Prejudice Toward Gender and Sexual Diversity in a Brazilian Public University: Prevalence, Awareness, and the Effects of Education<\/a>.\u00a0Sex Res Soc Policy,\u00a0[s.l.], v. 12, n. 4, p.261-272, 6 maio 2015. Springer Science + Business Media.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma sociedade ideal seria aquela que respeita todos os seres humanos. Na qual o afeto e o carinho possam ser expressos de forma livre, independentemente da orienta\u00e7\u00e3o sexual e\/ou da identidade de g\u00eanero. Mas isso ainda n\u00e3o ocorre. 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